Os Escritores

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vamos fugir um pouco da Literatura Brasileira hoje para falar sobre o poeta russo da época em que a Rússia tal qual conhecemos hoje ainda não existia. É com grande satisfação que falo desse poeta que fez da poesia expressão de luta, ação política. Boa leitura!

Vladimir Maiakóvski é o maior poeta russo moderno, aquele que mais completamente expressou, nas décadas em torno da Revolução de Outubro, os novos e contraditórios conteúdos do tempo e as novas formas que estes demandavam.

Maiakóvski deixa descortinar em sua poesia um roteiro coerente, dos primeiros poemas, nitidamente de pesquisa, aos últimos, de largo hausto, mas sempre marcados pela invenção. "Sem forma revolucionária não há arte revolucionária", era o seu lema, e nesse sentido Maiakóvski é um dos raros poetas que conseguiram realizar poesia participante sem abdicar do espírito criativo.

(comentário de Haroldo de Campos publicado no livro Maiakóviski - poemas, Perspectiva, 1982)


"Sou poeta, e exatamente por isso é que sou interessante. É sobre isso que escrevo; sobre o resto só foi defendido com a palavra"
(Maiakóvski)



Maiakóvski: o farol que era um poeta*


por Francis Combes

Antes mesmo de ter colocado "o ponto final com uma bala" em sua própria vida, Vladímir Maiakóvski tinha saltado para a história. Durante o período soviético, ele, que não queria estátua como monumento póstumo, mas um fogo de artifício, foi com freqüência estatuado, fixado na pose do "poeta da revolução", quando era deixado na sombra (e por muitas vezes censurado) o que nele ultrapassava o cenário da época. Stálin não tinha escrito "Maiakóvski é o melhor e mais talentoso poeta da época soviética. A indiferença à sua memória é um crime"? Maiakóvski tornou-se assim um "clássico"... Certos poemas seus eram conhecidos de todos e ensinados às crianças. Lembro-me de ter visto no cemitério de Novodievitchi, lenços de pioneiros colocados sobre seu túmulo... Seu apartamento tinha sido transformado em museu e (ao lado de manuscritos, de desenhos, de edições originais) uma sala era destinada aos "continuadores de Maiakóvski", escultores, pintores e escritores cujo naturalismo vazio e enfático (abusivamente qualificado de "realismo socialista") teria certamente enfurecido Maiakóvski...

Na Rússi de hoje, a da restauração do capitalismo, da "liberdade redescoberta" das máfias e das crianças que dormem na rua e cheiram cola, Maiakóvski já não está nas boas graças... Preferem-se os poetas simbolistas e acmeístas*, por vezes talentosos, porém, mais comportados e procedentes da boa sociedade russa.

Ninguém tem o poder de riscar com um traço de caneta o fato de que ele foi e permanece um dos poetas maiores do século XX. Para ele, a revolução não se detinha na tomada de poder político nem na coletivização da economia. Ela devia permitir a transformação da vida cotidiana, da vida toda, do amor e da arte inclusive. Poeta da revolução, ele revolucionou a poesia, libertando-a do quadro estreito das antigas convenções. E não somente a poesia russa.

Boa parte da poesia mundial não teria o rosto que tem se Maiakóvski não tivesse existido. (Penso, por exemplo, em sua influência sobre Nazim Hikmet, ou sobre outros poetas americanos da Beat generation).

Ele (como depois dele Prévert) introduziu no poema a linguagem da rua, as palavras do povo e as construções grmamaticais familiares, sem que o poema se perca por esse motivo na insipidez banal das conversas de mesa.

Ele libertou o verso. Um pouco como Victor Hugo tinha "posto um boné vermelho no velho dicionário", e introduziu a linguagem da vida no velho alexandrino*, Maiakóvski, com o seu famoso "verso em escada", liberta a fala poética e permite-lhe desposar o ritmo do discurso, o fôlego do indivíduo, quer ele murmure uma confissão, quer clame seu ideal, por cima da cabeça dos séculos.

Enfim, ele alargou a esfera do lirismo. Com ele, o amor individual toma a dimensão de um combate planetário.

Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski nasceu em julho de 1893, em Bagdádi, na Geórgia. Seu pai era guarda-florestal.

Com a morte do pai, em 1906, a família vai instalar-se em Moscou, onde os Maiakóvski vivem em condições precárias.

Aos 15 anos, ele adere ao Partido Social-Democrata Operário da Rússia (bolchevique). Detido uma primeira vez, depois libertado, é detido novamente com a idade de 16 anos e condenado a onze meses de prisão. Aproveitará sua estada na prisão de Butirki para entregar-se a intensas leituras. Deevora os "clássicos", Shakespeare, Byron, Tolstoi... À sua saída, pergunta-se, como ele escreveu na autobiografia (Eu mesmo): "Que posso opor à estética dessas velharias? A revolução não exigirá de mim ter passado por uma escola séria?" Ele interrompe então seu trabalho de militante político põe-se a estudar. Primeiramente para se tornar pintor. Entra para a Escola de Belas Artes (onde o fazem desenhar "toalhinhas", diz ele). Porém, em 1914, dela será posto na rua (o diretor,o princípe Lvov, havia-he energicamente sugerido abandonar a "crítica e a a agitação").

A partir de 1912, ele entrará em contato com ambientes da vanguarda artística. Notadamente graças a seu amigo David Burliuk, que lhe proporciona encontrar os primeiro "cubo-futuristas" de Moscou: Khrutchônikh, o provocador e experimentador; Kamenski, o poeta-aviador divertido e fabulador; e Khiébnikov, poeta genial, matemático e inventor da linguagem (zaum), cujos poetas extraordinários (que fazem pensar na Consagração da primavera, de Stravinski) carreiam toda uma mitologia pagã da Rússia "selvagem" e lendária, ao mesmo tempo que a utopia de um mundo novo.

Foi Burliuki (segundo uma anedota surpreendente, mas talvez embelezada tal como Maiakóvski as amava) quem o teria batizado poeta e teria divulgado a notíca de que ele tinha talento. "Agora, vire-se para tê-lo", ele lhe teria dito. Sem dúvida, representou um papel marcante nos seus primeiros passos poéticos. Foi ele, por exemplo, que lhe teria proporcionado descobrir Walt Whitman, de quem, em muitos aspectos, Maiakóvski está muito próximo.

Em dezembro de 1912, Maiakóvski e seus amigos assinam um primeiro manifesto (A bofetada no gosto público) no qual, em busca das "auroras das belezas desconhecidas", eles "ordenam honrar os direitos dos poetas:

1- Aumentar em volume o vocabulário do poeta com a ajuda de palavras arbitrárias e derivadas (renovação verbal).
2- Aversão irresponsável para com a língua existente antes.
3- Afastar, com horror, de cabeça orgulhosa deles a Coroa, feita por vocês, de piaçava, de uma glória de dois soldos.

4- Erguer-se do pedestal da palavra 'nós' nomeio do mar de gritos de indignação."


Maiakóvski, 1929


Este grupo divertido pratica o escândalo e a provocação. Maiakóvski passeia na rua sua silhueta de gigante, extravagantemente vestido de camisa amarela, vistosa, com uma colher de pau na lapela. Por ocasião das leituras em que ele participa com seus camaradas, em Moscou e no resto do país (para onde se dirige às vezes de smoking com chapé alto), engalfinha-se com o público como boxeador no ringue, suscitando estusiasmo e urros escandalizados.

Há nestes jovens futuristas uma vontade de fazer "tábula rasa" do passado, um "niilismo" anarquizante que se reencontrará em outras vanguardas dos primeiros anos do século XX (Dadá e os Surrealistas...); atitude radical que está ligada à recusa da antiga ordem e à impaciência por agitar o mundo. Isso explica certa reticência de Lenin a respeito deles. Em matéria de ação política, Lenin afirmara-se ao rejeitar o anarquismo (de seu irmão, por exemplo, morto pelo czarismo) e, no plano cultural, pensa que a classe operária deve tirar proveito da herança da burguesia (o que não o impedirá, por vezes, de manifestar seu interesse por tal poema de Maiakóvski,por exemplo, contra a propensão ao que chamaríamos hoje "rounionite" ["agrupamentie"]).

Mais tarde, Maiakóvski marcará suas distâncias com o primeiro futurismo, mas permancerá fundamentalmente na mesma linha. Os futuristas russos nao se limitam a gritar sua antipatia ao velho . Entusiasmam-se pelo universo que nasce. Aquele da máquina, da velocidade e da cidade grande cujas produções e invenções suplantarão vantajosamente a natureza. A eletricidade de preferência à luz deste sol despótico!

