José Paulo Paes – Experiência Humanística E Cultura Literária 1
Por Antônio Fernandes de Medeiros Júnior
(UFRN)
José Paulo Paes foi um intelectual com muitas facetas, uma espécie de mestre sem título nem cátedra. Sem gravata nem suspensórios e à semelhança dos versos, “Não fez barulho na travessia terrestre./ Deixou apenas/ um rastro de música apuradíssima”2, que também não alardeou dogmas, tampouco sistematizou caminhos críticos radicais. A sua presença no cenário da cultura brasileira, na segunda metade do século XX, anuncia a experiência de um humanista notável. Oriundo de um universo em cujo epicentro estava o livro3, esse paulista de Taquaritinga – nasceu em 22 de julho de 1926 e faleceu na cidade de São Paulo no dia 9 de outubro de 1998, aos 72 anos – foi editorialista, poeta, tradutor e ensaísta. Produziu uma obra extensa, a qual inclui gêneros discursivos distintos, e toda ela sublinhada pela pujança de um espírito livre, com talento expressivo e aptidão singular para recolher ângulos insuspeitos em formulações poéticas, extraídas do cotidiano banal.
Quem deseje perseguir, como leitura sistemática, o conjunto da atividade literária de José Paulo Paes, primeiro, há de empreender um esforço suficiente para perceber que está diante de um autor que desenvolveu – como poucos e sem abrir mão de sólido rigor de pesquisa – um curioso método de trabalho deliberadamente periférico e à margem sistema produtivo acadêmico.4 Definiu seu método dialético na aposta da capacidade de assimilação de parcelas da realidade, faculdade submetida ao crivo de articulação reflexiva e de exposição de conteúdos abrangentes que, invariavelmente, ensejam a interlocução com o leitor comum (seu alvo preferencial), oferecendo, a esse público leitor, uma variedade de erudição desarmada, livre de excessos de condicionamentos teóricos e das linguagens cifradas, disponíveis somente a iniciados. Como pensador livre, José Paulo Paes qualificou-se através do farto exercício de pertinência crítico-poética, acumulada no decurso de mais de 50 anos de trabalho, intervalo no qual cumpriu intensa e ininterrupta vida literária, sob o signo da discrição.5 Assim, instruiu a sua posição singular de leitor e crítico propenso a coligir material qualificado para a leitura de um público plural. Como pensador bem-humorado demonstrou, pode-se constatar pela leitura de sua obra, ter compreendido que não confundia seriedade com sisudez, nem pertinência com demasia, conforme deixou expresso em sintético poema metalingüístico: “conciso? com siso/ prolixo? pro lixo”.6 No albergue silencioso de sua biblioteca, consolidou a prática de leitor arguto e mostrou-se perseverantemente infenso aos mimos superficiais e às vaidades estéreis da vida literária. Consta disseminado em seu ponto de vista o empenho francamente dialógico em demanda da compreensão dos fenômenos da realidade, essa, preservada pelo tom desassombrado e pouco afeito à mistificação:
“A vitalidade de uma literatura não se mede apenas pelo mérito daqueles autores que a critica passou em julgado e entronizou definitivamente como ‘maiores’. Mede-se também – e é forte a tentação de escrever sobretudo – pelo valor dos autores ditos ‘menores’ que, negligenciados pelos contemporâneos, só tardiamente, o mais das vezes depois de mortos, conseguem se impor. É então que ocorrem as chamadas ‘ressurreições’ literárias, atos de justiça tardia que, outra utilidade não tivessem, sempre serviriam para perturbar, com afloramentos sincrônicos, a digestão dos profissionais da diacronia.”
