Boletim Letras 360º #151

Ilustração de Walter Crane para edição de 1874 de "A Bela e a Fera". Um estudo de universidades de Inglaterra e Portugal comprovam que o conto está entre uma das mais antigas formas de narrativa de que se tem notícia. Mais detalhes ao longo deste boletim. 


No dia 1º de fevereiro retomamos nossas atividades! Ao ritmo de uma postagem por dia. Em nossa página no Facebook o ritmo de publicações também será normalizado apesar de que, a partir de agora, o trabalho de cuidado da rede, voltará a ser restrito a duas mãos. Recebemos o contato de desligamento de Gilberto Tavares quem durante esses dois últimos anos trabalhou incansavelmente na divulgação do blog e na criação de conteúdos, como os banners e as imagens aí publicadas. A construção e divulgação das notícias sempre foi tarefa de Pedro Fernandes, mentor, editor e quem escreve esta nota e continuará acontecendo. A saída dessas duas mãos poderá fazer com que o fôlego de antes não seja mais mantido. Veremos. Mas, por ora deixemos de pensar nas perdas para pensar nos ganhos. 

Segunda-feira, 25/01

>>> Brasil: Romance inédito de Georges Perec chega ao Brasil

O lipograma é um texto escrito sem alguma(s) das letras do alfabeto; trata-se de uma forma já utilizada nas mais diversas literaturas do mundo e em variadas épocas. É ela a base para O sumiço, texto de Perec cuja inovação reside não apenas na tradição lipogramática, mas em fazer do sumiço da letra o próprio tema do livro e a lei maior à qual se deve toda a história. O autor cria um mundo de letras povoado por seres de letras, cujo destino depende também delas e, principalmente, do sumiço de uma. A história se volta para o ato da escrita e dos jogos de linguagem que apontam para a própria língua francesa. A tradução até então inédita no Brasil é Zéfere e o livro sai pela Autêntica Editora.

>>> Brasil: Criada pelo mentor do portal LiteraturaBr e da jovem substânsia, escritores têm ao alcance uma nova casa que nasce com a ideia de fortalecer a produção literária no front dos grandes conglomerados

Chama-se Moinhos. E surge com o objetivo de publicar livros nos mais diversos gêneros, com ênfase na ficção; a proposta inclui o resgate de grandes clássicos da literatura brasileira e estrangeiras, buscando viabilizar obras ainda inéditas no país. É Nathan Matos um dos nomes por trás da ideia construída em parceria com Camila Araújo. A Moinhos está com duas obras no prelo.

Terça-feira, 26/01

>>> Alemanha: O Holocausto pelos olhos de suas vítimas

O médico tcheco Pavel Fantl tinha 39 anos quando foi levado em junho de 1942, com sua mãe, sua companheira e seu filho para o campo de concentração nazista de Theresienstadt. Nos anos seguintes Fantl pintou várias cenas do inferno que estava vivendo e, graças à cumplicidade de alguns guardas, pôde enviar uns 80 de sus desenhos para o exterior. Em outubro de 1944, Fantl e sua família foram enviados a Auschwitz. Sua esposa e o filho foram logo assassinados enquanto o médico e artista foi fuzilado pouco antes do fim da II Guerra Mundial em 1945. Num dos trabalhos que se salvaram, Fantl mostra Adolf Hitler disfarçado de arlequim com os dedos manchados de sangue; o título da obra é "A canção se acabou". A peça integra uma exposição de cem obras que confronta os alemães com o capítulo mais triste da sua história e de toda a humanidade. "Arte do Holocausto" é uma mostra inédita inaugurada pela chanceler Angela Merkel e fica em cartaz até 3 de abril. Veja mais no nosso Tumblr.

Quarta-feira, 27/01

>>> Brasil: Nova edição para o clássico de Miguel de Cervantes

Os leitores brasileiros têm facilmente ao alcance pelo menos duas edições de Dom Quixote: a publicada pela Editora 34 e a da Penguin / Companhia das Letras. Agora, a edição luxuosa da Nova Aguilar há muito fora de catálogo, voltará, em breve, para fazer páreo com elas. Reunidos num só volume, com nova diagramação e mais detalhes que a antiga versão. A obra é a segunda a ganhar reedição na repaginada editora.

