Sonho





eu vi no turvo da noite
minha alma vil e negra
rasgando o silêncio noturno

como pó
desfez-se por entre as frestas da porta
e invadiu meu sonho

o sonho. na sarjeta da memória
meu cadáver magro, pálido
vagando em um negro caixão
sustentado por dragões
cavaleiros negros das sombras

como um rascunho vida
desfez-se em pó
correu minhas carnes podres

o sonho. vi-me preso nas entranhas da terra
com toda humanidade vil e feroz

gritava. chorava. pedia clemência.

a humanidade. como um rebanho alienado
satã sob o dogma dde todas as religiões
de bíblia em punho
carregava a humanidade de olhos perfurados
mortos vivos às chamas da fogueira dita santa

e acordei em brasa
vi-me nu no espelho
na sombra do quarto - meu cativeiro
suspenso estava num madeiro sobre a cama
olhos inchados. sangrantes
corpo fúnebre seco
estranho na sarjeta da cama


Este poema foi publicado no site Garganta da Serpente.  Acesse o e-book Palavras de pedra e cal e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

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