Intervalo

terça-feira, 30 de junho de 2009


Caderno-Revista 7faces




Quero antes agradecer a todos os que contribuíram para o volume 01 deste caderno-revista, parte de uma rede maior a que denominei de 7faces. Neste intervalo de pouco mais de um mês de quando a ideia foi lançada recebi contribuições de poetas de vários estados do Brasil; terei agora a grande responsabilidade de lê-los e ver aqueles que serão matéria deste volume primeiro. Quero ainda dizer que a 7faces é uma ideia em construção; do próprio caderno-revista pensava em formá-lo apenas com poemas, isso se expandiu e vou usar da liberdade para já neste número lançar números temáticos, que, por este fato, dará abertura ao caderno-revista para a recepção de outros textos de outros gêneros, sejam os do ensaio, do artigo acadêmico, da reportagem, da entrevista, do conto, da crônica etc. As primeiras edições, entretanto, não abrirei para contribuições destes gêneros, visto que, apenas eu me encarrego de todos os trabalhos, para a leitura, a edição, a formatação, a distribuição e divulgação desse material; futuramente deverei convidar um corpo de editores e daí sim exporei as regulagens para a participação além das incursões poéticas. Por enquanto essa parte outra do caderno-revista fica apenas para convidados. Devido este fato de o caderno-revista abrir espaço a outras seções, retifico o item das regulagens que dizia ser 50 o número de poetas partícipes no volume para 15 nomes apenas. Tamanha redução se dá também pelo fato de um dos critérios de publicação levará em conta a produção poética de poetas em relação à linha temática que deverão seguir os números dos cadernos, além do limite de páginas planejado para fechamento dos volumes. Mas, asseguro que todas as contribuições poderão vir compor os números subsequentes, caso não saiam neste volume primeiro; como já mencionado nas regulagens, estes deverão compor um banco de dados para os volumes subsequentes. Novidades a mais é que o caderno-revista já deverá sair em sua primeira edição com o registro ISSN, permitindo assim aos partícipes da ideia a possibilidade de fazer registro de suas publicações em determinadas bases curriculares, como as do Currículo Lattes/Cnpq ou SIGAA; o caderno-revista também abre agora espaço para receber imagens, sejam incursões plásticas, fotografias, artes plásticas etc. Para isso os interessados devem conferir as regulagens dispostas no linque abaixo ou na lateral direita da tela para os destros. Adianto só que, a data limite para envio de material é dia 31 de julho de 2009. Já quanto a publicação, trabalho para que esta edição esteja pronto até o fim do mês de agosto. Uma vez pronta, todos os partícipes dela e contatos outros da minha caixa de emails que receberam o lance da ideia receberão em anexo o caderno-revista, que ficará permanente para dounload no espaço 7faces, através do endereço set7faces.blogspot.com.


Muito grato a todos; fiquemos no aguarde; cordial abraço,




Pedro Fernandes

poeta e editor da ideia.

Intervalo

segunda-feira, 29 de junho de 2009


Evento, IV Seminário de Pesquisa em Letras


A Faculdade de Letras e Artes e o Departamento de Letras Vernáculas promovem o IV Seminário de Pesquisa em Letras com o objetivo de oportunizar a divulgação de pesquisas de iniciação científica e sistematizar as discussões teóricas produzidas no universo acadêmico de Letras e áreas correlatas, nos eixos temáticos dos Estudos Lingüísticos e Estudos Literários, envolvendo professores/as e alunos/as de graduação e pós-graduação.

O evento ocorrerá nos dias 6 e 7 de agosto, das 7h às 10h e das 19h às 22h. As inscrições podem ser feitas até o dia 24/7 no Departamento de Letras Vernáculas. A taxa de inscrição custa R$ 5,00 para ouvinte e para apresentação de trabalhos.

No caso de inscrição para apresentação de trabalhos, o resumo terá que ser enviado para o seguinte endereço eletrônico: quartosepel@hotmail.com. O resumo deverá conter até 250 palavras, título do trabalho em letras maiúsculas, negrito e centralizado, além do nome do autor e orientador, bem como palavras-chave. O trabalho deverá ser escrito com letra Times New Roman, fonte 11, espaçamento simples.

Clique abaixo e confira:
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fonte. Agecom UERN

Alguns dos filmes brilhantes


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Os mensageiros do diabo, Charles Laughton


Robert Mitchum se encaixa com perfeição no papel de um psicopata que assombra criancinhas nesta grande fábula sombria

Quando fez O mensageiro do Diabo, o currículo de Charles Laugton tinha apenas uma co-direção (O homem da Torre Eiffel, de 1951). Era na atuação que este inglês fizera seu renome, até então com mais de 50 papéis – alguns deles, desempenhados soberbos sob a direção de gênios como Alfred Hitchock e Jean Renoir. Tal experiência nos sets de filmagem parece ter se transportado para este longa-metragem, peça única, inimitável e, ao mesmo tempo, herdeira de outros estilos cinematográficos.

O filme possui imagens em preto-e-branco bem contrastado, semelhante às fotografias do expressionismo alemão e do noir norte-americano. Se a estética é influência dos austríacos Fritz Lang e Otto Preminger (este, quando já filmava nos Estados Unidos obras como Alma em pânico, de 1952), o tom da história é o do Hitchock, com engendrado suspense mesclado com humor. Mas a violência é maior e, de modo geral, o longa parece um conto de fadas sorridente e macabro.

Harry Powell (Robert Mitchum) é um ex-presidiário, misto de anjo e demônio, tanto um reverendo como um assassino de esposas, das quais rouba dinheiro. Ele se casa com uma viúva, Willa Harper (Shelley Winters), que já possui dois filhos do casamento anterior e que o seguirá obstinadamente. Essas duas crianças, agora sem mãe e sabendo dos antecedentes do padrasto, fugirão pelo mundo, perseguidas pelo “lobo mau”. O suspense aumenta a medida em que a personagem de Harry vai mostrando sua perversidade, o que faz dele um vilão inédito no cinema de 1955 e inesquecível até hoje.

Pelo fato de Laughton ser também um exímio ator, como diretor optou por alguém do gabarito de Mitchum, cuja capacidade de pender entre o cômico, o galante e o monstruoso é ideal para essa obra meio onírica e fabular, sobre a maldade humana. Com seu rosto enigmático, Mitchum transmitiu, também, forte conteúdo sexual à história, escandaloso para os Estados Unidos daqueles tempos em que a censura era usual.

Tomando-se por base apenas a firmeza de seu trabalho nessa produção, a originalidade das soluções para as cenas e a precisão dos efeitos cômicos e de terror, seria possível supor uma sequência de filmes para esse diretor estreante. Mas não foi o que aconteceu: o longa foi um desastre financeiro e a carreira de Laughton ficou comprometida para sempre.
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fonte. Revista BRAVO!, 2007, p. 35

nota. Esta lista foi publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.

Minhas falas

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Anjos e demônios

por Pedro Fernandes de O Neto


Apesar do título que dou a esta fala não é da obra homônima de Dan Brown que irei falar, tampouco da tradução que esta teve, recenetemente, para as telas da sétima arte. Irei falar é de um artigo que li no jornal Correio da Tarde publicado recentemente - em baixo está o linque para leitura - que emendava ao título Anjos e demônios, "mera ficção!". É, pois, uma fala que faço em diálogo para com este texto, já que isso é inviável via coluna do jornal, que seria o ideal; entretanto, todos nós sabemos das limitações que existem em cada mídia, disso, já nos falava Pierre Bordieu na sua magnífica conferência Sobre a televisão, no Colège de France, acerca das limitações da mídia. Pois bem, alguns pontos desse artigo me inquietaram: um deles foram os elogios dados ao livro, ao escritor e à produção cinematográfica. Não concordo com nenhum deles: o livro não é lá essas coisas, é mero transplante de um molde de vender que deu certo com o Código da Vinci; o escritor, também não, deixou-se levar pelo poder do dinheiro, que sempre vem com seu vozerio para o lado de qualquer artista e aqueles como Dan Brown que dão muito ouvidos a ele, acaba se perdendo no meio do caminho; e a produção cinematográfica não tenho direito de opinar, não vi o filme, calo-me, mas se for igual a de O código da Vinci será mero lixo cinematográfico. Outro ponto, e esse é o que me inqueita a redigir essa nota, é a preocupação do autor para com o impacto, digamos assim, que a obra cinematográfica venha causar naqueles que não possuem, nos dizeres dele, base sólida para encarar o filme como mera ficção. É intrigante que em plena era da informação, da virtualização, alguém ainda não consiga distinguir ficção de realidade; qualquer pessoa assistindo duas vezes uma peça de teatro, um filme, lendo um romance ou vendo uma novela - uma novela dessas que entra todas as noites em nossas casas - se deixem levar pelas tramas da ficção e saia atirando nos vilões que vira e mexe estão aprontando das suas. O que essa fala, de um padre, me reforça é o medo grande que a igreja nutre da debanda geral dos seus fiéis, fato que já se assiste. Isso é o que precisa ser dito e todos os que ainda não perceberam que toda a santidade do catolicismo é farjuta, e os seguidores dela, seguidores no sentido estrito do termo, zelam por essa moral. O que a igreja deveria responder era por quanto tempo vão eles empurrando sujeira para debaixo desse tapete milenar.