Tal fragmento transcrito de José Paulo Paes – movimento de abertura ao seu estudo Pavão parlenda paraíso: uma tentativa de descrição crítica da poesia de Sosígenes Costa7 – permite entrever, como ponto de partida, a predisposicao analítica de um leitor irrequieto. De imediato, sugere a índole de um leitor crítico refratário ao gesto passivo de acatamento de créditos estagnados na bolsa de valores literária e disposto a debater, sem preconceito, a matéria de cunho literário. Oferece elementos sutis suficientes para anunciar a presença incisiva de uma espécie rara de homem de letras.
O trecho, perpassado por sugestões de vitalidade, a despeito do interesse específico preliminar, vinculado ao poeta Sosígenes Costa, salpica referências relevantes, porque recorrentes, as quais perfilaram os ângulos centrais reveladores da atividade de reflexão literária de José Paulo Paes. Deslocado de seu ambiente originário, exibe sumariamente uma série de procedimentos nucleares de escolhas ensaísta-poeta-tradutor paulista. De maneira significativa, o leitor de José Paulo Paes pode verificar que o duplo leitor/escritor José Paulo Paes articulou uma espécie de “rede organizada de obsessões”:8 sistematizou idéias, produziu ensaios, fez surgir e se ocupou em apresentar, via tradução, textos literários trazidos ao alcance do leitor comum contemporâneo de língua portuguesa, com a lucidez metodológica de que se aparelhou ara, pacientemente, executar o exame literário dos trânsitos auspiciosos entre os eixos da diacronia e da sincronia. Nesse sentido, estão facultados em catálogos, seus estudos acerca da Poesia Moderna Grega9, as suas incursões percucientes a respeito da tradição tentacular da poesia erótica no ocidente, e também as suas instigantes intervenções na tradução de poetas dinamarqueses contemporâneos. Não menos importantes, são as suas análises voltadas à verificação dos eventuais critérios formais necessários à consolidação de um estatuto capaz de definir a permanência atemporal dos textos literários, os quais oriundos da memória poética, continuam despertando a curiosidade das gerações sucessivas de leitores. Nesse passo, ganham relevo as colaborações de tradução dos Sonetos renascentistas de Aretino10 e as primeiras versões brasileiras dos densos romances Às avessas11, do decadentista francês J. -K. Huysmans, e A vida e as opiniões do cavalheiro Tristam Shandy, 12 de Lawrence Sterne, do século XVIII inglês, essa narrativa tão útil ao estudo da literatura brasileira, sobretudo ao leitor das narrativas machadianas.
Dali também, pode-se inferir que esteve presente, em seu arco de preocupações a disposição firme de refletir sobre as dificuldades históricas da crítica em avaliar, para inserir no sistema literário, autores novos ou que se apresentem peculiares, e por isso, provocativos ao quadro geral de estagnação. José Paulo Paes atuou como um crítico que não se furtou à tarefa de estabelecer judiciosamente a ponte entre escritor novo e seu público potencial, ou de recordar a relevância sincrônica de uma figura surgida no passado.13 Como decorrência de sua colaboração regular aos cadernos de suplementos literários do jornalismo cultural, surgiram volumes de ensaios coligidos, como exemplificam, dentre outros, o Gregos e baianos, de 1985,14 o Aventura literária, de 1990, Os perigos da poesia, de 1997, ou ainda o da edição póstuma de O lugar do outro, de 1998. Todos organizados em seções capazes de incorporar comentários mesclados, inclusivos das produções contemporâneas ora de Glauco Mattoso, ora de Chico Buarque, ou ainda de Carlos Felipe Moisés, em paralelo a ponderações sobre a poesia de Paul Verlaine, ou a respeito das idéias de Simone Weil, sobre o soberbo texto homérico de a Ilíada. Mais do que isso, nesse material, o seu leitor pode usufruir em sua faceta não arvorada, contudo brandamente destilada em informalidade de uma entrevista: a do teórico literário.15 Isso porque, os volumes de ensaios reunidos comportam também as incursões pontuais acerca do valo pedagógico da metáfora, pleiteiam a defesa tipológica de uma literatura brasileira de entretenimento, recortam pontos de vista pertinentes ao romance de aventura e reivindicam a necessidade de sondagem crítica concernente à representação da outridade na prosa de ficção.
