Boletim Letras 360º #129

Liev Tolstói fotografado por Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii, um dos pioneiros da fotografia em cores que registrou personalidades e paisagens da Rússia de seu tempo. As fotos estão na edição dos contos completos publicada pela Cosac Naify; esta semana foi anunciada outra obra importante do escritor russo. Mais informações ao longo deste boletim.

Nesta postagem publicada semanalmente no blog estão todas as notícias que compilamos de uma semana de diálogo com os leitores em nossa página no Facebook. É a oportunidade de rever, reencontrar aquela notícia perdida ou ainda ver o que passou despercebido nesse fluxo de postagens.

Segunda-feira, 24/08

>>> Brasil: Um texto de Dario Fo que faz aquilo que bem fez o dramaturgo: satiriza a Igreja Católica

O italiano tem peças traduzidas em mais de 30 idiomas. Entre elas, estão títulos como A descoberta das Américas, A morte acidental de um anarquista, e o Papa e a Bruxa. Em 1997 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. E agora, pela Editora do Sesi-São Paulo, temos acesso à tradução de Mistero Buffo, descrita como irreverente e impiedosa e uma de suas criações mais célebres, escrita em 1969. Baseado nos evangelhos apócrifos e em contos medievais, na mais pura tradição da commedia dell’arte, apresenta-se como um jogral contemporâneo, retratando a relação do homem com a religião e suas contradições. É um libelo contra a injustiça social e a burocracia da Igreja.

>>> Inglaterra: Agatha Christie e um baú de mistérios que não acaba

Dez trabalhos inéditos da Rainha do Crime foram encontrados. A descoberta foi feita por Julius Green nos seus arquivos e em arquivos das companhias de teatro onde trabalhou ao lado de Christie como produtor teatral encenador de cerca de 250 peças e musicais da autora. São cinco novas peças e cinco dramas de um ato que vão ser publicadas no livro Curtain Up: Agatha Christie - a life in theatre dentro de um mês, antecipando o 125º aniversário do nascimento de Agatha. Uma das peças, The Lie [A Mentira] descreve sentimentos de perda, traição e infidelidade e foi escrita quando o primeiro casamento da escritora terminou. Agatha e Archie Christie separaram-se em 1927 e divorciaram-se um ano depois.

>>> China: Liu Cixin. Guardem esse nome.O chinês é o primeiro escritor de ficção científica a receber o prêmio mais importante da literatura neste gênero

O Prêmio Hugo é dado pela Sociedade Mundial de Ficção Científica e até agora já foi parar em mãos de nomes como Isaac Asimov e Arthur C. Clarcke. Em 2015, o melhor romance foi o do chinês. The Three-Body Problem é a narrativa sobre como se preparar para uma invasão alienígena e foi traduzido para o inglês apenas para concorrer ao galardão. Deu certo. O título abre uma trilogia com alto sucesso entre os leitores de seu país.

Terça-feira, 25/08

>>> Brasil: Uma das maiores editoras no mundo HarperCollins de olho no mercado livreiro do Brasil estreia aqui com três títulos

Uma das entre mais de cinco dezenas de edições diferentes de O pequeno príncipe no Brasil, O pequeno príncipe: a história do filme e O pequeno príncipe: o livro ilustrado do filme (edição de luxo); esses são os títulos. A obra de Saint-Exupéry pertencia originalmente a Ediouro, mas o catálogo comercial foi absorvido pela nova empresa, que também engloba o conteúdo da Thomas Nelson Brasil e Harlequin Brasil. Os dois últimos títulos foram inspiradas no filme de Mark Osborne e todas as três versões são ilustradas por imagens da produção cinematográfica em stop-motion. Depois dessa avalanche não haverá mais o que inventar desse livro de Saint-Exupéry, não?

>>> Brasil: Um título de retorno, mas cujo tema nasce de um dos momentos mais trágicos da história recente do Brasil

Feliz ano velho quando publicado recebeu, além da atenção estupefata da mídia, o Prêmio Jabuti em 1982. O livro de cunho autobiográfico relata a necessidade de readaptação à vida depois de quando, ainda jovem, o escritor perde os movimentos do corpo. A obra é reeditada pela Alfaguara Brasil na mesma ocasião em que chega o novo romance de Marcelo Rubens Paiva, Ainda estou aqui. Nele o escritor recorda o período em que a mãe, Eunice Paiva, depois da cassação, prisão, tortura, exílio e morte do companheiro, luta pela verdade encoberta pela Ditadura Militar, pela defesa dos direitos indígenas e pela convivência com o Alzheimer.

