Intervalo

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


O Novo romance de José Saramago


De acordo com carta escrita por Pilar Del Rìo e publicada no Blog da Fundação José Saramago que é oficial para outubro seu novo livro para leitura de todos os saramaguianos. O título dessa nova obra é Caim, protagonista principal. Certamente esse livro deverá se igualar ao já conhecido de nós O evangelho segundo Jesus Cristo, que no ano de sua publicação casou um verdadeiro celeuma por entre os discursos já oficializados.


Segundo Pilar Del Rìo, “Caim não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra." E emenda: "Este último romance de José Saramago, que não é muito extenso, nem poderia sê-lo porque necessitaríamos mais fôlego que o que temos para enfrentar-nos a ele, é literatura em estado puro. Dentro de pouco tempo podereis lê-lo em português, castelhano e catalão, e então vereis que não exagero, que não me move nenhum desordenado desejo ao recomendá-lo: faço-o com a mais absoluta subjectividade, porque com subjectividade lemos e vivemos."


Aguardemos, pois.

Intervalo

Das misérias humanas (ii)

Há algum tempo escrevi neste espaço uma nota breve sobre uma camelô que preferiu tirar troco para cinquenta centavos de uma nota de dez reais, só porque as moedas que eu tinha somava quarenta e cinco centavos e, logo, não inteirava os cinquenta para compra de um copo d´água. Parece que isso que na época eu classifiquei de miséria humana, mas entendo ser este tipo encaixado no título de morta-fome, ter virado moda. Desculpe-me se estou sendo frando, mas acho, particularmente, essas mesquinhezas a extremidade do absurdo. Pois não é que, novamente, um desses morta-fome inventa de atravessar meu caminho. Desta vez o fato se deu num supermercado: entrei às pressas para comprar um iorgute. No costume de sempre comprar aquele produto que cusa R$1,7, peguei-o e fui direto ao caixa. Ao contar minhas moedas dei de cara com R$1,6. Já sabem o que aconteceu... Simplesmente a caixa não me despachou a compra. Passei a ver isso como algo mais absurdo ainda do que aquele episódio da camelô, se entendo que, o lucro que ela tinha talvez fosse apenas aqueles cinco centavos de que ela fez-me questão. Mas num supermercado, em que vigora aquelas contagens do nove (1,99; 2,99; 3,99 e por aí vai) e aque agora vigora, para variar a do oito, a do sete, a do seis, (1,88; 1,78; 1,68) que enchem o rabo dos comerciantes, que ao fim do dia, do mês, do ano, paga todas as promoções bestas que eles propagandeiam e ainda sobra um caixa-dois, eu pergunto, onde está a vantagem em não vender um produto apenas por causa de dez centavos? Deixo a pergunta ao leitor, mas o que acho que esse triste País em que vivemos está assim porque, estamos entregues à uma lerdeza dos infernos e, não fazemos o nosso papel de, por exemplo, cobrar os centavos que eles enfiam no cu cada vez que compramos um produto qualquer.


minhas falas

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fogo Morto, um romance de decadências

por Pedro Fernandes

Confesso que estive certo tempo afastado dos romances brasileiros. Se a memória não me trai o último que eu lera havia sido Capitães da areia, de Jorge Amado, sobre o qual redigi um artigo, que por sinal, faz bem tocar no assunto, ainda me é inédito. Foi quando me debandei para a Literatura Portuguesa, mais especificamente, José Saramago. Com uma disciplina no Mestrado, tive de voltar a algumas lacunas de leitura da Literatura Brasileira. Recentemente li Fogo Morto, de José Lins do Rego. Não lera ainda nada desse autor, apesar dos comentários, algumas comunicações assistidas em congressos e do filme O engenho de Zé Lins. Me encantei pelos tipos de Zé Lins. Não há como isso não acontecer. Encamento que acho foi o mesmo de Antonio Candido quando fez a afirmativa, certa vez, que, Capitão Vitorino, o Papa-Rabo, era uma das personagens mais significativas da galeria de personas da ficção brasileira. E é mesmo. Todo aquele "desbocamento" e sangue quente que circula nas veias do nordestino estão impressos nas veias desse sujeito de tinta e papel. É, sem dúvidas, o que a crítica já tantas vezes disse, o Dom Quixote brasileiro, que na necessidade da honra, coisa tão vã desde sempre no Brasil, não mede esforços em defender seu compadre, o seleiro José Amaro, que foi enxotado do sítio onde vive, nos fundos do engenho do coronel Lula.

