Viagens a Mossoró, reencontros: O poeta Gustavo Luz a reedição Das máquinas e o poeta Leontino Filho
Intervalo
segunda-feira, 30 de março de 2009Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Março 30, 2009 0 comentários
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Os Escritores
quinta-feira, 26 de março de 2009E se tudo isso não me inspirasse uma poesia nova, se não desse ao meu pensamento outros vôos que não esses adejos de uma musa clássica ou romântica, quebraria a minha pena com desespero mas não a mancharia numa poesia menos digna de meu nobre país.”
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minhas falas
quarta-feira, 25 de março de 2009O hábito da leitura
por Pedro Fernandes de O. Neto
Ser culto é não ser curto
Enquanto não abandonarmos a preguiça de ler e entender o que lemos seremos essa sociedade analfabeta. Seremos sempre presos nas rédeas que os outros adoram pôr na gente.
Ser culto é não ser curto.
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alguns dos filmes brilhantes
segunda-feira, 23 de março de 2009
Na primeira temporada do quadro ALGUNS DOS FILMES BRILHANTES estamos exibindo a lista publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.
09
O encouraçado Potemkin, Sergei Eisenstein
Criador propôs reinvenção da linguagem, por meio da montagem, para transmitir valores revolucionários
Para um conteúdo revolucionário, uma forma revolucionaria. Sob este lema o diretor russo Sergei Eisenstein entrou definitivamente para a história do cinema em razão da expressão inovadora de sua obra e também pela reflexão sobre a produção de significados na linguagem cinematográfica, feita numa extensa lista de ensaios escritos.
O encouraçado Potemkin (1925) é seu segundo trabalho. Mas desde sua estréia, com A greve, no ano anterior, o cineasta já propunha uma narrativa em total ruptura com as formas tradicionais, ainda marcadas pela linearidade dos fatos e pela teatralidade dos gestos e atuações.
Não é possível, contudo, compreender a importância da proposta estética de Eisenstein sem o contexto em que ela foi criada. A Rússia havia sido sacudida por uma revolução em 1917, e o estabelecimento gradual das reformas foi acompanhada por um grande número de experimentações no campo das expressões artísticas, com vanguardas ocupando terreno na pintura, no teatro, na literatura e na cinematografia.
No caso do cinema, Eisenstein enxerga a montagem, o modo como se associam duas imagens no cinema, um elemento substancial na construção de novos significados. Contra a linearidade, o artista russo escolheu o simbolismo, a alteração abrupta de direções de olhares e de ritmos, o choque de valores plásticos opostos, o conflito, naquilo que ele definiu como “montagem dialética”. Com isso, pretendia que o espectador compreendesse o conteúdo não apenas pelo que é narrado, mas também pelo modo como é narrado.
O resultado desse projeto encontra-se representado na cena mais clássica de O encouraçado Potemkin, a do massacre da população na escadaria de Odessa. Alegre e receptivo à tripulação rebelada do navio, o povo ocupa uma escada quando a festa é interrompida pela polícia, que marcha atirando para pôr fim à manifestação. O modo como o diretor constrói essa cena revela todo o significado do filme, na oposição entre a ordem inflexível do poder e a desordem libertária das massas.
Revista Bravo!, 2007,p. 28
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minhas falas
sábado, 21 de março de 2009"Não Matarás"
por Pedro Fernandes de O Neto
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artigo publicado no Correio da Tarde, 16 de março de 2009
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LETRAS&LIVROS
sexta-feira, 20 de março de 2009por Pedro Fernandes
Recebi de Roldan-Roldan pelas mãos do poeta Leontino Filho seu trabalho Literatta ou doce sorriso do macho satisfeito. Já lera - como comentei em post neste blogue - um livro seu de poesia (que ganhei por ocasião do I Sarau realizado na Faculdade que terminei ano passado), Os úberes do infinito - é este o livro. E Ao sul do desejo. E Carta a uma mulher separada. E Azeviche ou nossa senhora do sagrado sexo. Pois bem, recebi Literatta numa das últimas viagens que fiz a Mossoró, no fim de 2008. Este fim de ano de tantas conturbações. E de tantas decisões que se colocaram à minha frente e algumas até insistem em lá permanecerem. Este fim de ano só me permitiu ler as orelhas do livro, poeticamente escritas por Leontino e também dá uma rápida corrida de olhos por sobre o prefácio da obra, também de Leontino Filho. Foi no recesso do carnaval, quando todos se vão para suas folias - e eu já cansado delas! - que eu, ainda sem teto (este foi um dos problemas que se colocaram à minha frente), volto depois de quinze dias de um recesso forçado no mês de janeiro ao interior. Para meu retiro levo na bagagem o romance de Roldan-Roldan.