Ao contrário dos futuristas italianos (que repetem seu gosto pelo avião, pelo carro, pela modernidade elétrica, pela velocidade e violência), ou diferentemente de Apollinaire, na França, cuja sensiblidade é bastante próxima, Maiakóvski e seus camaradas não vibram ao som do clarim de guerra. Apesar da aparência que poderia dar a hipertrofia lírica do eu em Maiakóvski (conferir sua primeira peça, a tragédia Vladímir Maiakóvski, em 1913) os futuristas russos não aspiram à glória individual do super-herói, do super-homem oposto à massa. Eles querem que toda a massa se eleve a outro nível. A experiência deles os conduz à revolução e não ao fascismo. Suas realções com Marinetti serão, além disso, tempestuosas.

Em compensação, ao reler os versos de Maiakóvski desses primeiros anos, encontro neles acentos muito próximos daqueles dos expressionistas alemães: a mesma visão alucinada do real, o mesmo horror pela carnificina da guerra, o mesmo gosto pela distorção, a dissonância, a violência das metáforas, o mesmo lirismo doloroso. É desse período que data um livro-chave: "A nuvem de calça", soberbo poema de amor trágico pelo qual ele invade a cena poética ao transformar a poesia amorosa à qual se tem, por conseqüência, muito freqüentemente procurado reduzi-lo.

Foi em 1915, ainda, que ele encontrou aquele que será um dos teóricos do movimento, Óssip Brik, e sua mulher Lila Iourevna (a irmã de Elsa Triolet), pela qual se apaixona. Começa aí uma grande história de amor e uma experiência singular, aquela de uma vida a três que vai durar anos. Essa vida comum, que conheceu seus altos e baixos e não impediu Maiakóvski de conhecer várias outras paixões (notadamente por ocasião de suas viagens ao estrangeiro), apesar de seu caráter singular, está bem dentro de certo espírito da época. A idéia de revolucionar ao amor e as relações amorosas homem-mulher, de desembaraçá-los das antigas relações burguesas de propriedade exprime-se, por exemplo em textos feministas de Alexandra Kollontai, ou nas experiências de vida comunitária entre os jovens comunistas, vida comunitária que não era unicamente em razão da falta de moradias e da qual Wilhelm Reich testemunha em seu livro sobre a revolução sexual.


Maiakóvski e sua mulher Lila

O poeta, Óssip Brik e Lila

Em 1917, quando eclode a Revolução de Outubro, a maioria dos futuristas nela se engaja espontanaemente, porque, como observa Maiakóvski, é a revolução deles. Maiakóvski é eleito presidente do soviete* dos soldados do Automóvel Clube de Petersburgo. Ele se dirige ao Palácio Smolny (quartel-general dos bolcheviques) e, no ambiente inflamado desses dias, dá a mão a tudo o que exite a fazer no local. De fato, já é poeta conhecido. Conta que, durante o assalto ao Palácio de Inverno, guardas revolucionários declamavam versos:

Coma ananás
empanturre-se de ganso
seu último dia chegou, burguês!

Após a vitória dos bolcheviques, Maiakóvski se põe com ardor a serviço da revolução. Trabalhou na revista A arte da comuna, do comissariado à Instrução Pública que Lounatcharski dirigia. Este se mostrou claramente mais compreensivo a respeito dos artistas de vanguarda que Lenin (cujos gostos pessoais eram, de preferência, clássicos). No mesmo tempo em que compartilhava sua preocupação com a herança, ele sustentava a idéia da necessidade da experimentação e da diversificação em arte. Lounatcharski, além disso, defendeu em certos momentos os futuristas contra os ataques que lhe endereçavam os defensores da "arte proletária" que os censuravam por serem pequenos-burgueses individualistas.

Foram anos de extraordinária efervescência intelectual e artística dos quais dão testemunho, com muita audácia, a poesia, a pintura, a arquitetura.

Nesses anos desenvolve-se o que se chamou "formalismo" (com Chkloski e Jacobson...) teóricos da literatura e lingüistas aos quais os futuristas estavam muito ligados. Poderia haver espanto para o fato de que poetas "engajados", para retomar a palavra que fez correr muita tinta na França, reivindiquem o "formalismo", tendo esta palavra, por conseqüência, servido para criticar ( e para condenar) a arte que se ocuparia apenas da forma, em detrimento do conteúdo. Porém, justamente porque pretendiam ser revolucionários, os futuristas e, em seguida, os artistas reunidos na "Frente Esquerda da Arte" (em torno da revista LEF, depois, Novo LEF, dirigida por Maiakóvski) pensavam que um conteúdo novo clamava formas novas. Os estudos desses teóricos, que se interessavam pela mecânica interna da língua, forneciam-lhes um estímulo (e uma justificação). Os futuristas já haviam afirmado o valor autônomo da palavra (a palavra "autovalente"). Mais tarde, Maiakóvski escreverá: "Eu conhecia a força das palavras-apelo". Para esses escritores que pretendem ser materialistas, a língua é um material. E um artista altamente qualificado (como eles o aspiravam ser) deve utilizar os instrumentos científicos e técnicos mais aperfeiçoados de seu tempo.

Nesses anos da revolução, o futurismo transforma-se em construtivismo. A arte é arrebatada na epopéia da produção em série, da edificação das bases materiais de uma sociedade nova.

A arte se põe a serviço da propaganda e até da publicidade. É a época em que artistas pintam afrescos em vagões de trens, que o poder revolucionário envia através do país para levar a mesnsagem da revolução às populações mais afastadas. É a época da agência Rosta, a agência telegráfica russa na qual colabora Maiakóvski. Maiakóvski inventa então as "janelas Rostas", cartazes feitos à mão (com pochoir*) em escasso número de exemplares e em condições de extrema rapidez, para responder ao comando. Ainda que se tratasse de estigmatizar o exércitos brancos de Dénikine, que semeiam o terror, ou de exortar os cidadãos e engajar-se na via do socialismo, Maiakóvski precipita-se irrefletidamente neste trabalho para responder ao "comando social". O trabalho desgastante e as condições materiais da vida durante a guerra civil são particularmente insuportáveis, mas ele reconcilia-se, com prazer, em seu gosto pelo desenho e pela pintura ao inventar um universo diversificado e simplificado, uma reunião de imagens de Epinal russo, satírica e alegre, próxima à história em quadrinho, mesmo combinando seus desenhos de quadras humorísticas, "pontiagudas como palitos", espirito de poesia popular.

Com a estabilização da situação, essa arte de propaganda vai tomar outras dimensões. Os construtivistas criam em 1922, o Vkhoutemas, espécie de contra-Academia de Belas Artes, em que se inventa e se ensina uma arte aplicada aos objetos do mundo moderno. Trata-se da invenção (num espírito bastante próximo do Bauhaus, fundado em 1919 em Weimar) do que se chama hoje design.

Em colaboração com o pintor e fotográfo Ródtchenko (um dos mestres da "colagem") Maiakóvski realiza numerosas propagandas para o Magazine de Estado Goum, como para uma campanha em favor da esterilização da água, para lutar contra a epidemia de tifo. Praticando esta arte "aplicada", os artistas da vanguarda não têm o sentimento de rebaixar-se. Ao contrário, participam de uma ação de grande envergadura para modificar o décor da vida cotidiana, "mudar a vida" e combater o "gosto pequeno-burguês", que não desapareceu como por milagre após a revolução e conhece mesmo um impulso de febre, a favor do período complexo da NEP durante o qual o novo poder permite certo enriquecimento individual.

No mesmo tempo em que se entregava a estas atividades de "poesia aplicada", Maiakóvski multiplicava as intervenções poéticas, nas colunas de jornais, por ocasião de suas leituras através de país no estrangeiro (Alemanha, França, México e Estados Unidos) em que foi ao mesmo tempo emissário e propagandista da revolução, e simultaneamente um observador atento, pouco à vontade por sua ignorância das línguas estrangeiras, crítico radical da desigualdade social do regime burguês e ao mesmo tempo, em certos aspectos, admirador da modernidade capitalista.