Fogo Morto me parece ser, a julgar pelo título, a reflexão duma leva de decadências, a começar pela mais visível, admitida pelo próprio Zé Lins, que foi o fim do ciclo dos engenhos no Nordeste brasileiro; é evidente que com este fim todo um outro conjunto de ciclos se vai desfazendo: uma economia, um modo de vida, que vai da fartura ao sustento com "ovos de galinha", lembrando de Amélia, mulher do Lula, que vai sustendo a casa enquanto pode, depois de o Santa Fé ir de mal a pior; também das relações familiares, centradas no esfacelamento de um patriarcalismo que ronda à beira do precipício. Basta reparar que em duas famílias das três retratadas, a do coronel Lula e a do seleiro Zé Amaro, é a figura da mulher que pelas frinchas toma pano para as mangas, principalmente nesta última em que a casa só se é povoada pela sombra lobisomem do seleiro, que a todo o tempo, pela raiva que nutre às fêmeas, age com impropérios; e, naquela primeira, em que os mimos de pai ultrapassa a barreira do zelo para o entendimento de uma relação de posse e desejo que beira ao incesto.

De uma beleza sensorial que nos faz sentir entre o meio rural dos engenhos de açúcar paraibanos, Fogo Morto certamente é, sem reduzir-se o caráter de obra de arte, um retrato vivo e fiel desse Nordeste que, se não fosse pelas mãos de Zé Lins, talvez passasse despercebido ao olhar da Literatura. E nisso reside o caráter maior dessa obra: é tomando do cenário local, comum ao próprio escritor, cenário até então isolado das lentes arrumadinhas do Centro-Sul do País, que Zé Lins, apesar de rotulado de regionalista, com mero nome didático dado por aqueles da crítica que têm uma ordem e um espaço a zelar, faz sua grande obra. Disso sabemos, mas sabemos também que se não fosse regionalistas com Zé Lins estaria boa parte do Brasil ainda às escuras do próprio olhar do País e, não só isso, estaria a Literatura Brasileira fadada ao fracasso, entendendo que, foi graças à leva de escritores de 30, da qual Zé faz parte, que a Literatura nossa vai se constituir enquanto tal frente às outras.



minhas falas

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ariano Suassuna, os encontros que não tive

por Pedro Fernandes

Ainda dia desses me surpreendi com uma amiga minha do mestrado que afirmou não saber quem era Ariano Suassuna. Mas, nem quando dos comerciais da Globo acerca do Auto da Compadecida, o filme, você ouviu falar, Da obra de Ariano Suassuna? Indaguei surpreso. Não. Respondeu ela. Fiz a pergunta porque todo mundo vê Globo e, a primeira vez que ouvi falar de Ariano, foi justamente quando do filme O auto da compadecida, obra homônima à peça de teatro, que mais tarde li. Também mais tarde daria de cara com A pedra do reino; belíssimo romance que li assim que me mudara para os quatro anos de faculdade em Mossoró. Depois acompanhei sua tradução para Tv.

Bom, desconhecimentos à parte - o que para mim ainda é uma grande surpresa - o Ariano esteve por ocasião da Feira do Livro de Mossoró, neste ano, encerrada semana passada, dia 06 de agosto. Ano passado, quando ainda morava em Mossoró, participei assiduamente do evento; os nomes que vieram não eram lá essas coisas. Mas, esse ano quando soube da programação e da vinda de Ariano, preparei-me para o momento. Infelizmente, nem tudo depende de nossas vontades. Não pude está em Mossoró. Também não pude está quando veio a Natal para uma daquelas suas famosas aula-espetáculo. Novamente imprevistos me aconteceram e novamente pude dá corda àquela frase que há meses expus no meu Orkut, "Por mais que a gente queira controlar o ritmo da vida, é vão, é o ritmo da vida que nos controla". Esperemos mais. Certamente deverão ocorrer outras oportunidades. O que espero é que não se repitam os imprevistos.


