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Mostrando postagens de Janeiro 12, 2011

Encontros como Mia Couto

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Por Pedro Fernandes



Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns.

Mia Couto, O fio das missangas


É assim que uma das personagens narradoras finda "A despedideira", de O fio das missangas. Conheci Mia Couto sendo poeta com o livro Raiz de orvalho e outros poemas. E devo essa descoberta a uma amiga que, num desses congressos, tinha consigo uma leitura da poesia do escritor moçambicano. Li, daí alguns poemas; reencontrei outros depois, numa aula de literatura no mestrado e muito tempo depois encontrei com Terra sonâmbula, ainda o único e melhor romance do escritor. Tenho impressão de que, depois desse título dificilmente ele conseguirá escrever outro romance a altura; apesar de ser muito cedo para fazer essa afirmativa. Mas, o contato com outros romances seus permite-me essa previsão: Mia, diferente de escritores como José Saramago, por exemplo, é dos…