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Mostrando postagens de Julho 9, 2014

O futebol e a matemática

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Por Moacyr Scliar



O técnico reuniu o time dois dias antes da partida com o tradicional adversário. Tinha uma importante comunicação a fazer.
– Meus amigos, hoje começa uma nova fase na vida do nosso clube. Até agora, cada um jogava o futebol que sabia. Eu ensinava alguma coisa, é verdade, mas a gente se guiava mesmo era pelo instinto. Isso acabou. Graças a um dos nossos diretores, que é um cara avançado e sabe das coisas, nós vamos jogar de maneira científica.
Abriu uma pasta e de lá tirou uma série de tabelas e gráficos feitos em computador.
– Sabem o que é isso? É o modelo matemático para o nosso jogo. Foi feito com base em todas as partidas que jogamos contra o nosso adversário, desde 1923. Está tudo aqui, cientificamente analisado. E está aqui também a previsão para a nossa partida. Eles provaram estatisticamente que o adversário vai marcar um gol aos 12 minutos do primeiro tempo. Nós vamos empatar aos 24 minutos do segundo tempo e vamos marcar o gol da vitória aos 43 minutos. Por…

Imre Kertész, o filho incorrigível das ditaduras

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Por Alfredo Monte


Em Eu, um outro (1997), Imre Kertész deu a si mesmo uma veredito irrevogável: “Sou filho incorrigível de ditaduras, ser estigmatizado é minha particularidade”. 
Vinte anos antes, em História policial, curto romance lançado agora no Brasil pela Tordesilhas, o Nobel de literatura de 2002 examinava de forma implacável a lógica das ditaduras (infelizmente, Direita e Esquerda, em suas contrafações, equivalendo-se no tocante aos resultados históricos): mesmo que calcadas, a princípio, em lutas pela justiça social, não passam de projetos de poder, tudo o mais se subordina à sua manutenção; para isso, tornam-se “estados policiais”, mantendo os cidadãos sob vigilância, apelando para o arbítrio, a tortura, a supressão de qualquer oposição.
Numa passagem arrepiante, um torturador afirma: “O mundo seria diferente se nós, policiais, fôssemos unidos... Não apenas aqui em casa, mas no mundo todo”. O narrador, novato no ramo, replica: “Você quer dizer também os policiais dos paíse…