São, pois, nestas circunstâncias que me pus a ler Literatta ou doce sorriso do macho satisfeito. São, pois, nestas circunstâncias que escrevo minha visão, espécie de resenha dessa obra para este blogue. Li o romance. Li-o freneticamente. Em momentos estive em carne e unha com um narrador-lírico (para fundir aqui categorias da prosa e da poesia), por se tratar a prosa roldaniana do que comumente chamamos de prosa poética em vários momentos do romance, sem querer rotular, porque não há como definir onde começa ou termina um e outro gênero na Literatura e consequentemente em toda grande obra de todo grande escritor. Noutros momentos pude sentir através da pele das palavras o gozo - também frenético - com que o narrador se pôs/se põem a compor a trama desse romance.
Literatta ou doce sorriso do macho satisfeito é um tipo de romance sem tipo, mas que meu instinto de crítico me leva a chamá-lo, de novo sem querer rotular, de romance acadêmico. Não que haja em Roldan-Roldan um Joyce com seu Ulisses. Mas é que este romance não se trata de romance simples para leitores comuns - quando digo comuns, me refiro àqueles leitores que estão adaptados a linearidade do discurso. Pode até ser que esse tipo de leitor venha a lê-lo, mas separando as duas histórias que compõem a trama do romance. Há de ser o leitor muito bem iniciado em leituras do tipo romanesco e poético a fim de extrair do magma do romance o seu sentido, no entendimento comum de que, qualquer leitura literária parte em si de um sentido próprio, único que se chega ao fim da leitura e se contrói ao longo da leitura e das leituras. Tanto que, passo desde já a preparar uma leitura mais apurada deste romance que não irei expor neste espaço, mas num espaço que se permita reflexões acadêmicas.
Literatta ou doce sorriso do macho satisfeito é um romance que ergue seu tecido na encruzilhada de duas histórias: uma, que é a própria história, poderia assim dizer, é a própria história da relação do escritor com a literatura e sua matéria posta com as imagens de Literatta - espécie de musa daquelas que costumavam/costumam invadir cabeças e poemas de poetas - e de Heize, escritor invadido/envolvido numa trama perene de sedução e de erotismo; trama esta que dará suporte à composição de uma trama outra, a de Elisa e um mordomo com ares de Literatta, misterioso. Aliás, todos são personagens envoltos numa penumbra de mistério que, ao longo do correr da trama vão se mostrando aos olhos do leitor. São muitos deles personagens que se deslocam num "submundo", a margem de um mundo comum.
Ao dar conta de duas histórias e no interstícios de ambas compor sua obra, Roldan-Roldan traz para o leitor uma trama que é a própria composição do romancista e seu romance. Merece uma releitura. Merece uma atenção depurada do leitor nesse gozo frêmito, nesse jogo sexual que é a metalinguagem e que é esse romance. As impressões outras que já estão postas em notas à parte discutirei noutros espaços. Fiquemos por aqui.
Para ler o primeiro post sobre R. Roldan-Roldan, clica aqui.
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minhas falas
quinta-feira, 19 de março de 2009Crise, crises (parte II)
Pedro Fernandes de O. Neto
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Intervalo
terça-feira, 17 de março de 2009III SEPEL
O III Sepel é promovido pela FALA e pelo Departamento de Letras Vernáculas (DLV) e conta com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEG), da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e da Editora Queima-Bucha. O evento acontecerá nos turnos matutino e noturno, no mini-auditório da FALA, no campus central da UERN.
Durante o evento será feito o lançamento do Jornal Trabuco e sua 3a edição. Pela ocasião também será lançado o projeto caderno literário Sarau.
