minhas falas

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Era Bush

Por Pedro Fernandes de O. Neto



– Atenção, todos! Vai falar agora o excelentíssimo senhor presidente dos Estados Unidos, rei do mundo e da cocada preta, o Sr. George W. C. Bush. Todos, por favor, quer dizer, por favor, não, que supremo não pede por favor; todos, dobrem-se diante do supremo! Lembrete: quem desobedecê-lo estará assinando um tratado de paz armada.



(A cena é interrompida por sapatos voadores de um dos jornalistas da sessão).


Associando a charge à cena real estamos diante de um painel significativo do que foi o mandato que se finda hoje. Durante esse período assistimos perplexo o desenrolar de cenas muitas delas comuns às ditaduras num país cujo vocábulo liberdade tremula nos principais veios da história da democracia, esta que ainda caminha, ainda que já capenga das pernas.


O governo Bush definiu-se na mentira. Através dela criou-se um pretexto para guerras – as guerras pela liberdade (olha aí o vocabulozinho) ao povo afegão, ao povo iraquiano. Um bom argumento, não fosse o pensamento outro que havia por trás de tal interesse: a riqueza petrolífera da região.


Convencer, ou melhor, tentar convencer o mundo com uma desculpa dessa foi talvez o primeiro ato covarde do governo Bush. Covarde também foi a pressão exercida sobre a ONU – organismo tido independente das influências políticas externas – para “desarmar” o Iraque e para outros procedimentos sujos. Procedimentos como o desrespeito para com os Direitos Humanos. Até hoje não se sabe do paradeiro dos fisgados levados para a base de Guantánamo. Há ainda outras covardias. Covardes foram essas guerras. De um lado um lutador de peso, carregado de bombas inteligentes, do outro, desnutridos, sem nenhum míssil burro para contra-ataque.


Com Bush assistimos um Saddam depois de velho, besta e burro, pego feito peixinho pronto a ser saboreado na mesa dos ianques. E com sua morte assistimos a um jogo de desculpas esfarrapadas. Desculpas que se estenderam a vários outros campos, como o de maior preocupação mundial atual, o meio ambiente, com a recusa do plano de cooperação de Kyoto.


Bem, retirando esses fiascos, um dos maiores do governo Bush, o caso é bem mais grave do que estes “mal-entendidos” acerca do terrorismo que se instalou no ego ianque desde o 11 de setembro. Certamente outro fiasco Bush foi o fosso em que o capitalismo, cujo líder são os Estados Unidos, atualmente passa: desemprego as alturas e uma série de índices negativos que não param de aumentar. Esse fosso econômico porque passam os Estados Unidos acaba por contaminar outras economias frágeis que estão diretamente atreladas a estadudinense.


E, para finalizar o rosário de desordens, estoura a guerra entre Israel e Palestina. Guerra que há anos se desenrola, tem certamente o apoio e o subsídio ianque do lado israelense. E com essa ofensiva, todos os outros crimes cometidos ajuntam-se e vão sendo postos aos olhos dos telespectadores que veem os jornais.


Restamos esperar a tal de change, o que ela poderá fazer. Não é de se ficar de forma alguma achando que as nuvens negras logo se dissiparão porque o hurricane Bush... Há certamente muito que concertar. Inclusive a imagem tosca que se formou em derredor dos Estados Unidos.

Os Escritores

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A série Os escritores rememora hoje, 21 de janeiro, os noventa anos da morte do escritor brasileiro Aluísio Azevedo. Dono de uma obra-prima da literatura brasileira deve ser sempre lembrado sempre por este feito.


A vida e a obra de Aluísio Azevedo


Por Pedro Fernandes


É muito difícil escrever romances no Brasil!... O pobre escritor tem de lutar com dois terríveis elementos – o público e o crítico. O público, que sustenta a obra, e o crítico, que a julga e às vezes a inutiliza; o público, que compra um livro para aprender; e o crítico, que exige que o livro sustente as suas idéias e pense justamente como ele – crítico.

(Aluísio Azevedo, Filomena Borges)




Os arquivos acerca do escritor dão conta de um sujeito que desde menino revelou inclinação às Artes. Ainda nos bancos da escola primária encontramos Aluísio Azevedo completamente fascinado pelo desenho, o que levou a família, presa ainda por uma psicologia do dom, matriculá-lo num curso de artes plásticas. Adolescente já desenhava bem. Chegou mesmo a pintar alguns quadros. E quando animado pelo sucesso que seu irmão Arthur Azevedo obtinha na Corte, partiu para lá. Foi confiante no êxito que ele obteria que fez a viagem. Em pouco tempo, impôs às redações de jornais como O Mequetrefe, Fígaro e Zig-zag fazendo charges bastante apreciadas pelo público. Essa sua incipiente carreira de caricaturista viria ser interrompida porque cá em São Luís falecia e seu pai e, logo, viu-se obrigado a voltar ao Maranhão.


