Estes cães de Saramago
Por Pedro Fernandes
Leia o artigo sobre “os cães literários” de Saramago;
Leia os posts sobre os cães de Saramago.
Estes cães de Saramago
Por Pedro Fernandes
Postado por Pedro Fernandes às Sexta-feira, Maio 29, 2009 0 comentários
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Griots (II)
Postado por Pedro Fernandes às Quinta-feira, Maio 28, 2009 0 comentários
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Evento
Postado por Pedro Fernandes às Quarta-feira, Maio 27, 2009 0 comentários
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Diário Pedagógico – página 04
A estrutura
A Escola Municipal foi fundada em 1985. Registra-se a última reforma feita em 1996.
Das impressões do primeiro dia de aula a que mais marcou depois daquela da aluna de rosto inerte de que falei no texto anterior foi certamente esta da estrutura. Quando escrevi no artigo Um genocídio outro, um genocídio só que havia escolas que funcionavam como verdadeiras máquinas de matar gente no sentido de serem elas campos de concentração eu me referia diretamente a esta escola em que fui professor de inglês. Estendi a metáfora a outras escolas porque sei que não se é necessário ser feito em estruturas escolares para dar conta do entendimento de que não é apenas nessa escola que se encontra a situação estrutural tal, do contrário, há certamente estruturas até piores que as que vi e vivenciei dia desses. Mas, se estou tratando da escola como campo de concentração, a sugestão que dou ao problema é hitlerista. A meu ver naquela estrutura não há nada de proveito, há mesmo de ser derrubada e no lugar dela erguer-se outra estrutura.
A sala de aula que entrei primeiro, a do 9º ano como falei, reduzia-se a um cubículo com dois ventiladores em fim de carreira, carteiras de madeira, piso esburacado, quadro negro e giz. Amontoados os alunos têm de conviver com o calor terrível que faz no período da tarde. Além de que o professor deve aturar alunos fora de sala e outros alunos transeuntes de janela em janela.
As salas outras que entrei se repete boa parte da situação de que falei acima. Algumas até possuem um pouco de ventilação, entretanto, são extremamente lotadas. Há salas com mais 50 alunos. Se Direitos Humanos valem eles certamente ainda não chegaram por esse território de selvagerias. E este crime contra os alunos se acentua pela rigidez da escola em não permitir que alunos assistam aula de bermuda, apenas de calça do tipo jeans; se acentua pela qualidade da merenda servida às crianças, de terceira, cardápio mal-elaborado, que aqueles viventes só se alimentam dela por dois motivos, ou porque em casa comem pior ou porque nem desse tipo tem em casa para comer.
A escola não dispõe de sala de computação, há duas administrações prometidas. Não dispõe de sala de projeção. Não dispõe de sala para os professores, que se amontoam com aquela barrela de funcionários cara-pra-cima na sala da secretaria. Os banheiros, quatro no total, são em péssimas condições. A cozinha segue-se com básico. Biblioteca passa longe dessa escola. Os livros ficam amontoados nos corredores da esc0la. Fiquemos por aqui no caudal das desgraças estruturais.
Postado por Pedro Fernandes às Quarta-feira, Maio 27, 2009 0 comentários
Marcadores: diário pedagógico, minhas falas
Há alguns dias postei aqui uma reminescência, posso assim dizer, já que não acho outra palavra melhor que possa adjetivar aquele texto que eu publicara no jornal potiguar De Fato, quando ainda a mídia expunha nos noticiários vinte e quatro horas a morte de um menino de nove anos no Rio de Janeiro,chamado de João Hélio. Logo em seguida a morte da criança iniciou-se um debate, desses que viram poeira do dia para noite, acerca da redução da maioridade penal no Brasil. E sobre isso escrevi outro texto que não chegou a ter lugar em nenhum jornal porque não quis publicá-lo. Seguindo a justificativa do outro, trago ele para este espaço, onde outras coisas, faço reunir reminescências.