>>> Japão: A rede de livrarias Kinokuniya comprou os 90 mil das 100 mil cópias da primeira tiragem do novo livro de Haruki Murakami

A estratégia é um adendo contra crise das livrarias físicas no Japão. Ao limitar o acesso das lojas online, a Kinokuniya prevê uma migração obrigatória dos leitores às lojas. Novelist as a vocation é o título do novo livro de Murakami que reúne ensaios escritos para a revista literária "Monkey". A única novidade no livro é a inclusão de alguns textos inéditos. Mas, a febre em torno do escritor se repete: há mais de duas semanas, depois de iniciada a pré-venda ou reserva, o título permanece entre os cinco mais solicitados. Este é o segundo livro novo de Murakami a chegar ao mercado japonês nas últimas semanas, após a sua liberação no mês passado de Murakami-san no Tokoro que reúne algumas das respostas que o autor ofereceu aos fãs durante certo período através de site (cf. acompanhamos por aqui).

>>> Um documentário sobre Emily Dickinson

Emily Dickinson é uma das poetas mais reverenciadas da América; grande parte de sua obra só foi descoberta depois de sua morte. Desde o início de 2015, está em produção um filme sobre a vida da poeta; A quiet passion tem direção de Terence Davies com Cynthia Nixon no papel de Emily Dickinson. O filme será concluído (e possivelmente terá estreia) em 2016. Mas, em meio do trabalho, Davies teve a ideia de, além do filme, produzir um documentário sobre Dickinson. A ideia é que seja narrado pela mesma atriz que vive a poeta no filme em produção e, claro, elaborar um perfil de cunho mais histórico e biográfico. Batizado de Phosphorescence, o projeto angaria fundos a partir de um financiamento coletivo.

Quarta-feira, 26/08

>>> Brasil: Mais holandeses nas nossas livrarias 

A Editora Hedra se preparada para apresentar até o final de 2015 mais dois romances considerados clássicos no seu país de origem: Sobre pessoas velhas e coisas que passam... é um título de 1906, do escritor Louis Couperus, e Uma confissão póstuma, de 1894, de Marcellus Emants. Ambos traduzidos por Daniel Dago e integrantes da nova leva de edições nunca publicadas por aqui.

>>> Brasil: Ferreira Gullar, uma autobiografia

Ainda há inéditos do poeta por descobrir. Certamente. Mas, ao menos um deles vem a lume. Autobiografia poética e outros textos é um volume que revela, de forma honesta e sensível, a trajetória de Ferreira Gullar. Trata-se de um depoimento, uma reflexão sobre seu fazer poético, em linguagem acessível, num diálogo franco com o leitor. Além da autobiografia, o livro reúne duas entrevistas com o poeta, uma de 1965 e outra de 2014, e ensaios sobre importantes nomes da literatura internacional – César Vallejo, o grande poeta nacional do Peru, o enigma Fernando Pessoa e o rebelde Rimbaud –, expressando a visão de Gullar sobre a criação artística. A obra traz, ainda, fotos de diferentes épocas da vida do poeta. O livro é editado pela Autêntica Editora.

>>> Brasil: Graciliano Ramos e o cangaço

O movimento interessou muito ao escritor de Vidas secas. Tanto que escreveu intensamente para a imprensa entre 1931 e 1941 sobre o tema. Agora, Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztayn mostram a influência do cangaço na obra do artista reorganizando textos ao alcance da redação original do autor; muitos publicados pela primeira vez como é o caso de uma entrevista ficcional com Lampião, escrita para a revista Novidade, e a crônica “Dois irmãos”.

Quinta-feira, 27/08

>>> Alemanha: Livro inédito de Günter Grass

O autor de O tambor ainda continuava a trabalhar nesta sua obra de despedida poucos dias antes de morrer,em 13 de abril passado. E Gerhard Steidl, seu editor, acredita que o romancista “conseguiu mais uma vez escrever um grande livro”, que descreve como “um impressionante jogo de poesia, prosa e ilustração”. Com 176 páginas, capa dura, e desenhos a lápis do próprio autor, "Vonne Endlichkait" (em tradução livre, "Da finitude") compila textos em prosa, poemas, cartas. Grass, nascido em Danzig, optou por grafar o título no dialeto da Prússia oriental; é uma obra que inclui páginas repassadas de felicidade, mas também sátiras sociais e alusões à decadência física, à morte e ao problema de Deus, adianta ainda a editora que apostou numa primeira tiragem de 50 mil exemplares.

