Boletim Letras 360º #68



Este é um fragmento de uma carta inédita de Charles Baudelaire. O poeta de As flores do mal era todo elogios pela frente de Victor Hugo, mas por trás era língua comprida para falar do "amigo". Mais detalhes ao longo deste boletim.

Uma semana extensa; é o que leitor assíduo do Letras terá percebido entre postagens aqui e nas redes sociais do blog. Bom; o tempo está atípico e isso se reflete por aqui. De CHICO7.0 é possível vir ainda mais – apesar das homenagens de segunda até ontem com uma panorâmica por sobre a extensa obra do multiartista, Chico é Chico. Para a próxima semana ainda continuaremos lendo textos sobre o futebol de alguns dos nomes da literatura nacional e estrangeira. Isso irá durar até o fim do Mundial. Até lá dura também as inscrições para participação da promoção Gol de Letra. Mas, vamos, também ao que foi notícia no nosso Facebook.


Segunda-feira, 16/06

>>> Brasil: Mark Twain inédito entre nós

É a primeira vez que uma editora brasileira publica Diários de Adão e Eva – uma espécie de diário íntimo do primeiro casal, dividido em duas partes: “Fragmentos do diário de Adão” e “Diário de Eva”, e os contos “Solilóquio de Adão”, “Autobiografia de Eva” e “Passagens do diário de Satã”. Os dois primeiros descrevem, do ponto de vista pessoal dos personagens, as novíssimas condições de vida no Paraíso logo após a Criação, incluindo as primeiras impressões de Adão sobre a obra divina e sua nova companheira − e vice-versa. Os contos trazem as experiências da vida depois do Éden e da maturidade − além das considerações de um observador privilegiado, Satã (reinventado como alguém capaz de ajudar, a partir de sua enorme experiência, o jovem e ingênuo casal). Obra póstuma de um dos maiores escritores e satiristas norte-americanos, pela primeira vez em português.

>>> Brasil: Dois filmes sobre Chico Buarque

Miguel Faria Jr. prepara um documentário sobre o cantor, com estreia prevista para o primeiro trimestre de 2015. Em seu filme, o diretor pretende traçar um retrato de Chico hoje, abordando “passado, presente e futuro, o artista e o tempo”, em suas próprias palavras: "Uso imagens de arquivo, muita coisa genial que consegui da TV italiana, francesa... E também filmei com ele muitas conversas, cenas pelo Rio. De filmagem, faltam só as músicas, que farei como se fosse um recital, com um elenco formado em sua maioria por jovens cantores (em estúdio, nos moldes do que o diretor fez em Vinicius)".  Outro longa que passa pela obra de Chico está no forno, com previsão de estar pronto em maio de 2015. Cacá Diegues começa a filmar em setembro O grande circo místico, sua adaptação para o cinema do poema de Jorge de Lima. A trilha usada será a que Chico e Edu Lobo compuseram para o Balé Teatro Guaíra em 1982, com clássicos como “Beatriz” e “Ciranda da bailarina”. Cacá Diegues já cruzou sua trajetória com a de Chico em filmes como Quando o carnaval chegar (o compositor atua no longa), de 1972, e Bye bye Brasil (ele é autor da canção-tema), de 1979.


Terça-feira, 17/06

>>> Brasil: A música de Chico Buarque

Por ocasião do aniversário, a Universal relança a caixa “De todas as maneiras”, que reúne os 22 primeiros discos de Chico (de 1966 a 1986). Outra ação da gravadora é disponibilizar no iTunes todo o catálogo que possui do compositor — alguns álbuns remasterizados em alta qualidade.  Os DVDs sobre o artista da série dirigida por Roberto de Oliveira em 2004 ganharão versão blu-ray, e, até o fim do ano, chega às lojas também um disco especial da série “Samba Social Clube” com vários artistas interpretando canções de Chico.


