Sem destino, de Dennis Hopper e Peter Fonda



Bem ao gosto de grande parte da juventude americana dos anos 1960, Sem destino conta a história de dois motoqueiros, Billy (Dennis Hopper) e Wyatt (Peter Fonda), que cruzam o país em busca de liberdade. Ao som de Jimi Hendrix e Steppenwolf ("Born to be wild"), entre outros, e regada a aditivos químicos e sexo livre, a viagem dos dois se tornou símbolo do espírito hippie e de contracultura que marcaram a época.

A exibição do filme no Festival de Cannes de 1969 rendeu uma Palma de Ouro de Melhor Direitor Estreante para Dennis Hopper. Quanto ao sucesso de público, o orçamento relativamente baixo do longa (cerca de US$340 mil) obteve uma arrecadação mais de uma centena de vezes superior a seus custos. Além de Hopper e Fonda, Sem destino tem também atuação destacada de Jack Nicholson, no papel de George Hanson, um advogado alcoólatra que reluta em experimentar maconha, além de uma seqüência que se tornou memorável, com os personagens em delírio pela ação do LSD.

A boa recepção do público pode ser ainda interpretada como reconhecimento da rigidez moral, do preconceito, da violência e da hipocrisia que sustentavam a América. Houve também uma reação aguda da porção mais conservadora da sociedade, que viu, com razão, o retrato escancarado e negativo de seus sistemas de valores e comportamentos coexistindo com valores e comportamentos libertários, que desafiavam a integridade do seu modo de vida.

* Revista Bravo!, 2007, p.105

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