segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Asymptote" e Flávio Araújo



A web é, cada vez mais, o lugar onde mais proliferam invenções literárias. Se antes da existência da internet os escritores ou aspirantes a se punham a engavetar papeis, agora, muitas dessas gavetas estão abertas por aí. Às vezes abertas só para um pequeno e afetuoso público, muitas outras para um público sem tamanho, o suficiente para despertar nos grandes conglomerados editoriais o interesse em transformar toda essa parafernália digital em papel. 

Descubro recentemente mais uma dessas gavetas que como o Letras in.verso e re.verso anda a buscar pessoas talentosas para si, do modo como faz o caderno-revista 7faces. Asymptote. É este o nome do lugar. Ao modo do periódico nascido daqui, Asymptote se apresenta como uma revista internacional dedicada à tradução literária e a reunir em um só lugar o melhor da escrita contemporânea. "Estamos interessados ​​em encontros entre as línguas e as conseqüências desses encontros." Asymptote é o nome dado à linha pontilhada no gráfico de uma função matemática que pode tender para, mas nunca chegar. 

Embora uma tradução nunca possa substituir integralmente o original, Asymptote baseia-se pelo princípio de George Bernard Shaw: "Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã e nós trocamos as maçãs, então ainda cada um tem uma maçã. Mas se você tem uma ideia e eu tenho uma idéia e nós trocamos essas ideias, então cada um de nós terá duas ideias." Segundo o editorial "as obras imateriais de arte (poemas, contos, etc.) têm o potencial de afetar milhões de pessoas uma vez que ao contrário maçãs, elas estão livre do problema da escassez de ideias (Lewis Hyde)." E acrescenta "O valor da tradução é que desencadeia a partir de ideias emoções a um vasto mar de outros pessoas que não têm acesso à língua em que essas idéias e emoções residem."

Asymptote publica poesia, ficção, drama, artes plásticas, crítica, entrevistas e... Flávio Araújo. Traduzido para o inglês por Rachel Morgenstern-Clarren, pós-graduanda pela Universidade de Colúmbia, a edição de abril, a de número 12, traz poemas de Zangareio publicação em conjunto com o poeta pelo selo OFF FLIP, de 2008. Flávio Araújo publicou na terceira edição do caderno-revista 7faces, vinda ao lume em meados de 2011.

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Nunca é demais lembrar que a recolha de materiais para o 5º número do caderno-revista 7faces está aberta até o próximo dia 31 de maio. O periódico recebe contribuições de poesia e artes plásticas e cada autor deve se guiar por um regulamento específico. Outras informações sobre, estão disponíveis na página do caderno-revista.

Ligações a esta post:
Para ler Flávio Araújo na segunda edição do caderno-revista 7faces, basta acessar aqui.

Para ler Flávio Araújo em Asymptote, acessa aqui.

Livro é objeto-sujeito


Pormenor de O bibliotecário (1562). Oléo sobre tela. 91x71cm. Giuseppe Arcimboldo

Acho que não é mais necessário falar sobre o legado insofismável dos livros. Sim, eles mesmos que não de hoje, mas hoje é dia, têm data comemorativa mundial. Data controversa porque, quando se criam dias para, eles servem para quê? Para não deixar que a coisa ou fato comemorado caia no esquecimento. Essa deve ser a primeira resposta que vem a cabeça de todos que forem confrontados com a pergunta. E a resposta é verdadeira; tanto que o difícil é ter de explicar por outro caminho. Não me darei ao trabalho de fazer esse outro caminho possível. Tais datas existem para isso e pronto. Já têm quando de sua criação suas necessidades desenhadas e muito se comenta o porquê de ter escolhido a tal altura um dia específico em que se deseja que uma determinada coisa ou fato seja longamente lembrado para que tenha também longa vida.

Quero apenas dizer que, além de um legado sem palavras o livro, concretiza em si a melhor forma de vencimento da vida sobre a morte. Por ele, é possível olhar o que se passa no mundo ou nas almas, observar o já visto para ver o porvir. Ele é espaço no qual transitamos e compomos nesses trajetos um movimento que ensaia a nossa própria existência. 

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Num Dia Mundial do Livro quero anunciar, por fim, que meu livro em breve estará disponível para aquisição. Intitulado inicialmente de Retratos para a construção da identidade feminina na prosa de José Saramago einicialmente anunciado que teria a CRV Editora como espaço para concretização da ideia, os rumos tomados foram outros. Submetia o manuscrito a uma cuidadosa revisão minha quando se atravessou em meu caminho a proposta da Editora Appris. Novamente enviado ao comitê científico, o manuscrito foi aceite e será essa editora a que comercializará, até o fim do semestre para início do próximo, o livro que até agora atende pelo nome Retratos para construção do feminino na prosa de José Saramago. Assinei o contrato editorial esta semana e estão trabalhando agora na editoração e elaboração dos designers de capa. Esse livro é objeto-sujeito de meu trabalho de pesquisa durante o Mestrado em Letras.

Os leitores de Letras in.verso e re.verso estarão a par, de agora em diante, de todas e quaisquer novidades em torno da ideia.

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PS.: Fica lembrado. O Dia Mundial do Livro foi instituído em 1995 pela Unesco. Homegeia-se a imortalidade de Cervantes e Shakespeare, falecidos no dia 23 de abril. A ideia se inspira no costume catalão de, nesse dia, se oferecer uma rosa a quem compra um livro.