Uma edição dos "Cadernos de Literatura Brasileira" para Drummond

Por Pedro Fernandes


Posso está totalmente tomado apenas pela visão de alguém imerso no universo literário e, logo, um tanto quanto distante do comum, mas sei que a passagem dos 110 anos de Carlos Drummond feita há cinco dias assinalou um momento importante para o obra do  autor no cenário brasileiro; é evidente que há ainda um longo trajeto a ser percorrido.

Entre ser integralmente – ou quase – reconhecido pelos pares e depois pelos leitores, ainda mais num país de tão poucos e fracos leitores, há uma diferença enorme. E parecer ser mesmo verdade que esse integralismo nunca deverá acontecer porque não tenho conhecimento, e quero está enganado sobre isso, de um escritor que seja unanimidade nacional.

Mas, o reconhecimento entre os do universo literário já será grande coisa, se pensarmos na quantidade de anônimos capazes de receber desse universo igual reconhecimento que alcançou um Carlos Drummond de Andrade. Não é mérito meu fazer agora uma discussão sobre cânone, porque sei que, decisões políticas à parte, estou num território em que uma coisas tem igual importância: há que ter realmente talento para merecer reconhecimento e permanecer no topo. E aqui abro um curto parêntese para dizer do perigo que é está no topo que é o de não ser lido como deveria, uma vez ser de conhecimento de todos as conveniências.

Mas, essa introdução um tanto estendida vem para falar de mais uma ação que aconteceu ainda na passagem dos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade: o poeta tornou-se, agora, um dos protagonistas para os famosos Cadernos de Literatura Brasileira, uma publicação do Instituto Moreira Salles, que chega à sua 27ª edição depois de visitar nomes como os de Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha etc. Alguns já disponibilizados on-line, por aqui.

Desde que surgiram, os Cadernos perseguem o objetivo de oferecer a pesquisadores e interessados em literatura uma perspectiva aberta e simultaneamente tradicional de importantes figuras para as letras brasileiras. Na edição em homenagem a Carlos Drummond de Andrade, organizada por Rodrigo Villela, a trajetória do poeta vem ilustrada nas seções “Memória seletiva”, uma cronologia organizada por Eduardo Coelho, “Guia”, uma bibliografia passava acerca da obra drummondiana compilada e organizada por Eduardo Sterzi e “Drummond por ele mesmo”, reunindo declarações assinadas pelo próprio poeta em entrevistas e livros e que foram pinçadas por Michel Laub.




Além dos ensaios, que aí são escritos por nomes como Humberto Werneck, Silvano Santiago, Eucanaã Ferraz e Ferreira Gullar, os Cadernos trazem um ensaio fotográfico sobre Itabira, Belo Horizonte e Rio, e uma série de datiloscritos para poemas, como “Carta a Stalingrado” – texto escrito em 1942 e publicado depois em A rosa do povo (1945) e um dos pontos altos da poesia engajada de Drummond dando contas da batalha mais sangrenta da Segunda Guerra Mundial – e “Nota social”, um poema escrito em 1923 para a seção “Sociais” do jornal Diário de Minas, onde o poeta começou a trabalhar em 1921 e que depois veio integrar seu primeiro livro, o Alguma poesia, publicado em 1930. E ainda um raro manuscrito de um texto feito em 1911, aos 9 anos; raro não apenas pelo tempo, mas pela forma: como terá notado o blog Prosa on-line, de onde coleto estas informações, "apesar de sua impressionante produção, o número de originais é muito reduzido. Os que permaneceram não são de trabalho, mas cópias, e os datiloscritos geralmente são versões enviadas à editora, para publicação."



As informações são do blog Prosa on-line, bem como a reprodução dos datiloscritos.

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