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Mostrando postagens de Setembro 18, 2009

Notas sobre “Três tristes tigres”, de Guillermo Cabrera Infante

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Por William T. Little


Três tristes tigres, um romance hispano-americano por antonomásia, exemplifica a dificuldade (se não a impossibilidade) de aplicar critérios críticos tradicionais a uma narrativa inovadora sem prejudicar sua própria integridade estética. Se Joyce logra exaltar o heroísmo humano dentro da vulgaridade mediante a mais circinal perfeição artística, e se Cortázar logra reconciliar a busca de valores absolutos dentro do caos metafísico com a técnica labiríntica, Cabrera Infante se propõe problematizar (mesmo sem aprofundar no modo habitual) o enredo das aparências superficiais da vida em Cuba. 
À primeira vista a pirotecnia linguística é a meta mais patente da obra. Mas, sem dúvidas, como Gargantua e Pantagruel, As viagens de Gulliver e Alice no país das maravilhas, Três tristes tigres é um romance humorístico de lances simbólicos. Além disso, estas quatro obras apresentam uma trajetória lógica do mundo gigantesco de Rabelais, passando pela alegoria política de Swift, a…