Maiakóvsiki, 1918

No fim dos anos de 1920, um tema retorna cada vez com mais freqüência às suas poesias e à sua produção teatral (Os Banhos e O percevejo): é a crítica feroz ao burocratismo. Maiakóvski está plenamente engajado na revolução, mas não é um seguidor. É ao mesmo tempo favorável e contrário. Ele se bate na revolução para revolucioná-la. Em seu poema, A Quinta Internacional, que apresenta a si mesmo como uma "utopia", ele escreve que será necessário refazer a revolução "na futura saciação comunista", a revolução do espírito. Ele, que foi membro do partido antes que este tomasse o poder, uma vez o poder político tomado, não segue o partido agora que considera que esse partido é seu. Mas "na arte e educação, explica ele, (os comunistas) era conciliadores".

Para Maiakóvski, a revolução toma todo o seu sentido apenas se ela permitir aos homens separar-se das mesquinharias da vida pequeno-burguesa, do papel pintado do conforto doméstico, içar-se ao nível de um amor verdadeiramente internacionalista, planetário, aumentar a alma e o coração às dimensões do universo, fazer frente a Deus, conjurar a morte, discutir intimamente com o Sol, as estrelas, os séculos futuros... O projeto espiritual do comunismo, aquele da transformação do homem por si mesmo, ele o leva a sério. Maiakóvski é, no modo da hipérbole poética, a presença da utopia prometéica na revolução, da qual ela é ao mesmo tempo o coração e a crítica "de esquerda". Isso o levou evidentemente a chocar-se com muitos, entre os burocratas, mas também entre os estetas, de rumo diverso, que queriam voltar à "arte".

Contrariando as interpretações simplistas de seu suicídio, ele, que era muito crítico a NEP, sente-se mais de acordo com o novo curso impulsionado por Stalin, a coletivização e os planos qüinqüenais que lhe dá (a ele como a milhões de soviéticos) o sentimento de que a marcha para frente em direção ao socialismo retomou. (Ainda que se saiba o custo humano, notadamente nas campanhas que o voluntarismo estalinista acarretou). Respondendo ao chamado do partido de que deseja a união de todos os seus partidários, ele decide ir ao encontro dos escritores proletários.

Porém, o último período de sua vida é também marcado por fracassos profissionais (a cabala dos invejos e medíocres, o insucesso da exposição que ele havia organizado para o jubileu de sua obra), decepções sentimentais (com Tatiana Iakovleva, uma emigrada que finalmente escolheu deposar um diplomata francês) ou com a atriz Verônica Polonskaia. Lila também não está ali para se ocupar de sua grande carcaça de melancólico em sofrimento de amor e arrancá-lo de sua depressão crônica. Ele que tão freqüentemente evocou em seus poemas a idéia do suicídio, e (num poema célebre) interpelou o suicídio de outro grande poeta, Sierguéi Iessiênin, dispara uma bala no coração, em 14 de abril de 10930. Como para prevenir as interpretações malévolas que não faltarão, ele escreve uma última carta: "A todos!... Eu morro, nao acusem ninguém disso. E nada de boatos. O defunto tinha horror disso... A barca do amor partiu-se contra o recife da vida cotidiana".

Resta-nos sua poesia. No mesmo tempo em que se lançava na refrega cotidiana, Maiakóvski construiu uma obra épica e lírica considerável, por intermédio da série de seus grandes poemas como "Nuvem de calças", "A flauta-vértebra", "Vladímir Ilitch Lenin", "A Quarta Internacional", "A guerra e o mundo", "Quinta Internacional" etc.

A obra mais ambiciosa e mais bem realizada é talvez seu grande poema "A próposito disto". Este formidável poema-romance é o resultado de uma crise em sua relação com Lila Brik. O "disto" de que se trata aqui é evidentemente o amor, às voltas com as mesquinharias da vida cotidiana, o risco de adormecer no conforto pequeno-burguês e as mundanidades da vida literária pós-revolucionária. Confundem-se neste poema o sentimento trágico do amor-paixão, assombrado pelo ciúme, ao mesmo tempo que a crônica na época da NEP, o risco do sepultamento, o apelo moral e patético a transformar o homem a partir do íntimo. Como sempre, Maiakóvski utiliza diretamente em seu poema elementos biográficos precisos, os lugares autênticos, os nomes verídicos das pessoas referidas, até seu número de telefone... (Conforme a exigência de verdade factual dos artistas da Lef). Porém, o todo é sublimado, levado por uma imensa montagem metafórica, o poeta ultrapassa a relação dos fatos para manobrar alegremente e com elevada norma na ficção. O poeta converte-se em uso, a água de suas lágrimas invade o quarto, é transportado pelo rio e deriva num travesseiro de gelo, num país talvez batizado de "Amorlândia", onde reencontra, enganchado por seus próprios versos numa ponte, aquele que ele era sete anos antes e, no poema "O Homem", preparava-se para se lançar no Neva.

A forma é formidável. O poema urde tudo. Tanto o tema individual como o tema coletivo. Tanto o presente como o passado e o futuro. O realismo e a imaginação mais delirante. Se existe uma linguagem artística que Maiakóvski anuncie e reúne em seus poemas, mais ainda que o cinema de Einsenstein e suas montagens, trata-se do desenho animado em que tudo é possível. Este lado visual e plástico, esta mistura de dramatismo mais elevado e de humor, até de galhofa popular, não são sem dúvida gratuitos na repercursão da poesia de Maiakóvski.

Quanto ao fundo, este poema atesta, como muitos outros, a "tragédia-Maiakóvski". Está ligada à contradição, para ele dificilmente suportável entre o romantismo revolucionário e a mediocridade da vida real. Na verdade, essa tragédia não é inerente a Maiakóvski. Por conseguinte, é de certo modo aquela Revolução de Outubro. Como observa com persipicácia um pensador marxista atual*, todas as grandes revoluções atribuem-se objetivos que as ultrapassam. O que explica, além disso, que para além de seus fracassos, elas continuam a parecer portadoras de uma luz. A Revolução Francesa não foi apenas uma revolução burguesa; ela também proclamou princípios universais: liberdade, igualdade, fraternidade dos quais se sabe que estavam longe de ser realizáveis nas condições da época. A consciência desta tragédia, desacordo entre o ideal e o real, explica a atitude de Robespierre, ao recusar apelar aos sansculottes para escapar a seu destino. Do mesmo modo, a Revolução de Outubro queria acabar com a exploração, a alienação, a guerra e o chauvinismo, dando o poder aos sovietes e proclamando a unidade dos "proletários de todos os países" e de todos os "povos oprimidos". Porém, tendo se produzido num país economicamente retardatário , ele teve de fazer frente a obrigações históricas que são habitualmente do capitalismo: desenvolver a indústria, realizar "a acumulação primitiva", edificar as bases materiais, construir um Estado, formar produtores... Daí uma contradição (que explica amplamente as coações impostas aos libertados individuais, por este "fórceps" da história) da qual se conhecem as conseqüencis e os efeitos.

Maiakóvski é a vítima e o herói desta tragédia. Dedicou-se à revolução, mas a revolução o içou a outro nível.

Maiakóvski (cujo nome vem da palavra russa "maïk" , "farol" "guia", em português) em seu sonho nos aparece, na extremidade de suas pernas intermináveis, como plantado, solidamente, na rocha do futuro, batido pelas ondas da vida real e varrendo a noite dos séculos, em torno dele, com grandes movimentos de projetor, de sua poesia visionária.


Amostra poética

A SIERGUÉI IESSIÊNIN

Você partiu,
como se diz,
para o outro mundo.
Vácuo. . .
Você sobe,
entremeado às estrelas.
Nem álcool,
nem moedas.
Sóbrio.
Vôo sem fundo.
Não, lessiênin,
não posso
fazer troça, -
Na boca
uma lasca amarga
não a mofa.
Olho -
sangue nas mãos frouxas,
você sacode
o invólucro
dos ossos.
Sim,
se você tivesse
um patrono no "Posto"
(1) -

ganharia
um conteúdo
bem diverso:
todo dia
uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos,
como Dorônin
(2).
Remédio?
Para mim,
despautério:
mais cedo ainda
você estaria nessa corda.
Melhor
morrer de vodca
que de tédio !
Não revelam
as razões
desse impulso
nem o nó,
nem a navalha aberta.
Pare,
basta !
Você perdeu o senso? -
Deixar
que a cal
mortal
Ihe cubra o rosto?
Você,
com todo esse talento
para o impossível;
hábil
como poucos.
Por quê?
Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho!
- a crítica esbraveja.
Tese:
refratário à sociedade.
Corolário:
muito vinho e cerveja.

