Os 100 anos de "Swann" e outras novidades em torno de Marcel Proust



É uma obra monumental e, assim como os grandes romances A comédia humana, de Balzac, Guerra e paz e outros, de Tolstói, Os irmãos Karamazov, de Dostoiévski, Ulisses, de Joyce etc. etc., deve está entre os livros que todo também grande leitor deve, algum momento de sua vida, lê-la. Em busca do tempo perdido ou como se popularizou em o português o título original em francês A la recherche du temps perdu é a obra-prima de Marcel Proust que, agora em 2013, chega ao primeiro centenário. Embora, muito antes de 1913, já algumas partes aparecessem publicadas em jornais como o Le Figaro e o próprio Proust tenha dado início à sua escrita em 1909...

Ao todo são sete romances escritos até 1922 e publicados até 1927; os três últimos publicados postumamente: No caminho de Swann (Du côté de chez Swann), À sombra das raparigas em flor (À l’ombre des jeus filles en fleurs), O caminho de Guermantes (Le côté de Guermantes), Sodoma e Gomorra (Sodome et Gomorrhe) A prisioneira (La prisonnière), A fugitiva (La fugitive) e O tempo reencontrado (Le temps retrové).

No Brasil, a edição mais confiável parece ainda ser a primeira publicada no início dos anos 1950 pela Editora Globo; uma tradução feita à dez mãos: Mario Quintana, Manuel Bandeira em parceria com Lourdes Sousa de Alencar, Carlos Drummond de Andrade e Lúcia Miguel Pereira. Digo isso porque, embora tenha saído uma tradução pela Ediouro, nela os organizadores fizeram questão de preservar a edição tal qual fora planejada pelo escritor francês, enquanto que na de 1992, preferiu-se editar a obra em somente três tomos, muito embora, o trabalho do poeta carioca Fernando Py seja digno de nota, não apenas pela experiência com outros traduções de Proust para o português, como o inacabado romance Jean Santeuil, mas pela empreita de conduzir todo trabalho sozinho.

Para algum momento deste ano deve sair uma nova tradução já conduzida por Mario Sergio Conti e a ser publicada pelo selo Penguin-Companhia. Os sete volumes agora recebem o título de A procura do tempo perdido. A revista Piaui tem adiantado alguma coisa sobre o andamento da tradução em “A morte de Bergotte” e “Madalenas idas e vividas” e outros dois textos do próprio tradutor, “Proust: do pêndulo ao calendário” e “Há uma santa com seu nome”. Enquanto não chega a nova tradução, a Globo Livros reeditou todos os sete volumes com novo projeto gráfico e acurada revisão da professora Olgária Matos.

Na França tem aparecido novidades do escritor; por exemplo, saiu a antologia Le Mensuel retrouvé com 11 textos do jovem Marcel Proust até então desconhecidos – são textos escritos quando ainda tinha 19 anos e aparece comentando sobre artes e a vida na sociedade francesa daquele período. Muito embora, esse retorno a obra proustiana já venha ocorrendo desde anos anteriores quando saiu uma das faces menos conhecidas do escritor: a do poeta. Por aqui, ficamos a par dessa novidade com uma pequena amostra publicada na tradução de Os prazeres e os dias em que o professor Carlos Felipe Moisés depois de redigido o ensaio indispensável “Proust, um poeta fin-de-siècle” traduziu oito poemas de Proust (ver catálogo abaixo). Pequena porque a edição francesa reúne perto de três centenas de textos do gênero. 







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