Metróplis, de Fritz Lang




Ficção futurista critica a exploração do operariado, que na trama vive no subterrâneo enquanto os chefes moram no alto

Apontar Metropólis como a primeira obra de ficção científica da história depende das delimitações que definem o gênero. Mais adequado seria considerá-lo uma "ficção de antecipação", que traça o futuro pessimista para a civilização. Feito em 1926, sua ação se passa no ano 2000.

Menos discutível é a influência que sua estética produziu nos filmes que lhe seguiram e é ainda patente, por exemplo, em Blade Runner (1982), de Ridley Scott, e em Minority Report - A nova lei (2002), de Steven Spielberg. A ideia de uma cidade futurista dividida rigidamente entre dominadores e dominados continua a ser inspiradora. A parte que cabia aos dominados, é uma ideia de mundo infernal no qual os homens, tratados genericamente como operários, executam tarefas desgastantes no subsolo, enquanto no andar superior os donos das fábricas se reservam o direito dos prazeres.

Marca do expressionismo alemão, o cenário construído acentua as formas geométricas e monumentais (reflexos da impressão que Lang teve dos arranha-céus de Nova York, em sua viagem aos Estados Unidos, um ano antes de dirigir o filme) e resultam, do mesmo modo, da sua formação, como arquiteto, antes de ingressar no cinema. O acento nas maquiagens, nas atuações e, em particular, no uso contrastado da iluminação reforçam os traços dessa estética típica do cinema germânico dos anos 1920.

A estrutura social bem estabelecida é abalada quando o dono das fábricas, John Fredseren (Alfred Abel), descobre que os operários utilizam as catacumbas da cidade para reuniões secretas. E resolve então trocar uma mulher, Maria (Brigitte Helm), cujas palavras de paz e esperança são ouvidas religiosamente pela população, por um robô exatamente igual a ela. A multidão antes apaziguada pelo discurso de Maria é agora levada à revolta violenta pelas palavras do robô.

O longa impressionou tanto a Hitler que Lang foi sondado para assumir a tarefa de gerir o cinema nazista. Nesse momento, o diretor alemão se exilou nos Estados Unidos onde permaneceu realizando filmes importantes e só retornou à Alemanha para trabalhar no fim dos anos de 1950.

Em 1984, Metropólis, ganhou uma versão musicada feita pelo compositor Giorgio Moroder.


* Revista Bravo!, 2007, p.46.

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