De outro modo – autêntica variação sobre o mesmo tema – a intervenção de José Paulo Paes como funcionário editorialista da Cultrix a partir de 1961, em contrato que perdurou durante quase duas décadas, corroborou para a fixação da sua imagem possante de home de letras inescapável. Como atesta o seu desempenho satisfatório da função, o editorialista (raposa fabular responsável pelo galinheiro bibliográfico) contribuiu para selecionar e difundir alguns dos títulos da crítica, da teoria e da produção literárias estrangeiras mais representativas daquele contexto, material que veio a ser vertido para a língua portuguesa, entre eles os fundamentais Lingüística e comunicação, de Roman Jakobson, em 1969; os Curso de lingüística geral, de Ferdinand Saussure, em 1970; o Introdução aos estudos literários, de Erich Auerbach, em 1970; os Abc da literatura e A arte da poesia, de Ezra Pound, em 1970 e 1976, respectivamente, e O castelo de Axel, de Edmund Wilson, em 1991, em traduções individuais ou conjuntas, mas sempre sob a sua orientação crítica. De acordo com o testemunho de Izidoro Blikstein,
“Houve um caráter pioneiro de tradução desenvolvida por José Paulo Paes, mesmo porque havia uma chave de braço, uma briga constante, no bom sentido, entre o José Paulo e o dono da Cultrix, o saudoso Diaulas Riedel, porque o Diaulas, como dono da editora, preocupava-se com o retorno financeiro dos livros. Isso é perfeitamente natural, mas nem todos os livros tinham uma grande saída. O José Paulo incentivava a tradução desses clássicos da literatura, da lingüística e semiótica. Eu acredito que o exemplo foi seguido depois por várias editoras e aí está o papel pioneiro.”16
Mérito também reconhecido por Luiz Schwarcz.17 Como se vê, o tradutor do clássico A desobediência civil tratou de valorizar o espaço humilde dos bastidores, incitando uma bibliografia atualizada, vertida à língua portuguesa e disponível ao público de várias disciplinas da área de humanística.
A partir desses apontamentos preliminares, parece plausível supor que José Paulo Paes praticou coerentemente uma arte reflexiva, suficiente para não sucumbir à palidez das “negligências” por ele criticadas, em função da necessidade de sua leitura de Sosígenes Costa, tornando-se, a contrapelo, o primeiro beneficiário de sua própria anotação. A sua defesa intransigente relativa ao valor da literatura, enquanto discurso de preservação, faz resvalar compromissos éticos, em última instância compromissos definitivos com os princípios das artes e ciências humanas. Certamente, tal ordem de consciência discursiva decorreu de desenvolvimento gradual de sua percepção crítica.