Alguns dos filmes brilhantes

terça-feira, 18 de agosto de 2009


17

O leopardo, Luchino Visconti

Decadência da aristocracia e ascensão da burguesia na visão de nobre comunista marcam refinado épico

Nascido em uma das famílias mais ricas da Itália, Luchino Visconti começou a carreira virando as costas para o berço aristocrático e abraçando sua grande paixão, a causa comunista. Seus primeiros títulos, primeiros dentro do movimento neo-realista italiano, possuem muitos dos ideais marxistas e exploram as dificuldades e os sonhos das classes baixas e operárias, caso de Obsessão (de 1942, adaptação não-creditada de O destino bate à sua porta, livro policial de James M. Cain), Belíssima (1951) e, notadamente, A terra treme (1948). Com Sedução da carne (1954), o cineasta começa a voltar seu olhar para a nobreza. Após Rocco e seus irmãos (1960), um retorno tardio à influência neo-realista, parte de vez para o estudo da aristocracia com O leopardo, baseado num romance do siciliano Giuseppe Tomasi Lampedusa. Na metade do século 19, o príncipe Don Fabrizio Salina (o americano Burt Lancaster), de uma família tradicional da Sicilia, testemunha os conflitos entre latifundiários e rebeldes pela unificação da Itália, liderados por Garibaldi (Giuliano Gemma). Seu envolvimento cresce quando seu próprio sobrinho, Tancredi Falconei (Alain Delon), adere à causa revolucionária. Don Fabrizio fica dividido, como aristocrata, deve manter lealdade a sua classe. Porém, ele se encanta com a determinação dos jovens e constata que a queda da nobreza é iminente, assim como a ascensão da burguesia - que pode não ter a mesma tradição, mas é muito mais produtiva e adequada aos novos tempos dominados pela indústria. A fusão entre as duas classes ocorre com o casamento entre Tancreli e a filha de um comerciante, Angelica (Claudia Cardinale, no auge de sua beleza). Visconti se identificava com o jovem e charmoso revoluvionário, que como ele, conciliou a herança familiar com os ideais de transformação.

Além do rigoroso tratamento histórico, o filme é um espetáculo com fotografia e figurino suntuosos (categoria vencedora do Oscar em 1964), além da música elegante de Nino Rota. A obra venceu a Palma de Ouro em Cannes, em 1963. O cineasta retomaria a temática do decadentismo em Veneza (1971), Ludwig (1972) e Violência e paixão (1974).


Revista BRAVO!, 2007, p. 38
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nota. Esta lista foi publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.

Alguns dos filmes brilhantes

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Literatura brasileira e cinema



Não é objetivo por em ordem pelo valor; esta lista é livre. Agrupam-se alguns filmes "literários" brasileiros, que valem a pena ser vistos:



Guerra de Canudos - Em 1893, Antônio Conselheiro e seus seguidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais aos olhos da recém República. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Estes fatos são vistos pela ótica de uma família, que tem opiniões conflitantes sobre Conselheiro; baseado no romance Os Sertões, de Euclides da Cunha.



Fogo Morto - O colono mestre José Amaro é expulso de suas terras aos fundos do engenho do petulante coronel Lula; pede ajuda aos cangaceiros para reaver o que é seu; destaque para o Papo-Rabo, o nosso dom Quixote. Baseado no romance de José Lins do Rego, aborda o problema do coronelismo e das lutas entre a polícia e o cangaço na região dos engenhos da Paraíba em 1910.


