Livros para crianças

Por Pedro Fernandes




O último dia 2, foi o Dia Mundial do Livro Infantil. No próximo dia 18, será o Dia Nacional.  Motivado pela pergunta, que livro infantil mais lhe representa sua infância, decidi por escrever esse post.

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Já disse em algures e por aqui devo ter feito o mesmo que  tornei-me leitor muito tarde. Já adolescente, para ser mais preciso. Lá em casa, quando era criança, o único livro que havia era a Bíblia e as únicas histórias infantis (que nem sei se eram tanto infantis assim) eram as contadas por meu pai à noite, sentados eu e ele no chão de tijolos à luz de lamparina. Essa imagem ficou obscura na minha cabeça e foi sendo reavivada quando escrevi para um congresso um texto que buscava uma leitura sobre a conturbada relação literatura e ensino. Talvez as histórias que meu pai contasse fossem, sim, autênticos livros para crianças porque nelas desfilavam uma gama de personagens grandiosas, como reis, princípes, rainhas, pessoas prodigiosas... E essas personagens não sei bem como eram desenhadas pela minha memória. De uma coisa posso ter certeza: não eram nenhum pouco parecidas com as da televisão porque esse objeto só veio ter lá por casa quando eu já estava adolescente formado. E eram histórias muito fortes. Dificilmente eu não tivesse com elas algum pesadelo no meu sono de mais tarde. Os pesadelos atuavam como a incorporação das histórias na minha vida pessoal. A luta travada com aquele monstro que sempre sempre vinha sentar-se com seu peso extremo sobre mim, a ponto de cortar-me a fala ou qualquer outro esforço, fez parte de meu universo infantil constantemente.

Depois das histórias de meu pai, foram chegando alguns livros didáticos escolares. Desses livros, eu aproveitava para ler as histórias aí correntes. E uma que li pela época e me impressionou muitíssimo foi a história do menino do dedo verde. Só mais tarde, depois de adulto, foi que soube que essa história era na verdade um condensado do livro do escritor francês Maurice Druon, escrito em 1957. E a versão em português mais famosa é de Dom Marcos Barbosa, um monge beneditino e padre católico, escritor e poeta, que também traduziu O pequeno príncipe. Essa informação muito me importante, porque agora entendo o motivo pelo qual o texto condensado que li se apresentava num livro de Ensino Religioso.

O menino do dedo verde conta a história de Tistu, um menino que nasceu e foi criado com todo o luxo que seus pais muito ricos podiam lhe dar. Detalhe: os pais de Tistu eram donos de uma fábrica de armas. Tistu morava na mansão "Casa-que-Brilha" e tinha todos os criados a lhe servir no que necessitasse. Feito oito anos, seus pais decidem por levar o filho a conhecer as coisas da vida e a prepará-lo para assumir, no futuro, os negócios da família. Mas, ainda no início das aulas, o menino é expulso do colégio por dormir durante as aulas. Os pais de Tistu decidem, então, que a educação do menino se fará em casa, sem livros, através de suas próprias experiências e observações. Na nova fase de aprendizado, já no primeiro dia de sua aula, Tistu descobre ter um dom excepcional: ele tem o dedo verde, isto é, basta um toque de seu polegar para que surjam plantas e flores onde quer que ele encoste. 

O que livro acresce ao texto que li é que as aulas de Tistu prosseguem. Vem professores com o Senhor dos Trovões, que é quando o menino toma conhecimento da violência urbana e conhece a infelicidade e a tristeza. E daí, inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde a começar pela cidade onde mora, Mirapólvora.

Com as aulas do Senhor Trovões, ele entra em contato com a violência urbana cotidiana e conhece a infelicidade e a tristeza. Inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde, começando pela cidade onde mora, Mirapólvora.

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