Letras&Livros

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Leite derramado, Chico Buarque


imagem do blogue leite derramado


Estou lendo este que é o último romance do Chico Buarque, visto contemporaneamente como um dos escritores brasileiros de maior destaque na literatura dentro e fora do Brasil. O texto da crítica literária Leyla-Perrone Moisés, orelha do livro, é singular, cospe tudo o que vou encontrando narrativa afora:

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A visão que o autor nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.

A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.

O texto é construído de maneira primorosa, no plano narrativo como no plano do estilo. A fala desarticulada do ancião, ao mesmo tempo que preenche uma função de verossimilhança, cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar.

Em suas leves variantes, as lembranças obsessivas revelam sutilezas ideológicas e psíquicas. E, como essas lembranças têm forte componente plástico, criam imagens fascinantes. É o caso do “vestido azul” comprado pelo pai para a amante, objeto de alta concentração significante. Esse objeto se expande, no nível da narrativa, como índice de elucidação da intriga, no nível fantasmático, como obsessão repetitiva do filho, e no nível sociológico, como ilustração dos usos e costumes de uma classe. Tudo, neste texto, é conciso e preciso. Como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.

Há também um jogo com os espaços onde ocorrem os acontecimentos narrados. As várias casas em que o narrador morou, como as décadas acumuladas em suas lembranças, se sobrepõem e se revezam. Recolocá-las em ordem cronológica é assistir a uma derrocada pessoal e coletiva: o chalé de Copacabana, “longínquo areal” dos anos 20, é substituído por um apartamento num edifício construído atrás de seu terreno; esse apartamento é trocado por outro, menor, na Tijuca; o palacete familiar de Botafogo, vendido, torna-se estacionamento de embaixada; a fazenda da infância, na “raiz da serra”, transforma-se em favela, com um barulhento templo evangélico no local da velha igreja outrora consagrada pelo bispo. Embaixo da última morada do narrador, nesse “endereço de gente desclassificada”, está o antigo cemitério onde jaz seu avô.

Percorre todo o texto, como um baixo contínuo, a paixão mal vivida e mal compreendida do narrador por uma mulher. Os múltiplos traços de Matilde, seu “olhar em pingue-pongue”, suas corridas a cavalo ou na praia, suas danças, seus vestidos espalhafatosos, ao mesmo tempo que determinam a paixão do marido e impregnam indelevelmente sua lembrança, ocasionam a infelicidade de ambos. Os preconceitos e o ciúme doentio do homem barram a realização plena da mulher e levam-na a um triste fim, que, por não ter nem a certeza nem a teatralidade dos desfechos de uma Emma Bovary ou de uma Ana Karênina, tem a pungência de um desastre. Embora vista de forma indireta e em breves flashes, Matilde se torna, também para o leitor, inesquecível.

O fato de nem no fim da vida o homem compreender e aceitar o que aconteceu torna seu drama ainda mais lamentável. Os enganos ocasionados por seu ciúme são tragicômicos, e o escritor os expõe com uma acuidade psicológica que podemos, sem exagero, qualificar de proustiana.

Outras figuras, fixadas a partir de mínimos traços, também se sustentam como personagens consistentes: o arrogante engenheiro francês Dubosc, que a tudo reage com um “merde alors”; a mãe do narrador, que, de tão reprimida e repressora, “toca” piano sem emitir nenhum som; a namorada do garotão com seus piercings e gírias. É espantoso como tantas personagens conseguem vida própria em tão pouco espaço textual. Leite derramado é obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem. (PERRONE-MOISÉS, Leyla. In BUARQUE. Leite Derramado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009)


No Blogue Leite Derramado é possível ler o capítulo primeiro do livro, ver um vídeo do Chico e saber mais informações sobre o escritor e outras obras.

O programa da TV Cultura Entrelinhas traz crítica ao livro do escritor.



Intervalo

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Evento, I SINATE - Simpósio Nacional de Texto e Ensino


Em sua primeira edição, o I Simpósio Nacional de Texto e Ensino – I SINATE é uma atividade vinculada ao projeto PROCAD, com o objetivo de socializar as pesquisas realizadas no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Letras – PPGL/UERN, envolvidas no referido projeto e estabelecer diálogos com aquelas desenvolvidas na UFMA e na USP, através dos Professores responsáveis pelo PROCAD. Terá lugar em 25 e 26 de junho de 2009, no Campus Avançado Maria Elisa de Albuquerque Maia – CAMEAM/UERN.

Intervalo

Caderno literário, editora Pragmata

Entre os e-mails de vários escritores de poesia circula uma criação de Sandra Veroneze, da Editora Pragmata, de um caderno literário eletrônico. Esse caderno pelo que acompanho de seu funcionamento é uma espécie de grande atelier do fazer poético, visto que a cada m~es se é lançada uma determinada temática por parte de Sandra Veroneze à produção literária dos poetas. O resultado é uma compilação com muitas produções interessantes, cuja edição é também feita por todos os que contribuíram com material ou que simplesmente estejam ligados a essa rede de contatos. Este mês que passou, maio, tive um poema editado, que posto dia desses na coluna apenas meus poemas; no momento deixo o linque do saite, que a editora está montando.

Intervalo

terça-feira, 23 de junho de 2009

Evento Jornada de Estudos em Ensino, Língua e Literatura Espanhola


O Grupo de Estudos Lingüísticos e Literários (GPELL) da Faculdade de Letras e Artes e Departamento de Línguas Estrangeiras (FALA/DLE) promove, no período de 05 a 07 de agosto de 2009, em Mossoró, a I Jornada de Estudos em Ensino, Língua e Literatura Espanhola. De acordo com os organizadores, os objetivos do evento são despertar e desenvolver o interesse pelo ensino e pesquisa em Ensino, Língua e Literatura Espanhola como também mostrar à comunidade acadêmica pesquisas realizadas pelos estudantes da UERN e de outras instituições nestas áreas de conhecimento. O evento constará de palestras, comunicações orais e exposição de banners.

A ficha de inscrição poderá ser preenchida e enviada via e-mail para: solangefarias@uern.br ou diretamente preenchida com os monitores: Josirrany, Samira, Beth e Simony (todas do 5º período de espanhol noite) ou com Rodrigues (monitor do NEEL). A inscrição dará direito à apresentação de trabalho(s) e participação nas outras atividades da programação. A taxa de inscrição para participantes como ouvintes é de R$ 5,00, já os participantes que apresentarão trabalhos pagam R$ 10,00.

Clique AQUI e confira a ficha de inscrição

Os escritores

segunda-feira, 22 de junho de 2009



Depois das novelas de amor passional de Camilo Castelo Branco eis que surge em território português uma série de romances em que os traços do sentimento amoroso eram outros. É o período ainda da estética romântica que a crítica literária classifica como transitório. A terceira geração. Nos romances desta leva já havia a predominância de traços do Realismo, estética que viria mais tarde. Desta leva de romances, destaque-se a escrita de Júlio Dinis. É sobre ele que falaremos hoje.