>>> Brasil: Nova edição do Caderno-revista 7faces chega online no próximo dia 1º de fevereiro
Anunciada desde o início da penúltima semana do mês janeiro, o número 12 do periódico eletrônico de poesia celebra o nome e a obra de Hilda Hilst; a revista sai em parceria com o Instituto Casa do Sol, responsável pelo zelo da memória da poeta. Na nota divulgada no blog do caderno-revista, os editores confessam que tiveram extenso trabalho na seleção dos nomes para a edição uma vez que esta foi a que mais recebeu contribuições de poetas. Entre os nomes selecionados estão Matheus José, Ana Maria Rodrigues Oliveira, Valdeck Almeida de Jesus, Waleska Martins, Bruno Baker, Rafaela Nogueira, Léo Br, Guilherme Dearo, Luiz Walter Furtado, Jorge de Freitas, Leonardo Chioda, Yasser Jamil Fayad, João Grando, Ricardo Escudeiro, Maria Azenha, Lucas Grosso, Ludmila Barbosa, Carole B., Cesar Carvalho, Marcos Mariani Casadore, Daniel Marchi e Andreï Ribas.

Quinta-feira, 28/01

>>> Espanha: Os únicos manuscritos de Miguel de Cervantes são reunidos pela primeira vez numa publicação impressa

Ao todo são onze textos que andaram -- grande parte deles -- dispersos pelo mundo. A edição ora publicada reúne facsímiles de cartas, documentos, atas ou formulários acompanhados de uma análise sobre a escrita de Cervantes por pesquisadores em paleografia, ortografia e grafocaracterologia. Autógrafos de Miguel de Cervantes Saavedra é o título da obra e tem uma tiragem limitada de grande formato publicada pela Taberna Libraria, com prólogo de Darío Villanueva, diretor da Real Academia Espanhola.

>>> Inglaterra: Contos de fadas como "A Bela e a Fera" podem ter origem mais antiga do que pensávamos.

É o que conclui um estudo conduzido pelos pesquisadores Jamie Tehrani, da Universidade de Durham (Inglaterra), e Sara Graça da Silva, da Universidade Nova de Lisboa (Portugal), publicado na revista científica "Royal Society Open Science". Eles utilizaram de análise filogenética, de traços desenvolvidos pela biologia para investigar relações entre vários registros das narrativas ao redor do mundo e da história das línguas antigas. Alguns contos, segundo a pesquisa, são mais velhos do que os registros literários mais antigos – um deles remonta à Idade do Bronze (iniciada por volta do ano 3000 a.C.) O conto "João e o Pé de Feijão", por exemplo, está classificado agora num grupo de histórias nomeado como "O menino que roubou o tesouro do ogro" que teve a origem identificada no período da divisão leste-oeste das línguas da família indo-europeia, há mais de 5 mil anos; ou de "A Bela e a Fera" com cerca de 4 mil anos de idade. Em geral, acreditava-se que essas histórias datassem dos séculos 16 e 17. No século 19, os irmãos Grimm – Jacob e Wilhelm – acreditavam que muitos dos contos de fadas que eles ajudaram a popularizar tivessem raízes em uma história cultural compartilhada que remonta ao nascimento das línguas indo-europeias. Pensadores depois mudaram essa concepção, ao dizer que algumas histórias eram bem mais recentes, tendo sido transmitidas pela tradição oral após serem criadas nos séculos 16 e 17.

Sexta-feira, 29/01

>>> Brasil: Um dos autores mais queridos do catálogo da editora que encerrou suas atividades em fins de 2015 será da Globo Livros

A editora venceu o leilão e passará a publicar a obra de Valter Hugo Mãe. Informa o jornal O Globo. O escritor que chegou ao Brasil por editoras menores como Oficina Raquel e Thesaurus, depois foi publicado pela Editora 34 (casa para a qual alguns leitores esperavam um retorno), passa integrar o selo Biblioteca Azul, que publica literatura clássica e contemporânea.

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