Intervalo

sábado, 29 de dezembro de 2007

Happy new year!


Criatura patética é o homem! Se há nas alturas um deus que tenha nos criado, ele deve rir a pencas com essa criatura chamada homem... comemoramos cada evento... o mais bizarro é a passagem de ano... sabemos que a cada segundo que corre no relógio é um segundo a menos na nossa inútil e insignificante existência, no entanto calorosamente comemoramos nossa própria tragédia... Seguindo o ritual corrente na cultura humana, posto nesse blog meus pezares pelo ano que entra. Tudo de bom. Criemos vergonha e sejamos mais humanos para com os outros, não sejamos falsos apenas na virada do ano desejando sorrindo às pencas Feliz Ano Novo... Que 2008 de um certo modo sirva de exemplo para que o que não presta seja despejado pro além, no mais, comemoremos nossa morte...

Happy New Year!

Intervalo

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal?

Bom, às vesperas da data que instituimos para comemorar o nascimento daquele que foi o grande e o mais mal interpretado filósofo, assim posso dizer, só resta desejar a todos os meus amigos tudo de bom; que não nos preocupemos com presentes materiais como muitos fazem nessa época de capital desenfreado... Desejo esse feliz natal não apenas aos amigos, mas também àqueles que sem nada o que fazer na net esbarram por aqui e acabam de uma forma ou de outra fazendo com que este blog aqui permaneça. Não entro em recesso... só fico um pouco mais lento nas postagens, mas paciência; as coisas estão mesmo corridas e, por mais que tentemos não aderir a esse desenfreado mundo que vivemos ainda assim ele nos arrasta.
Negrito

Intervalo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

(Foto: Fox/Divulgação do filme The Passion, Mel Gibson)


Se tem uma coisa que tem intrigado muita gente que ainda se vê enfiada nos cânones religiosos, principalmente o cristão é mecher com o sagrado; lembro-me bem de um congresso que fui neste ano e falei sobre as personagens Deus e o Diabo dessa obra prima da literatura que é "O evangelho segundo Jesus Cristo", de nosso nobelista José Saramgo, a quem adiro e muito e um senhor da platéia que assistiu aos meus quinze mirrados tempo de apresentação... Saramago só não recebeu o nome de Deus noutras conversas rápidas que tive com ele depois no alojamento... Mas oh, tem uma coisa, cá pra nós, "O evangelho" deveria mesmo ser pregado nas homilias e cultos religiosos cristão porque nunca li (e olha que já li os quatro da Sagrada Escritura) obra com real beleza e proximidade à figura do Cristo tão exorcizada do discurso religioso cristão. Antes mesmo de expressar isso que aconteceu comigo nesse evento miremos mesmo para o que o aconteceu ao escritor lusitano quando da publicação dessa obra.

O livro O evangelho segundo Jesus Cristo do escritor português José Saramago é uma experiência literária imperdível. Publicado em 1991, o livro tornou-se um dos mais polêmicos da carreira do escritor. E também um dos mais vendidos. Por causa dele, Saramago foi duramente criticado e até considerado sacrílego, mas isso apenas confirmou que sua obra mexe com o leitor.

Quem imagina encontrar apenas crítica à religião está muito enganado. É uma obra que põe em dúvida não só a sacralização da história bíblica, mas também a sacralização científica. A própria linguagem mais próxima da falada (como se fosse um diálogo) já é uma diferenciação da linguagem sagrada das escrituras. Não se trata, entretanto, de um livro realista e sim de uma tentativa de contar uma história de um ponto de vista humano. Para isso, o foco do livro.o é um Jesus humanizado.

A POESIA DE MYRIAM COELI

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007














Entre sombra e pedra

desfolhada rosa
solitário espinho
que, alado e mudo,
perpassa o tempo.
(O tempo do tempo
que tempo já era).

(Myriam Coeli)

Hoje quero apresentar uma outra escritora potiguar de fundamental importância ao cenário da literatura do Estado. Trata-se-se Myriam Coeli. Nascida em Manaus, em 19 de nov de 1926, foi trazida ainda criança para São José do Mipibu, cidade interiorana do estado do Rio Grande do Norte. Estudou em Natal e no Recife, chegando a Esapanha onde diplomou-se pela Escola Oficial de Jornalismo de Madrid. Com isso foi a primeira profissional de jornalismo feminina a ocupar o devido lugar trabalhando em jornais como Diário de Natal, Tribuna do Nordeste e A República.

