quinta-feira, 18 de julho de 2013

A utopia política dos pinholés

Por Thiago Gonzaga



Você pode dizer que sou um sonhador
Mas eu não sou o único.
John Lennon


Intifada dos pinholés (CJA Edições) é o mais recente livro do escritor e artista plástico Aluísio Azevedo Júnior. É um romance com uma linha muito tênue entre ficção e a nossa atual realidade. A obra trata da necessidade de se fazer uma modificação na administração pública, de maneira global, com a iniciativa partindo do próprio povo.

Intifada é um termo que poderíamos traduzir como "revolta”, ideia frequentemente empregada para designar uma insurreição contra regime opressor. Castanholas é a cidade fictícia onde se passa o enredo, construído com muita desenvoltura e segurança pelo autor, que, além de tratar de questões político-filosóficas, descontrai o leitor com períodos de humor estrategicamente ajustados à estória, desenvolvida com perspicácia e talento.

O livro começa de forma lírica e criativamente poética, com uma reunião em um pequeno bar, chamado “Pedacinho do Céu”, da proprietária Maria do Céu, e frequentado pelos amigos Feliciano da Cunha Bueno e Antônio José Jorge Dofredo. Nesse bate-papo cotidiano, em que brotam os mais variados assuntos, filosóficos, políticos, religiosos e ideológicos, nasce o embrião da revolução que atinge e motiva toda a cidade para esta questão, tudo através de um simpático personagem com que o leitor irá se identificar.

A revolução na pequena cidade de Castanholas designa uma transformação profunda, um movimento de grandes proporções, que rompe com o que existia até então. Insurreição historicamente surgida das bases da sociedade e envolvendo um grande número de pessoas, alterando as estruturas políticas, econômicas e sociais. Poderíamos citar a própria Revolução Francesa, de 1789, como um exemplo, que contou com o envolvimento popular nas cidades e no campo e transformou a ordem vigente.

Nas palavras do autor, "a Intifada é um sonho de transformação. O jovem que adormece, apenas para viver este sonho, representa a Esperança, a certeza de que o futuro da comunidade será construído pelas mãos desalienadas, solidárias, empreendedoras dos novos cidadãos."

Aluísio Azevedo Júnior confirma com seu romance a conhecida frase de Aristóteles – "O Homem é um animal político". Sua obra nos leva a pensar e interrogar nossa participação em questões políticas e em causas sociais de importância coletiva, e ao mesmo tempo nos faz devanear com o pensador Inglês Thomas More e sua clássica obra Utopia.


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Com este texto, Thiago Gonzaga abre sua participação no Letras in.verso e re.verso. Thiago  nasceu em Natal, é graduado em Letras e especialista em Literatura Potiguar pela UFRN. Autor dos livros Nei Leandro de Castro 50: anos de atividades literárias e Literatura Etc. Conversas com Manoel Onofre Jr. Dentre os vários trabalhos inéditos que possui destacam-se Novos Contistas Potiguares e Personalidades Literárias do RN. Como pesquisador da literatura do estado criou o Blog 101 livros do RN (que você precisa ler), com interesse por autores e livros locais sob diversos aspectos.