José Paulo Paes optou cedo, e de maneira obliqua, pela estrada erma do autodidatismo, tendo, contudo, o selo expedito de proteger essa condição com a sua capacidade de uso do discurso irônico, em prática corrosiva. O início da trajetória do homem de letras ocorre pela recusa – paradoxalmente consciente – à escolaridade e está patenteada por decisão tomada ainda na juventude:
“Concluído o ginásio, eu tinha de decidir o que fazer dali por diante. Um curso universitário exigiria mais oito anos de estudo. Era demais para quem queria se livrar o quanto antes de dependência financeira para com o pai e cuidar de sua própria vida. ainda que atraído pela literatura, nem de longe me passou pela cabeça cursar Letras, de onde sairia professor de português. Eu gostava de ler para me distrair e aprender, mas não gostava de escola. Achei então que um curso técnico de química seria uma boa opção. Seriam só mais quatro anos, sem necessidade de colegial. Consegui o programa dos exames de ingresso e me preparei sozinho para eles.”18
Aqui, estabelecida a preferência do autodidata, não há espaço para heroísmo. Reprovado no exame do Colégio Mackenzie, em São Paulo, freqüentou, como ouvinte, o colegial de Araçatuba, oportunidade que aproveitou para constatar, em exercício sarcástico, que “além das pernas da professora de desenho, nada mais me interessou no curso”.19 Mudou-se para Curitiba, em 1944, onde permaneceu até meados de 1949; cursou o programa do Instituto de Química do Paraná, ampliou o seu espectro de leitura e ciclo de amizades, sedimentou outros tantos contatos decisivos e participou do II Congresso Brasileiro de Escritores, realizado no Rio de Janeiro. Publicou poemas na Revista Joaquim. Advieram desse contexto de efervescência, as suas amizades com os pintores Carlos Scliar e Cândido Portinari, com o desenhista Poty, com os contistas Dalton Trevisan, Murilo Rubião e Haroldo Maranhão, com os escritores Jorge e James Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Graciliano Ramos, com os poetas Glauco Flores de Sá Brito e Carlos Drummond de Andrade, com os críticos Antonio Candido, Wilson Martins, Armando Ribeiro Pinto, Otto Maria Carpeuax e Sérgio Millet, e também com o anárquico Aparício Torelli, o Barão de Itararé.
Filiou-se ao Partido Comunista, posteriormente, desiludiu-se com os excessos doutrinários stalinistas do realismo socialista, quando aprendeu que o diálogo de discursos relevantes exigiria “um tipo de conciliação entre arte e ideologia que superasse o rebaixamento propagandístico”.20 Essa compreensão, conforme o seu leitor pode constatar, revelou-se emblemática e indício do equilíbrio reflexivo que perpassa os seus textos críticos, tendo-se preservado, desde então e em toda a sua longa experiência literária, como valor de referência almejada.
Esse aprendizado inicial, debulhado em tom de irreverência branda e compatível com o melhor das recomendações de Oswald de Andrade – “ver com os olhos livres” –, concatena a expressão do pensador sensato e já imprime a marca d’água da sua personalidade literária, em sintonia plena com depoimento de ratificação, oferecido em entrevista, poucos meses antes de seu falecimento: “Meu ideal poético é a desafetação, a concisão e a intensidade postas todas a serviço da minha própria visão de mundo.”21 Concluído o curso de química, consolida-se a tendência arredia da figura avessa à pompa: “Embora eu tivesse sido eleito orador da turma, desisti de comparecer à festa de formatura, quando meus colegas resolveram colar grau de smoking alugado. Achei palhaçada demais para um militante do partido operário.”22 A qualidade do argumento e a consciência do mal-estar espraiaram-se vida literária afora, na expressão urdida por um polígrafo requintado.
José Paulo Paes sobreviveu de seu trabalho, primeiro como técnico em química, depois como editorialista da Cultrix e, em concomitância, fermentou a sua laboriosa obra poética, de crítica e de tradução literárias. O primeiro livro publicado, O aluno (1947), é circunscrito ainda ao período curitibano. Dado o caráter de síntese válido para perfilar todo o volume, destaco o poema-título:
São meus todos os versos já cantados:
A flor, a rua, as músicas da infância,
O líquido momento e os azulados
Horizontes perdidos na distância.
Intacto me revejo nos mil lados
De um só poema. Nas lâminas da estância
Circulam as memórias e as substâncias
De palavras, de gestos isolados.
São meus também, os líricos sapatos
De Rimbaud, e o fundo dos meus atos
Canta a doçura triste de Bandeira.
Drummond me empresta sempre o seu bigode,
Com Neruda, meu pobre verso explode
E as borboletas dançam na algibeira.