Publica sua primeira obra em 1961, Imagem Virtual, escrito em parceria com o seu marido Celso da Silveira; em 1980, saía do prelo o segundo, Vivência sobre vivência e Cantigas de Amigo;1981, o terceiro, Inventário.

Morre em 1982, vítima de um câncer.


Crítica em torno de sua obra

O universo poético de Myriam Coeli é construído à base da ternura e vigor, metafísica e cotidiano, dor e lúcida revolta, parafraseando Tarcísio Gurgel em seu livro Informações da Literatura Potiguar. "Versos límpidos, idéias depuradas pela utilização de um léxico e uma sintaxe onde a nota predomiante é a elegância de uma poesia clássica, na adequada acepção deste termo, e nenhum lamento que visasse à exploração de seu próprio sofrimento pessoal." (GURGEL, 2001, p. 99-100).

Da obra Vivência sobre vivência, Irma Chaves, na sua obra O jogo da criação, comenta que "desde o título, a repetição se propõe como base para o jogo que consiste em estabelecer novas relações entre elementos já dados de forma a ampliar o campo de significação. Isoladamente não se encontra a invenção em quaisquer dos níveis dessa construção poética. O léxico, a sintaxe, a imagética, o ritmo, tudo se inscreve, com raras excessões, na tradição literária." (1984, p. 78)

Em Cantigas de Amigo, um aparente anacronismo, desfastio poético, só jusificável por sua indiscutível capacidade de criar, emenda Tarcísio Gurgel.


Amostra da poética de Myriam Coeli


Réquien Para Uma Ama
De sua boca, de risos claros, cantigas sacudiram
as transparentes imagens de um mundo simples e terno.
Suas palavras que artesãos construíram de puros metais
me descerraram a vida e levaram coros para a minha
imaginação.

Os seus braços tinham firmeza de barco e doçura de vôos
para seduzirem a minha infância.
A pureza de seu coração
desabrochou ternuras para os meus dias.

A sua lembrança me comove
nesta hora sombria de meu canto.

01 de setembro de 1958



Variações para o Rondó

Para minha avó Maria Carolina

De compostura conventual,

a avó que foi sinhá

e as avós da avó

sentam-se em longas mesas

cobertas de linho branco de delicados bordados.

Tão meninas e tão barrocas,

metidas em tantas roupas

sobrando nos sofás.

De velhas estórias que se guardam, ficaram as avós

como a lenda na lembrança,

deixando-se servir por negras de África,

em porcelanas de Inglaterra e França.

Porque de sins serviam a seus senhores.

Tão meninas e tão barrocas,

de estremeços maternais

viviam essas sinhás.

Para os folguedos não esquecidos

da quadra infantil,

nas grandes salas, valsas de piano ressoavam,

o riso, o choro de crianças

e os embalos das mucamas.

Essas meninas barrocas

lembravam suas bonecas

esquecidas nos sofás.

Tinham gestos breves das polcas e dos minuetos

deslizantes em salões de pinho de Riga - pés gracis;

e os falares intrigantes, embora de amor constante.

Nas cabeças inquietas, sonho que desatina.

O sorriso se escondia por trás de leques da China.

Tão meninas e tão barrocas,

de graça muita. alegria pouca,

suspiravam essas sinhás.

Tão românticas passaram em varandas patriarcais

de apuradas formas de ânforas, rosetas e flor de lis

e em lembranças se arrumaram

assim em retratos, de golas altas e cabelos em bandós,

ornatos de colares de ouro, e pedrarias,

tão infantas, Deus meu, mas tão matriarcais,

tão sós e tão serenas em suas estampas retocadas.

tão meninas e tão barrocas,

enfatuadas com tantas roupas,

rendando nos sofás,

que hoje para esta avó de avoengas sinhás

o meu beijo dirijo, assaz respeitoso,

neste século XX desgracioso,

sem dengues, sem leques,

sem doçuras de sinhás.

