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Mostrando postagens de Fevereiro 3, 2009

“Ridendo castigat mores” – Gil Vicente, o pai do teatro português

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Todo o Mundo – folgo muito d’enganar e mentir nasceu comigo. Ninguém – Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar. (Berzebu para Dinato) Berzebu – Ora escreve lá, compadre. Não sejas tu preguiçoso! Dinato – Quê? Berzebu – Que Todo o Mundo é mentiroso e Ninguém diz a verdade.
(Gil Vicente, Auto da Lusitânia)

Não é redundante afirmar que o caráter da literatura, dentre vários outros, é o do desvelo para com as questões que regem a realidade empírica. Mas do que isso é o teatro de Gil Vicente. Ao passo que figura o desvelo, figura também certa “denúncia” da sociedade da qual fazia parte. Uma sociedade predominantemente voltada aos ricos e à marginalização dos pobres. Uma sociedade que até hoje permanece abarcada pela hipocrisia.
Mesmo sendo incertas as datas de seu nascimento e morte, é sabido que Gil Vicente viveu durante o reinado de D João II. Testemunhou a aventura portuguesa das grandes navegações e grandes descobertas ultramarinas. Muitos de seus autos e peças foram encenados na corte d…