2050


encontrei-me nu. criança
sob uma abóbada celeste chumbo
num futuro passado a limpo distante
alheio a mim mesmo.

divaguei e divaguei
nas capoeiras rotas
poeirentas, amareladas,
por vezes escura,
vestida de morte.

desterros.
no céu cinza escarlate
um passado futuro desatado, distante
desdobra-se em gotas de estrelas
escusas, alheias a mim.

quisera reverter a abóbada celeste
a abóbada do meu pensamento
dissecar todo o lamento em fúria
da natureza escura, morta.

re(ver) o azul celeste
que carrego na abóbada do meu pensamento.
ex(por) o brilho vivo das estrelas.
acalentar o lamento fúria da natureza
vê-la em colorido, forma viva.


* Este poema foi publicado inicialmente no site Jornal de Poesias e Garganta da Serpente. Acesse o e-book Palavras de pedra e cal e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Comentários

Olá, estou aqui para convidá-lo a conhecer a LITERATURA CLANDESTINA:
http://literaturaclandestina.blogspot.com/
Conto com a sua presença por lá . Um abraço Elenilson

Postagens mais visitadas deste blog

Pablo Neruda: o que não dá mais para ocultar

Água viva, de Clarice Lispector

Quando Borges era Giorgie

Boletim Letras 360º #231

Onze filmes que tratam sobre a vida de pintores

Salinger, um grupo de psicopatas e os do MKUltra

A filha perdida, de Elena Ferrante

Gostamos de causar danos (com o grande romance estadunidense)

Jane Austen: casamento e dinheiro

Boletim Letras 360º #232