Princípe da Pérsia, de Mike Newell

Por Pedro Fernandes



Não é um filme. É um misto de cinema e videogame. Inspirado mesmo num jogo  de videogame criado por Jordan Mechner ainda na década de 1980, Príncipe da Pérsia não engana nem a gregos e nem a troianos essa sua raiz. As personagens estarão todas à beira de algum precipício, de alguma peripécia, em saltos e acrobacias que, ao vermos, mais parece estarmos diante de um daqueles filmes japoneses de artes marciais, embora pouco tenha de artes marciais por aqui, e não num filme épico - tom forçado que seus criadores quiseram imprimir. Entretanto, a direção do filme peca. E peca muito. Há um certo artificialismo que vai, como as toneladas de areia que rolam durante todo o filme, amarelecendo aquilo que chamamos de realidade da ficção. Na verdade, o caso é tão grave, que, até as interpretações dos atores soa como teatro infantil. É, entretanto, um filme de energia coreografada. Quanto a beleza estética e ao enredo, não é nada dos melhores. Não é um filme de cinema. Mas de DVD, em casa, naqueles momentos em que você não tem absolutamente nada para fazer. 

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