Boletim Letras 360º #183

Uma antologia com contos inéditos de F. Scott Fitzgerald será publicada em 2017 nos Estados Unidos.
Mais informações ao longo deste Boletim. 


Eis a nossa já tradicional postagem de sábado com as notícias que circularam durante a semana em nossa página do Facebook. O Letras está prestes a atravessar sua primeira dezena de anos online; este boletim, portanto, em relação ao tempo de existência é muitíssimo recente. Mas é já uma referência e tanto para nós que fazemos o blog e para os leitores mais presentes.

Segunda-feira, 05/09

>>> Portugal: Morreu Maria Isabel Barreno

Pesquisadora e escritora — e juntamente com Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta uma das mulheres envolvidas no caso conhecido por “Caso das Três Marias” em 1972; quando estas publicaram a obra Novas cartas portuguesas, o livro foi proibido pela Ditadura e elas acusadas por um livro pornográfico e atentatório da moral pública e dos bons costumes. Nos dois anos de embate com a justiça, o processo mobilizou Portugal e outros países; o desfecho só veio a 7 de maio de 1974, já após a Revolução dos Cravos. Na decisão o juiz sublinhava que “O livro Novas cartas portuguesas não é pornográfico nem imoral. Pelo contrário: é obra de arte, de elevado nível, na sequência de outras obras de arte que as autoras já produziram”. A escritora recebeu diversas distinções, entre as quais o Prêmio Fernando Namora (pelo romance Crônica do tempo, em 1991), e os prêmios Camilo Castelo Branco e Pen Club Português de Ficção, pelo livro de contos Os sensos incomuns (1993). Em 2004 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Vozes do vento (2009), sobre a história dos antepassados do seu pai em Cabo Verde, foi o seu último romance, publicado após uma pausa de 15 anos na escrita. No ano seguinte chegou publicou o livro de contos Corredores secretos seguido de motes e glosas. Tinha 77 anos e dedicou-se ainda às artes plásticas e à tapeçaria.

>>> Brasil: O novo livro de José Luiz Passos, Prêmio Portugal Telecom de 2013, chama-se O Marechal de Costas e sai pela Alfaguara Brasil

Um retrato da história da ascensão de Floriano Peixoto ao impeachment de Dilma Rousseff, numa espécie de panorama da nossa democracia nos últimos 120 anos. O livro chega aos leitores em novembro; na mesma época, sai o e-book atualizado (a versão impressa, só em 2017) de Nosso grão mais fino (2009), seu primeiro romance, e uma edição de 50 exemplares numerados e com capas pintadas à mão, com três contos, pela Mariposa Cartonera.

>>> O novo romance do escritor moçambicano Mia Couto já está nas livrarias de Maputo

Como o primeiro volume da sequência que está a trabalhar sobre o reinado de Gungunhana, Mulheres de cinza, a edição foi agora apresentada inicialmente na terra natal de Mia. Trata-se de uma história que retrata a paixão entre um sargento português e uma jovem nativa durante a resistência à ocupação colonial. Intitulado "A Espada e a Azagaia", a obra é mais contributo para a dignificação da história de Moçambique - por isso as apresentações mundiais decorrerem sempre no país. No Brasil, a obra é publicada em setembro pela Companhia das Letras​ com título também diferente do original; se chamará Sombras da água; o primeiro ficou conhecido por aqui como Mulheres de cinzas

Terça-feira, 06/09

>>> Brasil: Uma série de cartas inéditas escritas por Caio F. Abreu para Hilda Hilst ganham edição

As missivas são reunidas no livro Numa hora assim escura; quem organiza a edição é a jornalista Paula Dip. Há cartas de quando Caio tinha 19 anos, período que faz contato com a escritora e amizade levada para toda a vida. Paula era amiga do escritor e já tem o livro Para sempre teu, Caio F., que se tornou roteiro para um filme recém-lançado. A obra deve chegar às livrarias até o dia 30 de outubro.

Quarta-feira, 07/09

>>> Estados Unidos: Oitenta anos depois de escritos, os últimos contos inéditos F Scott Fitzgerald serão publicados em abril de 2017

Os textos datam de 1930 e foram recusados por revistas diversas porque o seu "assunto ou estilo não condiziam com o esperado pelos editores". Todos são, assim, inéditos; é possível que as recusas tenham produzido no escritor a certeza de que são textos não publicáveis uma vez não terem sido submetidos a outras revistas mais tarde que poderiam desenvolver o interesse em editá-los - mesmo quando o escritor atravessou graves necessidades financeiras. Apesar dos pesares, Fitzgerald chegou a preparar uma antologia, mas não publicou-a. A antologia se chama I’d Die for You.