>>> Brasil: A poesia e o futebol 

Uma rica antologia organizada por Sandra Santos reúne seleções de poetas de vários países de língua hispânica e portuguesa. Do Brasil, publicam-se em Álbum de poesia - Copa Brasil 2014 nomes como Affonso Romano Santanna, Antonio Carlos Secchin, José Inácio Vieira de Melo, José Salgado Maranhão, Lau Siqueira, entre outros. Uma antologia que busca romper com o lugar comum das antologias do gênero e como prova de que a poesia está em toda parte.


Quarta-feira, 18/06

>>> Iraque: Trinta anos para traduzir “Ulisses”, de James Joyce para o árabe

Desde 1984 que o poeta Salah Niazi começou a traduzir a obra-prima Joyce; a guerra Irã-Iraque já completava quatro anos e horrorizado com o que acontecia no seu país — que havia deixado na década de 1960, após a chegada do partido Baath, de Saddam Hussein, ao poder —, o poeta decidiu encarar a empreitada como uma forma de distraí-lo do sofrimento. Contou para o canal inglês “Channel 4 News”.  A obra é um desafio hercúleo para qualquer tradutor, pelas dificuldades de transpor do para qualquer idioma o estilo de Joyce, suas referências e alusões. No caso do árabe, pesam as raízes geográficas, culturais e religiosas completamente diferentes do inglês. Passagens consideradas obscenas são outro obstáculo. Por causa delas, Ulysses, lançado em 1922 na França, foi banido nos Estados Unidos até 1933 e, no Reino Unido, até 1937. O poeta iraquiano, entretanto, não pensa que a “obscenidade” seja um problema para leitores de países árabes mais conservadores. A edição em árabe do livro foi dividida em três volumes. O primeiro foi lançado em 2001, em Damasco, na Síria, e está na terceira edição. O segundo foi publicado em 2010, também em Damasco, e ganhou uma nova edição no ano passado. O terceiro, que inclui o famoso solilóquio de Molly Bloom, chegou às livrarias no mês passado. Contudo, devido à guerra civil na Síria, a obra foi editada em Beirute, no Líbano. Nos 30 anos em que se dedicou à tradução de Ulysses, o que começou como uma fuga da tragédia da guerra terminou como uma experiência verdadeiramente transformadora.


>>> Chile: Mais de 20 poemas inéditos de Pablo Neruda

Segundo divulgou o jornal espanhol El País cerca de mil versos estavam em caixas com manuscritos do poeta. O achado foi se deu no Chile durante uma revisão dos arquivos dele feita pela Fundação Pablo Neruda. Até o fim do ano os inéditos serão publicados no Chile no começo de 2015 na Espanha. Esta já é tratada como a descoberta mais importante nos arquivos do escritor. Escritos entre nos anos 1950 e 1960 o material revela já a maturidade do poeta autor de Vinte poemas de amor e uma canção desesperada e Canto geral, dois dos principais livros do autor.

>>> Brasil: Uma nova casa para Agatha Christie

A Globo Livros passará a publicar a obra da rainha do crime. Já a partir do final de junho/começo de julho sai de uma vez oito volumes: três são reedições (E não sobrou nenhum, O assassinato de Roger Ackroyd e Os cinco porquinhos), e os novos no catálogo, O misterioso caso em Styles", Os relógios, O adversário secreto, Três ratos cegos e Assassinato num campo de golfe". Com novas traduções e um novo projeto gráfico totalmente novo como revela esta imagem divulgada há alguns dias na página da editora no Facebook.


Quinta-feira, 19/06

>>> França: Carta inédita revela complicada relação de Charles Baudelaire com Victor Hugo

Charles Baudelaire adulava em público o autor de Os miseráveis; numa resenha que fez deste romance para Le Boulevard em 1862 se desfaz em elogios, mas no privado a coisa era bem diferente. Numa carta escrita em janeiro de 1860 para um desconhecido Baudelaire se queixa de Hugo. "Não para de enviar-me cartas estúpidas”, diz; pensa em “escrever um ensaio para demonstrar que, por uma lei fatal, um gênio é sempre um idiota”. Noutra carta que Baudelaire remeteu a sua mãe, descrevia Hugo como “um imundo e inepto” e ironizava sobre sua própria capacidade em julgar o colega: “Tenho demonstrado que possuo a arte da mentira”. Quando Baudelaire publicou em 1857 a primeira edição de As flores do mal enfrentou a censura da época: teve que cortar seis poemas da antologia. Victor Hugo, entretanto, se solidarizou com ele e em agosto de 1857 comentou: “Tuas flores brilham como estrelas”; mais tarde “Nos provocas uma nova ordem de estremecimento.” E, publicamente, Baudelaire continuou fazendo as honras de amigo: dedicou-lhe três poemas.

