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Mostrando postagens de Fevereiro 1, 2012

Fazes-me falta, de Inês Pedrosa

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Por Pedro Fernandes


Nada é tão contemporâneo quanto a liquidez (que diga Bauman) dos relacionamentos. Nada é tão caro à literatura quanto temas como a morte. E à literatura portuguesa como a saudade. Palavra essa, aliás, sem tradução direta para outro idioma. Pois são sobre esses três temas principais que Fazes-me falta, de Inês Pedrosa, publicado em 2002, em Portugal, pela Dom Quixote, e em 2010, pela Alfaguara, no Brasil, melhor tratam.
Um dos temas, o primeiro, poderá não ser notado logo à primeira vista, ou mesmo numa leitura rápida do romance. Afinal, o que aí se encena é uma ligação amorosa que sobrevive à conta-gotas da saudade, num fim interposto pela morte. Mas, o exacerbado apego porque a personagem masculina vai demonstrando ao longo do livro parece se guiar por uma incapacidade afetiva, ou por um sentido de culpa, que parece ter posto fim o amor ou não tê-lo vivido com plenitude ou exacerbada plenitude. Está aí um homem mais velho que se sente viúvo mesmo nunca tendo firma…