Júlio Dinis, romances de transição


Júlio Dinis nasceu no Porto. O ano era o de 1839. Seus romances apresentam o que a crítica chama de indícios de uma aproximação entre subjetividade ultra-romântica e a realidade que inspirou o autor a escrever.

Quem não lembra, ao ouvir falar desta característica literária sua, do romance As pupilas do senhor reitor? Pois bem. Em As pupilas do senhor reitor o que o leitor tem diante de seus olhos é um romance em que o espaço campesino de uma aldeia portuguesa é figura constante. É o espaço ideal onde transcorrem as cenas do romance. Idealizado também são os personagens deste romance. Margarida e Daniel, os tipos populares, como as beatas fofoqueiras ou a família interesseira do dono da venda. Com este romance o autor deixou claro que, além de defender as tradições – simbolizadas, na obra, pela oposição campo-cidade, em que o primeiro é sempre exaltado –, privilegiou a idéia de progresso e de mudança, desde que a fusão entre tradicional e novo preservasse aqueles que considerava os “verdadeiros” valores da sociedade portuguesa – a retidão de caráter, a sinceridade, o trabalho, o auxílio aos mais necessitados.

O autor morreu em 1871, vitimado pela tuberculose.







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Texto-base em ABAURRE, Maria Luiza; PONTARRA, Marcela Nogueira; FADEL, Tatiana. Português: língua e literatura. São Paulo: Moderna, 2000.

minhas falas

sexta-feira, 19 de junho de 2009


A caverna, de José Saramago – outras impressões



Por Pedro Fernandes


Já postei neste blogue, dia desses, resenha acerca do seu último livro que acabei de ler, A caverna. Aos que me conhecem ou me leem vez por outra neste blogue, ou mesmo aqueles que passam de relance por este espaço, sabe que sou leitor da obra de José Saramago. Tenho atualizado essas leituras saramaguianas com uma certa velocidade, principalmente depois que escrevi minha monografia de fim de graduação intitulada O ser em O conto da ilha desconhecida diante do ser sartriano, em agosto de 2008, sob orientação do professor e poeta Leontino Filho e que agora dedico-me à uma nova fase acadêmica, a do mestrado, e é como o escritor português no qual permanece centrada minhas preocupações. As impressões que vou tendo a cada leitura de seus livros – e não só dos seus livros, mas de outros livros que vou lendo ou de leituras de outros leitores que mandam resenha para postagem – no intuito de que sua obra venha ser tomada como mais uma para a lista pessoal de cada leitor ou simplesmente tornar-se conhecida para os que desconhecem e eventualmente leiam o que posto. Este romance, A caverna, disse na resenha primeira que fiz, é como O ano de 1993: parece ser a obra mais mal vista pela crítica literária; já até falei outra vez neste blogue acerca de um texto do professor de Teoria Alcir Pécora em relação a’O ano de 1993 e não respostei a nenhum texto de crítica feita a esse romance. É sobre isso que pretendo tratar nessa nota. Faço isso não porque tenha a “honra” minha manchada quando leio uma crítica desastrosa ao texto do escritor que elegi como profícuo ao estudo, e que antes disso, não escondo isso de ninguém, sou fã. Não me sinto assim, de honra manchada, nem com meus próprios textos, quando estes não são bem quistos, que dirá sentir-se assim para com textos alheios e de um escritor que mais já conquistou seu espaço na galeria dos universais. Mas faço por outras razoes, como perceberá o leitor que tiver a curiosidade de deslizar sua leitura até o fim do post.


Quem se põe a fazer a leitura integral da obra de um escritor, no sentido mais sutil que cabe à palavra integral, deve, evidentemente, construir suas opiniões acerca de cada texto que lê e do conjunto da obra como um todo. A caverna não teve, pois, para mim, o mesmo “impacto” que outros romances do escritor tem me causado, como os já conhecidos da maioria do público, Ensaio sobre a cegueira, Memorial do convento etc. Entretanto, me restrinjo a dizer acerca desse romance, A caverna, apenas isso: não teve o mesmo “impacto que outros romances do escritor tem me causado.


A caverna é a clara alusão ao mito da caverna de Platão – isso está dito desde a epígrafe, “Que estranha cena descreves e que estranhos prisioneiros, São iguais a nós”, até o seu desfecho, “Brevemente, abertura ao público da caverna de Platão, Atracção exclusiva, única no mundo, compre já a sua entrada”, o autor não esconde a alusão em momento algum, pois. O romance conta a história de oleiro, Cipriano Algor, e seu “drama” de ter os seus objetos rejeitados à compra pelo Centro, espécie de grande centro comercial e habitacional de uma cidade qualquer. Como efeito, o que leitor assiste é aquele conhecido êxodo da personagem para o epicentro do Centro. Uma vez lá, dão-se os fenômenos de que já conhecemos no mito de Platão até a descoberta do que seria um “fóssil” pré-histórico da cena do referido mito.


Mas, como dizia, me restrinjo a dizer que o romance me causou menos “impacto” que outros do escritor, porque não me vejo, na qualidade de crítico, que é o posto que agora assumo ao dar parecer sobre uma obra literária, não me vejo na capacidade para desmerecer o trabalho de um escritor, que é o que todo crítico está a fazer quando se põe a falar mal de uma obra literária. Há obras literárias ruins, certamente que as há. Disso todos sabemos. Mas, sabemos também que o conceito de ruim é variado quantas sejam as opiniões emitidas. Mas, ainda entendo que é graças às obras literárias, ruins ou boas, que há o papel do crítico, afinal de contas, é do trabalho deles, os escritores, os artistas etc., que parte esse outro trabalho de criticar. E, por isso mesmo, acho que o crítico deve saber “dosar” os limites da sua crítica. Escritores como José Saramago, nobelizados pela significação que é sua obra, ainda mais. Uso o título do Nobel para dizer que este escritor merece o “perdão” se caso tenha cometido algum “lapso” em sua produção literária. Cito mesmo o nome Machado de Assis. Apesar de não ser um leitor nato da obra do brasileiro não vejo com bons olhos os romances de sua leva romântica, como Iaiá Garcia, entretanto o feito que a sua obra tida realista, com nomes como Dom Casmurro ou Memórias póstumas de Brás Cubas, para ficarmos apenas em dois textos, deita-nos às significações das letras brasileiras e universal, é suficiente para que minha visão crítica acerca daqueles romances de sua fase outra seja atenuada. Nesse ínterim, lembro-me uma fala, creio que da escritora brasileira Lygia Fagundes Teles, numa dada entrevista em que ela diz ter dado cabo a todos os seus romances de início de carreira por achá-los de qualidade inferior aos que já publicara. Opção própria, mas creio que muita coisa boa dessa leva ao fogo tenha sido desperdiçada, entendendo que o escritor é, por muitas vezes, severo demais para com ele mesmo. Tome como exemplo Joyce e seu Ulisses, ou ainda o próprio Saramago que renegou até o último instante aquele seu primeiro romance intitulado Terra do pecado. E até deve ser, senão eles não seriam o que são – o próprio Joyce talvez não fosse quem é – entretanto, paga-se um certo preço – alto demais, me parece – por determinadas atitudes. Digo que muita coisa boa em Lygia, por exemplo, tenha se perdido tomando como exemplo as descobertas que se vão fazendo ao longo dos anos de escritas do poeta Fernando Pessoa, uma mais surpreendente que outras.


Voltando a A caverna, de José Saramago, vejo este romance como um texto singelo, mas nada que venha ofuscar sua escrita. Do contrario, nele se assiste um veio crítico seu dos maiores, uma vez que deparamo-nos com um narrador verdadeiramente saramaguiano, no sentido estrito da qualidade: um narrador dotado, inclusive, do mesmo veio ideológico, por que não assim dizer, do do escritor português, no entendimento de que o que se assiste é uma crítica viva ao atual modelo de proposta econômica/social que temos adotado e isso tem sido a linha primordial e principal que demarca a obra e a opinião de José Saramago.




Letras&Livros

quinta-feira, 18 de junho de 2009


In nomide dei
, José Saramago



Por Pedro Fernandes



“Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d’Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?”

