Áudio raro em que Oscar Wilde recita fragmento de um de seus textos




Dos escritores estrangeiros Oscar Wilde é a Clarice Lispector ou Caio Fernando Abreu no Brasil em citações indevidas na web. Já até comentamos por aqui sobre o que achamos dessa avalanche de pedaços de escrita atribuídas; logo, não será sobre isso que esta postagem irá tratar. Mas, de um verdadeiro achado nessa mesma rede que atribui vozes indevidas ao escritor irlandês.

Trata-se de um único registro em áudio do escritor que temos conhecimento. A gravação foi feito em 1897 e sua descoberta se deu pela curiosidade de um leitor e admirador de Wilde que disponibilizou na rede ainda em agosto de 2012 no Open Culture.

No áudio, Wilde lê um fragmento de seu poema The ballad of Reading gaol - traduzido para o português como A balada do cárcere de Reading. Apesar de alguns apostarem que o poema tenha sido escrito ainda na prisão juntamente com A alma do homem sob o socialismo, o mais provável é que o escritor tenha escrito na França em maio do mesmo ano em que foi feita a gravação.

Na ocasião, Wilde já cumprira os dois anos de prisão e trabalhos forçados a que fora condenado sob acusação da família do lord Alfred Douglas de crimes de natureza sexual; como se sabe, o poeta teve seu envolvimento com o jovem e na época a homossexualidade era tida como crime como foi até a década de 1960. Depois do escândalo que acabou com a reputação que carregava no ambiente aristocrático, o poeta se exilou em Paris, onde viveu até sua morte em novembro de 1900.

The ballad of Reading goal foi inspirado em parte pelo enforcamento em julho de 1896 de um companheiro de prisão, o soldado da Royal Horse Guards Charles Thomas Wooldridge, a quem o poema foi dedicado. Charles já cumprira boa parte da pena a que foi condenado pelo assassinato da esposa. Sabe-se que o enforcamento teve um efeito profundo sobre Wilde: "The man had killed the thing he loved,/And so he had to die."

O poema de Wilde foi publicado inicialmente por Leonard Smithers em 1898 identificado com o código "C.3.3"; tal código assinala o lugar onde o escritor este preso: bloco C, corredor 3, cela 3. O texto ficou desconhecido como sendo de Wilde até pelo menos metade do ano seguinte.

O vídeo raro distingue para os ouvidos dos leitores e fãs do poeta o som e timbre da sua voz. Indo por aqui é possível ler na íntegra (em inglês) as duas versões para o poema.




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