Sim,
se você trocasse
a boêmia
pela classe;
A classe agiria em você,
e Ihe daria um norte.
E a classe
por acaso
mata a sede com xarope?
Ela sabe beber -
nada tem de abstêmia.
Talvez,
se houvesse tinta
no "Inglaterra"
(3);
você
não cortaria
os pulsos.
Os plagiários felizes
pedem: bis!
Já todo
um pelotão
em auto-execução.
Para que
aumentar
o rol de suicidas?
Antes
aumentar
a produção de tinta!
Agora
para sempre
tua boca
está cerrada.
Difícil
e inútil
excogitar enigmas.
O povo,
o inventa-línguas,
perdeu
o canoro
contramestre de noitadas.

E levam
versos velhos
ao velório,
sucata
de extintas exéquias.
Rimas gastas
empalam
os despojos, -
é assim
que se honra
um poeta?
-Não
te ergueram ainda um monumento -
onde
o som do bronze
ou o grave granito? -
E já vão
empilhando
no jazigo
dedicatórias e ex-votos:
excremento.
Teu nome
escorrido no muco,
teus versos,
Sóbinov
(4) os babuja,
voz quérula
sob bétulas murchas -
"Nem palavra, amigo,
nem so-o-luço".
Ah,
que eu saberia dar um fim
a esse
Leonid Loengrim!
(5)
Saltaria
- escândalo estridente:
- Chega
de tremores de voz!
Assobios
nos ouvidos
dessa gente,
ao diabo
com suas mães e avós!
Para que toda
essa corja explodisse
inflando
os escuros
redingotes,
e Kógan
(6)
atropelado
fugisse,
espetando
os transeuntes
nos bigodes.
Por enquanto
há escória
de sobra.
0 tempo é escasso -
mãos à obra.
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
para cantá-la -
em seguida.
Os tempos estão duros
para o artista:
Mas,
dizei-me,
anêmicos e anões,
os grandes,
onde,
em que ocasião,
escolheram
uma estrada
batida?
General
da força humana
- Verbo -
marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás,
e o vento
no passado
só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.

(Tradução de Haroldo de Campos)

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1. Alusão à revista Na Postu (De Sentinela), órgão da RAPP (Associação Russa dos Escritores Proletários), cujos colaboradores se mostravam muito zelosos em atacar os escritores que lhes pareciam transgredir a moral proletária.

2. Referências ao poeta soviético I.I. Dorônin (n. em 1900).

3. Hotel em que Iessiênin se suicidou.

4. O famoso cantor L.V. Sóbinov (1872-1934) foi um dos participantes
da homenagem à memória de Iessiênin, que teve lugar no Teatro de Arte de Moscou, em 18 de janeiro de 1926, quando interpretou uma canção de Tchaikóvski.

5. O papel de Loengrim, da ópera deste nome, de Wagner, constituiu um dos grandes êxitos da carreira artística de Leonid Sóbinov.

6. O crítico P.S. Kógan (1872-1932), representante da crítica mais dogmática, com quem Maiakóvski manteve freqüentes polêmicas.

(publicado no livro Maiakóviski - poemas, Perspectiva, 1982)



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Notas

* este texto apresenta-se como introdução do livro Maiakóvski: vida de poesia, da Coleção A Obra-Prima de Cada Autor, da Martin Claret.

* este texto é de Francis Combes, porém a tradução é de Sebastião Paz.

* acmeístas - o acmeísmo é o estilo pós-simbolista da poesia russa, que destaca a concisão e o objetivismo (nota do autor)

* alexandrino - verso de doze sílabas, no qual o acento obrigatório na sexta e na décima segunda sílabas (idem)

* soviete - conselho formado por pessoas dos meios operário e camponês, nos países comunistas, para participar de decisões políticas (idem)

* pochoir - "lâmina recortada com letras ou figuras para colorir" (idem)

* Samir Amin (idem)


O HOMEM NU

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Confesso que, hoje ao saber da quase popularidade que é a obra desse escritor mineiro, apenas tardiamente vim conhecê-lo; também confesso que ainda não li nenhuma de suas obras, apenas fiz leitura dos outros quando assisti O homem nu dirigido por Hugo Carvana e que se baseia numa crônica de mesmo nome do escritor.

Mas quando e como foi que tomei conhecimento desse fenômeno nosso de nossa literatura? Quando em novembro de ano passado, 2007, pela ocasião do I Colóquio Nacional Estudos da Linguagem - CONEL, participei de um minicurso sobre ele e sua obra. Foi lá tmabém que assisti pela primeira vez O homem nu. Para quem ainda não sabe de quem estou a falar, o nosso post hoje é sobre o escritor Fernando Sabino.




Fernando Tavares Sabino nasceu em 12 de outubro de 1923 na capital mineira, Belo Horizonte e faleceu recentemente, às vésperas de seu aniversário, em 11 de outubro de 2004. Foi um escritor que teve uma vida intensa.

Em 1930, após aprender a ler com a mãe, é matriculado no curso primário do Gr Escolar Afonso Pena, sendo colega de sala de Hélio Pellegrino. Desde cedo foi um leitor compulsivo; desde cedo demonstra sua inclinação para música. Aos doze anos torna-se locutor de um programa infantil, Gurilândia, na Rádio Guarani de Belo Horizonte, ao mesmo tempo em que früenta o Curso de Admissão de D. Benvinda Carvalho, onde aquire os conhecimentos de gramática, estes lhe serão bastante úteis no futuro profissional.

Faz o curso secundário no Ginásio Mineiro, onde se manifestam seus traços de grande interesse pela Língua Portuguesa. Por essa época inspirado nas leituras de Edgar Wallace, Sax Rohmer, Conan Doyle e por inciativa do irmão Gerson, publica seu primeiro conto, policial, na revista Argus, órgão da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. Um episódio, para sua decepção, a revista publica seu nome errado, Fernando Tavares Sobrinho ao invés de Tavares Sabino.

Em 1938 ajuda a fundar o jornalizinho A Inúbia, ainda no Ginásio Mineiro. Já pela época do fim do curso começa a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos para as revistas Alterosas e Belo Horizonte. Já ganha os prêmios de concursos de crônicas sobre rádio e contos.

Quando falo que a vida desse menino foi intensa, não estou mentindo, em 1939, Sabino era nadador e batia vários recordes na modalidade sua, o nado costas. Ganha iúmeras vezes em campeonatos nas cidades de Uberlândia, São Paulo e Rio. Por essa mesma época participa da Maratona Nacional de Português e Gramática Histórica, ficando no segundo lugar ao lado do amigo Hélio Pellegrino.

No ano seguinte aprende taquigrafia a fim de escrever mais depressa. Também por essa época começa a ler, com a mesma obstinação comum ao escritor, os clássicos portugueses, tipo Gil Vicente, João de Barros, Alexandre Herculano, Almeida Garret, Camilo Castelo Branco até chegar ao Eça de Queirós e Machado de Assis. Ainda aos 17 anos está decidido a ser gramático. Por essa época escreve um artigo crítico sobre o dicionário de Laudelino Freire, publicado no jornal de letras Mensagem do diretor escritor mineiro Guilhermo César, de quem torna-se amigo e daqui para frente grande incentivador do Fernando Sabino, assim com João Etienne Filho, secretário de O Diário, onde publica vários artigos literários, juntamente com Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e, o Hélio Pellegrino, formando um grupo de amigos para sempre.

Entre 1941 e 1944 presta serviço militar. Incia o curso de Direito. Convive com escritores e, por indicação do amigo Murilo Rubião ingressa-se de vez no mundo do jornalismo como redator da Folha de Minas. Por essa época reúne seus contos no livro Os grilos não cantam mais mais tarde publicado no Rio de Janeiro de próprio punho. O que lhe vale a pena, principalmente pela crítica do Mário de Andrade, quando inicia de então correspondência com o escritor. Colabora no jornal literário do Rio Dom Casmurro, na revista Vamos Ler e no Anuário Brasileiro de Literatura.

Depois, 1942, Sabino é admitido como funcionário da Secretaria de Finanças de Minas Gerais e dá aulas de Língua Portuguesa no Instituto Pe Machado. É então que conhece o poeta Carlos Drummond de Andrade, tornando-se amigos de correspondência e, quando vai para o Rio, de convivência.

Em 1943 é nomeado oficial de gabinete do secretário de Agricultura. Faz estágio de três meses como aspirante no Quartel de Cavalaria de Juiz de Fora, de onde Sabino recorta grandes episódios para o livro O grande mentecapto. Colabora regularmente para o jornal Correio da Manhã do Rio e conhece seu futuro amigo Vinicius de Moraes. É neste ano que se muda para o Rio e publica o ensaio Eça de Queirós em face do cristianismo na revista Clima de São Paulo.

