Ben-Hur, de William Wyler



Ben-Hur é um filme grande sob todos os aspectos. Além das suas três horas e meia de duração, os números de produção impressionam ainda hoje. O orçamento total foi de US$15 milhões (o longa mais caro já feito, até então), e a bilheteria, de mais de US$70 milhões só nos Estados Unidos, tirou a MGM do buraco. Foram utilizados 100 mil figurinos e 300 sets construídos. A emblemática cena da corrida de bigas exemplifica o espírito grandioso: sua filmagem durou três meses e exigiu a presença de 8 mil extras em uma arena construída em um ano, ao custo de US$ 1 milhão.

Uma meticulosidade típica de William Wyler, por anos tido injustamente como um diretor sem personalidade; um artesão, não um autor. A história da vingança do escravo Ben-Hur (Charlton Heston, que ganhou o papel após a recusa de Burt Lancaster e Paul Newman) contra seu traidor e ex-amigo Messala (Stephen Boyd), cheia de referências bíblicas e à vida de Cristo, foi adaptada do romance homônimo do general americano Lew Wallace.

Até a versão final, 40 roteiros diferentes foram trabalhados (um dos roteiristas não-creditados é o escritor Gore Vidal). O filme detém até hoje o recorde de 11 estatuetas do Oscar, número só igualado por Titanic (1997) e pela terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis (2003). Entre os prêmios, o de Melhor Ator, Diretor, Fotografia, Montagem e Efeitos Especiais. Fora a influência que exerceu sobre praticamente todos os épicos feitos posteriormente, de Spartacus (1960) a Gladiador (2000).

* Revista Bravo!, 2007, p.104.

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