Algumas reflexões acerca dos momentos pós-permanentes trágicos da sociedade brasileira: (momento ii) a redução da maioridade penal
Por Pedro Fernandes de O. Neto
O alarido provocado pelo sensacionalismo midiático em torno da morte do garoto João Hélio foi tamanho que, logo em seguida, a sociedade brasileira acordou com outra discussão, a redução da maioridade penal. Não sei o porquê. Não haveria nenhum momento para essa discussão pós o fato João Hélio porque ao que me consta não havia nenhum menor no volante do carro envolvido na tragédia, apenas um jovem de dezessete anos no banco traseiro. O fato é que a carência por assuntos do tipo sensacionalista, e esse pode se tornar se não discuti-lo com cautela, fez com que a mídia focalizasse no lado mais fraco dos envolvidos no assassinato, o menor.
Falar em redução da maioridade penal no Brasil é algo que foge completamente da racionalidade nossa; o sistema penal brasileiro é bom, parece-me, pelo pouco conhecimento que tenho acerca, avançado em várias questões. O foco que deveríamos estar preocupados agora em discutir abertamente não seria reduzir para dezesseis anos a responsabilidade criminal dos sujeitos e sim o uso de estratégias para cumprir com o que já foi feito em termos de legislação. A impunidade talvez seja o maior erro de tudo o que já fizemos: a lei é muito rígida para alguns, enquanto para outros branda o suficiente para ser criminosos à vontade.
A desculpa de um adolescente de dezesseis anos ser responsável pelos crimes porque já tem capacidade de voto é falha, espalhafatosa, sensacionalista e infundada; primeiro, o voto aos dezesseis anos é facultativo, segundo, a grande maioria dos adolescentes dessa faixa etária não vivem por aí praticando crimes a torto e a direito, muitos entram no crime porque esse é ainda o mais fácil caminho para adquirir status e dinheiro numa sociedade voltada para esses valores. Assim fracassa a idéia de que reduzindo a maioridade estaríamos reduzindo a criminalidade: o jovem de dezesseis anos não entra no mundo do crime porque quer ser criminoso, deveríamos assim punir as demais faixas etárias que vêm antes dessa, a ponto de a criminalidade passar a ser algo de genética.
Outro argumento: os países que fizeram a redução da maioridade não perceberam ainda, e olhe que já faz certo tempo, esta diferença vertiginosa e significativa da criminalidade como parece pintar a mídia. E, levando-se em consideração nosso "Brasilis" chego a concordar que poderia sim, inicialmente, haver uma insignificante redução nos números do crime, mas a continuar com um código penal passível de interpretações das mais absurdas como é o nosso, flexível e cheio de mordomias, com leis fabricadas pelo dinheiro e pela cara do bandido era estar formando criminosos especialistas na arte de matar, o que futuramente configuraria num alarmante aumento dessa estatística.
Levaríamos em condição certo tipo de discussão acerca em qualquer outra época futura, menos agora. Ainda não é o momento adequado, somos, parece e ainda temos muito a amadurecer para concretizar idéias como essa. Aprová-la agora seria estarmos mais uma vez querendo parecer moderninhos perante os outros países e criando mais uma daquelas medidas paliativas, não pensadas e que não levam a lugar nenhum. A necessidade que urge é apenas a do fazer valer: falar nisso, cadê os ladrões do dinheiro público, ein? E os ladrões de galinha, alguém sabe onde estão?
Postado por Pedro Fernandes às Terça-feira, Maio 26, 2009 0 comentários
Marcadores: minhas falas
13
Persona, Ingmar Bergman
Poema visual marcado pela psicanálise demonstra a ausência de limites definidos entre identidades
O diretor sueco Ingmar Bergman sempre colocou muito da vida pessoal nos seus filmes. Persona nasceu quando o cineasta foi internado com pneumonia e aproveitou o período para refletir sobre seu trabalho como encenador, à frente do Teatro Nacional de Estocolmo. Após alguns delírios e pesadelos, teve a idéia de escrever uma história sobre sua condição como artista, que inicialmente se chamaria “Cinematografia”. Ao notar, contudo, certa semelhança entre duas de suas atrizes-fetiche, Liv Ullmann e Bibi Andersson, expandiu o enredo (no hospital mesmo) para o questionamento das identidades – o título vem do grego “máscara”. Elisabeth (Ullmann) é uma importante atriz que sofre um colapso mental e pára de falar. A enfermeira Alma (Andersson) é contratada para tratar dela, e a dupla se isola em uma ilha. A relação entre elas é conflituosa desde o início, por causa do silêncio de Elisabeth. Aos poucos, a convivência contínua faz com que as personalidades se confundam, mesclando desejos, paixões, temores, dores, traumas e remorsos. Bergman utiliza a visão psicanalista e contrapõe sonho e realidade, mergulha no inconsciente das personagens e faz com os diferentes aspectos de cada uma submerja, a ponto de não identificarmos quem é a enfermeira e quem é a paciente. Sua idéia era mostrar o lado menos evidente e aceitável dessas personalidades. O elemento sexual, por exemplo, é fortíssimo, assim como a culpa. Não se trata de uma abordagem otimista: saímos da projeção com a certeza de que estamos condenados a assistir à dissolução ou à fragmentação de nossas personas, se, sabermos quem somos ou que desejamos. Ou qual de nossos eus é o verdadeiro.