(fragmento de nota introdutória de In nome dei, edição de 1993, da Companhia das Letras)



In nome dei foi escrito para o teatro por Saramago em encomenda, como foram todos os seus textos outros do gênero. Trata-se de um texto que poderíamos dizer que vem compor o fio ideológico anti-religião, juntamente com O evangelho segundo Jesus Cristo, romance de 1991 e Segunda vida de São Francisco de Assis, teatro de 1987. Digo fio ideológico anti-religião, mas até certo ponto; noutro olhar volto e apago a adjetivação, porque, e aqui intercalo meu pensamento com a voz de Saramago teatrólogo, ainda na referida nota, da qual pus o fragmento na introdução desse texto, “Não é culpa minha nem do meu discreto ateísmo se em Münster, no século XVI, como em tantos outros tempos e lugares, católicos e protestantes andaram a trucidar-se uns aos outros em nome de Deus (...) para virem a alcançar, na eternidade, o mesmo Paraíso.” Esta peça trata, em linhas gerais, dos conflitos entre católicos e protestantes na Münster de 1500. Entretanto, como todo texto literário, não se pode vê-lo apenas sob essa ótica. In nome dei é, assim como os outros dois textos anti-religião de que rotulei acima, a denúncia, pelas vias da matéria literária, das forças operantes de uma ideologia que se transforma em alienação, ou no bom sentido a Karl Marx, a apresentação da religião como ópio de uma nação.


Intervalo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

7faces na Gazeta e outras novidades

Agradeço por este espaço a Mário Gerson, editor do caderno Expressão, do jornal mossoroense Gazeta do Oeste pela divulgação da ideia do caderno-revista 7faces. Aproveito a deixa para divulgar aos leitores, os que dessa ideia já fazem parte e aos que ainda farão que estamos fechando a edição com registro ISSN. Com o cadastro no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) que atribui o código ISSN no Brasil, e promove este identificador em âmbito nacional junto aos usuários em geral e editores em particular, o cadern0-vista terá um código que darão aos autores a possibilidade de listar a publicação de seus textos em currículos, como por exemplo o da plataforma Lattes do CNPq.
Para ler a matéria, Clica aqui

Intervalo

terça-feira, 16 de junho de 2009

Prêmio Camões 2009


Depois de João Ubaldo Ribeiro, brasileiro nosso, que recebeu ano passado o Prêmio Camões, este ano de 2009, a deixa ficou com o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, escolhido vencedor do no último dia 2 de junho.

Armênio Vieira é o 21º a receber o Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Vieira nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de janeiro de 1941. Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o “Boletim de Cabo Verde”, a revista “Vértice”, de Coimbra (Portugal), “Raízes”, “Ponto & Vírgula”, “Fragmentos” e “Sopinha de Alfabeto”. Algumas de suas obras são: “Poemas” (1981), “O Eleito do Sol” (1989) e “No Inferno” (1999).

O júri deliberou, por maioria, outorgar o “Camões” ao poeta, "tendo em consideração a generosidade de seu talento, o diálogo com os clássicos e sua inserção na modernidade". De acordo com a Comissão Julgadora, a escolha "pretendeu realçar a centralidade de sua visão humanista e o universo simbólico, caracterizado por uma poética onde o particular cabo-verdiano coincide com um visionarismo de caráter universal".


De acordo com o poeta Corsino Fortes, há uma tradição literária muito grande em Cabo Verde, desde o século XIX. Ele destaca também "uma grande expressão literária da juventude pós-independência [5 de julho de 1975]" e ressalta a existência de uma literatura de qualidade em seu país, atestada pelos críticos, inclusive brasileiros.


"A expectativa, na verdade, é de uma homenagem à África. É a África que sai ganhando", disse Muniz Sodré, que afirmou estar "extremamente contente, muito comovido com a escolha do júri".


A seguir, um poema de Arménio Vieira, extraído do livro "Vozes poéticas da lusofonia", Sintra, 1999.

Ser tigre

O tigre ignora a liberdade do salto
é como se uma mola o compelisse a pular.

Entre o cio e a cópula
o tigre não ama.

Ele busca a fêmea
como quem procura comida.

Sem tempo na alma,
é no presente que o tigre existe.

Nenhuma voz lhe fala da morte.
O tigre, já velho, dorme e passa.

Ele é esquivo,
não há mãos que o tomem.

Não soa,
porque não respira.

É menos que embrião
abaixo do ovo,
infra-sémen.

Não tem forma,
é quase nada, parece morto.

Porém existe,
por isso espera.

Epopéia, canção de amor,
epigrama, ode moderna, epitáfio,

Ele será
quando for tempo disso.


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fonte: saite da Biblioteca Nacional.

intervalo

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Evento



Entre os dias 03 e 04 de julho de 2009, no Espaço Villa Oeste, em Mossoró (RN) terá lugar o Festival Usina da Cultura. O evento pretende reunir diversas vertentes da cultura, entre elas a música, a grafitagem, as artes plásticas e o cinema. Serão 10 bandas do cenário brasileiro da música independente, entre elas o Cordel do Fogo Encantado (PE); e mais: grafiteiros e artistas plásticos expondo sua arte e realizando oficinas, sessões de cinema com produções locais, debates sobre a economia da cultura, uma feira de comercialização de produtos agroecológicos e artesanais da economia solidária, entre outros.

Mais, ver http://www.festivalusinadacultura.com.br/

Evento

Bloomsday 2009, em Natal

A programação do Bloomsday que será amanhã, 16 de junho,  corre vários espaços da capital - os cenários são o Sebo Vermelho, o Bar do Pedrinho, o Bardallus Comidas & Artes, o Sebo Cata Livros, e a Biblioteca Zila Mamede, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, cenário de costume. A seguir a programação completa:




- Sebo Vermelho
Av. Rio Branco, 705`
às 9h exibição do filme A portrait of the artist as a young man (Joseph Strick, 1977);
às 11h lançamento do livro Panorama do Bloomsday em Natal organizado por Francisco Magno de Araújo
às 13h exibição do filme Ulysses (Joseph Strick, Milo O'Shea e Barbara Jelford, 1967);
às 16h exibição do filme Bloom (Sean Walsh, 2006)

- Bar do Pedrinho
Rua Vigário Bartolomeu, 540
Beco da Lama
às 11h exibição do filme Ulysses (Joseph Strick, Milo O'Shea e Barbara Jelford, 1967)

- Bardallus Comidas & Artes
Rua Gonçalves Lêdo
Beco da Lama
às 17h do filme A portrait of the artist as a young man (Joseph Strick, 1977)

- Sebo Cata Livros
Mercado Cultural de Petropólis
às 17h exibição do filme Bloom (Sean Walsh, 2006)

- Biblioteca Zila Mamede
às 11h exibição do filme A portrait of the artist as a young man (Joseph Strick, 1977)
às 13h exibição do filme Ulysses (Joseph Strick, Milo O. Shea e Barbara Jelford, 1967)
às 17h exibição do filme Bloom (Sean Walsh, 2006)
às 19h mesa-redonda James Joyce e a literatura no século XX com o prof. Dr. Francisco Ivan representante regional da Associação Brasileira de Estudos Irlandeses e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o prof. Dr. Antônio Eduardo de Oliveira (UFRN), a profa. Dra. Ana Graça Canan (UFRN) e o prof. Dr. João da Mata Costa (UFRN)
às 20h o lançamento do livro Panorama do Bloomsday em Natal organizado por Francisco Magno de Araújo.

Os escritores

sexta-feira, 12 de junho de 2009







O Boca do Inferno










Esta cidade acabou-se, pensou Gregório de Matos, olhando pela janela do sobrado, no terreiro de Jesus. “Não é mais a Bahia. Antigamente, havia muito respeito. Hoje, até dentro da praça, nas barbas da infantaria, nas bochechas dos granachas, na frente da forca, fazem assaltos à vista.”

Veio à sua mente a figura de Góngora y Argote, o poeta espanhol que ele tanto admirava, vestido como nos retratos em seu hábito eclesiástico de capelão do rei: o rosto longo e duro, o queixo partido ao meio, as têmporas raspadas até detrás das orelhas. Góngora tinha-se ordenado sacerdote aos cinqüenta e seis anos. Usava um lindo anel de rubi ao dedo anular da mão esquerda, que todos beijavam. Gregório de Matos queria, como o poeta espanhol, escrever coisas que não fossem vulgares, alcançar o culteranismo. Saberia ele, Gregório de Matos, escrever assim? Sentia dentro de si um abismo. Se ali caísse, aonde o levaria? Não estivera Góngora tentando unir a alma elevada do homem à terra e seus sofrimentos carnais? Gregório de Matos estava ali, no lado escuro do mundo, comendo a parte podre do banquete. Sobre o que poderia falar? Teria sido bom para Gregório se tivesse nascido na Espanha? Teria sido diferente?

