Feliz Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade tem um poema cujo o título é "Receita de ano novo". Trata-se de um poema que se utiliza, podemos assim dizer, das corriqueirices culturais que é muito em voga por esses dias 31/12-01/01, mas pelo seu lado oposto. Isto é, enquanto se alardeia os quatro cantos determinadas convenções para que tudo seja perfeito na virada de ano, Drummond, injeta-lhe uma voz contrária que tem por finalidade recuperar o real sentido da data.

Um ano novo há que ser feito a cada dia. Não apenas num dia só. Também não é o fato de que tudo passará a ser o oposto daquilo de ruim que vivemos no ano que finda. Se assim fosse, cada ano que entra seria mais perfeito do que todos os outros que o antecederam. No entanto, sabemos que é o contrário. Com o ideal de que o ano novo fazemos cada um, e que a diferença que cada um faz é capaz de reposicionar determinados apartheids sociais que têm se mostrado tão corriqueiro é que achamos por bem voltar ao poema de Drummond para reiterar os votos de Feliz Ano Novo.

Para baixar o cartão clica aqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Água viva, de Clarice Lispector

Pablo Neruda: o que não dá mais para ocultar

Quando Borges era Giorgie

Boletim Letras 360º #231

Salinger, um grupo de psicopatas e os do MKUltra

A filha perdida, de Elena Ferrante

Gostamos de causar danos (com o grande romance estadunidense)

Apontamentos sobre alguns textos curtos de Tolstói

Jane Austen: casamento e dinheiro

Boletim Letras 360º #232