Postagens

Mostrando postagens de Abril, 2014

“Dê-me a sua pessoa moral”: A invenção do humano brasileiro em Machado de Assis

Imagem
Por Alfredo Monte


























“Por Deus! dê-me a sua pessoa moral...”, pede o leitor Machado de Assis em 1878, na sua crítica contundente de O Primo Basílio.
A maior queixa do autor brasileiro com relação à realização romanesca do colega português incidia sobre o caráter da protagonista, Luísa, que lhe parecia pouco plausível da maneira como era explorado na narrativa: “Para que Luísa me atraía e me prenda, é preciso que as tribulações que a afligem venham dela mesma: seja uma rebelde ou uma arrependida; tenha remorsos ou imprecações...”; ora, ocorre que (na ótica machadiana) Eça de Queirós trata sua heroína como títere, explorando sumariamente sua consciência, substituindo o principal (a dor moral que ela deveria sentir) pelo acessório (o medo causado pela chantagem).
Em Machado de Assis: o romance com pessoas1, José Luiz Passos articula essa reação desfavorável de Machado à ficção naturalista de Eça com o que considera a principal inovação trazida pelo autor fluminense ao romance brasileiro, e …

Mãe Pobre (Trabalho Poético), de Carlos de Oliveira

Imagem
Por Pedro Belo Clara


Cumprindo a promessa que no anterior artigo efectuei junto de si, estimado leitor, venho na presente publicação apresentar o segundo livro de poesia editado por Carlos de Oliveira: Mãe Pobre.
Lançado em 1945, num ano de significativo frémito mundial, o trabalho remete-nos aos duros tempos vividos num Portugal sufocado pelos negrumes do regime fascista então vigente, de certa forma isolado dos grandes palcos de acção que no resto da Europa tinham o seu lugar. Ainda que os ecos do conflito mundial, sua resolução e consequentes alterações nas economias e nas geografias à época habituais não cessassem de vibrar junto da lusa nação, o poeta optou por olhar para dentro e realizar um trabalho impregnado de revolta, denúncia e desejo de amanhecer.
Longe de ser um livro meramente interventivo, é, em acréscimo, um livro de sensibilização, cujas linhas se tecem no intuito de sublinhar veemente a necessidade de iluminar uma nação e um povo amordaçado e cada vez mais mergulhad…

Pasolini, de Abel Ferrara

Imagem
É talvez uma das melhores estreias do ano. Pasolini ilustra as últimas horas de vida do criador italiano, vivido por Willem Dafoe. Em sua trama há uma reivindicação do Pasolini escritor de obras como Meninos da vida (1955), seu primeiro romance e a mais acessível literariamente, uma crônica descarnada e portanto sincera da vida na periferia de Roma depois da II Guerra Mundial, e de A religião de meu tempo; junto a eles estão Nebulosa, um roteiro dedicado aos diretores Gian Rocco e Pino Serpi que nunca foi filmado integralmente, Nova York, escrito depois de duas intensas viagens à cidade estadunidense, e Demasiada liberdade sexual os converterá em terrorista, compilação de artigos jornalísticos, ensaios, Quase um testamento, reflexões publicadas postumamente e a entrevista que concedeu poucas horas antes de morrer ao jornalista Furio Colombo, de La Stampa, em que diz, “Aspiro a que olhes ao teu redor e te dês conta da tragédia, qual tragédia (?), a tragédia é que já não há seres human…

Boletim Letras 360 #62

Imagem
Depois de uma semana quase toda dedicada ao ofício de contribuir para avivar o aniversário de 450 anos de nascimento de William Shakespeare, a maior efemeridade de 2014, certamente, chegamos a mais um fim de semana e carregados daquilo que foi matéria em nossa página no Facebook; muita novidade sobre a obra e o bardo inglês também. Todas as honras, no entanto, são merecidas (muito merecidas!), afinal, Shakespeare é Shakespeare.

