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Mostrando postagens de Novembro 14, 2013

“Em busca do tempo perdido”, de Proust: juventude de um centenário

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Por Félix de Azúa



Sobre Proust já se escreveu quase tudo, mas sobre Em busca do tempo perdido não, porque é um clássico e o próprio dos clássicos é sua misteriosa capacidade em carregar-se de novos conteúdos em cada geração. O que hoje significa essa obra não é o que significou em 1913. Agora faz 100 anos da primeira parte, No caminho de Swann.
O imenso trabalho se apresentou ao juízo dos leitores anteriores à primeira guerra como um fragmento que à altura foi impossível adivinhar seu conjunto. Dali, sua escala ia ser ampliada até chegar mais de três mil páginas e haveria sido quimérico predizer que aquelas teses inaugurais introduziriam o que anos mais tarde seria um mosaico gigantesco com papeis essenciais na literatura. É a única opinião que justifica o imenso erro de André Gide ao reprová-lo para a publicação pela Gallimard.
E depois daquela primeira aparição instalou-se um dos mais sangrentos conflitos já conhecido da muito sanguinária sociedade europeia. A guerra de 1914-1918, co…