O grande livro sobre a Mona Lisa



Leonardo Da Vinci começou a pintar a Mona Lisa em madeira 73cm x 73cm em 1503. Mona é abreviação de madonna. Lisa Gherardini, a Mona Lisa, nasceu em junho de 1479, e se casou com Francesco del Giocondo quando ela tinha ainda 16 anos e ele 19 a mais. Quando Da Vince a pintou já tinha seis filhos e um deles havia morrido. 

O retrato entrou para a coleção do Museu do Louvre em 1797, quando o museu completava quatro anos de sua abertura. Napoleão a levou para uma temporada em seu dormitório. E, até meados de 1800, essa não era a obra mais famosa do pintor italiano e sim A última ceia - a mais reproduzida.

A fama da Mona Lisa é uma criação romântica. A obra estava no lugar e no momento oportunos: a Paris do século XIX - um tempo burguês que se mirava no espelho de outro tempo burguês, o Renascimento. O suficiente para um tal de Théophile Gautier convertê-la em protótipo de mulher misteriosa.

Em agosto de 1911, Vicenzo Perugia, antigo empregado do Louvre, roubou o quadro. O ladrão preferiu quadro porque era pequeno e fácil de carregar. No terreno dos roubos, um que levou o quadro a entrar em definitivo para o rol dos mais importantes foi acusação feita de que Picasso e Apollinaire também terim roubado o quadro. A obra, entretanto, foi recuperada em Florença quando Perugia estava tentando vendê-la a um antiquário.

A obra tornou-se a mais reproduzida e parodiada, como nenhuma outra antes ou depois. Uma dessas cópias é a exibida no Museo do Prado. Em 2000 tornou-se, depois de uma enquete realizada na Itália, a pintura mais conhecida do mundo, mais até que Os girassóis, de Van Gogh, A primavera, de Botticelli e O grito, de Munch. 

A tela saiu do Louvre algumas vezes: em 1963, foi exibida em Nova York e Washington durante dois meses. Periódo suficiente para mais de 1,5 milhão de pessoas irem ver o quadro. Depois, em 1974, a tela foi exposta no Japão. Desde então, não saiu mais do Louvre, onde os visitantes passam em média 1min diante do quadro que é exposto através de uma vitrine especial protegido por vidros blindados.

Todas essas curiosidades são destrinçadas em Mona Lisa: The History of the World's Most Famous Painting, de Donald Sassoon (com tradução no Brasil pela Editora Record). Nascido no Cairo, discípulo de Eric Hobsbawn e professor em Londres, Sassoon explora minuciosamente o que fez da Monalisa o quadro mais famoso do mundo. 

Os livros sobre a Giocondo são todos biográficos. Vasari biografou o artista Da Vinci a partir do quadro; Freud e Paul Valéry escreveram ensaios sobre a figura; Charles Nicholl compôs umas das biografias mais completas e Martin Kemp alguns dos estudos mais sofisticados em torna da obra. Além disso, Roberto Zapperi relançou há alguns anos a teoria de que a Mona Lisa não era Lisa Gherardini, a mulher de Giocondo, e sim, Pacifica Brandani, amante de Giuliano de Medici.  Mas, o trabalho de Sasson apresenta-se como inovador porque não está preocupado com traços biográficos se não os do próprio quadro em si. O autor se preocupa em investigar as razões do fascínio pelo quadro de Leonardo da Vinci e mostra como o artista criou a obra e como artistas como Botero e Andy Warhol entre outros, assim como publicitários usam e abusam dela. No livro, há a uma análise das qualidades revolucionárias da obra do ponto de vista estético e trata das técnicas para a composição do sorriso enigmático.


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texto escrito tomando por base notas de El gran libro sobre la Gioconda, de Javier Rodríguez Marcos, publicado em Letra Pequeña.

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