São Bernardo - A trama se baseia na vida de Paulo Honório rapaz de infância pobre, porém com grande habilidade em lidar com as dificuldade da vida, aliás, para ele tão centrado, nada parece ser uma dificuldade; Paulo Honório, que nasceu sem nada, acaba sendo um grande proprietário, um latifundiário. São Bernardo o livro, foi lançado em 1934, dois anos antes de Graciliano ser preso por ter ligação com o comunismo. São Bernardo é considerado como um dos melhores filmes produzido no Brasil na década de 70. É uma adaptação bem fiel do romance e com uma fotografia simples e arrojada.


Morte e vida severina - Morte e Vida Severina foi um teleteatro musical produzido pela TV Globo em 1981, dirigido por Walter Avancini, com versos de João Cabral de Melo Neto (de seu auto homônimo) e música de Chico Buarque. O musical aproveita parte do elenco do filme de 1977, de Zelito Vianna.

Vidas secas - Família de retirantes, Fabiano, Sinha Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia, que, pressionados pela seca, atravessam o sertão em busca de meios de sobrevivência; baseado na obra homônima de Graciliano Ramos.


Memórias do cárcere - A vida de Graciliano Ramos que, em 1936, ocupou o cargo público de diretor de instrução do estado de Alagoas e na fase do Estado Novo (1937-1945) foi preso por causa das suas convicções políticas estão neste filme, que expõe um período desagradável na história do Brasil dentro de uma perspectiva subjetiva.


Memórias póstumas de Brás Cubas - Após sua morte em 1869, Brás Cubas, disposto a se distrair um pouco na eternidade, decide narrar suas memórias e revisitar os fatos mais marcantes de sua vida. E adverte: "A franqueza é a primeira virtude de um defunto". É com desconcertante sinceridade que ele relembra sua infância, juventude, incidentes familiares e personagens marcantes, como o amigo Quincas Borba, que passa de mendigo a milionário. Fala ainda sobre sua formação acadêmica em Portugal e o discutível privilégio de nunca ter precisado trabalhar. Com a mesma franqueza, Brás Cubas convida o espectador a testemunhar sua tumultuada vida amorosa. Lembra o primeiro amor, a cortesã espanhola Marcela que amou-o por "15 meses e 11 contos de réis". O segundo, a jovem Eugênia, que “apesar de ser bonita, mancava. E sua grande paixão, Virgília, que acaba trocando-o pelo político Lobo Neves. Abordando o cotidiano ou acontecimentos nacionais, na vida ou na morte, Brás Cubas alterna ironia e amargura, melancolia e bom-humor sem perder a leveza. Em qualquer estado de espírito, ele nos surpreende pela irreverência e devastadora lucidez.



Os escritores

quarta-feira, 12 de agosto de 2009




Alphonsus de Guimaraens

Como a grande leva dos nossos das letras, Alphonsus Guimaraens foi do Direito. Por esta época já colaborava nos jornais Diário Mercantil, Comércio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S. Paulo e A Gazeta, outra característica de boa parte dos escritores. Em 1895, tornou-se promotor de Justiça em Conceição do Serro - MG e, a partir de 1906, Juiz em Mariana MG, de onde pouco sairia. Seu primeiro livro de poesia, Dona Mística, 1892/1894, foi publicado em 1899, ano em que também saiu o Setenário das Dores de Nossa Senhora. Câmara Ardente, cujos sonetos atestam o misticismo do poeta. Em 1902 publicou Kiriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Vimaraens. Sua Obra Completa seria publicada em 1960. Considerado um dos grandes nomes do Simbolismo, e por vezes o mais místico dos poetas brasileiros, Alphonsus de Guimaraens tratou em seus versos de amor, morte e religiosidade. A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.

Leia mais aqui.

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fonte. Jornal de poesia.

Intervalo

terça-feira, 11 de agosto de 2009


Os novos livros de Saramago



Depois de A viagem do elefante, lançado no fim do ano passado e depois de O caderno, lançado este ano, eis que se anuncia a nós saramaguianos mais dois livros do escritor português: um, mera especulação, deverá ser O caderno II com a continuação da coletânea de textos publicados no blogue pessoal do escritor; já o outro foi anunciado pelo próprio escritor em seu referido blogue pessoal, no dia 28 de julho, e parece ser algo que se aproxima da tônica do que foi O evangelho segunda Jesus Cristo (ver o post).