>>> Brasil: Até então inédita por aqui, obra da escritora chinesa Gail Tsukiyama ganha edição

Dentro e fora do seu país a obra de Gail é reconhecida. O primeiro livro dela é editado por aqui pela Primavera Editorial. Uma centena de flores passa-se em 1957 quando Mao Tsé-Tung declarou uma nova política na sociedade: "Deixem que uma centena de flores desabroche; deixem que uma centena de escolas de pensamento discorde". Muitos intelectuais acreditaram, por medo, que a abertura fosse apenas um truque do governo, e o marido de Ying Kai, Sheng, prometera não se comprometer para não colocar em perigo a sua segurança ou a de seu jovem filho, Tao. Mas em uma manhã de julho, pouco antes do seu sexto aniversário, Tao se surpreende com a ausência de seu pai. Sheng é arrastado para longe, sendo acusado de escrever uma carta criticando o Partido Comunista, e enviado para um campo de trabalho de "reeducação". Kai Ying demonstra, em cada página, sua luta diária para manter a pequena família junta face a este lembrete chocante da ausência do marido. Os membros da família enfrentam suas culpas e segredos e esforçam-se para encontrar paz em um mundo onde o sentido de vida se perder. Outros personagens aparecem alinhando suas histórias com a da família. Pessoas comuns enfrentando diariamente circunstâncias extraordinárias com graça e coragem. Um romance poderoso sobre uma família comum enfrentando tempos extraordinários no início da Revolução Cultural. A tradução é de Dina Blaj Schaffer.

Quinta-feira, 08/09

>>> Estados Unidos: Vai a leilão mais um fragmento de um romance fracassado de Napoleão Bonaparte

O militar não foi apenas personagem de várias obras literárias; também escreveu. Mas, sua carreira, ao contrário de sua trajetória no exército, a vida nas letras foi um fracasso. Em 2007, a editora francesa Fayard publicou o romance Clisson et Eugenie, que ele escreveu quando tinha 26 anos. No mesmo ano foi vendido na França por 24mil Euros uma das páginas do romance. E agora outro fragmento do manuscrito vai a leilão. O romance é autobiográfico: conta a história de um jovem soldado francês que, cansado da guerra viaja aos balneários do centro da França, onde conhece duas jovens, Eugene e Anne, e terminará por apaixonar-se pela primeira. No livro, que conta só com 22 páginas, o protagonista não tarda muito em passar do namoro ao casamento e logo à melancolia. Eugene também é uma personagem real com quem Napoleão manteve uma forte relação epistolar - era cunhada de seu irmão. O militar preservou este texto até sua morte em 1821 e desde então tem passado de mão em mão por colecionadores europeus. A obra se encontra dividida em seis fragmentos diferentes, o mai extenso está na Biblioteca Kornik da Academia Polonesa de Ciências. O fragmento que vai a leilão é o mais cobiçado já que o que em que tem maior presença de Eugene. Este manuscrito chegou aos Estados Unidos em 1957.

>>> Brasil: Nova edição para um livro inspirador: o relato das experiências transformadoras de uma vida devotada aos livros

O clube do livro. Ser leitor, que diferença faz?, de Luzia de Maria sai pela Global Editora. Trata-se de um ensaio sobre o poder transformador da leitura, por meio de experiências realizadas em seu clube de leitura no Rio de Janeiro, nos anos 1980. Um grupo de jovens sedentos de descobertas, a literatura exercendo fascínio e um professor apaixonado: território fértil para tarefa de formar leitores. Na época, alguns jovens superaram todas as expectativas: quarenta, cinquenta, até setenta livros lidos em um ano escolar. Tornaram-se íntimos de José J. Veiga, João Ubaldo Ribeiro, Moacir Lopes, Oswaldo França Jr., Fernando Morais, Eduardo Galeano, Clarice Lispector, Isabel Allende, Gabriel García Márquez e muitos outros. Mais de vinte anos depois, alguns daqueles jovens – hoje profissionais bem-sucedidos – dão nesta obra depoimentos sobre essa experiência inovadora, os efeitos da leitura e o seu caráter libertário e transformador.

Sexta-feira, 09/09

>>> Brasil: Clarice Lispector estará entre as antiprincesas, coleção da Sur que também começará a publicar por aqui a sequência Antiherois

Contar as histórias das heroínas latino-americanas. Esse é o objetivo da coleção Antiprincesas. A série rompe os paradigmas dos tradicionais livros infantis que trazem histórias de princesas indefesas, frágeis, delicadas, de cabelos impecáveis em busca de seu príncipe encantado. Idealizada pela escritora Nadia Fink, com ilustrações de Pitu Saá, a coleção foi lançada pela editora argentina Chirimbote e traduzida para o português pela Sur Livros. No Brasil, já foram publicados livros dedicados à mexicana Frida Khalo e à chilena Violeta Parra. A terceira “antiprincesa” é Clarice Lispector, que acaba de chegar às livrarias. O livro mostra como a escritora quebrou as regras literárias e abandonou uma vida de princesa para voltar à sua terra. Escreveu contos, romances e crônicas enquanto seus filhos brincavam ao seu redor, e tinha um cachorro maluco que mastigava cigarros. A Sur a começará a publicar no Brasil a série Antiherois. O primeiro título dessa coleção será sobre o uruguaio Eduardo Galeano e depois, será a vez do argentino Julio Cortázar.

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