Ah! quem nos dera assim meninas tão barrocas,

vestidas naquelas mesmas roupas

arrumadas nos sofás!

Marinha

O mar, sacudido pela viração, desata seu canto. As rochas parecem mover-se palpitantes — pássaros de pedras — na solidão. Agita-lhes os braços esverdeados das ondas inquietas. Braços de ondas que se enroscam nas pedras e oferecem flores de espumas. O mar se movimenta em seu volume verde vivo. Canta e vive. Sacode-se em ondas e dança na tarde, numa ilimitada alegria de luz. Sacode-se, dança e vive. Palpitante de vida, trêmulo de músicas, o mar desliza na tarde numa tocante comunicação de beleza. Há pássaros, gritos de pássaros, trinados de pássaros em seu canto. Há maior que o canto, a solidão imensa desse mar que se arrasta numa inconseqüente alegria, numa inútil palpitação e numa incompreendida harmonia. O mar é o mistério. É a própria solidão.

As pedras caminham. Há uma procissão de rochas no silêncio da tarde. Elas caminham pelo mar, sem destino, caminham dia e noite, incansáveis, insofridas. Perdem-se sob uma nuvem de espumas, reaparecem escuras e desalentadas e caminham em sua resignação.

O mar apenas se importa com o canto. Porém, há outros motivos que se harmonizam com sua indecifrável beleza. Velas douradas que se incendeiam na luz do sol que envelhece. Peixes de dorso brilhante fazem cambalhotas, traçam elipses com seus corpos esguios e se aprofundam nas águas inconstantes. Búzios coloridos guardam vozes estranhas e toda uma vegetação palpita e se desenvolve no segredo dessas águas milenares...

(In A República, 20/ 10/ 1957)


Obra

Imagem virtual. (Com Celso da Silveira). Natal: Imprensa Oficial, 1961.

Vivência sobre vivência. Natal: Editora Universitária da UFRN, 1980.

Cantigas de amigo. Natal: Editora Clima, 1981. (Prêmio Othoniel Menezes)

Inventário. Natal: Fundação José Augusto, 1981. (Prêmio Fundação José Augusto)

Catarse (poemas)

Edição póstuma:

Da Boca do lixo à construção servil — o livro do povo. Natal: Boágua, 1992.

Referencial teórico acerca da obra da autora

DUARTE, Constância Lima. "Uma leitura de Cantigas de Amigo, de Myriam Coeli". In Vivência. Revista Semestral da UFRN / CCHLA. Natal: vol. 8, n. 2, jul. dez., 1994.

TAVARES, Diva Sueli. "Cantigas de ontem e de hoje — Estudo comparativo entre as cantigas medievais, de D. Dinis, e Cantigas de amigo, de Myriam Coeli". Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, UFRN, 1999.


Referencial consultado

GURGEL, Tarcísio. Informações da Literatura Potiguar. Natal: Argos, 2001.

http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/catalogo/myriamCoeli_vida.html

http://www.revista.agulha.nom.br/mcoeli.html


minhas falas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Auta de Souza em destaque no caderno Domingo do Jornal de Fato, 9 de dezembro.

A edição do Caderno Domingo do dia 9, ontem, veio com um artigo acerca da poetisa potiguar Auta de Souza, de Pedro Fernandes (o mesmo autor deste blog); balanço, de certa forma, das discussões desenvolvidas em torno de sua obra nos três dias de minicurso na XIV Semana de Letras e Artes.

A seguir posto o artigo

Rememorando Auta de Souza

Pedro Fernandes de Oliveira Neto

aluno do sétimo período de Letras, UERN.

Que tempo estive não sei!

Do mundo inteiro distante,

O jardim naquele instante,

Foi a terra que eu amei.

(fragmento do poema Goivos, Auta de Souza)

Há 106 anos, no dia 7 de fevereiro, falecia, vítima da dama branca – assim era como chamavam a tuberculose – a poetisa potiguar Auta de Souza. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza e irmã de dois políticos intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza, Auta nasceu em Macaíba em 12 de setembro de 1876; tinha então exatos 24 anos quando da sua morte. Falando em morte, essa foi fiel em torno de sua existência, uma vez que sua mãe morre quando ainda só tinha três anos e seu pai quando tinha cinco anos de idade, levando-a de Macaíba, sua terra natal, para morar com seus avós maternos, em Recife, sendo que, seu avô havia falecido também no mesmo ano em que o pai morrera, 1882. Ainda mais tarde outra vez ela, a morte, vem marcar-lhe sua vida e talvez essa marca ela tenha carregado consigo durante toda sua vida: seu irmão mais novo, Irineu Rodrigues de Souza, então com doze anos, foi incendiado na sua frente devido a um acidente com um candeeiro.

