quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Divina Comédia (da Formiguinha) Humana


Por Thiago Gonzaga


“A natureza criou o tapete sem fim que recobre a terra. Dentro da pelagem deste tapete vivem todos os animais respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem”.

Monteiro Lobato


Os primeiros livros direcionados ao público infanto juvenil apareceram no século XVIII. Escritores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam suas obras, enfocando principalmente os contos de fadas. Com o tempo essa vertente literária foi ocupando seu devido espaço e apresentando sua importância. Com isto, muitos autores foram surgindo, como Hans Christian Andersen e os irmãos Grimm. No Brasil, Monteiro Lobato ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de livros infantis que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária.

No Rio Grande do Norte, a produção infanto-juvenil vem se desenvolvendo bastante nos últimos anos, com uma produção digna de status nacional. Autores como, Salizete Freire Soares, José de Castro, Monalisa Silvério, Carol Vasconcelos e Thiago Jefferson Galdino, são nomes representativos dessa literatura no estado.

O Professor Marcos Medeiros, escritor polivalente, autor de onze livros, antenado como universo literário, estreia nesta área (com uma obra de aspecto ético-didático-pedagógico relevante, levando em conta também que o autor é Doutor na área de Biologia), dando uma contribuição acentuada ao universo da literatura infantil no estado.

Confabulações em Cordel: A Formiguinha Perdida é uma fábula; gênero narrativo que tem origem no Oriente, mas  que foi particularmente desenvolvido por Esopo, autor que viveu no século V a.C., na Grécia. Por meio dos diálogos entre os bichos e das situações que os envolviam, ele procurava transmitir sabedoria de caráter moral ao homem. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para os seres humanos. A obra narra a história de uma formiga que invade um lar por conta da devastação do seu habitat natural, causada pelo homem. Aborda também a importância da conservação do meio ambiente, dentre outros aspectos sociais, tudo de uma forma lógica e dinâmica.

Marcos Medeiros reconhece (com justiça) a importância desse gênero na literatura, juntamente com o cordel, tornando a leitura muito criativa e divertida. Ao escrever A Formiguinha Perdida, o autor incentiva a formação do hábito de leitura na idade em que todos os caracteres se formam, isto é, na infância, muito embora a obra seja para crianças de todas as idades. Vale ressaltar a beleza gráfica do trabalho com capa e ilustrações belíssimas feitas pelo poeta Alexandre Souza.

 Neste sentido, A Formiguinha Perdida, é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, as emoções, e os sentimentos de forma prazerosa e significativa gerando um momento propício de prazer e estimulação para a leitura. Em linguagem simples e atraente, a fábula da formiguinha perdida conquista imediatamente todos os seus leitores dos oito aos oitenta anos.


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Thiago Gonzaga é colunista no Letras in.verso e re.verso. Nasceu em Natal, é graduado em Letras e especialista em Literatura Potiguar pela UFRN. Autor dos livros Nei Leandro de Castro 50: anos de atividades literárias e Literatura Etc. Conversas com Manoel Onofre Jr. Dentre os vários trabalhos inéditos que possui destacam-se Novos Contistas Potiguares e Personalidades Literárias do RN. Como pesquisador da literatura do estado criou o Blog 101 livros do RN (que você precisa ler), com interesse por autores e livros locais sob diversos aspectos.