Mário de Andrade desenhista



Todos conhecem Mário de Andrade com um dos mentores da Semana de Arte Moderna, evento realizado em 1922 e que fecha, neste ano, seus noventa bem vividos anos. Alguns também conhecem a sua poesia. Mas, o Mário foi mais que isso, foi o romancista (quem não lembra do herói sem caráter Macunaíma?), foi o teatrólogo, o crítico de arte, o musicólogo, o fotógrafo... Entre 1927 e 1928 realizou ensaios fotográficos nas regiões Norte e Nordeste que serviram de base para o livro póstumo publicado em 1993 pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB), Mário de Andrade – fotógrafo e turista aprendiz. Foi o criador dos acervos fotográficos do Departamento de Cultura de São Paulo e do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O exercício nesse território das artes plásticas permanece na altura em que ocupou estes cargos públicos e em 1935, no espaço dos Parques Infantis, criados para as crianças filhas do operariado paulistano, montou um concurso de desenho para as crianças que frequentavam os parques do Ipiranga, da Lapa e o D Pedro e para as que iam à Biblioteca Municipal. Márcia Gobbi, pesquisadora do IEB organizou, não tem muito tempo, uma exposição com estes desenhos e mais de 49 desenhos do próprio escritor que, teria começado a desenhar também quando criança e aperfeiçoado a paixão quando na vida adulta, se aproximou de Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral.

Sobre o tema, na Universidade de Campinas (Unicamp), a própria Márcia desenvolveu sua tese de doutorado tomando como corpus parte desses desenhos propostos e feitos por Mário entendendo que neste trabalho resida uma valorização das manifestações infantis e a busca pelo espírito cultural do povo, que terá levado o escritor ao um ser itinerante país afora, além de um estágio do exercício imaginativo do autor. Mais tarde a tese virou livro: Desenhos de outrora, desenhos de agora – Mário de Andrade colecionador de desenhos e desenhista.

Abaixo, fizemos um curto recorte com alguns desenhos do escritor, disponíveis no acervo on-line do IEB.







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Inferno provisório, de Luiz Ruffato

L’amour, de Michael Haneke

A religiosidade clandestina de Hermann Hesse

O Bovarismo como pedra de toque na obra de Lima Barreto

Rupi Kaur: poeta reconcilia o passado das mulheres indianas e transforma sua dor em tema universal

Como alguém se transforma num escritor? Dez notas sobre o primeiro livro

Entre a interdição e a plenitude: treze livros para o Orgulho Gay

Clara dos Anjos: a chaga dos anos 20

O progresso do amor, de Alice Munro

Apontamentos sobre alguns textos curtos de Tolstói