A forma do filme acompanha o conteúdo: a narrativa é não-linear, onírica, de forte carga teatral e sem uma aparente sequência de acontecimentos – embora o cineasta tenha afirmado que o roteiro foi “rigorosamente concebido”. Há closes extensos em cada detalhe da fisionomia das duas atrizes. A fotografia impressionante de Sven Nykvist, calcada no jogo de contrastes em preto-e-branco, ajuda a confundir seus rostos. A definição mais exata de um filme tão indefinível talvez seja do próprio Bergman: “um poema visual”.
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Revista Bravo!, 2007,p. 34
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nota. Esta lista foi publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.
Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Maio 25, 2009 0 comentários
Marcadores: 100 filmes essenciais, alguns dos filmes brilhantes

Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Maio 25, 2009 0 comentários
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Griots
Postado por Pedro Fernandes às Domingo, Maio 24, 2009 0 comentários
Postado por Pedro Fernandes às Sábado, Maio 23, 2009 0 comentários
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Postado por Pedro Fernandes às Sexta-feira, Maio 22, 2009 0 comentários
Marcadores: Os escritores
Dossiê – parte III
Camões, um gênio do lirismo amoroso
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
Na terceira parte do Dossiê Camões, cantor de seu povo e voz de seu tempo, vamos conhecer que a lírica camoniana não se prendeu apenas em questões antigas. Seus sonetos versaram sobre uma ampla temática.
Que as do céu e as do monte as enturbaram.
Os campos florescidos se secaram,
Intratável se fez o vale, e frio.
Umas coisas por outra se trocaram.
Os fementidos fados já deixaram
Do mundo o regimento, ou desvairio.
O mundo, não; mas anda tão confuso,
Que parece que dele Deus se esquece.
Fazem que nos pareça desta vida
Que não há nela mais que o que parece.
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
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As idéias e expressões que compõem este texto-dossiê estão em ABAURRE, Maria Luiza; PONTARRA, Marcela Nogueira; FADEL, Tatiana. Português:língua e literatura. São Paulo: Moderna, 2000.
Postado por Pedro Fernandes às Quinta-feira, Maio 21, 2009 0 comentários
Marcadores: Os escritores
Diário pedagógico – página 03
O ano letivo ficou acordado na reunião pedagógica para dar início em 02 de março de 2009. 02 de março de 2009 viajei ao município. A distância de aproximadamente 45 km da capital me permite em 1h30 de viagem está no local de trabalho. Cheguei à escola às pressas. Mochila com planos de aula, livros e anotações para o que seria meu primeiro dia de aula numa escola que, como fiquei sabendo na reunião pedagógica, os alunos em sua maioria são quase ou são analfabetos e que os índices de evasão gritam. Esqueci de dizer no texto passado, quando falei desses índices, dos números de uma turma de 6º ano, mas aproveitando que toco novamente no assunto, falo agora: nesta turma de 6º ano, disseram-me, em 2008 havia 65 alunos e o ano letivo findou na média de 8 a 10 alunos apenas.
Pois bem, cheguei com esses e outros números na cabeça. Para surpresa minha, o portão da escola estava fechado. Nem sinal de vida. Dobrei os passos e fui a Secretaria Municipal de Educação. Uma única funcionária com a maior cara de tranquilidade disse-me que as aulas só dia 12 de março. Olhei logo no calendário do celular: era uma quinta-feira. Quinta-feira eu não tenho aula nessa escola. Depois de me informar a data, prontamente a funcionária emendou: E talvez só comece mesmo no dia 17, como dia 12 é uma quinta-feira dificilmente os professores e alunos vem. O leitor pode ler por estas linhas minha cara de surpresa misturada com indignação. Sequer ligaram-me ou mandaram-me avisar da mudança de datas. Senti-me com cara de besta. Mas, tudo bem. O primeiro dia de aula, 17 de março de 2009. Teria cinco aulas nesse dia. Primeira turma, 9º ano. Na sala do 9º ano ainda figurava aquela imagem que colei como epígrafe do texto A equipe.
