Rever Os sertões, de Euclides da Cunha

Por Pedro Fernandes



Os sertões, de Euclides da Cunha, obra singular na Literatura brasileira suscitou uma leva de opiniões diversas tomando como foco a linguagem e a estruturação do texto. Como se sabe a obra tem uma linguagem marcadamente "técnica", com fortes traços "cientificistas" e apresenta-se dividida em três partes: "A terra", em que são descritos o espaço físico do sertão nordestino; "O homem", em que é feita uma análise sobre a formação social do sertanejo; e, por fim, "A luta", em que se desenvolvem os acontecimentos da guerra de Canudos. Em torno desses elementos formaram-se duas fortes correntes de opinião: uma preserva o caráter eminentemente científico da obra e não a coloca com obra literária e a outra corrente se define pelo seu caráter literário já que ela na sua totalidade dá contas de uma forma de construção textual cuja estética e o trabalho com a linguagem estiveram presentes.

Recentemente li um texto de autoria de Marcos Rogério Cordeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais, que colocando as duas correntes de pensamento em suspense instaura uma terceira via para o entendimento de Os sertões. Para o estudioso a articulação entre as três partes do livro é resultado de um trabalho engendrado por Euclides da Cunha cujo interesse está centrado no ajuste entre o plano da estruturação do texto e o  plano da forma: "a  intensidade narrativa como desdobramento estético da força expressiva da natureza". Ótima apreciação crítica a qual recomendo a sua leitura. O texto pode ser baixado (em versão PDF), aqui.


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