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Mostrando postagens de Setembro 14, 2012

Diagramas do humano constelam Ceará Mirim

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Por Márcio de Lima Dantas
Uma assinatura escritural
Walter Benjamin, no ensaio “A imagem de Marcel Proust”, relembra que todas as grandes obras literárias ou inauguram um gênero ou o ultrapassam. Esse caráter de excepcionalidade de um texto adequa-se muito bem a um nosso arremedo de classificação dos textos que compõem o livro O Céu do Ceará-Mirim. Tal fusão de gêneros diversos já havia se manifestada no livro O Spleen de Natal, no qual poucas vezes a linguagem advinda do jornalismo, tradicionalmente vinculada à função referencial da linguagem, adquiriu, por meio de vários artifícios estilísticos, uma dimensão estética consubstanciada em uma dicção que ostensivamente (e naturalmente) faz irromper a função poética da linguagem, que, em certas passagens de alguns capítulos, passa a ser a dominante.
Com efeito, aqui neste livro, é quase impossível não detectar um modo pertencente ao sistema literário: memorialística, crônica, poesia, autobiografia, confissões, ou reflexões de cariz íntimo…

Aliyah, de Élie Wajeman

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Por Pedro Fernandes


Quem nunca terá sido tomado pela ideia do fracasso e que as coisas não se passam bem em determinado lugar e que o futuro é bem longe de tudo? Todos já terão, em algum momento das suas vidas, dito a singular frase de que gostaria mesmo de está numa ilha, onde não pudesse ser visto por ninguém, num total anonimato. O sentimento existencialista que, em sua boa parte, não provoca outra reação se não a de permanecer onde estamos e, o muito que fizermos, será ir a uma festa, ler um livro, ver um filme para supri-lo, ganha motivação quando, externamente, a sua situação não é tão desajustada quando o sentido de pertença. Noutros casos não há necessidade nenhuma de ter crise de pertença, é sim, a tal situação externa que lhe obriga uma tomada de rumo.
Em Aliyah, Élie Wajeman explora minuciosamente o último caso colocando em cena a personagem de Alex, um jovem parisiense de 27 anos que, sentindo-se inútil com a vida que leva, decide, depois de uma conversa com um primo, lar…