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Mostrando postagens de Abril, 2015

Sobre o único documento que compõe a gênesis Cem anos de solidão

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Foi numa terça-feira de 1965. Gabriel García Márquez acabava de voltar de um fim de semana em Acapulco com sua companheira e seus dois filhos, quando, tomado por um “cataclismo da alma”, sentou-se ante a máquina de escrever, como ele mesmo recordaria anos depois, e não se levantou até princípios de 1967. Nesses 18 meses, todos os dias, das nove da manhã às três da tarde, o escritor colombiano escreveu Cem anos de solidão.
Muito já foi escrito sobre a atmosfera mexicana que deu origem à sua obra magna, de sua obsessão criativa, de suas dificuldades econômicas, do apoio grandioso dos amigos. Mas, muito pouco se sabe sobre sua construção. As chaves da organização de material com o qual edificou o universo de Macondo segue entre sombras. E este mistério não foi casual. O próprio autor, quando em junho de 1967 recebeu o primeiro exemplar impresso, desfez-se do original de modo que “ninguém pudesse descobrir os truques de minha carpintaria secreta”* de criação. Daquela destruição histórica…

O meu memorial do convento

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Por Pedro Fernandes

Agora já é tarde para responder. Sempre que me deparo com uma grande construção ou mesmo determinadas engenhosidades do dia-a-dia me pergunto sobre o esforço que terá levado a invenção ou quantas pessoas terão sido necessárias para dar forma à ideia que algum dia alguém teve. E a questão que inicialmente respondo é, qual terá sido o momento da minha vida quando desenvolvi essa curiosidade historiográfica (posso assim determiná-la), se desde sempre ou se depois de entrar em contato com obras como Memorial do convento.
Dessas duas possibilidades respondo que já é tarde para responder. Embora eu acredite que a literatura tenha me despertado determinadas compreensões sobre o mundo, acredito também em casos como a leitura do Memorial, é que essa obra de José Saramago só terá causado o impacto que casou em mim por uma razão, a de que, essa coisa de saber o porquê de determinadas existências já tinha feito seu lugar em mim. E talvez tenha sido ela o que se reacendeu quan…

Um tesouro chamado Yasunari Kawabata

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Por Emma Rodríguez




Voltar a determinados livros, a determinados autores; recuperar o som de suas vozes familiares, o pulso de suas correntezas, é como iniciar um reencontro com nós mesmos, com circunstâncias, situações, momentos presos no passado. Posso relembrar, se faço um pequeno exercício de memória, os lugares onde estive lendo muito dos romances, dos contos de Yasunari Kawabata (Osaka, 1899). Ao tirar os livros da estante e passear por suas capas recupero de algum modo os estados de alma, os vaivéns existenciais que me acompanharam enquanto ia mergulhando – já vai um longo caminho – nas vidas de suas personagens. Dizer que é um dos meus autores favoritos é pouco. Kawabata ocupa um lugar muito especial, é um autêntico tesouro para mim, um espaço de sossego, de contemplação, de atenção, mas também uma porta aberta à perplexidade, à fascinação, ao deslumbramento, ao perturbador alento do mais secreto.
Posso andar metida em outros universos narrativos igualmente atraentes e enriquec…

Submissão, de Michel Houellebecq

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Por Carlos Zanón


No início parece as trombetas de Jericó. Mas no finaç são só violinos desafinados tocando ao pé do ouvido. Discussão midiática, livro, entrevista, tocata e fuga: um bom suflê. Para alguns, ao ponto. Para outros, demasiadamente amargo. Banal, polêmico, fútil, lúcido ou valente. E de uma forma ou de outra todos falam e muitos compram. Descobrem que dentro do suflê há um livro e dentro do livro um autor com mais ingredientes de escritor do que aparenta. Houellebecq é como escreve. Você ama ou odeia.
Sem seu talento, faro e essa artesanal e personalíssima maneira de urdir sua mecânica intelectual de tese, ficção, autobiografia, piada, sexo mecanizado, suicídio roudinesco e niilismo hedonista, Houellebecq não haveria aguentado nem o primeiro round do combate. Mas segue. Marcando o passo. Gerando debate porque, na sua maneira de expor o feio e não ceder à tentação literária de criar beleza do lixo, nos enfrenta com algo mais doloroso que a nossa própria imagem no espelho. 

Boletim Letras 360º #111

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A semana finda com os leitores escrevendo para nos dizer que já receberam os livros que foram sorteados durante o Mês da Poesia (oito no total) enquanto realizamos mais um sorteio (um Kit “Dois irmãos”, a HQ e o romance) que já foi despachado e abrimos a participação em outra atividade do tipo; para marcar os 20 anos da publicação de Ensaio sobre a cegueira vamos sortear um leitor que ganhará também um Kit (o romance e o filme). Enfim, seguimos mobilizando pessoas em torno da leitura e do livro. Nessa movimentação toda restou espaço para divulgar uma série de notícias interessantes sobre o universo literário que você confere logo abaixo:


Segunda-feira, 20/04
>>> Brasil: Novo título de Italo Calvino
Os leitores do escritor já acompanham há algum tempo o tratamento que a Companhia das Letras dedica à sua obra. Nos últimos anos nos aproximamos de títulos como Coleção de areia, Eremita em Paris, Fábulas italianas, Palomar, Todas as cosmicômicas. E agora Mundo escrito e mundo não …