O desfecho da novela Kafka

Max Brod e Franz Kafka


No último dia 15, postamos em nossa página no Facebook, um link que dava nota do desfecho, enfim, do caso Franz Kafka que vimos acompanhando por aqui no Letras. A história que bem poderia servir de mote para uma novela kafkiana (leia mais aqui) e é até possível que haja mesmo alguém recolhendo material para algo do tipo, teve seu fim depois da decisão da corte israelense. Em questão estava parte do espólio que do autor de A metamorfose deixara com seu amigo Max Brod sob a incumbência de que seria feito cinzas, coisa que já sabemos, Brod não fez. Brigavam a Biblioteca Nacional de Israel e Eva Hoffe, já que a irmã outra parte envolvida no caso morreu sem ver o fim da questão.

A decisão tomada pela Corte de Família de Tel Aviv é que a coleção em posse das Hoffe deve ser transferida de imediato para a Biblioteca em Jerusalém, que era este um dos desejos apontados em carta de testamento de Brod. Nos arquivos estão um diário pessoal do amigo de Kafka, alguns escritos (talvez inéditos de Kafka) e um conjunto de correspondências que dois trocaram por longa data e que poderá, no futuro, esclarecer detalhes mais específicos sobre sua obra. A decisão é final, uma vez que este resultado é já da recorreção feita por Eva da mesma conclusão apresentada pela Corte israelita.

Franz Kafka em Praga, 1920.

Do espólio deixado por Kafka com Brod é que hoje temos conhecimento de obras como O processo, O castelo e Amerika. Com a decisão agora tomada, a expectativa é que novos textos possam vir à tona o quanto antes, mesmo sabendo que a maior parte dos arquivos é de Brod e não de Kafka, mas a soma de cerca de 40 mil páginas, certamente, servirão para uma revisão acurada da obra kafkiana. Evidente que não virá desse achado nada que revolucione, tal como foi A metamorfose, mas elementos que comporiam as influências do autor, por exemplo, seriam bem-vindos entre os pesquisadores. As irmãs Hoffe ainda receberão os direitos por qualquer publicação que venha futuramente desse espólio. A decisão ainda vai passar pela Suprema Corte de Israel.

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