Em território maranhense começou a trabalhar na imprensa escrevendo crônicas e comentários. O menino Azevedo trocava as cores das tintas e o pincel pela cor preta e o lápis. Nascia assim o seu primeiro romance, que começara a compor ainda no Rio, mas só agora tem tempo de dar por acabado. Chama-se Uma lágrima de mulher e foi publicado em 1880. Não seria este livro nem outros que publicaria mais tarde, como Mistérios da Tijuca ou Girândola de amores, Memórias de um condenado ou A condessa Vésper, de 1882, Filomena Borges, de 1884, ou A mortalha de Alzira, de 1894, ainda todos vazados nos moldes de uma estética romântica, nem os desenhos e nem tampouco os seus textos para o jornal que lhe vão dá projeção no nome e na figura.


Depois que publica Uma lágrima de mulher, Azevedo continua a viver sua modéstia vida de jovem intelectual provinciano. É quando lhe vem a idéia já calcada nos fatos e aspectos sociais que o cerca de escrever uma obra que em seu curso saltasse a vida e os costumes dos maranhenses. Esse romance é O mulato, publicado em 1881. Ele é que apresenta os primeiros traços de uma estética do romance naturalista aqui no Brasil, estética que já era tendência comum nos romances produzidos na Europa, desde que Émile Zola publicara seu O romance experimental, por volta de 1850. É esse romance, O mulato, o que vai projetar o seu nome por todo País, ao mesmo tempo que, incompatibilizando-o com o modus vivendi maranhense, forçando-o a deixar São Luís, novamente pelo Rio de Janeiro, onde tudo acontecia por essa época. A fama de excelente romancista que o acompanha abre-lhes as portas dos jornais, onde passa a colaborar intensamente. São anos e anos de atividades ininterruptas, e da qual ele se queixa continuamente, dizendo-se um sacrificado, um escravo das letras. Nesse trabalho, porém, foi onde construiu sua obra de romancista. Dentre as já citadas, Aluísio Azevedo ainda viria a publicar Casa de pensão, em 1884 e sua obra-prima O cortiço, em 1890, apresentada pela crítica como o melhor e mais bem acabado romance do Naturalismo na literatura brasileira. O cortiço é a prova material de um escritor que encontra seu melhor meio de expressão quando narra aspectos da vida coletiva. Suas personagens, por isso mesmo, são muito mais o cortiço que seus moradores, a cidade maranhense São Luís que o mulato Raimundo, a casa de pensão muito mais que Amâncio.


Com o tempo o escritor conseguiu libertar-se da vida de escritor, que para ele era um jugo. Torna-se através de concurso público cônsul. Serviu primeiro em Vigo, depois em Nápoles, em seguida no Japão e, por fim, em Buenos Aires, onde veio falecer em 21 de janeiro de 1919. No interregno de dezoito anos que o foi o período que se dedicou a vida pública, Aluísio Azevedo nunca mais escreveria nenhum romance. Virara as costas para a literatura e não apreciava muito que lhe roubassem as recordações da carreira vitoriosa de romancista.




minhas falas

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Um ano depois


Por Pedro Fernandes de Oliveira Neto


Não adiantemos falsas esperanças, Teria sido, sem dúvidas, uma boa e honesta manchete para o jornal do dia seguinte, mas o director, após consultar com seu redactor-chefe, considerou desaconselhável, também do ponto de vista empresarial, lançar este balde de água gelada sobre o entusiasmo popular, Ponha-lhe o mesmo de sempre, Ano Novo, Vida Nova, disse.

(José Saramago In As intermitências da morte)


Vai o ano correndo em dias e noites até que deságue para o fim que é o início de outro ano que novamente deverá correr em dias e noites e desaguará noutro ano e mais noutros, sucessivamente. É assim desde que criamos o tempo. Enquanto os anos vão correndo também corremos nós até desaguarmos para a morte, esta que é o fim de tudo. Não há para nós como o ano que tem outro ano para desaguar outra vida que possamos estar nela a desaguar e continuar a viver. É assim o curso natural da vida.