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Os escritores
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Alguns dos filmes brilhantes
segunda-feira, 16 de março de 2009Estive sábado, 7 de março, assistindo Quem quer ser um milionário?, a surpresa do Oscar 2009, frente ao Curioso caso de Benjamim Button. Bem, não sou bom entendedor de cinema. Aliás, não sou bom entendedor de nada. Acho mesmo que ninguém é. Muitos dizem que são e fica por isso. Bem, mas como ia dizendo, não sou nenhum especialista em sétima arte – é isso que queria ter dito antes e acho que o leitor entendeu já, porque segundo a máxima popular “para bom entendedor, meia palavra basta”, que tomo liberdade de desvirtuá-la para “para bom leitor, meia leitura basta”. Pois, o julgamento ou o parecer crítico – o leitor que julgue o que achar necessário – que dou ao filme é meramente um julgamento do senso comum, de que alguém que diz gostar de cinema o tanto/quase como gosta de Literatura. O leitor não especializado também poderá se sentir do meu lado ao ler meu posicionamento acerca do filme, porque meu julgamento não é o de uma crítica especializada e com orgulho de ser assim, porque se for para ser como algumas críticas que circulam por aí em jornais, revistas e endereços da rede, me perdoe, da expressão, não valem mais que um julgamento do senso comum. Não gosto da opinião crítica que se coloca superior ao objeto de arte, e que descaradamente faz uso do objeto de arte para se auto-promover. Veja bem que me refiro a objeto de arte, porque também, venhamos e convenhamos, há alguns besteiróis em circulação no mercado que merece mesmo a esculhambação por parte da crítica.
Voltando a Quem quer ser um milionário? Achei o filme belíssimo, emocionante, divertido e por alguns momentos dotado duma imprevisibilidade prevista. Digo isso porque dificilmente hoje se produz filmes dotados de um suspense no real sentido que cabe à palavra. E isso não se constitui defeito num filme que não pretende ser de suspense como é este. O filme conta a história que toma como retalho do pano de fundo o programa “Quem quer ser um milionário?” – versão indiana à espécie daquele “Show do Milhão”, que Silvio Santos trouxe para o Brasil a partir de um modelo americano, se não estou enganado agora. Um jovem ao disputar o prêmio milionário oferecido pela sensação da TV indiana é acusado de fraude, pelo fato de não acharem-no capaz de responder as questões feitas. Mas claro está a apresentação de uma máxima de que nem tudo o que devemos deve-se ao conhecimento adquirido no espaço escolar ou acadêmico. Maior que este é a experiência de vida, é o conhecimento de mundo. É a larga experiência de mundo de Jamal, menino da periferia que perde a mãe ainda na criancice, que tem de se virar sozinho pelos becos das vielas da favela indiana que faz sê-lo jogador num programa que, antes de ter conhecimento formal, tem-se a necessidade da capacidade de se esquivar de determinadas situações postas em cena em Quem quer ser um milionário? que em muito se aproximam com as situações vividas na própria biografia da personagem.
No mais pude ver o filme como representação de um grande sentimento do senso comum que cai muito bem ao refrão daquela música póstuma de Renato Russo – Quem acredita sempre alcança. Basta que sejam estabelecidas metas e com elas determinações para alcançá-las. E como estamos cercados de senso comum neste texto, uma outra máxima popular que cairia bem ao filme seria aquela de que o amor é capaz de mover moinhos. Digo isso porque vejo no filme, antes de ser a história de um jovem pobre de uma favela da Índia que sai para estrelar, meio que por acaso, num programa de TV e se tornar milionário, é a história de um amor, entre Jamal – o personagem principal – e sua Latika. É o que movimenta e alinhava toda a trama do filme. É o que parece dar movimento e alinhavar as histórias humanas. As grandes histórias do cinema e da Literatura – que se citem os mais comuns, no sentido de popular, Titanic; o clássico já arranhado de passar na Globo, A lagoa azul; O segredo de Brokebac Montain; o próprio O curioso caso de Benjamim Bottun, entre outros. É o que parece ter sido a grande sacada do diretor para tocar a sensibilidade da Academia de cinema. Entretanto, não foi só isso, é verdade o material suficiente para sair como a estrela da noite no Kodak Theater em 22 de fevereiro de 2009.