Estudou no Colégio Vicente de Paulo no Recife, instituição mantida por uma fundação francesa vicentina e lá ficou até os catorze anos, quando adquire tuberculose e volta para o Estado numa romaria que a leva por lugares diversos, como Angicos, Nova Cruz, Serra da Raiz (PB) etc. sempre em busca de bons ares. A educação recebida por Auta nesse colégio tem sido muitas vezes utilizada como justificativa à sua intelectualidade, quando muito se sabe é que as meninas órfãs recebiam apenas uma educação que primava pela moralização e pelo caráter religioso, ressaltando para o convívio social exigido para uma senhora burguesa; na verdade, sua formação intelectual aprimorou-se sozinha, tornou-se autodidata, não descartando, que ela teve a sorte de viver com os irmãos que desde cedo se mantinham em contato permanente com as produções literárias contemporâneas ao seu tempo.

Como poetisa norte-rio-grandense foi a que mais ficou conhecida fora do Estado. Sua poesia, de um romantismo ultrapassado para alguns críticos literários e/ou com leves traços simbolistas para outros, circulou nas rodas literárias do país despertando interesses e foi fartamente incluída em antologias e manuais de poesia das primeiras décadas. O único livro publicado, Horto, advindo do manuscrito Dhálias, data de 1901 e vem prefaciado pelo poeta Olavo Bilac; outras edições se seguiram após esta, inclusive uma edição francesa, publicada em 1910 e outra, em 1970, pela Fundação José Augusto, prefaciada por Alceu Amoroso de Lima, o Tristão de Ataíde.

Há quem diga que a obra da poetisa encontre-se contaminada pelas experiências vividas chegando a comprometer o lirismo e o valor estético de seus versos, o que não é bem assim. Em toda e qualquer obra de um poeta subjetivo, temos manifestada uma personalidade muito mais coerente e onipresente do que a da pessoa tal qual a vemos ou conhecemos em situações cotidianas; ainda, toda visão de que a arte é auto-expressão pura e simples, transcrição de sentimentos e experiências pessoais é falsa. Não diferente em Auta. Mesmo havendo uma relação entre a sua poética e a sua vida enquanto poetisa, isso não deve ser interpretado com o sentido de que sua poética é mera cópia da sua vida, ainda mais que, a obra literária só pode ser considerada pessoal metaforicamente.

Ao longo dos mais de cento e quarenta poemas que compõem a sua obra enxergamos uma poetisa submersa numa luta com as palavras e com a vida; sua linguagem poética, assim como se é de praxe ao gênero poesia, está permeada de imagens, começando e terminando com as figuras mais simples, como bem definiu Olavo Bilac, no prefácio à sua obra: “um livro de uma tão simples e ingênua sinceridade (...) o labor pertinaz de um artista, transformando as suas idéias, as suas torturas, as suas esperanças, os seus desenganos em pequeninas jóias.” A temática mais cantada em seus versos é a morte e a infância, passa e perpassa, parafraseando Alceu Amoroso no prefácio à terceira edição do Horto, uma dupla sombra, negra e branca de dor e de angelitude.

De modo convencional não podemos definir apenas e exclusivamente o fazer poético de Auta como aquele que rompe com modo convencional de perceber, de ver, de julgar, aquele no qual T. S. Eliot define como o que faz ver às pessoas, o mundo com os olhos novos ou descobrir novos aspectos deste, mas a poetisa carrega em seu universo lírico o uso da palavra semantizada por natureza, faz re-emergir da sua fonte – a vida – sensações, imagens, idéias, tudo num constante interagir com tudo, conforme nos coloca Gaston de Bachelard em sua Poética do Devaneio. E mais, a obra em si, Horto, possui, consoante Câmara Cascudo na única biografia acerca da autora, Vida breve de Auta de Souza, “um tom sonoro e de orgulho para o nosso ainda provincianismo sedento de notoriedade” da época.

