Fiama Hasse Pais Brandão



Não lembro exatamente qual a primeira vez que ouvi falar da poeta portuguesa Fiama Hasse Pais Brandão; não foi, antecipo, numa dessas aulas de Literatura Portuguesa quando aluno do curso de Letras. Se por lá, na época, nem se falava sobre José Saramago, já mundialmente famoso depois de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, quanto mais o nome de uma poeta. Mas, vou atribuir novamente ao meu espírito de curioso. E depois que me debandei mesmo a ler alguma coisa da literatura do país de Camões terá sido nessas incursões que me apareceu o seu nome, certamente. E para que não a ignorância não ultrapasse os limites de onde já está, é que sai estas linhas breves sobre o perfil de Fiama, que, no passado 19 de janeiro, fecharam-se seis de sua morte.

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Nasceu em Lisboa, em agosto de 1938, e apesar de se destacar na poesia e no teatro, foi também ensaísta e tradutora – nesta última profissão verteu para o português obras de autores como John Updike, Bertold Brecht, Antonin Artaud, Novalis, Anton Tchekov.

Frequentou até o terceiro ano o curso em Filologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, lugar onde se iniciou também nas artes; por exemplo, foi ela quem em conjunto com outros, como o poeta Gastão Cruz com quem esteve casada por um tempo, que participou na fundação do Grupo de Teatro de Letras, uma das companhias de teatro universitário mais antigas e prestigiadas em Portugal. Antes da fundação da companhia em 1965, sua atividade com o teatro já era uma constante: um ano antes, Fiama fez parte do Teatro Experimental do Porto e frequentou cursos na Fundação Calouste Gulbenkian e também por esta ocasião participou na criação do Grupo de Teatro Hoje. Ainda antes desse período, já ganhara um prêmio como Revelação pela obra Os chapéus de chuva, que não foi seu primeiro trabalho, esse, foi sim, Em cada pedra um voo imóvel, de 1957, obra também premiada com o Prêmio Adolfo Casais Monteiro.

Também participou ativamente do movimento Poesia 61 ao lado de nomes como Maria Teresa Horta, o próprio Gastão Cruz, Casimiro de Brito. Cada poeta publicou-se numa plaquette e Fiama publicou Morfismos, conjunto de 14 poemas integrantes também de seus primeiros trabalhos do gênero poesia. Entre outros trabalhos do gênero citáveis são Barcas novas, Novas visões do passado, F de Fiama, Três rostos e As fábulas; já no teatro, A campanha, Quem move as árvores e Teatro-teatro.

Na prosa aparece Em cada pedra um voo imóvel, título que em 2009 é reeditado reunindo toda sua obra no campo da ficção e do teatro, O aquário e Falar sobre o falado. O único texto considerado pela crítica como narrativa relativamente longa foi Sob o olhar de Medeia, e a novela poética Movimento perpétuo, apesar de ter deixado vários outros contos editados postumamente numa antologia chamada Contos de imagem.

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Abaixo preparamos um catálogo com facsímiles de seis poemas da poeta publicados entre 1976 e 1983 na Revista Colóquio/Letras.


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