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Mostrando postagens de Março 29, 2011

Miacontear - O homem cadente

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Por Pedro Fernandes

Este é o segundo conto de O fio das missangas. Misto de sonho kafkiano, o conto dá contas de um fato insólito: Zuzé Neto, amigo do narrador, 'cisma' e de um hora para outra, já no início do conto, "está caindo". Vale dizer que a linguagem, nesse conto, é seu ponto de reflexão maior. Ao usar o 'caindo' como expressão de um fato e para uma forma verbal - cair - que,  pelo sentido que carrega, supostamente não lhe permite um gerúndio, o narrador acaba por ressaltar o poder demiúrgico da palavra. "Aquele gerúndio era um desmando nas graves leis da gravidade: quem cai já caiu" ¹ A palavra que rege o mundo e o constitui também é capaz de por em xeque as próprias leis fechadas das ciências exatas.
E Zuzé Neto flutua no ar, "como água real", em artes de aero-anjo". O fato é suficiente para instaurar o espaço inominado no centro dos interesses. Em torno da forma aero-angelical que se torna um evento discursivo se inaugura t…