Postado por Pedro Fernandes às Quarta-feira, Maio 20, 2009 0 comentários
Marcadores: diário pedagógico, minhas falas
Dossiê – parte II
Camões, um gênio do lirismo amoroso
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Postado por Pedro Fernandes às Terça-feira, Maio 19, 2009 0 comentários
Marcadores: Os escritores
Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Maio 18, 2009 0 comentários
Marcadores: Os escritores
Sertanices, 7faces e outras páginas na internete
Postado por Pedro Fernandes às Sexta-feira, Maio 15, 2009 0 comentários
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Auto-ajuda
Praticar meditação;
Escrever um diário;
Anotar os sonhos;
Anotar as alterações de humor:
Relato de vida em sentenças;
Ingressar em um grupo.
Depois disso, procure a vida
possivelmente ela não estará mais nesse plano.
Postado por Pedro Fernandes às Quinta-feira, Maio 14, 2009 0 comentários
Marcadores: apenas meus poemas
1. Os poemas para a primeira edição deverão ser encaminhados em anexo para o e-mail pedro.letras@yahoo.com até o dia 26 de junho de 2009. Junto com o poema o autor deve encaminhar a ficha de inscrição preenchida, declaração de autoria e um resumo biográfico. Essa documentação pode ser pedida pelo mesmo e-mail de postagem do material. Em seguida, o autor receberá um e-mail de confirmação do envio do material. Caso não receba em até 48h, deverá entrar em contato pelo referido e-mail de postagem.
2. A temática para a produção poética desta primeira edição é livre.
3. Devido às questões de fechamento de edição e editoração, possivelmente esta data de envio do material não haverá adiamento. Logo, materiais remetidos fora do prazo automaticamente serão arquivados para uma próxima edição.
4. Os poemas recebidos serão lidos e apreciados pelo editor do caderno. Em seguida receberão um parecer com notas numa escala de 0 a 10 pontos. Os cinquenta primeiros serão publicados no caderno. Os demais ficam no banco de dados para edições subsequentes.
5. Não há necessidade de os trabalhos serem inéditos, entretanto, se já tiver sido publicado em outra local, seja impresso ou eletrônico, como saites, revistas, periódicos, jornais, blogue etc., deve ser mencionado em nota de roda-pé.
6. Os trabalhos devem vir digitados em Word, corpo 12, Arial, em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto. O tamanho do texto não deve ultrapassar uma página. E cada autor é responsável pelas suas correções ortográficas. Trabalhos fora desses padrões não serão publicados e ficam isentos de qualquer parecer por parte do editor.
7. O resumo biográfico do autor não deve ultrapassar 6 (seis) linhas de folha A4, corpo 12, Arial.
8. Ao participar do projeto o autor não abre mão de seus direitos autorais, entretanto, os textos que não forem publicados não serão devolvidos. Logo, cada autor é ciente de que deve ficar com uma cópia de seu texto.
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Postado por Pedro Fernandes às Quinta-feira, Maio 14, 2009 0 comentários
Marcadores: Revista 7faces
Das misérias humanas
Postado por Pedro Fernandes às Quarta-feira, Maio 13, 2009 0 comentários
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Diário Pedagógico - página 02
A equipe
Postado por Pedro Fernandes às Quarta-feira, Maio 13, 2009 0 comentários
Marcadores: diário pedagógico, minhas falas
Chuvas e inundações no Nordeste
Postado por Pedro Fernandes às Terça-feira, Maio 12, 2009 0 comentários
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Castro Alves
Parece que os astros são anjos
[pendidos
Das frouxas neblinas da abobada azul,
Que miram, que adoram ardentes
[pendidos
A filha morena dos pampas do sul.
C. Alves
Sicambros do sol da gloria
Ergamos a fronte ao sol,
Condores, tingi as azas
Morno é o banho do arrebol.
Como bardos inspirados,
Nos solares derrocados
Cantando os guerreiros seus,
Mandemos em brados fundos,
Nossa historia aos quatro mundos
Nossa historia aos quatro céus.