Integra, em 1944, a equipe mineira na Olimpíada Universitária de São Paulo, como pretexto para conhecer pessoalmente Mário de Andrade. Lêem, em voz alta, os originais da novela A Marca, que é publicada em seguida pela José Olympio Editora. Muda-se para o Rio, assumindo o cargo de Oficial do Registro de Interdições e tutelas da Justiça do Distrito Federal. Convive com Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Carlos Lacerda, Di Cavalcanti, Moacyr Werneck de Castro, Manuel Bandeira e Augusto Frederico Schmidt, entre outros.

Participa da delegação mineira no Congresso Brasileiro de Escritores em São Paulo, no ano de 1945, onde, durante a sessão plenária de encerramento, em desafio à polícia ali presente, sugere ao público que seja lida a Moção de Princípios proclamada pelo Congresso, exigindo do ditador Getúlio Vargas a abolição da censura e a restauração do regime democrático no Brasil, com convocação de eleições diretas. Conhece Clarice Lispector, dando início a uma intensa amizade.

No ano seguinte forma-se em Direito e licencia-se do cargo que exerce na Justiça, embarcando com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos. Passa a residir em Nova York, trabalhando no Escritório Comercial do Brasil e, posteriormente, no Consulado Brasileiro. Começa a escrever o romance O Grande Mentecapto, que só viria retomar 33 anos depois. Colabora com o jornal Diário de Notícias, do Rio.

Em 1947, envia crônicas de Nova York para serem publicadas aos domingos nos jornais Diário Carioca e O Jornal, do Rio, que são transcritas por diversos jornais do resto do país. Começa a escrever o romance Ponto de Partida e Movimentos Simulados, os quais não chega a concluir mas que serão aproveitados em Encontro Marcado. Realiza uma série de entrevistas com Salvador Dali e faz reportagem sobre Lazar Segal.

Volta ao Brasil em 1948, a bordo de um navio cargueiro que se incendeia em meio a uma tempestade, a caminho de Bermudas. No Rio, é transferido para o cargo de escrivão da Vara de Órfãos e Sucessões. Crônica semanal no Suplemento Literário de O Jornal.

Em 1949, escreve crônicas e artigos para diversos jornais brasileiros. Em 1950, reúne várias delas sobre sua experiência americana no livro A Cidade Vazia.

Publicação em tiragem limitada do livro A Vida Real, em 1952, composto de novelas sob a inspiração de emoções vividas durante o sono. Escreve, sob o pseudônimo de Pedro Garcia de Toledo, diariamente, O Destino de Cada Um, nota policial no jornal Diário Carioca. Escreve crônicas com o título geral Aventuras do Cotidiano, no Comício, semanário independente fundado e dirigido por Joel Silveira, Rafael Correia de Oliveira e Rubem Braga. Colaboração com a revista Manchete a partir do primeiro número, que se prolongará por 15 anos, a princípio sob o título Damas e Cavalheiros, posteriormente Sala de Espera e Aventuras do Cotidiano.

Em 1954 faz campanha política no Recife e em Fortaleza, a convite de Carlos Lacerda. Lança tradução do dicionário de Gustave Falubert. Viaja pelo sul do Brasil em companhia de Millôr Fernandes. Em companhia de Otto Lara Resende, então diretor da Manchete, antecipa em entrevista pessoal e exclusiva o lançamento da candidatura do General Juarez Távora à Presidência da República.

Juscelino Kubitscheck, governador de Minas Gerais, também candidato à Presidência, o convida para jantar no Palácio Mangabeiras, em 1955. Decepcionado com a conversa, assume no Diário Carioca a cobertura da agitada campanha de Juarez Távora. Viaja por todo o país — mais de 150 cidades — em companhia do mineiro Milton Campos, candidato a vice.

Em 1956, publica o romance O Encontro Marcado, um grande sucesso de crítica e de público, com uma média de duas edições anuais no Brasil e várias no exterior, além de adaptações teatrais no Rio e em São Paulo.

É exonerado, a pedido, em 1957, do cargo de escrivão, passando a viver exclusivamente de sua produção intelectual como escritor e jornalista. Passa a escrever crônica diária para o Jornal do Brasil e mensal para a revista Senhor.

O relato da viagem à Europa, feita pela primeira vez por Fernando Sabino em 1959 está no livro De Cabeça para Baixo. Comparece ao lançamento de O Encontro Marcado em Lisboa, Portugal. Visita vários países, remetendo crônicas diárias para o Jornal do Brasil, semanais para Manchete e mensais para a revista Senhor, perfazendo um total de 96 crônicas em 90 dias de viagem.

Até o ano de 1964, depois de sua volta ao Rio, dedica-se à produção de dezenas de roteiros e textos de filmes documentários para diversas empresas.

Em 1960 faz viagem a Cuba, como correspondente do Jornal do Brasil, na comitiva de Jânio Quadros, eleito Presidente da República e ainda não empossado. Faz reportagem sobre a revolução cubana, A Revolução dos Jovens Iluminados, constante do livro com que inaugura a Editora do Autor, fundada por ele em sociedade com Rubem Braga e Walter Acosta, ocasião em que também são lançados Furacão sobre Cuba, de Jean-Paul Sartre (presente ao acontecimento com sua mulher Simone de Beauvoir); Ai de ti, Copacabana, de Rubem Braga; O Cego de Ipanema, de Paulo Mendes Campos e Antologia Poética, de Manuel Bandeira. Fernando Sabino lança o livro O Homem Nu pela nova editora.

Em 1962 publica A Mulher do Vizinho, que recebe o Prêmio Cinaglia do Pen Club do Brasil. Seu livro O Encontro Marcado é publicado na Alemanha. Escreve o argumento, roteiro e diálogos do filme O Homem Nu, tendo Paulo José no papel principal. Posteriormente, a história é novamente filmada, com o ator Cláudio Marzo no papel principal.

No programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação, em 1963, Paulo Autran lia crônicas semanais de Sabino e de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Dinah Silveira de Queiroz, Cecília Meireles, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Uma seleção dessas crônicas foi publicada pela Editora do Autor em dois volumes:Quadrante 1 e Quadrante 2. Como os demais colaboradores de órgãos oficiais, é automaticamente efetivado no cargo de redator do Serviço Público, da Biblioteca Nacional e mais tarde da Agência Nacional, cabendo-lhe a elaboração de textos para filmes de curta metragem. Seu livro O Encontro Marcado é editado na Espanha e na Holanda.

É contratado, em 1964, durante o governo João Goulart, para exercer as funções de Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em Londres. Continua mandando seus relatos para o Jornal do Brasil, Manchete e revista Cláudia. Faz a leitura semanal de uma crônica na BBC de Londres em programa especial para o Brasil.

Em 1965 fica a seu encargo de compor a delegação britânica que participará no Festival Internacional de Cinema no Rio de Janeiro. Comparecem os diretores Alexander Mackendrick, Fritz Lang e Roman Polanski. Representa o Brasil no Festival Internacional de Cinema, em Edimburgo, na Escócia, e no Congresso Internacional de Literatura do Pen club em Bled, na Iugoslávia, onde reencontra Pablo Neruda.

Faz a cobertura, em 1966, da Copa do Mundo de Futebol para o Jornal do Brasil. Desfaz a sociedade na Editora do Autor e, com Rubem Braga, funda a Editora Sabiá.

A Sabiá inicia sua carreira de grande sucesso, em 1967, lançando — além dos de seus proprietários — livros de Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Dante Milano, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Autran Dourado, Dalton Trevisan, Clarice Lispector, Murilo Mendes, Stanislaw Ponte Preta — e a série Antologia Poética dos maiores poetas contemporâneos, não só brasileiros como, também, dos sul-americanos Pablo Neruda e Jorge Luiz Borges. Edita romances de grande sucesso internacional como Boquinhas Pintadas, de Manuel Puig, O Belo Antônio, de Vitaliano Brancati, A Casa Verde, de Mario Vargas Llosa, e toda a obra do Prêmio Nobel Gabriel García Márquez, a partir do famoso Cem Anos de Solidão. Seu livro O Encontro Marcado é lançado na Inglaterra. Publica o artigo Minas e as Cidades do Ouro pela revista Quatro Rodas.

