terça-feira, 4 de outubro de 2011

João Almino



Não é tanto de praxe hoje, mas houve um tempo em que, para tornar-se escritor reconhecido, obrigatoriamente, o sujeito deveria largar sua terra de origem e descambar para o eixo Rio de Janeiro-São Paulo à cata de um lugar ao sol. Todo escritor era então desgarrado da sua terra. É verdade também que as razões para esse virar costas para a terra de origem são resquícios de um modo brasileiro e sobretudo potiguar – porque é ao estado do Rio Grande do Norte o lugar de imigração que eu estou aqui tomando em questão.

Conheço muito pouco de João Almino para dizer se ele foi um desses obrigados a desgarra-se para construir sua carreira literária. Pode ter sido, mas também sabemos, pelas recolhas bibliográficas que circulam na internet que escritor natural de Mossoró fez uma carreira promissora e à parte da carreira literária também toda ela fora de sua terra natal. Também não quero aqui dizer que todo escritor tenha de ser vegetal, nascer, criar, procriar e morrer na terra de nascença. Hoje, mais que em outros tempos, o tempo é trânsito. E todos, escritores ou não, se constituem naqueles mesmos nômades da Idade Primeira da humanidade.

Fato é que João Almino aparece nos jornais do estado agora em agosto devido ter ganho um dos importantes prêmios literários – não que o escritor não tenha ganho outros prêmios, sabemos que seu currículo é também povoado de premiações importantes, mas este é um dos mais importante: o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2011 de melhor romance publicado em língua portuguesa os últimos dois anos. E isso desbancando alguns nomes já carimbados da cena dos grandes prêmios.

João Almino é além de escritor, diplomata e tem uma carreira acadêmica ilustre. Cursou seu doutorado em Paris, tendo tido como orientador o filósofo Claude Lefort. Foi professor na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), na Universidade de Brasíla, no Instituto Rio Branco, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago. Nasceu em 1950, em Mossoró.

Sua obra transita – como se nota pelas duas carreiras principais que segue – em duas vertentes: a da prosa ficcional e da prosa não-ficcional. Na primeira publicou ainda em 1987, Ideias para onde passar o fim do mundo (indicado para o Prêmio Jabuti, ganhador de Prêmio do Instituto Nacional do Livro e do Prêmio Candango de Literatura); sete anos depois, Samba-enredo (Prêmio Casa de las Américas); em 2001, As cinco estações do amor; em 2008, O livro das emoções (finalista do 7º Prêmio Portugal Telecom de Literatura e finalista do 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura) e em 2010, Cidade Livre (o ganhador de 2011 do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura; o mesmo romance é finalista também no Prêmio Portugal Telecom de Literatura desse ano).

Já na segunda vertente, a da prosa não-ficcional, João Almino tem várias publicações das quais destaco Brasil-EUA, balanço poético, de 1997; Literatura brasileira e portuguesa ano 2000 – organizado em parceria com Arnaldo Saraiva; e O diabrete angélico e o pavão: enredo e amor possíveis em Brás Cubas, de 2009.

O escritor mantém uma página onde é possível ler te um tudo sobre a sua carreira além de ver alguns vídeos seus e fragmentos do livro premiado em agosto, Cidade Livre