Além desse compósito maior que alinhava a trama do filme, Quem quer ser um milionário? traz em si as marcas do fazer cinema na contemporaneidade, sem a necessidade de recorrer a textos outros já prontos. Digo isso ao me referir ao Curioso caso de Benjamin Bottun que apesar de reunir os traços do cinema contemporâneo não foi inventivo o suficiente para compor esses traços, tendo de recorrer ao terreno literário duma narrativa posta às avessas – o que não é mais novidade nas telas – para compor a trama do filme. Logo, as marcas de que falo são as que dizem respeito a construção da trama, que contemporaneamente tem sido apresentada fragmentada, sem um começo específico, um meio e fim determinados e um texto perpassado por inúmeros outros fios narrativos. Além de que trazer em seu bojo traços de um neorealismo ao mostrar uma espécie de denúncia acerca do estrato humano, coisa comum noutras produções célebres como O jardineiro fiel, Cidade de Deus, Ensaio sobre a cegueira– que apesar de se fundarem em textos da literatura, reúnem uma matéria inventiva por parte da produção cinematográfica – e trazem em si essa marca de denúncia, como se arte sétima encarasse uma espécie de “missão” para o público que extrapolasse os limites dela própria.
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Apenas meus poemas
sábado, 14 de março de 2009Adultecimentos
Talvez das escusas de meu corpo
Pelas frinchas da alma
Ainda ingênua de amar
Deixei-te escapar
Fria e nua na calma da noite
Fomos, ela e eu, em dormidas
Cabeceira-pés, pés-cabeceira
Rodopiando por entre astros, os céus
Em brincadeiras ativas, curiosas
Que o corpo já adultescendo reclama
Tocando o que existe para ser tocado
Por entre os lençóis
Em mim ficaram inapagáveis lembranças
Daqui estou a vê-la deslizando nua
No espelho da memória
No corpo das palavras
Num mover-se erótico
Debaixo do lençol.
Daqui estou a ver
Encobertos pela noite, às escusas,
Uma exploração tátil dos nossos corpos
No corpo das palavras sussurrantes
Ou mesmo no silêncio da respiração ofegante
Uma vivacidade de almas palpitantes
Aceleradas na caixa do peito
E dormíamos como anjos
Em falso sono adultecíamos.
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publicado inicialmente em Jornal Trabuco, ano II, n. 3. jan. fev. março de 2009.
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Intervalo
quinta-feira, 12 de março de 2009Este projeto ocorre nas terças quartas e quintas, sempre as 17h no Iate Clube de Natal, desde outubro do ano passado - quando foi lançado.
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fonte. texto do fôlder de divulgação do evento.
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Intervalo
quarta-feira, 11 de março de 2009Acontece na sexta-feira, dia 13 de março de 2009, na Faculdade de Letras e Artes - FALA -, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN -, o lançamento da terceira edição do Jornal Trabuco, periódico literário produzido pelos alunos do curso de Letras. Desde já aproveito o post para a anunciar que em breve estarei junto com restante da equipe do Trabuco lançando o caderno de poesia Sarau. Por aqui irei postar mais sobre em posts posteriores. Aguardemos.
Para conhecer o blogue do jornal clique aqui.
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Alguns dos filmes brilhantes
Na primeira temporada do quadro ALGUNS DOS FILMES BRILHANTES estamos exibindo a lista publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.
08
A regra do jogo, Jean Renoir
“Drama alegre” traz a modernização no modo de narrar e influencia a geração que criou a nouvelle
Com tal sobrenome de peso (ele era filho do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir), Jean Renoir não teria passado despercebido pela história do cinema. Além disso, como o pai, ele trouxe para os filmes um frescor de imagens e de expressão, uma abordagem encantadora da natureza e despudorada do comportamento humano.
Na época, Renoir definiu seu trabalho como um “drama alegre”. A trama se concentra numa festa num castelo, onde os nobres se divertem num andar, e a criadagem se ocupa nos afazeres em torno da cozinha, no subsolo. Entre os integrantes desses grupos circula uma versão maliciosa de cupido, que promove seduções, traições e recombinações de pares. Uma cena de caça a coelhos funciona como anúncio de tragédia iminente e como prenúncio de uma crise da civilização (pouco depois explodiria a Segunda Guerra Mundial na Europa).