Quando palpita a victoria
Do Brazil no coração,
Quebram a lousa os Andradas
P’ra ver em face a nação.
O vento canta epopéas,
Parecem fulgem idéas
No rio, no céo, no ar,
E a luz do triumpho novo
Clarêa a fronte do povo,
Do povo maior que o mar.
Quando o tempo d’entre os dedos
Colhe um sec’lo, uma nação
Encontra nomes tão grandes
Que lhes não cabem na mão.
Debalde raio impotente
Mergulha a raiva na frente
Do Prometteu. Ao cahir
De um sol a luz so revella,
Naquella face amarella
Pallida ao sol do porvir.
Assim foi... E ha tantas per’las
Tantos astros por tropheos,
Que as folhas da nossa historia
Não são historias são céos.
Já de horror prorompe um grito
D’esta bocca de granito
Do petrio monstro – Humaitá
Mas espera... A bofetada
O condor co’aza arrojada
Vai dar-t’a Lopez... Irá.
Nos pampas dormido tremes
Ao tropel da legião
Ai! Dize assim porque tremes?
Pisamos-te o coração.
- Que sombra é aquella no norte?
- Diz o Paraguay – a morte
Desce dos Andes talvez!...
Responde um grito: Desperta,
De logo e fumo coberta
A aguia da gloria é o que vês.
Silencio. Calle-se o canto
Quebre-se a Lyra ao vibrar,
O verbo das catadupas
Onde o podera encontrar?
D’esses que alteiam as frontes,
Que sotopondo mil montes
Tem no mundo um pedestal,
Cantar a gloria arrogante
Só póde o povo gigante
O povo descommunal.
(este poema foi publicado no Jornal do Recife, n. 213, de 14 de setembro de 1865, p. 1)
A história da vida de Castro Alves não pode ser registrada apenas pelas datas e fatos que marcaram os seus 24 anos de intenso viver, de amar e sonhar sofregamente. Toma dimensão maior – dilata-se o período. Seu canto vem de longe, vem com o despertar do nativismo na sua própria Bahia do século XVII e continua belo, hoje e sempre. É que ele encarna o amor à liberdade, que caracteriza esta nação de jovens. Mas, para tentar explicar Castro Alves – poeta da raça –, é preciso primeiramente colocá-lo no chão da infância e no ambiente de sua família.
A terra onde ele nasceu é uma transição de paisagens: para o oeste, os recortes azuis da serra do Aporá, demarcando uma imensidão de terras calcinadas de sol, onde medram cactos e arbustos desfolhados. É o sertão que se estende rumo ao rio São Francisco. A leste, é a paisagem das baraúnas em flor e do bom cheiro do mel nos tachos de engenhos – zona dos verdes canaviais do Recôncavo Baiano. Mas, mais que transição, é o choque. O embate entre duas culturas: a do Recôncavo, barroco e escravocrata, e a do sertão, místico e violento.
Seu pai era o médico Antonio José Alves, moço da capital da província, culto apaixonado pela carreira e amante das artes. A mãe – Clélia Brasília – uma mulher frágil, doce e linda, educada na Bahia, embora sertaneja de Curralinho e membro da poderosa família cujo chefe, o major José Antonio da Silva Castro, tornara-se famoso nas guerras da independência. E havia também uma tia – Pórcia – que fora marcada por trágico amor. E mais ainda, a sua mãe de leite, a mulata Leopoldina.
Os anos de 61 e 62 vão definir os pendores poéticos de Castro Alves. O rapazinho lia com furor os românticos franceses, sendo Victor Hugo o guia espiritual, o seu guru. Estudava também inglês para conhecer Byron. Dos nacionais se apegava a Laurindo Rabelo, Junqueira Freire, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Gonçalves Dias. E tomava gosto pelas hipérboles, pelo uso de vigorosas e belas imagens. Sentia o fascínio das alturas. Infinito, eternidade, amplidão, condor, irão povoar seus versos.
Estudar direito, para exercer a advocacia ou vir a ser promotor, juiz ou desembargador, não é bem o objetivo do jovem Antônio, mas, porque não sente vocação para a medicina, e porque detesta a matemática, não vai poder nunca ser engenheiro e porque do que gosta mesmo é poetar, então a Faculdade do Recife há de ser a porta aberta, o seu passaporte para ingresso no Parnaso.