Outra opinião que circula na crítica à obra da poetisa é o seu valor místico, a ponto de Auta de Souza ser colocada como espírito desencarnado na crença espírita, tendo inclusive uma obra psicografada em 1931, por Chico Xavier, Parnaso de além túmulo. Quanto ao místico em Auta de Souza, Câmara Cascudo contra-argumenta de que não há nada em sua obra que a enquadre nesse aspecto místico, uma vez que é público e notório o espírito profundamente religioso, a sua devoção e ligação à doutrina do catecismo e da imitação. Ainda mais que podemos levar em consideração o aspecto de sua educação, pautada nas orações diárias, nas comemorações religiosas, nas leituras doutrinárias e de caráter devocional.

No mais, a obra de Auta de Souza, apesar de resumida apenas num livro, carrega uma poesia do mais belo esplendor, dentro da produção literária do Estado na época. Simples e profunda, dotada de uma suavidade, de uma elegância e de uma beleza que perpassa o fio das palavras; dotada de uma musicalidade, de beleza na colagem das imagens, de uma angústia existencial além-horto e a sua busca por amparo no religioso, no sagrado visitado por uma carga de sensualidade, num eu-lírico enlevado, em êxtase, frenesi, gozo religioso; a poesia de Auta constitui num espaço contínuo de investigação psíquico-literária.

Rememorar sua poesia é necessário a fim de engrossar essa pequena e tímida espécie de coro crítico ou pelo menos recobrar a atenção para sua obra e para a Literatura do Estado que anda numa penumbra ainda. Ao deixar envolver-se por essa voz lírica de devaneio e êxtase espiritual poético recobrar a dimensão segunda em que se apóia a linguagem humana conforme Edgar Morin, simbólica, mística e mágica, isto é, é mergulhando na poesia de Auta de Souza que entenderemos o halo que ela enquanto escritora carrega em torno da palavra a fim de traduzir sua evolacidade, em verdade e subjetividade, intrinsecamente ligadas, imbricadas; é uma tentativa hostil de romper a barreira semântica que comanda o poema.

Sem dúvidas ainda é possível explorar sua vida, bem como sua poética, buscar novas posições, novas leituras, daquela que através de seus versos incutiu uma essência do seu mundo e do mundo inteiro, num jardim distante, numa dimensão temporal que vai além da dor, do sofrimento, da própria morte como uma espécie de redenção em tempos não justapostos na terra em amou.

Intervalo

sábado, 8 de dezembro de 2007

À Sombra do Horto apresenta Auta de Souza nesta segunda-feira
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Nesta segunda-feira, dia 10 de dezembro, será apresentado o rádio-documentário ´À Sombra do Horto - resgate de memória sobre a poetisa Auta de Souza`, projeto de conclusão da aluna Lady Dayana Silva de Oliveira, do Curso de Comunicação da UFRN. A apresentação será às 17h, no Auditório do Laboratório de Comunicação da UFRN-LABCOM, prédio por trás da Superintendência de Comunicação.

O rádio-documentário À Sombra do Horto é o primerio da série intitulada Filhos da Terra, com o objetivo de resgatar a história de personagens ilustres do Estado, começando pela cidade de Macaíba e com Auta de Souza, um dos grandes nomes da literatura potiguar.

Com duração média de 13 minutos, o programa conta com a participação de professores, pesquisadores, músicos e poetas, que relatam fatos sobre a vida e obra da poetisa, narrando de uma forma dinâmica e emocionante a história da grande poetisa, que contribuiu para as letras potiguares ganharem reconhecimento. O documentário será veiculado em rádios do Estado e também será disponibilizado em bibliotecas, servindo como material de pesquisa sobre a poetisa.

(informações do site da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, www.ufrn.br)

Intervalo

XIV SEMANA DE LETRAS - THE END


Não foi realmente possível postar as novidades que seseguiram nos dois últimos dias da Semana de Letras; à correria o tempo não obedece, infelismente; mas hoje, faremos um balanço final do que foi esst semana e inclusive, acerca dos dois últimos dias.