(Ana Miranda, Boca do inferno, fragmento)

Neste seu livro, Boca do inferno, a romancista Ana Miranda recria o poeta baiano Gregório de Matos numa cena, no mínimo interessante: o poeta a pensar em Luis Góngora, poeta espanhol, que simbolizava, para Gregório de Matos, o exemplo máximo de controle sobre a composição poética, o culteranismo, um artista que tenta “unir a alma elevada do homem à terra e seus sofrimentos carnais”, numa clara alusão ao dualismo barroco. Diante de tal cena, poderíamos fazer a seguinte reflexão indagando o que teria acontecido a Gregório se, em vez de baiano, tivesse sido espanhol. Certamente, diriam nós críticos, estaríamos diante de um poeta diferente, menos ocupado com a crítica aos desmandos políticos – já tão comuns por cá naquela época. Crítica que lhe valeu o apelido de “boca do inferno”. E, teríamos um poeta mais voltado para o desenvolvimento de poemas cultistas.

Foi em Salvador, no ano de 1636, que nasceu Gregório de Matos Guerra. Como seus pais eram pessoas de posses, garantiram ao filho a melhor educação disponível na colônia, representada na época pelo Colégio dos Jesuítas de Salvador. A sequência natural na sua formação, como filho de pais abastados, foi seguir, aos catorze anos, para a Metrópole, onde deveria estudar Leis. Tornar-se advogado. Profissão em voga na época.

E Gregório obteve o diploma de Direito pela Universidade de Coimbra, em 1661. Neste mesmo ano casou-se com D Michaella de Andrade. O casal, entretanto, não teve filhos. No exercício da profissão, Gregório permaneceu em Portugal, chegando a ocupar o cargo de juiz no Alentejo e em Lisboa. O poeta, já viúvo, voltou à cidade natal em 1681. Vinha ocupar um cargo na arquidiocese baiana. Tornou a se casar, teve filhos, mas o que o seduzia era a vida boêmia.

Os versos críticos e mordazes direcionados a membros da arquidiocese e a políticos valeram-lhe, além do apelido de “boca do inferno”, o desagrado do governador da Bahia, que o baniu para Angola, em 1694. Lá permaneceu apenas um ano, voltando ao Brasil e fixando residência no Recife, onde faleceu em 1696.

Deixou uma obra multifacetada. A Academia Brasileira de Letras reuniu e publicou seis volumes da obra sua, assim organizada: Volume I – Obra Sacra; Volume II – Obra Lírica; Volume III – Obra Graciosa; Volume IV e V – Obra Satírica; e Volume VI – Obra Última. A maior notoriedade do poeta escapa no que foi classificado pela crítica como poemas líricos, poemas sacros e poemas satíricos.


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Fonte. O texto base para o post estão em ABAURRE, Maria Luiza; PONTARRA, Marcela Nogueira; FADEL, Tatiana. Português:língua e literatura. São Paulo: Moderna, 2000.





minhas falas

quinta-feira, 11 de junho de 2009


Este ensaio que posto hoje no Letras in Verso e [Re] verso não se apresenta datado. Creio que devo tê-lo produzido no início de 2004. Também este faz parte daquele feixe de textos que encontrei nalguns arquivos adormecidos e que agora trago para este espaço, cujo interesse está para além de vê-los reunidos num mesmo espaço, é o de encontrar com minhas reminiscências de leitura e de escrita, que vem paulatinamente em processo de construção.




A qualidade da programação da TV brasileira


Pedro Fernandes de O. Neto


A adoração pela TV não tem limites sociais, raça ou credo. Tornou-se instrumento presente na maioria das casas brasileiras. Provas vão desde uma antena “espinha de peixe” mal colocada no telhado de um barraco até às potentes antenas parabólicas na cobertura de um prédio de luxo.


Claro, ninguém é de ferro! Quem não gosta de relaxar vendo um filminho na TV? Ou até mesmo algum programinha interessante? – Opa! Pere aí. Cuidado com o adjetivo! – Mulher xinga o marido por causa de traição. De certa vez, homem invade programa ao vivo de arma em punho. Cenas eróticas do mocinho com a protagonista alcançam o ápice de audiência das telenovelas. Isso tudo são cenas do cotidiano. Artimanhas da TV exibidas em horário nobre ou em fins de semana, servidos de bandeja ou empurrados goela abaixo toda vez que ligamos a TV.


A briga entre programas pela audiência tem feito com estas cenas sejam mais comuns que normal. Tentam de tudo para conquistar espaço e quase sempre apelam à baixaria ou ao lado sexual, o que não é bom para o telespectador analisando pelo lado moral do ser humano. E num país como o Brasil, onde o acesso à cultura e a educação estão na escala dos níveis alarmantes, faz com que esse tipo de programação caia no gosto popular, até porque conforme já foi dito, essa programação é mais comum no dito horário nobre ou em fins de semana, períodos em que mais se vê TV. Já os programas educativos, tidos como chatos, são escondidos na madrugada, e apresentados por apresentadores à beira da morte.


Essa idolatria que a geração da qual faço parte desenvolveu em torno da TV tem sido nociva aos arranjos familiares. Pôs a família de lado nas discussões diárias. A qualidade dos programas nela exibidos tem contribuído significativamente para dilatar o fosso entre pais e filhos, maridos e mulheres. Pesquisas apontam que são as crianças as principais vítimas da má qualidade do que veem. Isso porque os programas vistos por elas hoje apresentam altas doses de estímulos eróticos visuais, culto ao corpo, atitudes sugestivas ao sexo, entre outros e tudo isto tem grande influência para elas, uma vez que a TV é um meio de comunicação que se utiliza de sons e imagens em movimento. O som e o movimento da imagem foram sem dúvida responsável por alterações em todas as conjunturas sociais. Eles têm força demais para um público fragilizado demais. E dizem os especialistas que isso é uma das causas para o amadurecimento precoce em crianças.


O que fazer, então? Na Inglaterra, por exemplo, TV é serviço público, assim como água, luz ou telefone. E há um ministério responsável pelo seu funcionamento. O controle da qualidade, principalmente a infantil, é rígido. A fiscalização é feita por órgãos independentes, responsáveis pelo acompanhamento da programação e pelo encaminhamento das reclamações do público. Mas isso seria possível no Brasil, onde uma pequena intervenção do Governo nos meios televisivos traz de volta o fantasma da censura nos tempos da Ditadura Militar? Creio que este fantasma dos Anos de Chumbo só tem servido para alimentar o já enorme poder que os órgãos televisivos carregam desde os anos pós-censura.


Devido este atrito entre Governo e TV, restamos nós. Nós é que temos que controlar o que as nossas crianças devem assistir. O problema, entretanto, é que a grande maioria não tem entendimento ou não está nem aí para isto, embora as restrições apareçam a cada intervalo de programa sob três formas de linguagem. Prova disso são os índices de audiência que aqueles tais programas que falei no início deste texto citei. Prova disso são as antenas que se multiplicam sejam nos telhados de barracos ou no teto de casas luxuosas, sempre no interesse de captar melhor as imagens entregues de bandeja ou goela abaixo. Convivemos com um problema que não sabemos e não temos como resolver sozinhos. Para isto existe o Estado. Mas, cadê o Estado?