A faculdade ficava num velho casarão da rua do Hospício. A rua dos loucos. O pai achava que José Antônio ficaria bom – tinha tiques vez em quando – convivendo com rapazes em república, numa vida alegre, saudável, descontraída. Zezinho pouco se interessava pelos estudos e nem acompanhava os colegas nas pândegas. E quando vez por outra conversava, era com os doidos do asilo.
Via, de longe, os professores metidos naquelas feias casacas que mais lembravam os bispos da Bahia. Ele também não sentia o menor interesse pelos preparatórios à faculdade. Passava os dias e as noites a jogar bilhar, a ler os seus poetas, a desenhar, a fazer versos.
Sua primeira paixão chega com a Companhia Dramática de Duarte Coimbra. Eugênia. Eugênia era uma renomada atriz. Admirável mulher de lindos olhos negros, negros como a noite. Do primeiro encontro, um roçar de vestido, é motivo suficiente para as noites de insônia
Eu tenho dentro d’alma o meu segredo
Guardado como pérola do mar,
Oculto ao mundo como a flor silvestre
Escondida no vale a vicejar.
...
Recorda-te do pobre que em silêncio
De ti fez o seu anjo de poesia,
Que tresnoita cismando em tuas graças,
Que por ti, só por ti, é que vivia,
Que tremia ao roçar do teu vestido,
E que por ti de amor era perdido...
Ao mesmo tempo acorda o poeta para a realidade. É preciso não esquecer a realidade. Nesta terra a escravidão do negro é parte da própria organização social. Um horror. Uma vergonha. O negro é peça que o senhor branco adquire para o trabalho. É como um animal para uso do senhor.
É preciso apostrafar este Pernambuco de 63, apenas interessado em vender açúcar. Voltar o látego da poesia contra os barões do engenho. É preciso compor um painel onde a infâmia fique estampada: os navios negreiros atravessando o oceano, as senzalas imundas, a mãe cativa a amamentar o filho sem futuro, os mercados de negros e o trabalho de sol a sol no eito dos engenhos, a cortar cana, a rodar moenda para espremer o caldo que se vai transformar no claro açúcar. Fortes negros como juntas de bois de canga, limária do rico senhor.
O estandarte de sua poesia
E assim está composto o painel estandarte da poesia de Castro Alves. Do período terceiro do romantismo brasileiro a poesia de Castro Alves deixa-se entrever pelas marcas da sensualidade – o que foi seus envolvimentos amorosos. E, principalmente, essa fase do condor, em prol da abolição. Esta é a mais importante da sua obra. Sua obra está organizada nas edições de Espumas flutuantes, de 1870, A cachoeira de Paulo Afonso, de 1876, Vozes d’África e O navio negreiro, de 1880, Os escravos, de 1883, além do drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, de 1875.
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Fonte. O poema que abre este texto foi retirado de DA SILVA, Francisco Pereira. Castro Alves. São Paulo: Editora Três, 2001 (col. A vida dos grandes brasileiros).
Postado por Pedro Fernandes às Terça-feira, Maio 12, 2009 0 comentários
Marcadores: Os escritores
Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Maio 11, 2009 0 comentários
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12
Crepúsculo dos deuses, Billy Wilder
O longa ganhou três estatuetas no Oscar de 1951 – Direção de Arte, Música e Roteiro. O último é emblemático, pois os roteiros sempre foram o ponto forte da carreira de Wilder. Ele próprio começou escrevendo para seu grande mestre, Ernst Lubitsch – está nos créditos de Ninotchka (1939). No caso de Crepúsculo dos Deuses, Wilder divide a autoria com Charles Brackett, parceiro também em Pacto de sangue (1944) e Farrapo humano (1945), entre outras obras-primas.
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nota. Esta lista foi publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.
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Revista Bravo!, 2007, p. 33
Postado por Pedro Fernandes às Segunda-feira, Maio 11, 2009 0 comentários
Marcadores: 100 filmes essenciais, alguns dos filmes brilhantes
Postado por Pedro Fernandes às Domingo, Maio 10, 2009 0 comentários
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Evento
Divulgo aos leitores e transeuntes desse blogue o XXII Congresso Internacional de Professores de Literatura Portuguesa. A ABRAPLIP - Associação Brasileira de Professres de Literatura Portuguesa -, conforme decisão da última assembléia, promoverá, entre 13 e 18 de setembro de 2009, na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, o XXII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa, com o apoio de um conjunto de universidades baianas: Universi dade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Universidade Católica de Salvador (UCSal) e Universidade Jorge Amado (UniJorge).