Quinta-feira, penúltimo dia

Houve o encerramento de algumas oficinas e minicursos, inclusive o sobre Auta de Souza, que teve uma boa participação, visto que consguimos preencher o número de vagas abertas, 20; de fundamental importância este momento porque esse minicurso serviu para apresentar um pouco acerca da poetisa e sua obra, além de que, ressaltar a importância e o valor para a produção literária do nosso Estado. Coloco aqui o link de um texto perfeito, bem amplo sobre Auta, da prof. Laudelina Ferreira,


http://www.fundaj.gov.br/observanordeste/obte023.pdf


Esta quinta termina à noite com a palestra, às 19h30 da Prof. Dra. Maria Medianeira de Souza, "Funcionalismo e Ensino: teoria e prática". Logo em seguida, ocorreu o lançamento de seu livro com sessão de autógrafos.

Sexta-feira, o grand finale

O encerramento oficial foi muito bom. Veio a palestra do Prof. Dr. Francisco Pauloda Silva acerca do tema "A produção de sentidos na mídia", às 19h30.

Em seguida ocorreu o Sarau Poesia na FALA, com destaque para as produções dos alunos, professores, enfim, da comunidade da Letras.

Em linhas gerais, acredito que a semana tenha sido muito produtiva e de fundamental importância no enriquecimento do nosso conhecimento; esperemos a próxima.

Intervalo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SEMANA DE LETRAS - THIRD DAY


No terceiro e penúltimo dia da XIV Semana de Letras da UERN, a programação continua semelhante ao dia anterior, com minicursos, oficinas e conferências. Hoje houve ainda no Miniauditório da FALA a apresentação de filmes e roda de debate em torno das produções.


A noite a programação esperada é a apresentação cultural às 19h no Auditório da PRODEPE, seguida da palestra "Projeto Político Pedagógico do Curso de Música", como o prof. Dr. Luiz Ricardo da Silva Queiroz da UFPB, às 19h30. Parelelo a esta discussão se desenrolará a mesa redonda "Dostoeivsky" no miniauditório da Fala, com os professores Dr. Ivonaldo Santos, Ms. Jefferson Aquino, Ms. Roberto Cunha, além das oficinas e minicurso na FALA e na FAFIC.


Minicurso Auta de Souza in verso e [re] verso


As discussões seguiram em torno da análise da poética de Auta e da biografia da autora.

Intervalo

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

XIV SEMANA DE LETRAS - SECOND DAY


Bom, para quem acompanhou, tudo bem. Quem não, quer saber mais sobre a XIV Semana de Letras da UERN? Veja lá.

Ontem foi a abertura da semana conforme postado nesse blog. O auge foi a conferência ministrada pelo prof. Ailton, das Ciências Sociais.

A programação segue; hoje pela manhã os minicursos e oficinas, a tarde a oficina de Libras e a noite, a partir das 19h, mais minicursos e oficinas além da conferência "Internetês: novas formas de escrita, do professor Dr. Júlio César Araújo (UFC), no miniauditório da FASSO, seguida de lançamento de livros. Paralela à conferência acontecerá também a palestra "Ricardo III e Maquiavel" com o professor Ms. Nabupolasar Alves Feitosa (UECE), no miniauditório da FALA.


Minicurso Auta de Souza in verso e (re) verso, first day

Aos que participaram do minicurso sobre Auta de Souza, as discussões iniciais foram muito pertinentes.

O fato de ser hoje o primeiro dia e de haver a possibilidade de inscritos outros que não do curso de Letras todas as discussões se deram em torno do poema, traços da criação poética, a essência do poema; literatura e linguagem, o poder poético de exploração dos sentidos; o existir do poema; aspectos formais; a poesia; a relação poesia - escritor - obra - público e, lógico, sobre literatura potiguar onde se hospeda a poesia de Auta de Souza.

A idéia de se fazer algo sobre Auta de Souza, me veio ainda no ano passado quando tive contacto com a produção poética sua, isto é, depois da leitura de sua obra, o único livro, cujo já foi comentado em postagens anteriores. Então inicalmente a proposta era fazer uma exposição a partir da obra para apresentá-la na Semana de Letras, no entanto, imprevistos aconteceram. De exposição a idéia transformou-se em minicurso, de minicurso colocaram na programação como oficina, ficou, pois, um minicurso com nome de exposição e cara de oficina.

