É proibido fumar, de Anna Muylaert

Por Pedro Fernandes

Baby (vivida pela atriz Glória Pires) e Max (vivido pelo cantor e compositor Paulo Miklos)

O filme é premiadíssimo e foi lançado no início de 2009. Mas o roteiro (uma crônica de amor bem arrumada com final que deixa a o trabalho do expectador), que também foi um dos oito prêmios que o filme recebeu no Festival de Cinema de Brasília, é, sem dúvidas, muito bom.

No centro da narrativa duas figuronas: Baby (vivida pela atriz Glória Pires) e Max (vivido pelo cantor e compositor Paulo Miklos - que, convenhamos, é quem tira parte do brilho desse filme). Anna Muylaert volta ao novamente ao tema das variações porque pode passar o dia-a-dia comum com a presença do acaso.

Baby é confinada no seu mundinho: o apartamento deixado pela mãe; vive de dar aulas de violão (em casa mesmo) e de comprar confusão com sua irmã Pop (vivida pela atriz Marisa Orth) por causa de um sofá herdado da tia.

Perpassado pelos cordões de fumaça do cigarro de Baby (que até tenta parar e entra para um grupo de auto-ajuda) a trama realmente se tece quando o mundinho dela é invadido pela presença de um estranho no pedaço, Max, que agora passa a ser seu vizinho, ou o elemento do acaso.

Os dois acabam por arrumar um relacionamento de uma cumplicidade ao ponto de encobrir aquilo que nos pareça mais absurdo. De certo modo, Baby é uma personagem capaz de arrastar os que por acaso decidirem se aventurar na sua teia.

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