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Mostrando postagens de Outubro 20, 2008

Itinerários da poesia de Zila Mamede

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Corpo a corpo

Pasto branco
potro bravo
corpo a corpo
corre o certo
tempo incerto
de um corisco

Pasto e cobra
rosto franco
na empreitada:
febre e fogo
nesse jogo
de encontrar-se

Pasto e potro
rasto e sono
em breve trato:
rosto acorda
laço e corda
desatados

Pasto grave
tenso rosto:
cobra-cobra
se consome
na empreitada
re-presada

Pasto franco
rosto breve
fogo e risco
fome e riso
no improviso
desse jogo

Pasto bravo
potro branco
corpo a corpo:
na campina
o potro: a crina
engalanada



(Zila Mamede, Corpo a corpo)
Zila Mamede – itinerário e exercício da poesia (parte V): Corpo a corpo – paisagem dos cinqüent’anos ou uma volta em mágoa
por Paulo de Tarso Correia de Melo*
“[...] a beleza é tão grande mas ninguém a enxerga.”
(Marinha ou Paisagem dos cinquent’anos)
Embora a autora defina Corpo a corpo como “uma volta sem mágoa” a cada um dos lugares que marcam o seu itinerário poético, a novidade desses poemas inéditos está, outra vez, muito mais na forma, se tomada em relação ao livro imediatamente anterior, que no retorno temático…