Boletim Letras 360º #167

Boris Schnaiederman. Muito da literatura russa traduzida no Brasil devemos a este nome; o escritor e tradutor morreu esta semana. Deixou-nos um legado sem preço para cultura literária.

Aqui estamos com mais uma edição do Boletim Letras 360º – a compilação de todos os sábados das notícias que circularam durante a semana em nossa página no Facebook. Agora, já somos 29 mil amigos! Só temos a agradecer muitíssimo a todos que chegam até o nosso cantinho. 

Segunda-feira, 16/05

>>> Brasil: Romance premiado do Prêmio Nobel de Literatura Sinclair Lewis ganha tradução 

Doutor Arrowsmith é publicado pela Editora Amarilys. De 1925, a obra recebeu o prêmio Pulitzer no ano seguinte, que o escritor recusou por não concordar com suas regras e por achar que prêmios criam pessoas que buscam reconhecimento fácil, foi adaptada para o cinema em 1931 e concorreu em quatro categorias do Oscar. O romance conta a história de Martin Arrowsmith ante os diferentes caminhos à sua frente em sua jornada rumo a realização pessoal. A tradução é de Lúcia Helena de Seixas Brito.

Terça-feira, 17/05

>>> Espanha: Um autor para Lazarillo de Tormes?

A professora de Literatura na Universidade de Barcelona defende, entre muitas críticas, que A vida de Lazarillo de Tormes é obra do humanista Alfonso de Valdés, de descendência judaica, responsável por escrever as cartas em Latim do imperador Carlos V e braço direito do chanceler Mercurino Gattinara. Filóloga e especialista no Século de Ouro sua teoria foi apresentada em 2004 num texto que desde então serviu de partida para aprofundamento da questão: uma extensa introdução e mais de 600 anos apontam as concordâncias entre o Lazarillo e outras obras de Alfonso de Valdés, todas elas centradas em denunciar os vícios da Igreja da época. Na Espanha, pela primeira vez, publica-se o livro que traz na capa a menção ao escritor e não o já sabido “Anônimo”.

>>> Estados Unidos: Para inspirar fragrâncias de perfumes

Uma grife estadunidense de perfumes investiu no potencial já há muito investigado por perfumistas: a partir dos diferentes odores dos livros criar fragrâncias únicas. Um dos componentes separados pelos estudiosos em livros antigos é a lignina, elemento capaz de despertar memórias antigas e um grande sentimento de nostalgia. O conjunto de perfumes promete todo o tipo de sensações, desde o aroma dos grandes escritores, até aos prazeres de um livro acabado de imprimir. Os preços é que não são nada saudáveis. 

Quarta-feira, 18/05

>>> Inglaterra: Uma sul-coreana ganhou o Man Booker

José Eduardo Agualusa foi um dos representantes da língua portuguesa que foi mais longe na premiação: chegou entre os seis finalistas, ultrapassando nomes importantes, como o do Prêmio Nobel de Literatura Ohran Pamuk e a escritora querida de crítica e público Elena Ferrante. Han Kang foi escolhida pelo seu romance A vegetariana; a obra é de 2007 e foi publicada recentemente para o universo de língua inglesa. No Brasil, o livro foi publicado em 2013 pela editora Devir com tradução de Yun Jung In. É a história de uma mulher que decide não comer mais carne, que tem pesadelos noturnos e discussões familiares. Segundo o júri trata-se de um romance "tão estranho como profundo".

>>> Brasil: Quarto volume da série "Minha Luta" é publicado no final de junho

Em confluência com a realização da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, que recebe este ano autor. Na obra, o leitor encontrará Karl Ove Knausgård com dezoito anos e de mudança para uma vila no norte da Noruega a fim de dar aulas a adolescentes. Sua intenção é juntar algum dinheiro para viajar e investir na incipiente atividade de escritor. No começo tudo corre bem, mas quando o escuro toma conta dos dias de inverno, a vida começa a se complicar. A escrita de Karl Ove para de fluir, e suas empreitadas para perder a virgindade fracassam. Com o alto consumo de álcool ele se aproxima da sombra do pai alcoólatra e resgata a temática do primeiro livro da série Minha Luta, A morte do pai. A edição é da Companhia das Letras e tradução de Guilherme da Silva Braga.