Segunda-feira, 22/04
>>> Colômbia: Gabriel García Márquez deixou inédito
Trata-se de um romance inacabado, segundo informou o diretor da divisão literária da editora Penguin Random House, Claudio López Lamadrid, também editor do escritor. O livro tem como título Em agosto nos vemos e sua publicação depende agora dos herdeiros do escritor. "Gabo estava a ponto de finalizar, mas não terminou por ser muito perfeccionista", afirmou Lamadrid. "Vinha sendo custoso terminar a obra e ele decidiu que ainda não era o momento de editar."
>…

10 filmes essenciais a partir das peças de William Shakespeare

Imagem
O poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare tem sido, mesmo sem saber, um dos maiores roteiristas do cinema. Atende quase pelo epíteto de infinito a quantidade de obras do gênero produzidas a partir de sua literatura: uma contagem recente acusava mais de 400 produções, entre longas e curtas, sendo que entre 2013 e este ano cerca de 12 filmes tendo por base sua obra foram ou estão em produção. Só Hamlet, por exemplo, já mereceu meia dúzia de adaptações, seguido de Romeu e Julieta com cinco releituras; outras obras como, O mercador de Veneza, Otelo, Sonho de uma noite verão, Macbeth, A megera domada já tiveram, aos menos, duas adaptações.
Entre essa leva de títulos, Alfredo Monte indica aos leitores 10 títulos indispensáveis: “tem o indefectível Hamlet, de Laurence Olivier” que não aparece na lista, “não desgosto, muito pelo contrário, da versão completa da peça, dirigida por Kenneth Branagh, mas é ‘estilosa’, amaneirada demais, com seu elenco irregularíssimo” – por isso prefere a …

Os segredos do sucesso de Shakespeare

Imagem
Filho do Renascimento como Leonardo, Michelangelo, Rafael e Cervantes, a autoria de William Shakespeare tem sido questionada muitas vezes. Setenta nomes, pelo menos, têm sido atribuídos à verdadeira autoria das obras shakespearianas. Uma dúvida que, nos 450 anos de seu nascimento, tem motivado James Shapiro. O professor e pesquisador da Universidade de Columbia, abordou a questão num dos melhores estudos sobre o poeta e dramaturgo em Contested Will – Who Wrote Shakespeare (título ainda inédito no Brasil)Sua conclusão é clara: Shakespeare é Shakespeare.
Admirado já em vida, logrou o milagre de poder somar num só aplauso as palmas do público e da crítica, não apenas de sua época mas também as de ao longo destes quatro século e meio. Mas a sombra sobre sua autoria tem aumentado nos últimos 150 anos. Se era alguém da corte, se era o nome-chave de um nobre, se um político mais culto, se era um dramaturgo...
Se bem que não sabe a data exata de seu nascimento: seus pais o registraram no di…

As inspirações do teatro de Shakespeare

Imagem
Por Carolina Cunha

No século 16, na Inglaterra, no período da rainha Elizabeth, um grupo de jovens escritores começou a escrever peças e deu início ao chamado teatro elizabetano, que se tornou muito popular. Em 1591, o jovem William Shakespeare decidiu sair da cidadezinha de Stratford-upon-Avon e se mudou para Londres, onde assimilou o que já havia sido feito no teatro e potencializou sua criação. Tornou-se ator, escreveu peças e virou diretor do Teatro Globe, o mais prestigiado da capital. Sua trupe era considerada a número I da cidade e se apresentava para todo tipo de plateia, conseguindo entreter ao mesmo tempo os nobres e o povo.
Filho de um comerciante, Shakespeare nasceu em abril de 1564 e morreu aos 52 anos de idade. Foi autor de 38 peças (entre históricas, comédias e tragédias), como Hamlet, Romeu e Julieta, Otelo, Macbeth, Sonho de uma noite de verão, Ricardo III, Rei Lear, A megera domada e A tempestade, entre outras. Shakespeare se tornou o dramaturgo mais conhecido de tod…