Intervalo

segunda-feira, 10 de agosto de 2009


O Arquivo Pessoa está online



A base de dados Arquivo Pessoa e o portal MultiPessoa estão disponíveis na internet. Com concepção e direção de Leonor Areal, este portal é a atualização do CD-ROM MultiPessoa - Labirinto Multimedia, co-editado em 1997 pela Texto Editora e pela Casa Fernando Pessoa. O projeto tem como patrono o Instituto de Estudos sobre o Modernismo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. A ideia de transpor para a Web aquilo que fazia parte do CD-ROM MultiPessoa editado nos anos 90 surgiu à investigadora pela dificuldade prática de se estar constantemente a atualizar um CD-ROM e por este já não se encontrar à venda.O Arquivo Pessoa (http://arquivopessoa.net/) é uma base de dados da maior parte da obra pessoana e tem capacidades de pesquisa de texto complexas. A recolha de textos para o projeto baseou-se nas edições principais da obra pessoana, mas não em todas. Estão lá as primeiras edições de cada obra e, em alguns casos, versões posteriores. A edição on-line, no estado atual, reproduz a base de dados editada em 1997 (a que já estava no CD-ROM). Em breve, diz a investigadora, serão atualizados alguns textos cujas versões corrigidas foram entretanto publicadas e serão também adicionados os inéditos publicados mais recentemente. “O objectivo é colocar on-line, e actualizar regularmente, toda a obra editada de Fernando Pessoa”, diz. Além de poemas de Pessoa e dos vários heterônimos podem ser consultados textos filosóficos, correspondência, textos de auto-análise, escritos ocultistas, etc. O portal MultiPessoa (http://multipessoa.net/) é “um instrumento didáctico”. Na seção Labirinto encontra-se uma seleção antológica de textos de Fernando Pessoa em 13 percursos temáticos organizados em hipertexto, através do qual o leitor pode navegar (Vida e Obra, Obra Pública, Ocultismo, Fausto e Portugal são alguns dos percursos possíveis). Mais tarde, além de ficheiros áudio, será incluída a sessão Pessoana, uma espécie de Wikipédia com citações de textos de crítica literária sobre Pessoa e ainda uma secção de vídeos e jogos.
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Fonte. ciberescritas.com

minhas falas

sexta-feira, 7 de agosto de 2009



É sabido que Portugal é o país das antologias, individuais, mas, principalmente coletivas. Apesar de toda modernidade, das facilidades de publicação, ainda é difícil dar o primeiro passo no mercado editorial, principalmente, quando nos derribamos para o terreno do financeiro: ainda custa caro publicar por conta própria e mais caro ainda investir numa carreira de escritor. São as antologias coletivas, portanto, a forma mais viável para tal inserção, fazendo jus a fórmula "a ajuda faz a força". Aqui no Brasil antologias é livro para estante de sebo, notei muitas abandonadas na poeira de alguns sebos por onde andei - o que é uma pena. Ainda não temos o espírito de coletividade necessária para acompanharmos a boa mania portuguesa. O motivo para constatação e para desabafo (tome essa nota mesmo como desabafo) está para além dessa constatação nas poeiras dos sebos, está na nota que acabo de ler no blogue do Jornal Trabuco; ela me é a prova cabal do que acabo de afirmar: são resultados como a obra Sarau, ideia de um caderno de poesia que ajudei a criar e a divulgar, aqui mesmo neste espaço, e que agora vê-se abortada, que contribui para a triste constatação. Novamente repito: é uma pena. Este projeto sequer passou às poeiras dos sebos. Isso não é decepção, mas a constatação triste de que, aos poucos, a modernidade tem conseguido fazer o que sempre quis, individualizarmos, a ponto de deixar os poetas ainda mais escusos, mas calados no seu canto, no canto da realidade.

