Quanto mais quente melhor, de Billy Wilder



Eleita a melhor de todos os tempos, comédia reúne dupla de homens travestidos e Marilyn Monroe em seu auge

Apesar de ter se tornado célebre pelo humor e ironia de sua obra, a carreira de Billy Wilder pode ser dividida entre títulos sérios - Pacto de sangue (1944), Farrapo humano (1945), Crepúsculo dos deuses (1950) - e comédias escrachadas - O pecado mora ao lado (1955), Se meu apartamento falasse (1960), Beija-me idiota (1964). O exemplo supremo do segundo grupo é Quanto mais quente melhor, considerado pelo próprio cineasta sua maior obra-prima. É também, ao lado de O pecado mora ao lado, o trabalho pelo qual Marilyn Monroe costuma ser mais lembrada, embora, durante as filmagens, ela estivesse vivendo sérios problemas pessoais que a levariam à morte poucos anos depois. Outro empecilho era sua enorme dificuldade em decorar diálogos. Foram necessários alguns malabarismos, como colocar frases em gavetas, para ela se lembrasse das falas.

Durante a Depressão, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) são músicos de jazz (uma paixão de juventude de Wilder) que testemunham acidentalmente uma execução em massa cometida por gângsteres. Para fugir dos mafiosos que os juraram de morte, eles se empregam em uma banda feminina que fará uma série de shows em hotel em Miami. Para isso, vestem-se de mulher e tornam-se Josephine (Curtis) e Daphne (Lemmon). Enquanto se desdobram para impedir que as garotas do grupo descubram a farsa, Joe/Josephine se apaixona por uma delas, a charmosa e beberrona Sugar Kane (Monroe).

Quanto mais quente melhor impressiona pelos diálogos sardônicos, escritos por Wilder em parceria com I. A. L. Diamond, seu segundo grande parceiro de texto (o outro foi Charles Brackett). A antológica cena final, em que Daphne é pedida em casamento pelo ricaço e, depois de revelar que é um homem, ouve que "ninguém é perfeito", foi escrita na noite anterior da gravação. Esta foi a primeira parceria entre o diretor e Jack Lemmon, que o cineasta viria a considerar o seu ator preferido e com quem trabalharia no ano seguinte em outro clássico, Se meu apartamento falasse. O filme foi indicado a seis Oscar em 1960 e premiado com o de Melhor Figurino em Preto-e-Branco. Em 2000, foi eleito a melhor comédia americana de todos os tempos pelo American Film Institute.

* Revista Bravo!, 2007, p.100

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