Intervalo

quarta-feira, 10 de junho de 2009

XVII Semana de Humanidades



Entre os dias 01 e 05 de junho de 2009, participei na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) da XVII Semana de Humanidades, que diferente das duas edições anteriores que participara, a XV em 2007 e a XVI em 2008, contou com uma leva de grandes nomes e palestras. Bons trabalhos. Eu não faço vez para corredores específicos de fala apesar de ser da literatura, mas tenho necessidade de, foi diferente, de correr para ver; a meu entender, isso, mais que tudo, é que nos enriquece. Destaco os momentos que estive e que marcaram esta semana os que dela participaram. Sem dúvidas, as palestras do professor Décio Pignatari, na abertura da Semana, na abertura do Colóquio Barroco e nos seminários temáticos. Foram bons momentos a frente de um inquietante espírito crítico não sói para a literatura e a arte como para questões das diversas que um escritor/poeta como ele deve mesmo opinar. Destaco ainda as conferências da professora Roxane Rojo por ocasião do Colóquio de Linguística Aplicada e da professora Socorro por ocasião do Colóquio Humanitas. No meio de tantas vozes a minha teve presença quando da tarde de quinta-feira, 04 de junho, apresentei a comunicação Sobre O conto da ilha desconhecida, de José Saramago - novas incursões, em que voltei ao estudo que fiz dessa obra do escritor português.

Apenas meus poemas

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A mão

Era a mão
tão próxima de mim
à distância de um toque
na noite

E desejei à noite adentrar
por dentro mim
entre mãos
minhas e dele

E por que não toco?
a noite é espessa
e a distância de um toque
um abismo impossível

Deixa ela lá
lá posso abismá-la
a mão


Intervalo

domingo, 7 de junho de 2009


Novos espaços para 7faces (II)


Dois novo espaços se dispuseram a divulgação do Caderno eletrônico de poesia 7faces. Trata-se do blogue da Aline Linhares, que não conheço pessoalmente, apenas de nome de quando das minhas andanças nos quatro anos de faculdade em Mossoró; o blogue divulgou nota constando os linques para acesso as regulagens. A outra página é do Overmundo, que já estou por lá e, vez por outra nela pingo alguns textos meus. Agradecimentos cordiais a Aline Linhares e aos organizadores desse portal que divulga cultura e literatura Brasil afora, o Overmundo.


Letras&Livros

sábado, 6 de junho de 2009


a literatura e memórias de uma guerra


A Segunda Guerra Mundial foi um dos marcos assustadores de até onde podem ir os limites da maldade do ser humano. Quase todos os países do Globo envolveram-se de uma forma ou de outra no conflito. Foram cerca de 60 milhões entre soldados e civis mortos nos confrontos e 6 milhões de judeus exterminados no pior genocídio da humanidade. Um conflito tão vasto, tem também um campo vasto de bibliografia sobre. Letras in verso e [re] verso toma por base os textos do Dossiê Memórias da guerra, produzido pela antiga Revista Entrelivros e destaca as obras literárias mais importantes que tratam do maior conflito do século XX.


Ficção


1 – As benevolentes, de Jonathan Littell. O livro cujo título faz alusões às Erínias (ou Fúrias, as figuras mitológicas encarregadas de atormentar os criminosos e as chamadas por Ésquilo de “benevolentes” na Orestéia) dá voz a um nazista convicto e cínico, Max Aue, que ao longo de 900 páginas, sem remorsos, registra os crimes e perversões das quais participou.


2 – Descascando a cebola, de Günter Grass. Autor de O tambor, um dos maiores da literatura alemã, Descascando a cebola tem tom e caráter diferente do livro anterior, por se tratar de um livro autobiográfico, em que Grass confessa ter servido na SS, tropa de elite nazista, no final da Segunda Guerra Mundial, quando tinha 17 anos de idade.


3 – O castelo na floresta, Norman Mailer. Um demônio chamado D. T. vem a lume escancarar as raízes familiares e os primeiros anos de vida de Adolf Hitler. Mailer transforma em verdade muitas das especulações que cercam as origens familiares e a primeira infância do pequeno Adi, dando destaque compulsivo aos detalhes picantes de forma a exagerá-los.


Memórias

1 – O diário de Anne Frank. Anne Frank (1929-1945), seus pais e a irmã Margot, e mais quatro amigos da família, num total de oito pessoas, permaneceram quase dois anos escondidos no anexo secreto de um edifício comercial em Amsterdã. A família Frank, de origem alemã, deixara o país natal logo depois que Hitler assumiu o poder e a perseguição aos judeus se intensificou, no final da década de 1930. Na Holanda, os Frank encontraram tranquilidade, mas só por algum tempo. Na tentativa de evitar a deportação iminente, optaram pelo esconderijo e não pela fuga. Após uma denúncia anônima, em agosto de 1944, foram presos e levados para Auschwitz. Anne e Margot tiveram de seguir pouco depois para Bergen-Belsen, onde morreriam de tifo duas semanas antes de o campo ser libertado por soldados britânicos. Seu diário foi encontrado pelo pai, Otto Frank, único sobrevivente dos oito habitantes do anexo secreto, assim que retorna de Auschwitz, em 1945.

2 – É isto um homem?, Primo Levi. O livro é inspirado na experiência em Auschwitz, para onde Primo Levi (1919-1987), então um jovem químico, havia sido levado em 1944, após participar de um grupo de resistência ao fascismo na Itália de Mussolini. Levi esteve no chamado “campo da morte” por onze meses e sobreviveu por alguns fatores, entre os quais o fato de compreender um pouco o idioma alemão e por ter sido considerado útil trabalhando no laboratório.

3 – A morte de uma vida republicado em 1998 como O pianista, Wladyslaw Szpilman. O judeu polonês Wladyslaw Szpilman (1911-2000) era pianista clássico de uma rádio de Varsóvia quando seu país foi invadido pelas tropas de Adolf Hitler, em 1939. Quando sua família é deportada, ele consegue escapar por acaso. Esconde-se no gueto de Varsóvia e, quando este é desocupado, transforma em esconderijo edifícios abandonados da cidade durante mais de dois anos. É salvo, ao final de uma combinação de sorte e astúcia, por um oficial nazista que também gostava de música clássica. Szpilman escreveu suas memórias pouco depois do fim da guerra.

4 – Suíte francesa. Irene Nemirovsky (1903-1942) já era escritora quando foi levada do vilarejo francês para Auschwitz. Suíte francesa é resultado de um manuscrito encontrado por sua família seis décadas depois de sua morte.

5 – Amiée e Jaguar, Érica Fisher. A autora nascida em 1943 não viveu diretamente a experiência da guerra. Nascida na Inglaterra durante o exílio dos pais austríacos, Amiée e Jaguar, que assim como O pianista, de Wladyslaw Szpilman, se tornaria filme em 1999, conta a história de Elisabeth Wust, dona de casa alemã, casada com um oficial nazista e Felice Schragenheim, jornalista judia.


O que restou da guerra



1 – A sétima cruz
, Anna Segheres. Apesar de não ser uma obra publicada no pós-guerra, ela data de 1942, seu tom é eminente o de um pós-guerra ou a demonstração de um encorajamento às vítimas dos campos de concentração ao demonstrar a vulnerabilidade do Estado Hitlerista narrando a fuga de sete judeus – um deles exitoso – ao jugo do nazismo.

2 – Stalingrado, Theodor Plivier. Publicado em 1945, trata-se da primeira obra publicada na Alemanha pós-guerra. O romance mostra – documentária e factualmente – toda a miséria do País ao narrar a derrota do 6º exército alemão frente às forças russas no inverno de 1942-1945.
3 – Lá fora ante a porta (teatro), Wolfgang Borchert. Borchert é o grande nome da lost generation, vítima direta da tragédia da guerra; é o primeiro de uma série de escritores a analisar a volta de um combatente, Beckmann, a seu lar. Beckmann volta e não encontra sua pátria; ainda vê o mundo através dos óculos de guerra, factual e metaforicamente.

4 – Papoula e memória (poesia), Paul Celan. A obra é de 1952. Nela o leitor encontra o célebre poema Todesfuge, escrito em 1945, uma dança macabra, um jogo pervertido e melódico entre os assassinos nazistas e suas vítimas.

5 – A estética da resistência, Peter Weiss. A obra foi publicada entre os anos de 1975 e 1981 e é apesar de não ser sua obra de sagração, porque a que tomou esse caráter foi a peça Murat-Sade, em 1964. Em A estética da resistência Weiss leva o experimentalismo às últimas consequências e demonstra de maneira definitiva as convenções estruturais e formais do romance.

