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Mostrando postagens de Julho 24, 2014

Até breve, Ariano

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Por Pedro Fernandes



1. “Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que vivo, morre” – a passagem é de Auto da compadecida, de Ariano Suassuna.
2. Sim, a morte é o único destino para o qual todos os seres se encaminham. Todas as explicações até hoje construídas em torno do termo são mera especulações. Mas um sentido se cumpre como verdade: perdas são perdas. E o que dissermos não substituirá o vazio delas porque cada ser é único. Talvez momentos dessa natureza devessem se cumprir sem quaisquer estardalhaços, apenas com o silêncio, condição que nos aproxima do sentido da perda e sobre nossas limitações no mundo. Mas, perdas insuportáveis como estas têm de vir mais que um nó na garganta; tem de vir a lágrima vertida pela palavra.
3. Quando José Saramago morreu numa data assim próxima em 2010, calei-me. Não …