Todas as discussões de hoje iniciaram com a apresentação de sua poética, afim de proporcionar um já um olhar sobre o que se espera ao analisar a obra dessa poetisa, seguem os poemas, o primeiro, é escrito no advento de sua escrita, o último, três dias antes da sua morte:



Saudação


A meu irmão Henrique, no dia de seus anos

É chegado enfim o dia
Das harmonias do lar,
Nos rostos vê-se a alegria
De corações a saltar.
Nos lábios, meigo sorriso
Vindo de lá do Paraíso
Em eflúvios divinais;
Como nuvens perfumosas
Derramando sobre as rosas
Os orvalhos matinais.

Não vês, meu irmão, que festa,
Que saudosa embriaguez
Nos mandam lá da floresta
As flores por sua vez?
Parece qua a Natureza
Ostenta com mais beleza
As suas graças gentis...
E conosco vem contente
Trazer-te um lindo presente
Nestes perfumes sutis.

Não ouves os periquitos
Que povoam nosso lar?
Com esses alegres gritos
Querem também te saudar.
E os travessos passarinhos,
Como encantados anjinhos
A sorrir lá a amplidão,
Vêm nuns adejos divinos,
Nos biquinhos purpurinos
Sustendo meu coração.

Aceita-o... É feito de rosas,
De margaridas, jasmins;
As suas fibras mimosas
São belas como rubins.
Recebe, pois, com carinhos
Nas asas dos passarinhos
Que cantam nesta manhã,
Como uma sincera homília,
As saudações da família
E os beijos da tua irmã...

15 de março de 1893


Luz e Sombra

(versos escritos três dias antes da morte da autora)

à poetisa Anna Lima

Vamos seguindo pela mesma estrada,
Em busca das paragens da ilusão;
A alma tranqüila para o Céu voltada,
Suspensa a lira sobre o coração.

Ris e eu soluço... (Loucas peregrinas!)
E em toda parte, enfim, onde passamos,
Deixo chorando os olhos das meninas,
Deixas cantando os passáros nos ramos.

Porque elas amam tua voz canora,
Ó delicado sabiá da mata!
E eu lembro triste a juriti que chora
E a voz dorida em lágrimas desata.

Gostam de ver-te o rosto de criança
Limpo das névoas de um martírio vago,
O lábio em riso, desmanchada a trança,
No olhar sereno a candidez do lago.

Até perguntam quando sobre a areia
Em que tu pisas vão nascendo rosas:
"Bela criança, tímida sereia,
Irmã dos sonhos das manhãs radiosas,

Por que trilhando a terra dos caminhos,
Onde o teu passo faz brotar mil flores,
Esta velhinha vai deizando espinhos
E um longo rastro de saudade e dores?"

Não lhes respondas... Pela mesma estrada
Sigamos sempre em busca da Ilusão;
A alma tranqüila, para o céu voltada,
Suspensa a lira sobre o coração.

Vamos; desprende a doce voz canora,
Que ela afugenta da tristeza o açoite;
E, enquanto elevas o teu hino à aurora,
Eu vou rezando as orações da noite...


Amanhã seguem as discussões em torno desse fazer poético.

Intervalo

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

XIV SEMANA DE LETRAS - FIRST DAY


O Departamento de Letras Vernáculas juntamente com o Departamento de Letras Estrangeiras e o Departamento de Artes, abrem hoje a programação da XIV Semana de Letras e Artes. A abertura contará com a presença do Magnífico Reitor Milton Marques de Medeiros seguindo de apresentação do Quinteto de Saxofone da UERN sob regência do Prof. Esp. Carlos Antônio Batista, prevista para as 19h.
Em seguida segue a Conferência de abertura com Prof. Dr. Ailton Siqueira de Souza (UERN) com o tema "Letras vivas: a palavra e a constituição do sujeito", prevista para as 20h. Toda programação correrá no Ginásio de Esportes do Campus Central da UERN.




Minicurso Auta de Souza in verso e (re) verso, destaque na mídia local


A seguir posto matéria publicada no dia 02, ontem, no caderno Domingo do Jornal de Fato sobre o minicurso acerca de Auta de Souza que terá início amanhã as 8h.