O formato de Congresso Internacional adotado para o XXII Evento pretende enfatizar o viés que vem perpassando as reuniões anteriores da Associação, qual seja, a abrangência de área e procedência dos participantes, ouvintes, comunicadores e conferencistas, nomeadamente os convidados especiais.
Pensar a docência, pesquisa e extensão no terreno disciplinar de Literatura Portuguesa, no Brasil, aciona as áreas de Letras, Lingüística, Artes e Ciências Sociais e Humanas, convocadas a participar de um congresso calcado nas possibilidades de intercâmbio nacional, transnacional e internacional, entrelaçados a dilemas e ditames culturais brasileiros, em sua abertura para com as culturas portuguesa e africanas de língua oficial portuguesa.
O XXII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa, a exemplo dos eventos anteriores, reunirá professores, estudantes, pesquisadores, críticos dos diversos estados brasileiros, escritores portugueses e profissionais estrangeiros, com o foco nos nexos sugeridos pelos termos “Memória, Trânsitos, Convergências”, a apontar para diferentes movimentos imbricados.
Informações Clica Aqui.
Postado por Pedro Fernandes às Domingo, Maio 10, 2009 1 comentários
Camilo Castelo Branco, o exagero sentimentalista
por Pedro Fernandes
Quando li, ainda na Faculdade, talvez o romance seu mais conhecido, Amor de perdição, pude compreender o subtítulo que dou ao post de hoje. Sem dúvidas trata-se duma novela em que – e isso sempre me perguntei – tantas e tantas possibilidades se apresentam aos amantes, Teresa e Simão, mas eles como “bons” amantes do romance tradicional, optam pela cadência de fatos mais nebulosa a fim de constituir sua história de amor, que é o que é este romance de Camilo Castelo Branco. Estas personagens centrais de Amor de perdição representam o sentimento duma sociedade que não mais cria nos veios do destino como trajetórias de vida. Isso é marco para a segunda fase do Romantismo. A fase em que a crítica classifica como ultra-romântica, dado o exagero amoroso constituir-se fenômeno perene ao mote dos romances e daí ultrapassando à vida comum dos jovens da época. Deu já para entender que o post de hoje trata do autor e da obra do português Camilo Castelo Branco, apontado pela crítica com o mais passionais dos românticos.
Nasceu em 1825, em Lisboa. Suicidou-se em 1890. Foi diplomado em Química e Botânica. Fez tentativas a Medicina, mas abandonou o curso pela metade. Reflexos ou não na sua obra, teve o autor uma vida repleta de aventuras amorosas. Dedicou-se a outros gêneros literários, como a poesia, o teatro, a historiografia a crítica literária, as memórias.
Mas o gênero em que mais se destacou foi sem dúvidas o da novela, do qual figura sua obra prima, Amor de perdição. Estas suas histórias de amor passional tinham como mote o impedimento a vivificação do amor em seu estado de plenitude. Os motivos eram geralmente os de ordem social, como as diferenças de classes entre os apaixonados ou ainda no bom e modo velho shakespeariano, o da inimizade entre os familiares dos enamorados. As novelas castelianas tinham por quase obrigação o enaltecimento do sofrer amoroso. Este se constituía no ingrediente motriz ao caráter das personagens. Os jovens amantes viam-se nublados por uma aura de pureza e de abnegação em que ao ponto que os condenava os santificava. Com final sempre trágico, essas novelas davam margem a dualidade do sentimento amoroso. Isto porque a morte nesses casos pode ser vista como sentença punitiva para um amor que transgredia os princípios de uma sociedade interesseira e corrupta, ao mesmo tempo em que, espécie de redenção e pulo para a eternidade.
Camilo Castelo Branco também foi símbolo em Portugal do escritor enquanto profissão. O Romantismo, como estilo artístico, tinha fácil penetração social e, na época, a melhor forma de incentivo à leitura da produção na estética eram através dos folhetins. Coisa que por cá, também virou moda. E moda ainda é hoje, quando reparamos as novelas televisionadas. É aí que entra Castelo Branco, como escritor que supria essa carência burguesa da escrita para si.
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