O soneto revistado com o timbre da geração de 45 – nomeação genérica relevante como referência cronológica, contudo anódina para indicar inerências discursivas: o próprio José Paulo Paes teceu comentários a respeito do assunto, os quais não deixam dúvidas sobre a sua crença no poder individual da criação, acima da subserviência a argumentos de autoridade23 – deixa vazar aspectos peculiares do poeta emergente. Chama à atenção o empenho declarado de um eu-lírico apresentado no papel de um leitor exigente que, beneficiário das conquistas conseqüentes do Modernismo de 1922, mescla o arrojo de uma linguagem só aparentemente contida com a atualização de seu verbo exposto, aberto às trocas, às infusões discursivas, ciente do legado recebido. De acordo com Jorge Luis Borges, todo poeta conseqüente inventa, arranca de sua sensibilidade a linhagem dos seus precursores, torna possível a porção de alquimia definidora de sua trança poética. As referências nominais, concentradas nos dois tercetos, a Carlos Drummond de Andrade, a Manuel Bandeira, a Pablo Neruda e a Arthur Rimbaud, justificam a ocorrência do verso inicial “São meus todos os versos já cantados”.
Em súmula poética, percutem os ecos de A rosa do povo (1945), os fragmentos do mundo pós-guerra, a bricolagem de cacos bélicos, o bigode sarcástico de Charles Chaplin, aderido à face perplexa e à dicção empostada de Carlos Drummond de Andrade.
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Notas de fim:
1 Este texto é parte integrante do Projeto de Pesquisa José Paulo Paes – um homem de letras, apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para Linha de Pesquisa Literatura e Memória Cultural, da área de concentração Literatura Comparada, em cumprimento às exigências parciais para a seleção de doutorado em março de 2003. Pesquisa orientada pelo prof. Dr. Marcos Falchero Falleiros.
2 ANDRADE, Carlos Drummond de. “Frutuoso Viana”. Em seu Poesia e prosa Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988, p. 810.
3 “Não acredito que o futuro de quem quer que seja possa estar escrito com antecedência na configuração das linhas da mão ou dos astros do céu. Mas não posso deixar inteiramente de lado a idéia de o local de meu nascimento ter influído nos rumos da minha vida. Pois nasci numa livraria. Melhor dizendo, num quarto bem ao lado da Livraria, Papelaria e Tipografia J. V. Guimarães. É o que diz a placa da loja do meu avô materno, em cuja casa da Taquaritinga vim ao mundo...” PAES, José Paulo. Quem, eu? Um poeta como outro qualquer. 2 ed. São Paulo: Atual, 1996, p. 3.
4 “Não consigo imaginar ninguém menos vocacionado a homenagens do que o Zé Paulo. Ele era uma pessoa extremamente discreta, embora irônica, correta e também – por que não dizê-lo? – safada [...] O que considero extremamente significativo em sua figura pública – um traço meio paradoxal numa pessoa tão discreta – foi o fato de ele ter provado através de sua produção e de seu comportamento que era possível para um homem comum participar da vida cultural e da vida artística do país de maneira produtiva, sem que para isso fosse necessário uma inscrição institucional forte, seja universitária, acadêmica ou de qualquer outra ordem”. NAVES, Rodrigo. Cult: Revista Brasileira de Literatura. “DOSSIÊ – José Paulo Paes: o poeta da brevidade”, n. 22. São Paulo: Lemos Editorial, ano III, maio de 1999, p. 59.
5 “José Paulo Paes foi um dos homens de letras mais completos que nós tivemos no Brasil. Isto é notável, tratando-se de alguém com uma formação bastante informal. Mas se pensarmos na fisionomia de um homem de letras, do que pode ser um homem de letras entre nós, isso estava encarnado em José Paulo Paes no final de sua vida. Ele foi um cidadão, digno que se dedicou às letras de corpo e alma, embora tenha feito tantas outras coisas pela vida.” Davi Arrigucci Jr., Cult: Revista Brasileira de Literatura, n. 22. São Paulo: Lemos Editorial, ano III, maio de 1999, p. 60.
6 PAES, José Paulo. “Poética”. Em seu A poesia está morta mas juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 11 (Claro Engima).