O que torna A regra do jogo tão importante do ponto vista histórico é o modo como o diretor explora o efeito fotográfico da profundidade de campo para criar uma unidade dramática e estabelecer os nexos entre os personagens nos espaços onde eles transitam.
Posicionando-se em um corredor, por exemplo, a câmera nos mostra um diálogo em primeiro plano enquanto vemos outras ações ao fundo, os personagens entrando e saindo dos quartos, e a cena é feita sem cortes, mantendo a unidade espacial e temporal.
Além disso, sua peculiaridade é melhor definida nas palavras de um dos diretores que mais sofreram sua influência. “A regra do jogo é, certamente, ao lado de Cidadão Kane, o filme que suscitou o maior número de vocações de cineastas; assistimos a ele com um sentimento muito forte de cumplicidade, isto é, em vez de vermos um produto concluído, entregue à nossa curiosidade, experimentamos a impressão de assistir a uma história sendo filmada, acreditamos, ver Renoir organizar tudo aquilo ao mesmo tempo em que a obra está sendo projetado”, escreveu François Truffaut. Tal lição foi levada adiante por todos os seus discípulos reunidos sob o guarda-chuva da Nouvelle Vague.
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Revista Bravo!, 2007, p. 27
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Intervalo
terça-feira, 10 de março de 2009Babaquices da igreja
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LETRAS & LIVROS
Obra imatura, Mario de Andrade
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Intervalo
sexta-feira, 6 de março de 2009LETRAS FALA PROMOVE III SEPEL - SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LETRAS
A Faculdade de Letras e Artes (FALA) e o Departamento de Letras Vernáculas (DLV) promovem o III Seminário de Pesquisa em Letras, cujo objetivo é proporcionar a qualificação das pesquisas em andamento e ou concluídas, no âmbito da linguagem e áreas afins, nos níveis de graduação e pós-graduação.
O evento, em sua terceira edição, é uma iniciativa da disciplina Seminário de Monografia I e conta com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPEG), da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e da Editora Queima-Bucha. Compõem a Comissão Organizadora as professoras Ms. Ady Canário de Souza, Ms. Lucimar Bezerra Dantas da Silva, Esp. Josefa Francisca Henrique de Jesus e as alunas do 7º período de Letras / matutino, Érika Vanessa Silva Santos, Ionara Fonseca da Silva, Dayse Litza da Costa Oliveira e Antonia Margarete dos Santos.
As inscrições cumprem as modalidades: Com apresentação de trabalho: até 13/03/09. Enviar o resumo do trabalho para o email: falasepel@gmail.com Sem apresentação de trabalho: até 18/03/09. Valor da inscrição: R$ 5,00 para todos os alunos, com direito a certificado.
O Caderno de Resumo e Programação será divulgado após o dia 13/03/09, nos murais da FALA e no portal da UERN.
Mais informações: Fala (84) 3315-2214.
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Alguns dos filmes brilhantes
quinta-feira, 5 de março de 20097
Lawrence da Arábia, David Lean
Épico ambientado o deserto explora, na forma de espetáculo, os limites do indivíduo alçado à estatura de herói
Se há um sinônimo para cinemão, este foi durante anos identificado com os filmes de David Lean. O aumentativo se justifica por seu completo domínio nas narrativas de dramas épicos, no uso recorrente do formato cinemascope, pelo apuro visual de tirar o fôlego (era capaz de esperar dias por um pôr-do-sol perfeito) e pela longa duração de seus filmes.
Lean já era um veterano de histórias fascinantes (como Desencanto, de 1945, e as duas adaptações de clássicos de Charles Dickens – Grandes esperanças, de 1946, e Oliver twist, de 1948) quando, na década seguinte, só confirmou sua habilidade em produzir espetáculos, como A ponte do rio Kwai, de 1957.
Ao longo dos cinco anos seguintes, o diretor entregou-se à difícil tarefa de traduzir em imagens as reflexões existenciais e políticas do escritor T. E. Lawrence, oficial que liderou as forças britânicas em combate contra a Turquia durante a Primeira Guerra Mundial e deixou suas memórias da experiência registrada em Os sete pilares da sabedoria.