No anos seguinte O Encontro Marcado é lançado na Inglaterra em pocket-book. No dia 13 de dezembro a Editora Sabiá programou uma festa no Museu de Arte Moderna, no Rio, com o lançamento de vários livros, entre os quais: Revolução dentro da Paz, de D Hélder Câmara; Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda; O Cristo do Povo, de Márcio Moreira Alves e, fechando com chave de ouro, Nossa luta em Sierra Maestra, de Che Guevara. Nesse dia é editado o Ato Institucional que oficializa a ditadura militar e, como não poderia deixar de ser, a festa não se realiza.

Sabino segue para Lisboa, Roma, Paris, Berlim, Londres e Nova York, em 1969, como enviado especial do Jornal do Brasil, para uma série de reportagens sobre "O que está acontecendo nas maiores cidades do mundo ocidental". Publica, pela Sabiá, um livro de literatura infantil: Evangelho das Crianças, escrito com a colaboração de Marco Aurélio Matos.

A convite do governo alemão, em 1971, volta à Europa. Realiza reportagem sob o título Ballet de Márcia Haydée em Stutgart para a revista Manchete. De volta ao Brasil realiza um super-8 curta-metragem sobre Rubem Braga, O Dia de Braga, exibido pela TV Globo e que lhe servirá de modelo para os futuros documentários em 35 mm sobre escritores brasileiros.

Em 1972, vende a Sabiá para a José Olympio. Viaja para Los Angeles, onde produz e dirige com David Neves, para a TV Globo, uma série de oito mini-documentários sobre Hollywood, Crônicas ao Vivo. Entrevista Alfred Hitchcock e Broderick Crawford. Escreve três reportagens para a Realidade.

Com David Neves, no ano seguinte, funda a Bem-Te-Vi Filmes Ltda. Filma A Ponte da Amizade, documentário rodado em Assunção - Paraguai, para o Departamento Comercial do Itamaraty, registrando a participação do Brasil na Feira Internacional de Indústria e Comércio. Realiza uma série de documentários cinematográficos Literatura Nacional Contemporânea, sobre dez escritores brasileiros: Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Jorge Amado, João Guimarães Rosa, Pedro Nava, José Américo de Almeida e Afonso Arinos de Melo Franco.

Em 1974, viaja a Buenos Aires, de onde escreve crônicas para o Jornal do Brasil. Em 1975, vai ao Oriente Médio, com David Neves e Mair Tavares, onde produz e dirige o filme Num Mercado Persa, documentário sobre a participação do Brasil na Feira Internacional de Indústria e Comércio, em Teerã. Publica Gente I e Gente II, com crônicas, reminiscências e entrevistas de personalidades de destaques nas letras, nas artes, na música e no esporte.

1976, entre viagens a Buenos Aires, cidade do México, Los Angeles, marca o lançamento do livro Deixa o Alfredo Falar!. Participa da Feira do Livro de Buenos Aires. Após 16 anos de colaboração, deixa o Jornal do Brasil.

Inicia, em 1977, a publicação de crônica semanal sob o título de Dito e Feito no jornal O Globo. Sua colaboração se prolongará por 12 anos sem qualquer interrupção e era reproduzida no Diário de Lisboa e em oitenta jornais no Brasil. Viagem a Manaus, da qual resulta no livro Encontro das Águas. Com Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga, integra a série Para Gostar de Ler.

Vai à Argélia, em 1978, realizar filme sobre Argel e a participação brasileira na Feira Internacional de Indústria e Comércio, intitulado Sob Duas Bandeiras. Como em todas as viagens que realiza ao exterior, envia crônicas para o jornal O Globo.

Em 1979, retoma e acaba em dezoito dias de trabalho ininterrupto o romance O Grande Mentecapto, que havia iniciado há 33 anos, um sucesso literário. O livro servirá de argumento para o filme com o mesmo nome, dirigido por Oswaldo Caldeira e com Diogo Vilela no papel principal. É adaptado para o teatro em Minas e São Paulo.

Publica A Falta Que Ela Me Faz. Recebe o Prêmio Jabuti pelo romance O Grande Mentecapto. Filma a participação do Brasil na Feira Internacional de Indústria e Comércio em Hannover, em 1980.

Recebe o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria de Literatura, concedido pelos Conselhos Estaduais de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Realiza viagens ao Peru e aos Estados Unidos, e dois documentários em vídeo sobre a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1981.

Em 1982, lança o romance O Menino no Espelho, ilustrado por Carlos Scliar, que passa a ser adotado em inúmeros colégios do país. Percorre várias cidades brasileiras, participando do projeto Encontro Marcado, ciclo de palestras de escritores nas universidades provido pela IBM.

Lança o livro O Gato Sou Eu, em 1983.

Publica os livros Macacos Me Mordam, conto em edição infantil, com ilustrações de Apon e A Vitória da Infância, seleção de contos e crônicas sobre crianças, em 1984. Seu livro O Grande Mentecapto é lançado em Lisboa.

A Faca de Dois Gumes"é seu novo livro, em 1985. Uma das novelas é adaptada para o cinema, com o mesmo título, dirigida por Murilo Sales. Escreve uma peça teatral, baseada em Martini Seco, encenada no Rio de Janeiro. É condecorado com a Ordem do Rio Branco no grau de Grã-Cruz pelo governo brasileiro. Publica, no New York Times, o artigo The Gold Cities of Minas Gerais.

Em 1986, realiza inúmeras viagens: Londres, Tókio, Hong-Kong, Macau e Singapura. Escreve Belo Horizonte de todos os tempos para o Banco Francês-Brasileiro.

Publica O Pintor que Pintou o Sete, história infantil, a novela Martini Seco em edição para-didática, e três seleções: As Melhores Histórias, As Melhores Crônicas e Os Melhores Contos, em 1987.

É lançado O Tabuleiro das Damas, um esboço de autobiografia, em 1988. Escreve suas últimas crônicas para O Globo, do qual se despede no final do ano.

Em 1989 o filme O Grande Mentecapto é premiado no Festival Internacional de Gramado. Novas viagens pelo mundo e o lançamento do livro De Cabeça Para Baixo, reportagens literárias e jornalísticas sobre as suas viagens pelo mundo de 1959 a 1986.

No ano seguinte esse filme é exibido no Festival Internacional de Cinema em Washington D.C., e recebe um prêmio. Lança o livro A Volta Por Cima.

Em 1991, lança o livro Zélia, Uma Paixão, biografia autorizada de Zélia Cardoso de Mello, Ministra da Fazenda no governo Collor, com tratamento literário. Os escândalos em sua vida privada e sua saída do governo foram motivo de grande repercussão entre os brasileiros, criando clima hostil ao escritor. Por ironia do destino, nesse mesmo ano sua novela "O Bom Ladrão", do livro A Faca de Dois Gumes, é lançada em edição extra como brinde ao dicionário de Celso Luft, com tiragem recorde de 500.000 exemplares.

Viaja ao Chile, em 1992, para preparar a edição de Zélia, Uma Paixão em castelhano. Edição paradidática de " O Bom Ladrão".

Lança, em 1993, Aqui Estamos Todos Nus, uma trilogia de novelas "de ação, fuga e suspense".

No ano seguinte lança o livro Com a Graça de Deus, "uma leitura fiel do Evangelho inspirada no humor de Jesus".

Em 1995, a Editora Ática relança a seleção, revista e aumentada, de A Vitória da Infância, com a qual Fernando Sabino reafirma sua determinação ao longo da vida inteira de preservar a criança dentro de si. Ou, como ele mesmo escreveu: "Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino".

O autor faleceu dia 11 de outubro de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. A seu pedido, seu epitáfio é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino".

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Fontes, o site da Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Sabino) e da Releituras http://www.releituras.com/fsabino_bio.asp

Há ainda um site dedicado ao escritor, once contem texto, imagens e a bibliografia de sua extensa obra; para acessar é só clicar no link http://www.fernandosabino.kit.net/


Marina Colasanti

terça-feira, 13 de maio de 2008

O post hoje é sobre uma escritora radicada no Brasil, mas pode-se dizer, brasileiríssima, assim como foi a Clarice Lispector e tantos outros. Trata-se da escritora Marina Colasanti.


Marina nasceu no mesmo ano da escritora Lya Luft, nosso post de ontem, 1938, em Asmara na Etiópia. Depois mudou-se para a Itália e lá morou durante 11 anos. Chegou ao Brasil em 1948, e sua família radicou-se no Rio de Janeiro.

Entre 1952 e 1956 estudou pintura com Catarina Baratelle; em 1958 já participava de vários salões de artes plásticas, como o III Salão de Arte Moderna. Nos anos seguintes, atuou como colaboradora de periódicos, apresentadora de televisão e roteirista.