E neste momento em que comemoramos a chegada de mais um ano, permito-me pensar na premissa que representa esse curso supostamente cíclico a que estamos presos. Estes momentos de passagens, principalmente. Reporto-me a uma obra literária do escritor de “Ensaio sobre cegueira” – recém adaptado para o cinema – José Saramago. Escritor a quem admiro não só pela sua proficuidade literária, mas também pela capacidade reflexiva que deita em suas obras para como as questões que regem o homem e o espaço social humano. Falo de uma obra sua intitulada “As intermitências da morte”, de onde recortei o fragmento que epigrafa este texto, publicada aqui no Brasil em 2005, pela Companhia das Letras. Neste, que é mais um belíssimo texto do escritor português, o que se apresenta é uma pequena nação, como muitas das que por este imenso Globo habitam, com uma população de pouco mais de dez milhões de pessoas, que num dia como este, primeiro de um ano novo, descobre que ninguém morreu. A doença mais terminal deixou de matar. Daí em diante o que se assiste é um verdadeiro desespero não especificamente das pessoas que deixam de morrer, pelo menos em primeiro instante, mas das instituições nacionais – em principal a Igreja, os estabelecimentos filosóficos de auto-ajuda e as casas funerárias. Todos deixariam de lucrar e como a morte é lucrativa! A Igreja, no entanto, seria a mais afetada de todas, por não ter mortes a celebrar iria mesmo ao colapso não apenas por este fato, mas porque sem a morte não haveria mais salvação.


Fico por estas paragens a refletir. Se hoje o fato ficcional se tornasse realidade, a “greve” da morte, assim como no romance de Saramago que se instala um caos, certamente estabeleceria o caos e a desestruração da sociedade em que vivemos. Entretanto, acredito, a maneira irônica como Saramago procura postar neste romance para com o maior desejo da humanidade – a vida eterna – leva-nos a entender uma coisa: há necessidade de haver a morte para que haja a vida. Uma não existiria sem outra. E se existisse não haveria sentido. E associo aqui ao enredo de uma peça do teatrólogo Karel Capek – citada no artigo “O extraordinário e o sutil em Saramago”, de James Wood, publicado no “The New Yorker”. Na referida peça, Elina Makropulos no alto de seus 342 anos de idade deixa de beber o elixir da eterna juventude, coisa que ela fazia desde os seus 42 anos, optando por morrer. Parafraseio Wood, a vida precisa da morte para se ser, a morte é o período negro que define a sintaxe da vida.


Mas o que quero associar a este fato da morte é que sendo ela um mal necessário, assim também é o momento da passagem de ano. Ambos são ritos de passagem. Um para o nada; o segundo para o outro. Isso, entretanto, parece que não temos percebido tanto em meio a todos os festejos de ano novo. Desejamos um novo da boca para fora, porque não buscamos construí-lo naquele momento novo que no instante seguinte já se é velho. Desassociando-se da morte – que se constitui o fim de tudo – isto de cíclico, de passagens, de viragens, que vivenciamos a cada ano deveria se constituir para nós numa espécie de momento de passagem para outros momentos. Assim como o ano que deságua noutro ano, deveríamos desaguar noutro eu-ser a cada passagem de ano, pelo menos num outro eu que não cometesse as mesmas maldades que passamos o ano a cometer. Isso, entretanto, parece que não atentamos nem neste momento, nem no decorrer do ano, porque os ritos dos horrores humanos perpetuam-se ano após ano e assim tem sido desde que o homem olhou para o semelhante e assim definiu-se enquanto homem. Um ano depois éramos para fazer jus ao comum “ano novo, vida nova”.




Férias

2009 adaptações



por Pedro Fernandes


A partir de hoje entra em vigor as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Escritores e editoras já estão se adaptando desde o ano passado para acompanhar as mudanças. que para os brasileiros, deverão está incorporadas até 2012. As editoras, revisando e reeditando livros didáticos e dicionários, em princípio, e os escritores revisando suas obras em andamento ou modificando a forma de escrever suas novas obras. O acordo foi elaborado há 18 anos e finalmente entra em vigor para unificar a ortografia nos sete países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa CPLP. O Brasil será o primeiro a adotar oficialmente as novas regras. Para o escritor Jorge Antônio Ribeiro da Silva, a mudança acarretará um trabalho considerável aos autores, que terão de se adaptar às regras novas de grafia, mudar e acrescentar itens. “Os escritores terão que revisar toda a obra que já está escrita. O autor que não está vinculado a uma editora terá que fazer a revisão por si.


Veja o que muda por aqui, clicando AQUI.


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fonte: Agência Brasil Que Lê, 22/12/2008, por Flávia Albuquerque; site terra: educação.