F Scott Fitzgerald




É possível que F Scott Fitzgerald tenha ficado mais conhecido entre o público mais popular brasileiro com o conto “O curioso caso de Benjamin Button”, que foi levado às telas do cinema, em 2008, e foi um dos filmes bem cotados na premiação do Oscar no ano seguinte. No conto, a personagem de Benjamin Button nasce um ‘bebê-velho’ e com o passar do tempo, ao invés de envelhecer da forma natural, ele rejuvenesce. Para o ano vindouro, o cinema se prepara para receber mais uma adaptação de sua obra: O grande Gatsby. Na verdade, uma readaptação, já que o romance passou por quatro adaptações, uma delas, a mais famosa, em 1974, sob a direção de Jack Clayton com Mia Farrow e Robert Redford nos papéis principais e roteiro de Francis Ford Coppola.

Mas, F Scott Fitzgerald não foi um autor para o cinema (sabemos que chegou a fazer algumas roteirizações e somente). É sim um dos grandes escritores estadunidenses do século XX. Escreveu durante um dos períodos mais frenéticos e conturbados da história dos Estados Unidos, refletido o bastante no apogeu de um gênero musical que teve o seu mais produtivo período, a Era do Jazz. Se o escritor aparece nos anos 1920, auge da prosperidade econômica do país, também alcança o fim da década com a crise brutal de 1929. Fitzgerald terá feito da chamada geração perdida da literatura de seu tempo uma revisão de nomes e propostas literárias ao se inserir como forte cronista do modo de vida estadunidense.

Cena de O grande Gatsby, de Jack Clayton, 1974.

Para Marcos Soares, “seus romances e contos estão repletos de imagens da vida reluzente e meio autodestrutiva das festas luxuosas, verdadeiras orgias de consumo e extravagância onde as elites americanas davam provas de sua afluência, aparentemente infindável.” Segundo o professor, a própria biografia de Fitzgerald “encarna a trajetória do sonho americano no qual se acreditava antes da Depressão”.

Nascido no interior dos Estados Unidos, no estado de Minnesota, Fitzgerald alista-se como soldado voluntário na Primeira Guerra Mundial. Frequentou a Universidade de Princenton, mas não chegou a concluir o curso superior. Com muita popularidade por onde passou e com uma leva de menininhas e amores na cabeça e os primeiros rascunhos de um romance, acabada a guerra, ele vai a Nova York, coração do seu país e lugar para onde iam muitos 'tentar a vida', em busca de financiamento para esses papeis que eram na verdade um romance frustrado pela falta de dinheiro; era seu primeiro livro, Este lado do paraíso. Uma vez publicado, torna-se logo Best-Seller e o reconhecimento entre os mais sofisticados de seu tempo; é quando conhece Zelda, a que lhe incluiria, segundo os biógrafos, um componente trágico na sua vida: um casamento conturbado pelo excesso da mídia que viam no casal a encarnação do novo protótipo social estadunidense; o alcoolismo de Scott e sua instabilidade psicológica, tudo terá levado Zelda a uma série de problemas a ponto de ser internada num sanatório, ainda em 1930, com acentuado quadro de esquizofrenia.

Zelda e F Scott Fitzgerald. © Hulton Arquive/ Getty Images

A experiência do mundo dos ricos e do fervor daquela sociedade do alto consumo serviria a Fitzgerald para a atmosfera de seus contos em Seis contos da Era do Jazz. Depois, se seguiram Os belos e malditos e O grande Gatsby, lido pela crítica com um dos melhores romances da literatura produzida nos Estados Unidos. Todo o sucesso que os Fitzgeralds cumpriram com seus trabalhos - Zelda publicaria, enquanto ainda internada na clínica Towson, em Maryland, um romance (Essa valsa é minha) que junto com Suave é a noite do marido, compõem dois contrastantes retratos desse casamento conturbado -, eram-lhe insuficiente. F Scott viu-se escravo das revistas e jornais comerciais vendendo seus trabalhos para completar renda e depois os próprios direitos autorias para estúdios de Hollywood, para onde se mudou, depois ainda de passar um certo período em Paris e depois das internações de Zelda.

Com a saúde debilitada pelo alcoolismo, Fitzgerald morreu aos 40 anos e deixou um romance publicado postumamente, O último magnata que é o retrato do importante executivo de Hollywood Irving Thalberg. 


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