6 – Jakob, o mentiroso, Jurek Becker. Trata-se do primeiro romance do romancista, o primeiro de uma trilogia e é também sua obra-prima. A trilogia que aberta com esse romance dá conta da aniquilação dos judeus no Terceiro Reich. O romance Jakob, o mentiroso trata de uma cidade qualquer da Europa Central transformada em campo de concentração durante o regime nazista e Jakob, o personagem-título, é um dos prisioneiros que diz ter conseguido se apoderar de um rádio e espalha notícias ouvidas a seus colegas em primeira mão, declarando que as tropas russas avançavam a cada novo anúncio, colorindo assim a desgraça cinzenta da rotina dos prisioneiros. Tanto o rádio quanto as notícias são inventadas e o romance antecipa – com grande qualidade literária, humor e suspense – a temática abordada por Roberto Benigni, no filme A vida é bela. A trilogia de Becker encerra com Os filhos de Bronstein (1986), romance no qual o autor aborda a vida dos descendentes daqueles que viveram em campos de concentração, mostrando que a polêmica contra a perseguição aos judeus não é apenas uma tarefa da geração diretamente atingida.

7 – O leitor, Bernhard Schlink. O romance narra a relação entre o adolescente de 15 anos Michael e Hanna, uma mulher 20 anos mais velha. Ela é forte e ele tem de “andar na linha” para não ser castigado com a privação de sexo. A relação é, entretanto, coroada por momentos de intensa afetividade, em que o adolescente lê em voz alta os clássicos da literatura universal para Hanna. Depois de meio ano juntos, Hanna desaparece de repente e Michael só a encontra anos mais tarde, por acaso, quando ela está sendo julgada por ter trabalhado para a SS em um campo de concentração. Hanna é condenada a prisão perpétua e Michael descobre o grande mistério que envolve a mulher: ela é analfabeta. Comovido, o rapaz passa a mandar fitas cassetes com os clássicos para a condenada. Esta fica 18 anos na prisão e aprende a ler e a escrever acompanhando as fitas, e um dia antes de ser solta se suicida.

8 – Escombros e caprichos (contos), Bernhard Schlink. A coletânea de contos publicada em 1999 é a amostra mais uma vez do brilhantismo da narrativa de Schlink. Se em O leitor, o leitor é coroado por uma linguagem simples e faceira, bem talhada, não difere em Escombros e caprichos, feixe de narrativas dotadas da elaboração e o do refinamento da linguagem. Destaque para o conto A menina com a lagartixa, uma volta ao passado nazista e a melhor produção do conto alemão contemporâneo. Longo, tocando as fronteiras do gênero, o conto oferece um painel dos anos 1950 na Alemanha – quando os reflexos da guerra ainda ofuscavam o lar de famílias aparentemente tranquilas – e combina magistralmente arte, literatura e história, ficção e clássicos e narrativa policial.




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Fonte e fragmentos de CASTRO, Rodrigo Campos. A marca da Maldade; MELLO, Anita C. de. Sobreviver à guerra; BACKES, Marcelo. A grande tragédia na ficção alemã. In: Revista Entrelivros, ano 3, n. 28, p. 23-31 e 36-39.

Alguns dos filmes brilhantes



Alguns dos filmes brilhantes – O cinema memórias de uma guerra


Em 6 de junho de 1944, numa gigantesca operação militar que seria imortalizada com o nome em código de Dia D, milhões de combatentes mobilizados pelos aliados libertaram a França da dominação nazista. Foi o maior confronto da Segunda Guerra Mundial. O episódio foi contado, em rigorosamente todos os idiomas, em montanhas e páginas de livros, jornais e revistas. Também inspirou, a exemplo de outras batalhas travadas ao longo do conflito, numerosos filmes. Destaco algumas das maiores produções cinematográficas sobre ou que tenha temática sobre esse que foi o mais sangrento confronto da História.



1 – O mais longo dos dias, 1962. A versão original em preto e branco narra os acontecimentos do Dia D. Adota tom documental e mostra o que houve do ângulo dos vários exércitos envolvidos. O filme não fixa-se em apenas uma personagem e o que se assiste é uma procissão de grandes estrelas.


2 – Patton, rebelde ou herói?, 1970. Este ganhou sete estatuetas do Oscar, entre elas as de melhor filme e de ator para George C. Scott. O filme descreve a trajetória do general americano que se dizia descendente de Aníbal e concebia desconcertantes estratégias de combate. Poucas batalhas foram tão bem retratadas no cinema. O roteiro é assinado por Francis Ford Coppola e Edmund H. North.


3 – Tora! Tora! Tora!, 1970. Baseado no ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, no Havaí, que apressou a entrada ostensiva dos Estados Unidos na guerra, dois anos depois de seu início. O diretor Richard Fleischer cria um clima de aguda tensão ao exibir os preparativos da cúpula japonesa e, paralelamente, os erros do governo americano, descrente das evidências de um possível ataque. Compreensivelmente, as cenas dos aviões inimigos bombardeando os navios de guerra americanos não se comparam às que serão mostradas mais tarde em Pearl Harbor, estrelado por Bem Affleck e Kate Beckinsale.



4 – Pearl Harbor, 2001. Se na história dos Estados Unidos há algumas constatações curiosas, uma delas, certamente, está na disposição de ganhar sempre, mesmo perdendo. A superprodução de US$ 145 mi de dólares reconstitui de forma épica o célebre e devastador ataque, em dezembro de 1941, dos japoneses à base militar americana instalada no Havaí.


5 – Além da linha vermelha, 1998. No filme, o diretor Terrence Malik mostra o ponto de vista dos soldados que lutaram no front. O heroísmo e o caráter espetacular da guerra foram deliberadamente excluídos da produção. Malick explora o medo e o absurdo do conflito por meio de imagens fortes e fragmentos de pensamentos dos personagens sobre a natureza humana.


6 – A ponte do rio Kwai, 1957. Dirigido por David Lean e com trilha sonora tornada inesquecível pelo coro de assovios, o filme retrata o sofrimento de soldados ingleses num campo de prisioneiros japonês.


7 – Furyo, 1983. Também como cenário um campo japonês. Mas sabe explorar as ambigüidades – sexuais, inclusive – dos soldados envolvidos. Quem é uma das estrelas protagonistas deste filme é o cantor David Bowie.


8 – Esperança e glória, 1987. A guerra, pelo menos na visão das crianças, pode até ser divertida. Elas brincam nos escombros em Londres e são fascinadas pelas revoadas mortais da esquadra inimiga.


9 – A lista de Schindler, 1993. De Steve Spielberg. O filme conta a história verdadeira do industrial alemão que salvou muitos empregados judeus da morte nos campos de concentração nazista. Este também integra o corpo de sete Oscars.







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Fontes. Revista Época, ano III, n 157, 21 de maio de 2001; Revista IstoÉ, n. 1 652, 30 de maio de 2001

Intervalo

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O que é o ser humano?

Quando redigi este artigo O que é ser humano ainda não havia saído o fato que vim tomar conhecimento mais tarde. O caso do xeique Al Nahyan que torturou o quanto pode um carregador pelo simples de fato de ter ele dado a perder uma carga no valor aproximado de R$12mil. As imagens mostradas pela rede ABC só vem corroborar com tudo o que escrevi nesse texto.

Deixo o linque para os que que quiserem confirmar.



minhas falas

quarta-feira, 3 de junho de 2009


O que é ser humano?






por Pedro Fernandes de O. Neto







Há alguns dias a mídia televisiva veiculou duas reportagens que dava contas de dois fatos ocorridos em diferentes estados e regiões do Brasil, mas que tinha em seu corpo o mesmo sentido. Acho difícil que os tais fatos nos venha causar algum choque, quando muito, um sentimento moderno denominado indignação, porque aquele sentimento da sensibilidade, com esses dias nebulosos, sangrentos e virulentos que tem assolado a humanidade desde que o homem olhou para outro homem e se reconheceu enquanto tal anda a cair em desuso ou a criar uma couraça, desabrigando-se do ser humano para dar lugar a este que nomeamos indignação. A indignação carrega em si o mesmo grau de violência que uma bomba sob o Japão no fim da Segunda Grande Guerra e mesmo que não cause vítimas fatais – vale ressaltar que muitas delas causam – ela é o combustível que move a criação de artefatos explosivos que pode machucar muitas pessoas, como é o caso deste texto que agora corre.