Em 1968, foi lançado seu primeiro livro, Eu Sozinha; de lá para cá, publicaria mais de 30 obras, entre literatura infantil e adulta.

Seu primeiro livro de poesia, Cada Bicho seu Capricho, saiu em 1992. Em 1994 ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia, por Rota de Colisão (1993), e o Prêmio Jabuti Infantil ou Juvenil, por Ana Z Aonde Vai Você?.

Suas crônicas estão reunidas em vários livros, dentre os quais Eu Sei, mas não Devia (1992). Nelas, a autora reflete, a partir de fatos cotidianos, sobre a situação feminina, o amor, a arte, os problemas sociais brasileiros, sempre com aguçada sensibilidade.

Nesta temática escreveu também a ecritora E por falar em amor; Contos de amor rasgados; Aqui entre nós; Intimidade; Zoiológico; A morada do ser; A nova mulher; Mulher daqui pra frente; O leopardo é um animal delicado; Gargantas abertas.

Marina atualmente é casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.



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Fontes:

O texto desse post foi produzido a partir das informações expostas em dois sites, o Releituras (http://www.releituras.com/mcolasanti_menu.asp) e o As tormentas (http://www.astormentas.com/colasanti.htm). Nestes dois sites se apresentam também poemas, textos, fotografias, pensamentos da escritora.

Veja vídeo com entrevista a escritora no programa Entrelinhas da Tv Cultura em http://www.tvcultura.com.br/entrelinhas/videos.asp?videodata=13/1/2008





O encanto Lya Luft

segunda-feira, 12 de maio de 2008



"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageisinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigororsa, enquanto mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem. "

Quero tecer comentários sobre essa escritora contemporânea, que ao tecer estas palavras que reproduzi acima mostra ter um incrível senso crítico para com a contemporaneidade, suas questões e seus problemas. Estou a falar da escritora brasileira Lya Luft.

Lya Luft é gaúcha, nasceu em 15 de setembro de 1938, Sta Cruz do Sul.

Sua formação enquanto escritora dá-se desde cedo quando ainda aos onze anos Lya lia poemas de Goethe e Schiller; isso por causa da lugar onde nasceu ter uma forte influência alemã a ponto de as escolas fazerem uso de livros vindos da Alemanha.

Quando da ausência de estudos por Sta Cruz, Lya foi estudar na capital Porto Alegre. Lá terminou seus estudos, formou-se em Pedagogia e Letras Anglo-Germânicas.

Ainda na década de 1960 inicia sua carreira literária fazendo traduções do alemão e do inglês. Empreitada que a escritora conserva até hoje, num total de mais de cem obras vertidas para a língua portuguesa, com destaque a Virginia Wolf, Reiner Maria Rilke, Hermann Hesse, Günter Grass, Thomas Mann, entre outros.

Aos vinte e um anos conhece seu primeiro marido Celso Pedro. Irmão marista, Lya tirou a batina dele para, entre aspas, e os dois se casaram em 1963.

É por essa mesma época que começa a escrever poesia, sendo estes poemas da primeira safra luftiana publicados em 1964 no livro Canções de limiar. Mais tarde em 1972 sai seu segundo livro de poesias, Flauta Doce.

Oito anos depois, sai seu primeiro livro de contos, Matéria do cotidiano. A partir desse livro de contos Lya envereda de vez pelo gênero da ficção. Lança em 1980 As parceiras e no ano seguinte A asa esquerda do anjo.

Em oito anos de vida Lya sofre grandes perdas. Dos 25 aos 47 anos esteve casada com Celso Pedro, de quem se saparou para em 1985 casar-se com o psicanalista e escritor Hélio Pellegrino que veio a falacer três anso depois. Em 1992, Lya volta a casar-se com o primeiro marido ficando novamente viúva em 1995.

Quando no início deste post falei que Lya possuía um senso crítico para a temática da contemporaneidade, falei porque sabia de sua luta contra os estereótipos socias, fator já observável no seu pensamento que abre esse post. Critica certas necessidades necessidades desvairadas porque corre a humanidade, tais como a beleza, o prazer, inlfuenciando na sua escrita, classificável - entre aspas - como uma literatura de indagações.

Em 1982, publica Reunião de família e mais dois outros livros, O quarto fechado e Mulher no palco; tendo o primeiro sido lançado também nos Estados Unidos.




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Fonte: site Releituras, mais sobre a escritora clique no link http://www.releituras.com/lyaluft_bio.asp

Tem poesias de Lya no link http://www.secrel.com.br/jpoesia/lyal.html

Assista uma entrevista com a escritora em http://www.tvcultura.com.br/entrelinhas/videos.asp?videodata=18/4/2007

A vida e poesia de Manoel de Barros

sexta-feira, 9 de maio de 2008




Falar desse poeta é falar da palavra enquanto rede infinita de sentidos, porque sua poesia se constrói no território semântico e dele emerge para traduzir numa simplicidade o cotidiano seu. Estou a falar, para os que ainda não conhecem, do poeta matogrossense Manoel Wenceslau Leite de Barros ou simplesmente Manoel de Barros.

Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, em dezembro de 1916, Manoel de Barros é além de poeta advogado e fazendeiro. Vive em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Pode-se dizer que o poeta é filho da terra. Tinha somente um ano de idade quando o pai decide montar fazenda no Pantanal matogrossense e, cresceu brincando no terreiro de frente de casa, pé descalço, entre os currais e as coisas simples, que dariam a tônica à sua obra.

Aos oito anos de idade foi para o colégio interno de Campo Grande e depois para o Rio de Janeiro. O próprio poeta diz que não gostava de estudar até ter o seu primeiro encontro com o que considera gênio na escrita, o Pe Antonio Vieira.

Na sua formação Manoel de Barros não seguiu os sonhos do pai que era o de voltar a terra pantaneira e trabalhar em um cartório. Viajou para a Bolívia e para o Peru onde passou um certo tempo por lá. Depois foi para Nova Iorque onde fez curso de cinema e pintura no Museu de Arte Moderna.

Desde então Manoel de Barros passa a compreender a arte moderna como aquela desprovida de tudo e dotada da liberdade, sendo ela um resgate da diferença. É quando produz os primeiros versos, ainda que tenha escrito seu primeiro poema aos 19 anos.

Sua volta ao Brasil lhe trará um casamento já três meses depois com a mineira Stella. Depois desse casamento de Barros vem sim "realizar" os desejos do pai, tornar-se fazendeiro e assumir de vez o Pantanal.

Saiu seu primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado. Este foi feito artesanalmente por vinte amigos numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele. Ainda nos anos 80 Manoel recebe crítica de peso; ninguém menos do que Millôr Fernandes, colunista nas revistas Veja e Isto é além do Jornal do Brasil começou a falar para o público da poesia barreana. Não apenas o Millôr, mas também outros críticos como Fausto Wolff, Antonio Houaiss, entre outros.

Depois de toda essa avanlanche crítica sai um conjunto de poemas intitulado Gramática expositiva do chão.

Também depois veio-lhe o reconhecimento e hoje é visto nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes poetas do Brasil. Recebeu ainda em 60 o Prêmio Orlando Dantas, da Academia Brasileira de Letras, à obra Compêndio expositivo dos passáros. Em 69, o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federam e, em 1997, o Prêmio Nestlé. Em 1998 o Prêmio Cecília Meireles pelo Ministério da Cultura.





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Fonte, este texto foi composto a partir do texto publicado no site Releituras. Para acessar o texto na íntegra a fim de obter mais informações acerca do escritor, bem como apreciar traços da sua poesia pode acessar através do link http://www.releituras.com/manoeldebarros_bio.asp

Também é possível encontrar muita coisa sobre o poeta como poesias suas, recessão crítica, biografia e bibliografia em http://www.revista.agulha.nom.br/manu.html

Você também pode ouvir na voz de Antonio Abujamara a poesia de Manoel de Barros, é só clicar no link http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=372




Os Escritores

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Bem tinha várias opções de quem deveria falar hoje; diferente doutros dias em que fico procurando em tudo e em todos motivo para postagem. Dentre as opções que tinha, não vamos revelá-las, porque certamente elas estarão aqui noutras ocasiões futuras, decidido está em falar desse escritor mineiro, de Cataguazes, o Luiz Ruffato.

Quem acessar ao seu blogue do escritor encontrará por lá uma última postagem do dia 10 julho do ano passado, intitulada "Balanço da 2a e 3a semanas", em que ele fala da dificuldade que tem de postar, isto porque, segundo ele não vê nada de interessante que possa compartilhar/comunicar aos outros.