Desde sua publicação, em 1922, o relato interessou cineastas, que viam nele um heroísmo singular cujas dimensões o cinema poderia amplificar. Ciente disso, Lean filmou a história sem perder de vista nem o indivíduo nem a magnificência das paisagens do deserto, dosando na medida o volume de ação e o de reflexão e entregando ao público uma experiência visual que só a arte cinematográfica é possível.
No início, conhecemos a personagem (interpretado por Peter O’Toole) ainda jovem, mas decaído fisicamente ao fim de uma dura campanha no deserto. No Cairo, ele recebe como missão partir ao encontro do rei Faissal (Alec Guinness) e verificar a situação de uma revolta tribal na Arábia. No caminho, ele é abordado por um rebelde, Sherif Ali (Omar Sharif), que, hostil em princípio, acaba se transformando em seu principal aliado na tarefa de reunificar os árabes.
Com uma estrutura em episódios, o diretor consegue transmitir as ambigüidades do heroísmo do protagonista, envolvido em lutas sangrentas nas quais emerge sua consciência do grau de interferência do colonialismo na autonomia de outros povos.
Indicado a dez categorias do Oscar em 1963, o filme terminou a cerimônia com sete (entre elas as de Melhor Filme, Fotografia e Direção).
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Revista Bravo!, 2007, p. 24
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Minhas falas
quarta-feira, 4 de março de 2009Diálogo com o nada
Pedro Fernandes de O. Neto
O que vou escrever nesta folha branca? Estou fazendo essa pergunta, porque não faço a mínima idéia do que deva escrever. Talvez não escreva. Mas descreva a brancura da folha. Não sei. Talvez, sim, escreva. Escrevo o que estou sentindo agora. Mas, espere aí. Um pouco. Acho que o que sinto agora não interessa a ninguém. Quer dizer, interessa sim. Interessa a apenas uma pessoa. Quer saber? Vou contar. Mas, antes, pense um pouco. O nome dessa pessoa tem apenas duas letras. Nome pequeno, não? Aposto que já sabe a quem que interessa. Senão, deve, certamente, está morrendo de curiosidades. Isto é, se você for mesmo um curioso não está lendo esta baboseira. Passou logo a resposta. Quem será essa pessoa? Eu. A pessoa a quem interessa o que sinto agora. A pessoa sou eu. Garanto que chegou até a pensar que fosse inverter o dito: o que sinto só interessa a mim. Enganou-se.
Mas, aqui chegando, que tal falar da brancura desta folha que aos poucos se esvai ocupada por um texto insignificante? Ih! Deu um branco. De novo, deu um branco. Esta folha branca me deu um branco. Acho melhor então falar do branco que deu na minha mente. Mas, se deu um branco na minha mente como falar do branco que deu na minha mente? Por que então não falarmos sobre você? Legal, não acha? Mas se você não tem vida, não me fala, o que posso dizer de você? Se você é branco, semi-transparente, o que posso falar? Se você é uma simples folha branca nada me resta para falar. Agora, como falar do nada, se do nada, nada tenho para falar? Acho melhor falar nada. Talvez o silêncio se encarregue de criar palavras para preencher o vazio, a brancura da folha, a brancura da mente.
Postado por Pedro Fernandes às Quarta-feira, Março 04, 2009 0 comentários
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Os Escritores
terça-feira, 3 de março de 2009
Contador sobre o mármore luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio.
Quem o sabe?... de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura;
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentiam um não sei que com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
Postado por Pedro Fernandes às Terça-feira, Março 03, 2009 0 comentários
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Letras&Livros – Clássicos
segunda-feira, 2 de março de 2009
Madame Bovary, Gustave Flaubert
Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Março 02, 2009 0 comentários
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Intervalo
domingo, 1 de março de 2009Cobrador
Para ler a matéria no jornal Tribuna do Norte, clique aqui.
Postado por Pedro Fernandes às Domingo, Março 01, 2009 0 comentários
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Intervalo
Educação
Postado por Pedro Fernandes às Domingo, Março 01, 2009 0 comentários
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