>>> Brasil: Morreu o escritor e tradutor Boris Schnaiederman

Um dia depois de completar 99 anos. Boris estava internado desde a semana passada para uma operação no fêmur, ele acabou contraindo uma pneumonia, e morreu. Ele é tido como o pai da tradução de ficção russa no Brasil, principal responsável por clássicos de Bábel, Dostoiévski, Górki, Khlébnikov, Maiakóvski, Mandelstam, Pushkin e Tchékhov. O escritor nasceu em Úman, na Ucrânia, em 1917, ano da fundação da União Soviética; saiu do país com um ano de idade, passou oito anos em Odessa com os pais até que, em dezembro de 1925, desembarcou o Rio. Naturalizou-se brasileiro em 1941. Alistou-se no Exército e foi para a Europa em julho de 1944 combater no final da Segunda Guerra Mundial. Era abril de 1945 e ele estava no Norte da Itália. Antes de ir para o front, encaminhou a diversas editoras uma tradução própria de Os Irmãos Karamazóv, de Fiódor Dostoiévski. Foi apenas o primeiro de seus trabalhos. Inaugurou, assim, traduções feitas em solo brasileiro em um tempo em que elas chegavam a partir de traduções inglesas ou francesas. Mais recentemente traduziu os diários de Dostoiévski e trabalhava numa coletânea de textos seus e outra com artigos de Iúri Lotman.

Quinta-feira, 19/05

>>> Brasil: Obra completa de Jorge de Lima sairá pela Alfaguara

Muito recentemente o leitor brasileira começava a receber uma reedição da obra do poeta pela extinta Cosac Naify: Invenção de Orfeu, Calunga e Poemas negros foram os títulos até então publicados. Agora a obra será novamente reeditada. Organizado por Fábio de Souza Andrade, professor de Teoria da Literatura da Universidade de São Paulo, que já estava à frente das reedições do autor na Cosac, o primeiro lançamento é um volume com o livro Poemas negros.

>>> Colômbia: Monumento a Gabriel García Márquez

As cinzas do escritor Prêmio Nobel de Literatura de 1982 já estão em Cartagena das Índias, na Colômbia, onde repousarão num memorial levantado em Claustro de la Merced, a 300 metros da casa onde viveu. O monumento terá um busto de Gabo esculpido pela artista britânica Katie Murray e com declarações do reitor da Universidade Cartagena, Édgar Parra Chacón. A cerimônia de inauguração estava prevista para o passado 6 de março, data do aniversário de 89 anos de nascimento do escritor. Aqui, um texto sobre a relação do escritor com esta cidade.

Sexta-feira, 20/05

>>> Brasil: Edição fac-similar de Pistoia – cemitério brasileiro, o poema escrito por Cecília Meireles, na cidade de Florença, na Itália

Pistoia foi um cemitério na região da Toscana, onde foram enterrados corpos de soldados brasileiros que fizeram parte da Força Expedicionária Brasileira (FEB), atuante na Segunda Guerra Mundial. Um poema repleto de ternura pelo heroísmo de nossos soldados que morreram em solo europeu. Publicada em 1955, esta segunda edição da obra. A Global Editora apresenta um fac-símile daquela primeira, publicada em 1955 pela lendária Philobiblion, e preserva assim o requinte gráfico e as xilogravuras de Manuel Segalá.

>>> Brasil: Sylvia Plath para crianças. O livro das camas e outras histórias para crianças reúne inéditos no Brasil da poeta estadunidense

A autora de A redoma de vidro também dedicou parte de sua carreira na produção de obras infantis. A Globinho, selo da Globo Livros, reuniu os três textos de Sylvia Plath na edição: O livro das camas, "A cozinha da senhora cereja", inéditos no Brasil, e "O terno do não-faz-mal", que estava fora de catálogo. De maneira criativa e divertida, Sylvia Plath se transporta para o universo infantil com a mesma genialidade com a qual transita em sua obra adulta, considerada uma das mais intrigantes do século passado. Publicado depois da morte da escritora, em 1976, O livro das camas é um poema de ninar divertido e que estimula a imaginação das crianças ao falar de diferente tipos de camas, como aquela que pode ser um submarino ou a cama polo norte."O terno do não-faz-mal", foi escrita logo depois de Plath dar à luz sua primeira filha. A narrativa encantadora acompanha a trajetória de um “terno macio, felpudo, novo em folha, amarelo-mostarda” que chega de presente aos Nix. Já em "A cozinha da Senhora Cereja", Sylvia Plath dá vida aos objetos da cozinha, que passam a pensar que podem desempenhar as funções dos outros utensílios. A tradução é de Alípio Correia de Franca Neto, vencedor por três vezes do Prêmio Jabuti na categoria, e ilustração de David Roberts.

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