Um filme sobre a união de José Saramago e Pilar del Río


Saramago e Pilar (à direita), com a equipe do documentário José e Pilar (Foto: Arquivo pessoal. Fonte: G1)
Anunciado com o título de União Ibérica, prevaleceu, no entanto, a segunda opção de nome ao documentário que se propõe contar a vida a dois do escritor José Saramago e de sua companheira Pilar del Río: José e Pilar. Das 240 horas de filmagens, o resultado é um filme que tem duas horas de duração e traz momentos do cotidiano do escritor.

As filmagens foram feitas em vários pontos do mundo como Lisboa, Lanzarote, Madrid, Finlândia, México e Brasil. O filme é uma produção da produtora brasileira O2 Filmes, de Fernando Meirelles, com a espanhola El Deseo, de Pedro Almodóvar.

A boa notícia é que depois de mais de três anos, entre filmagens e montagens, temos data para vê-lo, isso para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir uma sessão especial exibida por ocasião da Bienal Internacional de São Paulo, em início do mês de agosto. Dia 14 de outubro o filme estará na abertura do festival DocLisboa e em 16 de novembro, data em que Saramago completaria 88 anos anos o filme chegará às salas de cinema.

Cena de José e Pilar. Saramago concentrado jogando Paciência no computador. Foto: Divulgação. Fonte: Folha Ilustrada

“Se eu tivesse morrido aos 63 anos antes de lhe ter conhecido, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”. É assim, a partir de uma bela declaração de amor de José Saramago à Pilar del Río, que o diretor português Miguel Gonçalves Mendes inicia o documentário. Os dois se conheceram em 1987 e, segundo Mendes, completavam-se. “Ela lhe deu uma segunda vida. Ela é lutadora, vive a batalha de mudar o mundo, enquanto ele era português: melancólico, sereno... Uma combinação perfeita”, resume o cineasta na entrevista para o Portal G1.

José e Pilar toma como ponto de partida a criação do penúltimo romance do escritor, A viagem do elefante, de 2008, e termina na viagem de divulgação dele no Brasil. Mas, como o título sugere, o filme é sobre José e Pilar que, de tão apaixonados, tiveram seus nomes escolhidos para batizar duas ruas que se cruzavam na cidade portuguesa de Azinhaga, terra natal de Saramago.

Ainda na referida entrevista ao G1, o diretor do documentário disse:  "Quero, sobretudo, que as pessoas os vejam como eu os vejo e partilhar com todos e de uma forma condensada o saber que eles possuem. Qual a sua visão do mundo e em que é que acreditam. No fundo quero que quem assista a este filme sinta que conheceu de uma forma muito íntima estas duas pessoas, que são brilhantes".

José e Pilar também relata a origem pobre de Saramago até os anos mais recentes, de agenda atribulada. Nas filmagens a saúde do escritor já estava muito debilitada - Saramago ao início de escrever A viagem do elefante acabara de sair de um estágio grave de coma, o que para o diretor Miguel Gonçalves, apontava para a certeza de que sequer o escritor terminasse de escrever a obra. Mas ele terminou. E não somente isso. Escreveu outro romance, Caim.

"Algumas pessoas dizem que José era um incendiário. Mas Saramago não era incendiário, era simplesmente lúcido! E tentou, dentro do possível, melhorar o mundo através do impacto que as suas opiniões podiam ter naqueles que as ouvissem. Ao contrário da arrogância que algumas pessoas afirmavam, ele será de uma doçura e simpatia incríveis. Para não falar no seu sentido de humor, que é brilhante. Mas, como dizia, ele não tinha culpa da cara que tinha”.

Vídeo 1 com um trailer do filme



Vídeo 2 com um segundo trailer do filme



* O texto aqui escrito foi composto com notas do texto "Documentário inédito conta história de amor entre Saramago e esposa",  de Gustavo Miller publicado no Portal G1. As imagens foram coletadas do Portal G1 e da Folha de São Paulo, Caderno Folha Ilustrada, conforme notificado nas legendas.


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