Pois bem, deixando a dificuldade sua de não ter nada de interessante a compartilhar de lado, nós temos sim e muito o que dele falar.

A postagem de hoje, logo, tem por interesse falar um pouco sobre a vida e a obra de Luiz Rufatto.


Como já dito, Luiz Ruffato nasceu em Cataguases, cidade mineira em fevereiro de 1961.

É formado em comunicação social e exerceu por um certo período a profissão de jornalista.

Sua obra se mostra enquanto materialidade riquíssima duma sociologia, isso porque em sua grande maioria da conta duma geografia de lugares, casas, espaços sociais diversos. Há quem a traceje como uma obra hermética e de difícil compreensão porque o escritor é dono duma característica narrativa particular que não apresenta de certo modo um princípio ou fim tanto dos fatos como dos personagens que povoam esses espaços também aleatórios.

A jornalista Cláudia Nina numa recessão intitulada "As fronteiras exitenciais de Rufatto", texto no qual nos baseamos para compor esse post, comenta do romance Eles eram muitos cavalos em a cidade paulista se apresenta nos fragmentos do cotidiano, misturada ao sofrimento dos habitantes mais simples, dando importância a estes que são mesmo protagonistas de sua narrativa.


Mas não foi sempre assim, Ruffato só viria em 1996, está pronto para escrever livros e perenizar a história de pessoas que passaram por sua vida, justificando a própria fala do escritor de que nesse momento foi quando ele encontrou razão para a escrita.

Em 1998 é, então lançado seu primeiro livro, Histórias de remorsos e rancores.

Até que chegue a esse trabalho incial, muitas foram as tentativas. Conta o escritor que teve seu trabalho recusado por vinte editoras a quem ele novamente retornou tentar antes de embarcar para a Europa.

Tentativas à parte quando do suceso do primeiro livro, agora era ela, a editora que se interessou na publicação pelo segundo que viria dois anos mais tarde, Os sobreviventes.

Esta obra deu ao escritor o Prêmio Casa de Las Américas, sendo outra obra sua, Eles eram muito cavalos, 2001, também premiado com o Prêmio Machado de Assis e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA).

Além destas obras também publicou em 2002, As máscaras singulares de poemas e Os Ases de Cataguases - contribuição para a história dos primórdios do Modernismo, ensaio.

Em 2005, saíram Mamma, son tanto felice e O mundo inimigo, dois primeiros dos cinco volumes projetados do romance Inferno provisório. Todos eles foram premiados pela APCA como melhor ficção de 2005.


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Fontes: esse post teve consultas ao Jornal da poesia, ao Wikipédia e site Acessa.com

Para acessar o blogue do escritor clique em http://blogdoluizruffato.blogspot.com/

Para fazer a leitura da recessão crítica da jornalista Cláudia Nina clique em http://www.revista.agulha.nom.br/lrufatto5.html

Confira também uma entrevista com o escritor em http://oleododiabo.blogspot.com/2007/04/entrevista-exclusiva-com-luiz-ruffato.html



Lygia Fagundes Telles e a "Ciranda de Pedra"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Aproveitando a deixa de que a Globo esta semana começou a reexibir a novela Ciranda de Pedra, para falar um pouco sobre a autora, Lygia Fagundes Telles, bem como sua produção literária. Aproveito também a deixa para criticar a certa displicência da emissora por somente semanas depois que já propagandeava o nome da nova novela dizer que se baseava na obra da escritora.




De sua escrita Lygia comenta que o que a motiva à escrita é ir "no âmago do âmago até atingir a semente resguardada no lá fundo como um feto".

Ela nasceu em abril de 1923 em São Paulo capital e em 1938, custeada pelo pai, Lygia publica seu primeiro romance Porão e sobrado.
Matricula-se no curso de Direito em 1941 e de então passa a freqüentar as rodas literárias onde conhece Mário e Oswald de Andrade. Também por essa época Lygia colabora com os jornais Arcádia e A Balança, ao mesmo tempo em que trabalha como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo, além da outra faculdade, a de Educação Física, quando se forma no mesmo ano de 1941.

Em 1944 é editada sua segunda coletânea de contos, Praia Viva.

Três anos após cincluir o curso de Direito, 1949, publica seu terceiro livro de contos, O cacto vermelho. Esta obra receberá o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras.

O seu primeiro romance é Ciranda de pedra, que a escritora começa a escrevê-lo em 1952, no retorno à capital paulista haja vista ter ela se mudado para o Rio de Janeiro em 1950 devido ao casamento com o jurista Goffredo da Silva, então deputado federal.

A obra torna-se um dos clássicos da literatura brasileira e, como de praxe ao perfil da escrita telliana, trata-se duma corajosa incursão pela complexa situação familiar contemporânea. Ao fazer uso duma linguagem precisa e do delinear psicológico das personagens, o narrador acompanha a trajetória de Virgínia, uma menina envolvida num mistério que mistura rejeição, crueldade, compaixão e amor pungente.

Esta obra Lygia desata a escrevê-la a partir duma reflexão que ela teve numa das suas constantes caminhadas, quando passava em frente a um casarão abandonado que estava sendo demolido. Ao passear pelos cômodos vazios e encantar-se com uma fonte onde se via uns anões de pedra em círculo, Lygia pensou o quanto que de histórias não se escondiam por ali naqueles jardins abandonados, alegrias, tristezas que envolveram os antigos donos daquela casa.

Várias partes desse romance foram escritas na fazenda Sto Antônio, em Araras, São Paulo. Esta fazenda fora na década de 1920 o point, digamos assim, onde se reuniam os escritores e artistas que fizeram o movimento modernista, tais como Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Mafaldi e Heitor Villa-Lobos.

Ciranda de Pedra é lançado em 1954, mesmo ano em que nasce seu único filho Goffredo Neto.

Além desta obra Lygia também publica o livro de contos Histórias do desecontro, em 1958; o romance Verão no aquário, em 1960; o romance As meninas; os livros de contos Histórias escolhidas, Seminário de ratos, Filhos pródigos (mais tarde republicado sob o título A estrutura da bolha de sabão), O jardim selvagem e Antes do baile, entre outros, este último ganha o Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França.

Em 1982 é eleita para a cadeira da Academia Paulista de Letras e em outubro do mesmo ano ocupa a cadeira na também Academia Brasileira de Letras.






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Fontes:

Mais informações sobre a escritora consultar em http://www.releituras.com/lftelles_bio.asp
(neste site inclusive além da cronologia da obra da escritora é possível encontrar vários contos como O moço do Saxofone)

Neste link (http://www.tvcultura.com.br/entrelinhas/videos.asp?videodata=10/2/2008) é possível ver uma entrevista que a escritora deu para o Programa Entrelinhas, da Tv Cultura.

A poesia de Thiago de Mello

terça-feira, 6 de maio de 2008

Thiago de Mello é que podemos chamar de pucas figuras que marcam o cenário da poesia brasileira contemporânea. Nascido na cidade de Barreirinhas, estado do Amazonas, é um dos poetas mais respeitados não apenas por seus versos, mas como também pela voz que clama em proteção à Floresta Amazônica e a unificação dos povos da América Latina.

Falar de sua biografia e de sua poesia, é o interesse nosso hoje para com esta postagem.


Thiago de Mello nasceu em 30 de março de 1926. Sua obra é traduzida para mais de trinta idiomas do mundo inteiro.

Como muitos de seu tempo, ele também foi preso durante a ditadura militar sendo exilado no Chile, onde teve contato com o poeta chileno Pablo Neruda de quem torna-se amigo para o resto da vida. Dessa amizade resultaram traduções de poemas de um para com outro, além da escrita de ensaios acerca da obra de ambos.

Não apenas ficou no Chile no período ditatorial; também percorreu Argentina, Portugal, França e Alemanha, voltando à sua cidade em Natal quando do fim do regime ditatorial. Lá vive até hoje de onde Thiago solta sua voz em socorro à Floresta Amazônica e à política questão de integração da América Latina.

Em seu poema Os estatutos do homem, Thiago chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana.

Sua obra Poesia comprometida com a minha e a tua vida rendeu-lhe o prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte o que tornou-o conhecido internacionalmente como intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.

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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Thiago_de_Mello

Mais informações sobre o poeta Thiago de Mello, leia em http://www.revista.agulha.nom.br/tmello.html


Assista vídeo com uma entrevista exclusiva com o poeta no programa Entrelinhas, da Tv Cultura em http://www.tvcultura.com.br/entrelinhas/index.asp?selecaovideo=multi