O poder da escrita

Pedro Fernandes



(Estas notas agora publicadas datam de 13 de novembro de 2003. Pelo menos este foi o registro que encontrei quando dei de cara com o texto ao revirar alguns papéis adormecidos na poeira destes anos. Depois desta post outras seguirão, provenientes do mesmo baú. Trago-os a estes espaço como resgate e como registro).



No princípio era o verbo


Uma folha branca. Ela é um desafio para escritor de qualquer nível. Vencido a cada momento em que novas palavras e idéias surgem para preenchê-la. Vejo a escrita como um processo delicado. Delicado e interessante. Que nos coloca em situações a ser resolvidas. Isso é o que chamo pensar com palavras. Comparo escrever com entrar num mundo negro e desconhecido. É um problema que nos traz satisfação e conhecimento.

Já parou para imaginar o mundo tal qual este que hoje vivemos sem a escrita? Será que o haveria... Seríamos, muito provavelmente, um elo perdido como é o antepassado a ela, em que pouca coisa conhecemos e o pouco que conhecemos não passam de suposições. Vejo a escrita como capaz de construir e erguer o universo que somos e que habitamos. A escrita é ainda porto seguro para os que têm necessidade de desabafar. Toda vez que sentamos para escrever desenvolvemos uma relação de intimidade, até mesmo simbiótica com o papel e a própria escrita.

Escrever, pois, seja lá o que for, nunca será perda de tempo. Agora mesmo estou prestes a concluir este texto. As palavras que estavam escondidas jorram e com a escrita posso derramá-las neste espaço, que antes limpo corria o risco de limpo ficar para sempre. Escrever é criar elos no emaranhado das palavras fazendo com que nossa própria história não se perca. Pela escrita permaneço vivo. A escrita me é a ressurreição.


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