Letras&Livros: clássicos

quinta-feira, 6 de agosto de 2009



Auto da barca do inferno
, Gil Vicente

Gil Vicente pode ser considerado um dos grandes gênios da Literatura Ocidental, de importância paralela a Shakespeare, Camões ou Homero. Não poderíamos falar de teatro em Portugal antes da obra vicentina. Suas peças são escritas dentro de um padrão de extrema autonomia, onde a galeria de personagens aborda todos os tipos da sociedade de seu tempo. Suas farsas fustigam desde o papa, o rei, o alto clero, até a mais baixa classe social, como a dos agiotas, a das alcoviteiras, a dos artesãos, entre tantos outras da vida. Auto da barca do inferno é uma dessas sátiras onde a caracterização cômica das personagens permeia o burlesco, tratanto de forma contundente a miséria humana, as prevaricações, o suborno, a corrupção, as glórias prometidades por Deus na vida eterna, tal qual hoje nos deparamos com situações semelhantes.

Alguns dos filmes brilhantes

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


16

Os sete samuarais, Akira Kurosawa

Acusado de dar as costas para sua cultura, nesta obra o cineasta mescla uma dinâmica de ação com uma tradição tipicamente japonesa

Na juventude, Akira Kurosawa desejava ser pintor. Incetivado pelo irmão mais velho, cinéfilo de carteirinha, e apaixonado pela produção americana (sobretudo a de seu ídolo John Ford), eneveredou pelos caminhos da Sétima Arte para não sair mais. O passado artístico, porém, nunca deixou de influenciar os métodos de trabalho do diretor: todos os seus longas foram concebidos por meio de um meticuloso trabalho de composição. Kurosawa fazia storyboards enormes em forma de quadros, levava meses filmando e utilizava no mínimo três câmeras para cada cena. Tanto esforço deu resultad0: tornou-se o mais respeitado cineasta japonês. Deixou marcas em obras tão distintas quanto os westerns de Sergio Leone, a saga de Guerra nas estrelas (1982-86) e os pontos de vista múltiplos de Quentin Tarantino (saídos de Rashomon, de 1950). Só sofreu a resistência em seu país natal, onde foi acusado (injustamente) de ser ocidentalizado.

Os sete samurais é seu trabalho mais marcante. A idéia da trama veio quando Kurosawa ouviu falar de uma vila que contratou samurais para defendê-la de constante saque de bandidos. No filme, é o mestre Kambei (Takashi Shimura) quem recruta outros seis guerreiros para proteger a aldeia. Vale prestar atenção no modo como que o diretor tece os contrastes de temperamento de cada samurai e explora sentimentos, como honra, motivação pessoal e a ambigüidade entre coragem e covardia. O personagem de Toshiro Mifune (colaraborador freqüente de Kurosawa), por exemplo, instiga por sua ânsia em virar guerreiro e, ao mesmo tempo, pelo medo de não dar conta da função.

O filme faturou o Leão de Prata no Festival de Veneza. Foi o período feliz para o cineasta, que obteve sucesso internacional com todos os seus trabalhos até 1965. A partir da década de 1970, com dificuldades para conseguir verbas, entrou em depressão e até tentou o suicídio. Akira Kurosawa teve, porém sua carreira salva por fãs como os diretores George Lucas e Francis Ford Copolla, que o ajudaram a buscar financiamento para Kagemusha (1980), Ran (1985) e Sonhos (1990). Uma espécie de justiça tardia para com o homem que começou inspirado pelo cinema ocidental mas acabou influciando-o sem perder o espírito oriental.


Revista BRAVO!, 2007, p. 37
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nota. Esta lista foi publicada ano passado pela Revista brasileira BRAVO! Essa lista é composta de 100 filmes. Para elaborar essa lista a revista tomou como base os resultados já consagrados nas escolhas de melhores de todos os tempos, como os do jornal The New York Times, das revistas Time, Sight&Sound e Cahiers du Cinema e do American Film Institute. À definição segundo o editorial da revista levou em consideração títulos que misturam o erudito e o popular, o sofisticado e comercial, o inventivo e o eficaz. Levou-se em consideração também o fato de estes filmes terem marcado época, por razões estéticas e de receptividade do público.