>>> Brasil: Toni Morrison para crianças

A Globinho, selo para publicações infanto-juvenis da Globo Livros publica em outubro O que me diz, Louise? A obra escrita em parceria com o filho Slade,que morreu em 2010, é uma dos vários trabalhos compartilhados entre os dois. Na edição brasileira, o texto será ilustrado por Shadra Strickland (imagem); O que me diz, Louise? conta a história de uma garota que, num dia chuvoso, se refugia numa biblioteca.


Sexta-feira, 20/06

>>> Brasil: As livrarias recebem mais uma tradução de A besta humana

O romance de Émile Zola, marco do naturalismo francês, vem publicado pela Disal Editora. Assina a tradução Dilson Ferreira da Cruz, Doutor em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo. A obra de Zola foi publicado pela primeira vez em 1890, na França; o livro transformou-se num marco do naturalismo, escola da qual ele foi criador, teórico e maior expoente.  Inspirado nas ideias do médico Claude-Bernard (1813-1978) e do historiador e filósofo francês Hippolyte Taine (1828-1893), Zola utiliza o romance como um laboratório de observação atenta da natureza humana e das relações estabelecidas pelo meio, raça e o grau de desenvolvimento de uma sociedade sobre os acontecimentos históricos para, assim, compreender melhor seu objeto de interesse: o homem.

>>> Brasil: Livro reúne ensaios de Virginia Woolf – a maioria inéditos

O trabalho é do crítico e poeta Leonardo Fróes que selecionou e traduziu 28 ensaios de Virginia Woolf: são textos produzidos entre 1905 e 1940 e publicados originalmente como artigos para jornais e revistas com os quais Virginia colaborava. Neles, é possível verificar o mesmo talento da ficcionista, agora aplicado a outro gênero; vemos uma Virginia mais mundana, voltada para os movimentos exteriores: uma observadora afiada, resenhista destemida, além de crítica perspicaz e militante. No volume estão textos como “Mulheres e ficção”, em que a autora avalia a evolução da escrita feminina em paralelo à própria libertação da mulher; “Batendo pernas nas ruas: uma aventura em Londres”, a compra de um simples lápis se transforma numa forte experiência de abertura ao mundo; há também ensaios que traçam perfis de mulheres fascinantes, das mais conhecidas – como Jane Austen, Sara Bernhardt e Dorothy Wordsworth – até as esquecidas Lady Elizabeth Holland e Louise de La Valière; e em outros textos, Virginia trata – e muitas vezes põe em xeque – dos ofícios das letras; é o caso de “Como se deve ler um livro?”, “O leitor comum”, “A arte da biografia” e os corajosos “Resenhando” e “Ficção moderna”. A publicação é da Cosac Naify.

>>> Brasil: Inéditos de Bartolomeu Campos de Queirós 


São 30 textos e aparecem publicados na coletânea Contos e poemas para ler na escola — Bartolomeu Campos de Queirós pela Objetiva. A obra retoma vários temas caros ao autor, como as memórias, a infância em Minas Gerais e o trabalho com a metáfora, utilizada na forma de um convite ao leitor para que não só entre na história, mas também a reinvente.  Desde 2010, Ninfa trabalhava na organização do livro. Ela conta que Queirós ia lhe enviando os textos aos poucos. Após sua morte, a pesquisadora teve a ajuda de familiares para encontrar o material reunido na obra, pois o escritor não costumava guardar muita coisa. No entanto, entre e-mails, arquivos salvos no computador e anotações, o volume se mostrou significativo. E há ainda mais por vir.


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