>>> Estados Unidos: Com sede? Que tal esse livro que filtra água?

A criação é de um grupo de cientistas estadunidenses: um livro que também um filtro de água. Cada página, para além de alertar para os perigos da água contaminada, pode ser utilizada diversas vezes, filtrando até 100 litros de água. Um só livro garante o fornecimento de água potável para um indivíduo durante quatro anos. Os testes, realizados no Bangladesh e em algumas regiões da África, foram um sucesso. Todas as informações sobre o projeto podem ser adquiridas aqui.

Sexta-feira, 28/08

>>> Brasil: Novos títulos de escritores portugueses no Brasil

É de conhecimento dos leitores (e divulgamos aqui) a coleção 'Novíssimos' criada pela Editora LeYa que nos apresentou a nomes como João Tordo, Nuno Camarneiro, entre outros. Agora, a Dublinense, editora do bem sucedido Morreste-me, de José Luís Peixoto (obra que resenhamos por aqui também) criou um selo para a publicação de autores de língua portuguesa de fora do Brasil. Isso já estava de certa maneira antecipada na nota sobre o livro de Peixoto. Pois bem, a coleção 'Gira' recebe já no próximo mês setembro o título Short Stories, do português Gonçalo M. Tavares.

>>> Brasil: Liev Tolstói a todo vapor

Depois de anunciar a belíssima edição de mais de 2000 páginas com os Contos completos do escritor russo, a Cosac Naify apresenta mais uma novidade: Rubens Figueiredo, o tradutor de sempre de Tolstói para a editora, prepara uma nova tradução de Infância, Adolescência e Juventude, misto de memória e ficção. A parte sobre a infância foi o primeiro trabalho publicado pelo autor russo (saiu em folhetim em 1852). As demais partes são de 1854 e 1857. O livro sai em 2016.

>>> Estados Unidos: Não é de hoje que os Estados Unidos andam a investir na aquisição de um patrimônio cultural literário. Breve, o país poderá ser a Meca dos estudiosos da literatura.

E a Universidade do Texas é uma séria candidata como cidade-sede. Agora, a instituição comprou os arquivos de Kazuo Ishiguro pela bagatela de 1 milhão de dólares. Textos nunca antes publicados, notas e rascunhos, um primeiro capítulo alternativo do romance 'Os resíduos do dia', peças de teatro e letras de músicas podem ser encontrados entre os documentos do autor. Bom, e para o leitor compreender melhor sobre o paraíso texano, vale reler uma matéria quepublicamos quando a UT adquiriu o arquivo de Gabriel García Márquez.

>>> Brasil: A poesia de Israel no Brasil

Ronny Someck é apresentado sempre como o poeta mais traduzido de Israel na atualidade. Possivelmente, no Brasil mesmo já circula desde 2012 o volume Gol de esquerda, publicado pela Editora Annablume. Agora, a mesma casa, volta ao nome do poeta e publica Carta a Fernando Pessoa. Moacir Amâncio é o tradutor e organizador da obra. Someck já publicou dez volumes de poemas, ganhou prêmios literários internacionais, e, em seu país, recebeu o importante Prêmio Iehudá Amihai de Poesia Hebraica..

>>> Brasil: Uma nova tradução para Orlando, de Virginia Woolf

Acompanhamos aqui o trabalho de tradução do Tomaz Tadeu sobre a obra da inglesa; numa das ocasiões quando falamos sobre Mrs Dalloway, Ao farol ou livro de ensaios O sol e o peixe, dissemos que estava a caminho uma versão para Orlando. O título está pronto. A edição publicada pela Autêntica Editora inclui posfácio de Silviano Santiago, as ilustrações da edição original e notas do tradutor.

>>> Brasil: Um livro raríssimo, praticamente desconhecido, de João Cabral de Melo Neto voltará a circular a partir de 2016

Chama-se Aniki Bobó e foi publicado em 1958, numa tiragem limitadíssima de apenas 30 exemplares, pela editora artesanal O Gráfico Amador, e nunca mais foi reproduzido ou coligido em coletâneas do poeta. A obra de apenas 12 páginas trazia um poema e ilustrações do designer gráfico Aloisio Magalhães. Quase 60 anos depois, a Editora Verso Brasil relançará a obra em dois formatos: na versão para colecionador com reprodução das características artesanais da edição original (papel canson, técnicas como serigrafia), numa edição limitada de 150 exemplares; e na edição comercial com análises de especialistas como Eucanaã Ferraz, entre outros.

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