LITERATURA
Versos de uma potiguar
Os escritores potiguares que deixaram obras que hoje podem ser incluídas como literatura potiguar, sobretudo nos séculos XIX e XX, muitas vezes não são lembrados dentro do próprio Estado. Entre esses autores está a poetisa Auta de Sousa.
Com o objetivo de divulgar mais sobre a vida e a obra dessa poetisa potiguar, os que se interessam pelo tema terão um espaço importante para isso, dentro da XIV Semana de Letras e Artes, a ser realizada no período de 3 a 7 deste mês, pelos departamentos de Letras Vernáculas, Letras Estrangeiras, de Artes e de Filosofia da Uern.
Dentro da programação está prevista oficina com o tema "Literatura Potiguar: Auta de Souza in verso e (re)verso", que será ministrada de 4 a 6 deste mês, das 8h às 10h, pelo estudante do sétimo período de Letras Pedro Fernandes de Oliveira.
Segundo Pedro, a idéia da oficina é, inicialmente, motivar o corpo de alunos que não tem um projeto de pesquisa para o final de curso, dando-lhe elementos que possam ser úteis na temática da literatura potiguar. Mas, um dos aspectos mais importantes é mesmo falar em Auta de Souza
"A poesia de Auta de Souza é pouco estudada. Só existem duas teses sobre a obra dela, apesar de sua relevância como escritora da literatura potiguar. Durante a oficina vamos mostrar alguns elementos que a caracterizaram e como ela revelava sua condição de mulher, poeta, tuberculosa, num período simbolista, já que sua obra é de 1901", explica Pedro, ressaltando ainda que o livro O Horto foi prefaciada por Olavo Bilac. Isso daria uma repercussão nacional da poesia de Auta.
"Olavo Bilac teve acesso ao trabalho de Auta por causa da família dela, que sempre foi influente. Henrique Castriciano, irmão de Auta, estava no Rio para publicar esse livro, e um amigo que tinha amizade com Olavo Bilac ficou de levar para que lesse. Assim fez, e Bilac gostou do que leu", ressalta Pedro.
Essas histórias, entre outras, serão repassadas nos três dias da oficina, num mergulho profundo na poesia de Auta de Souza, mostrando-a no contexto da literatura potiguar, que ainda não é bem conhecida nem pelos próprios potiguares.
A Semana de Letras reserva, além de oficinas e minicursos, palestras e apresentações culturais destinadas à comunidade acadêmica e à comunidade externa em geral.

A POETISA
Auta de Souza nasceu no município de Macaíba, em 12 de setembro de 1876. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza, irmã de dois políticos e intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza.
Aos 14 anos apareceram os primeiros sinais da tuberculose, obrigando-a a abandonar os estudos e a iniciar uma longa viagem pelo interior em busca de cura.
Auta de Souza deve ser considerada a poetisa potiguar que mais ficou conhecida fora do Estado. Sua poesia, de um romantismo ultrapassado e com leves traços simbolistas, circulou nas rodas literárias do país, despertando sempre muita emoção e interesse, e foi fartamente incluída nas antologias e manuais de poesia das primeiras décadas.
Aos 24 anos, no dia 7 de fevereiro de 1901, Auta de Souza morria tuberculosa. No ano anterior, havia publicado seu único livro de poemas, sob o título de Horto, com prefácio de Olavo Bilac, que obteve significativa repercussão na crítica nacional.
Em 1910, saía a segunda edição, em Paris, na França, e, em 1936, a terceira, no Rio de Janeiro (RJ), com prefácio de Alceu de Amoroso Lima.
Antes de serem reunidos em O Horto, parte de seus poemas foram publicados em jornais como A Gazetinha, de Recife (PE), O Paiz, do Rio de Janeiro, e A República, A Tribuna, o Oito de Setembro, de Natal, e nas revistas Oásis e Revista do Rio Grande do Norte. Os poucos poemas inéditos que deixou foram recolhidos e publicados nas edições seguintes de O Horto.

(fonte: http://www.defato.com/domingo/domingo.php#mat3, matéria publicada em 02 dez 2007 no caderno Domingo do Jornal de Fato)