Mas voltemos aos dois episódios de que falei acima. No primeiro, se apresentavam as filmagens feitas por um repórter no embarque de uma estação de trens no Rio de Janeiro, sudeste do País. Associado ou não às condições caóticas do transporte público – fato comum e que de tão comum chega a ser corriqueiro nos grandes centros do Brasil – que se agravaram com uma greve de condutores de trem, o que o telespectador deu de cara foi com vários indivíduos armados de punho, outros de ligas sob forma de chicote em punho a dispararem socos e chicotadas contra passageiros. No segundo episódio, se apresentava uma empregada doméstica do Recife, nordeste do País, em depoimento acerca das agressões sofridas da síndica de um condomínio por ela, a empregada doméstica, não está fazendo o uso do elevador de serviço do prédio, confirmando ao leitor o anunciado no início deste texto, ambas as cenas dão conta de um mesmo sentido: o tratamento vergonhoso de violência de seres humanos para com seres humanos.


Isso seria novidade se fossem esses episódios os primeiros de violência a se registrar entre os humanos. Entretanto, isso não é verdade e qualquer livro de História, desde aquele a que se convencionou sagrado entre os cristãos, a Bíblia, àqueles mais primevos, como os que são didáticos para o ensino fundamental e médio, o que se registra é um verdadeiro rosário de crueldades de humanos para com humanos. E desde os primórdios parece que o que fizemos foi aperfeiçoar técnicas e modos de crueldade. Começando pelos conflitos da mitologia cristã, como os do mito Caim e Abel, que um matou o outro por inveja e passando à série de dizimações registradas no correr dos livros “sagrados”; começando pelos conflitos entre civilizações e passando aos dois grandes e mais conhecidos enfrentamentos da Era Moderna, as Guerras Mundiais, com destaque à Segunda em que o mundo assistiu à dizimação em massa de seres; chegando aqueles modos outros de fazer confusão, os mais conhecidos entre nós, como os bate-bocas que acometem em filas de banco, entre casais, no trânsito, em casa ou ainda as panturras de corrupção dentro dos conclaves políticos com o dinheiro público, que são a forma de violência humana para com humanos das mais corriqueiras porque cerceia as vidas humanas marginais – viventes estas desde que o mundo é mundo, portanto, antes até de quando um homem olhou para outro homem e se reconhecer enquanto tal – e cerceia a qualidade de muitas delas com os cortes de verbas em saúde e educação ou com as crises econômicas; e chegando a muitos outros episódios que deve estar a correr ponta a ponta o cérebro dos leitores e que não cabem neste espaço, pergunto: o que é ser humano? Cada leitor pode tirar suas conclusões, mas entendo que a linha que separa o humano que somos e o bicho que deixamos de ser é bastante tênue, por vezes até inexistente. Penso que todos estes episódios – os citados e os não citados, os que ocorreram há alguns dias e os que ocorreram há alguns séculos, os que se passaram em casa ou na rua, nas repartições públicas ou privadas –, são provas mais que suficientes de que o conceito que temos de ser humano carece urgentemente de uma reforma e até de uma substituição de termos, porque do jeito que a coisa anda com sentimentos uns dando lugar a sentimentos outros, sei não.





Os escritores

Cruz e Souza


Cruz e Souza é considerado pela crítica literária comum o introdutor do Simbolismo no Brasil pela publicação de dois livros, em 1893, Missal e Broquéis.

Filho de escravos alforriados, João da Cruz e Souza nasceu em Nossa Senhora do Desterro – Florianópolis, hoje – em 1861. Foi “escondido” ou “rejeitado” do/pelo público leitor durante muito tempo, apesar de a crítica o ter como introdutor do simbolismo no País. Sua obra ainda é um campo de investigação vasto que somente agora começa a ganhar atenção merecida. Fora isso, teve o autor uma vida conturbada. Uma tragédia, pode-se assim dizer. Essa tragédia pessoal vem agravar-se com o seu casamento. A esposa, Gavita Gonçalves, também negra, deu-lhes quatro filhos. Todos eles morreram muito cedo. Todos vitimados pela tuberculose. Com a morte dos filhos Gavita enlouqueceu e permaneceu internada por longos períodos. Também vitimado pela tuberculose, Cruz e Souza morreu numa pequena cidade mineira, Sítio, onde se refugiara em 1898. Seu corpo foi transportado para o Rio de Janeiro em um vagão de animais.

Não obstante uma história de vida marcada pela miséria e pela dor, a produção literária de Cruz e Souza o coloca hoje entre os grandes simbolistas do século passado. Hoje chegam a compará-lo a Mallarmé. Impressiona a crítica em sua poesia pela profundidade filosófica e a angústia metafísica, temas sem dúvida oriundos de sua sofrida experiência pessoal.

Podemos encontrar, de modo recorrente, em sua obra, a tematização do amor, do mistério, das sensações, da angústia, da dor de existir, do conflito entre a carne e o espírito, da escravidão e da mulher. Em seu vocabulário poético predominam, de modo obsessivo, termos associados à cor branca – névoas, alvas, brumas, lírios, neve, palidez, lua etc.

Cruz e Souza publicou ainda, além de Missal e Broquéis, Tropos e fantasias. Postumamente foram editados Faróis, em 1900, e Últimos sonetos, também em 1900.




Amostra poética


Antífona

Ó formas alvas, brancas, formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó formas vagas, fluidos, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...

Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, módidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas...

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
Que fujam, que na Estrofe se levantem
E as emoções, todas as castidades
Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen de ouro dos mais finos astros
Fecunde e inflame a rima clara e ardente...
Que brilhe a correção dos alabastros
Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça
De carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
Do Éter nas róseas e áureas correntezas...

Cristais diluídos de clarões álacres,
Desejos, vibrações, ânsias, alentos,
Fulvas victórias, triunfantes acres,
Os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas
De amores vãos, tantálicos, doentios...
Fundas vermelhidões de velhas chagas
Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! Vivo e nervoso e quente e forte,
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,
Passe, cantando, ante o perfil medonho
E o tropel cabalístico da Morte...




Sinfonias do ocaso

Musselinosas como brumas diurnas
Descem do ocaso as sombras harmoniosas,
Sombras veladas e musselinosas
Para as profundas solidões noturnas.

Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
Os céus resplendem de sidéreas rosas,
Da Lua e das Estrelas majestosas
Iluminando a escuridão das furnas.

Ah! Por estes sinfônicos acasos
A terra exala aromas de áureos vasos,
Incensos de turíbulos divinos.

Os plenilúnios mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
Cítaras, harpas, bandolins, violinos...



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Fonte. O texto fonte e os poemas deste post estão em ABAURRE, Maria Luiza; PONTARRA, Marcela Nogueira; FADEL, Tatiana. Português:língua e literatura. São Paulo: Moderna, 2000.

Apenas meus poemas

terça-feira, 2 de junho de 2009



festa profana



ai ai do ser humano

depois de noites e noites de reza
hoje é dia de bingo na porta da capela -
daqui estou ouvindo gritarem as pedras

Intervalo

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Revista 7faces (II)


Um galo sozinho não tece a manhã: ele precisará de outros galos

João Cabral de Melo Neto



O caderno eletrônico que pretende reunir o maior número de expressões poéticas do Brasil já tem dado frutos; em menos de um mês lançado entre os contatos da minha caixa de emails pessoais e em saites outros de literatura, são inúmeros os emails que chegam a pedir informações acerca da ideia. Estes que batem a minha porta para pedir informações sobre, peço calma e tranquilidade que todos terão suas inquietações acalmadas. Para tanto, a estes, aos que leem este blogue ou que desavisadamente são aqui fisgados deixo matéria de que já está na rede uma página inteiramente dedicada a rede 7faces. Está no ar desde o último dia 13 de maio; lá constam as regulagens da ideia; e os interessados, devem fazer a leitura das tais regulagens e escrever para o meu e-mail pedro.letras@yahoo.com.br, que terá recebimento de uma ficha de inscrição e do modelo de declaração autoral para envio junto com os materiais de publicação. Os interessados podem ainda remeter imagens plásticas ou fotográficas de sua autoria para ilustração da revista.


O saite para acesso é o set7aces.blogspot.com/