7 PAES, José Paulo. Pavão, parlenda, paraíso: uma tentativa de descrição crítica da poesia de Sosígenes Costa. São Paulo: Cultrix, 1977, p. 11.
8 BARTHES, Roland. In: Michelet. Tradução Paulo Naves. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 9.
9 Com esta tradução, o autor foi distinguido com a Cruz de Ouro da Ordem de Honra pelo Presidente da Grécia, em 1989 (Poesia Moderna Grega. Rio de Janeiro, Guanabara, 1986).
10 Através desse trabalho, o autor foi reconhecido com o Prêmio de Tradução da Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, em 1981 (Sonetos luxuriosos, 2 ed. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.
11 HUYSMANS, J.-K. Às avessas. Tradução e estudo crítico de José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
12 STERNE, Lawrence. A vida e as opiniões do cavalheiro Tristam Shandy. Tradução, introdução e notas de José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
13 Conforme deixou recomendado aos novos: “Enfrente o ofício a palo seco, com base em você, na sua obra mesmo. Apenas tente diminuir a distância entre você e os grandes de literatura”. Folha de São Paulo, MAIS! 22.06.1997, p. 12.
14 Conjunto com o qual o autor recebeu o Prêmio Jabuti de Estudos Literários (ensaios) da Câmara do Livro do Brasil, em 1986.
15 “Estou mesmo pensando em escrever um livro de como fazer para que o jovem goste de poesia, uma espécie de propedêutica da poesia, no melhor sentido, no sentido não-sistemático, não-escolar, mas no sentido de uma espécie de ioga poética, para que o sujeito se sinta motivado a ler e curtir poesia. É possível despertar quem tem algum gosto através de um elenco, por exemplo, de como a linguagem da poesia funciona, qual o caminho para entender certas coisas aparentemente inexplicáveis e que, entretanto, são verdadeiros ovos de Colombo”. Apud A aventura literária de José Paulo Paes, entrevista concedida a Heitor Ferraz, publicada em Cult: Revista Brasileira de Literatura, n. 22. São Paulo: Lemos Editorial, ano III, maio de 1999, p. 49.
16 Apud Cult: Revista Brasileira de Literatura, n. 22. São Paulo: Lemos Editorial, ano III, maio de 1999, p. 55.
17 “O José Paulo acompanhou a editora [Companhia das Letras] desde o nascimento. Ele também foi autor do primeiro trabalho da Companhia das Letrinhas. Não existe ninguém no mercado editorial do porte dele. Foi ensaísta, tradutor, poeta... Ele mudou muitas das faces do mercado editorial brasileiro”. “Repercussão”. Folha de São Paulo, Ilustrada, 10.10.1998, p.1.
18 PAES, José Paulo. Quem, eu? Um poeta como outro qualquer, p. 29
19 Id., ibid., p. 30.
20 Id., ibid., p. 40.
22 PAES, José Paulo. Quem, eu? Um poeta como outro qualquer, p. 40
23 “Rótulos geracionais são uma comodidade da história literária e como tal só aos historiadores é que podem servir e satisfazer. Todo poeta digno do nome é um mundo à parte, cujas peculiaridades, cuja eventual cota de originalidade tendem a ter obliteradas quando insistem em metê-lo num compartimento classificatório. Cronologicamente, pertenço à geração de 45 porque meu livro de estréia é de 47. Mas estou longe de perfilhar uma certa estética programática que leve esse nome e em cujo âmbito não creio que a minha poesia, no todo ou em parte, possa ser incluída sem violentar-lhe a especificidade”. José Paulo Paes artesão da sobriedade. Disponível em: http://sites.uol.com.br/medei/penazul/geral/entrevis/paes.htm. Acesso em 22.11.2002.
Para ler este ensaio na íntegra, aqui este texto é apenas um fragmento ver FÁVERO, Afonso Henrique e PATRINI, Maria de Lourdes. Scriptoria III: ensaios de literatura. Natal: EDUFRN, 2008, p. 39-68